Pular a navegação e ir direto para o conteúdo


Home > Economia Geral > Crise europeia: acordo fechado, feridas abertas

Crise europeia: acordo fechado, feridas abertas

8comentários

Crise europeia: acordo fechado, feridas abertasPor Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial.

Caros Leitores, foi com alívio que o mundo (e muitos correntistas) acompanharam o desfecho do acordo europeu, com o perdão de 50% da dívida grega, o reforço ao fundo de resgate com 1 trilhão de euros e a decisão de recapitalizar os bancos fragilizados com os duros choques de uma economia real que grita por atenção e socorro.

O feito mostra a importância das lideranças políticas no processo, com especial destaque para a Chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, mas expõe as questões estruturais de uma dinâmica econômica que não será saciada apenas por uma solução emergencial, por mais relevante que seja, e que clama por uma rota de desenvolvimento que se sustente no horizonte com menos aflição e mais estabilidade.

Trata-se, portanto, de uma complicada equação que carrega nas suas variantes a revisão do modelo de governança econômica da zona do euro. Revisão que contemple não somente as implicações fiscais e o controle da dívidas soberanas dos estados politicamente independentes, mas que ofereça sustentação para um efetivo empurrão na direção de um sistema capitalista sólido, arejado, com tração e menos sustos.

A esperança para aqueles que militam por um ocidente forte, mas que saiba coexistir com outras culturas, modelos e atores – e é importante lembrar que o Brasil se insere neste caldeirão com cada vez mais força – é a de que os desafios[bb] que se colocam no caminho da velha Europa sejam apenas mais uma provação; uma dentre tantas já vividas. Neste sentido, um olhar contextualizado na história dos últimos 100 anos pode ser bem esclarecedor.

Europa ocidental, glórias e desventuras.
Com o fim da gloriosa fase colonial, os europeus ocidentais atravessaram a dramática primeira metade do século passado com direito a massacres e assustadora autodestruição (período em que os esqueletos e as sobras problemáticas do período colonial começavam a se fazer presentes), para então serem socorridos pelo processo de reconstrução.

Na segunda metade do século, carregaram a carga (por vezes exaustiva) de representar a Europa próspera e socialmente nutrida como antítese ao leste europeu comunista, decrépito e planificado, vivenciando um longo período com inquestionável distribuição do bem estar social e acumulação de riquezas.

Com o fim da cortina de ferro, absorveram o leste europeu, receberam os impactos da imigração das antigas colônias, fortaleceram a união dos estados nacionais e criaram uma moeda unificada, mas, com exceção da Alemanha (hoje uma credora sob ameaça), esqueceram as lições do passado e deitaram definitivamente no traiçoeiro berço esplêndido da bonança.

Feridas abertas
No entanto, surge no horizonte o arejamento que historicamente opera para trazer à tona alguns antigos e sólidos valores, juntamente com um sopro de modernidade e dinamismo essenciais aos processos de reconstrução.

A mudança nasce do novo e antigo empreendedorismo[bb], da malha corporativa das ainda sólidas médias empresas – que, atuando na economia real, desprezam a especulação descontrolada, valorizam a importância regulatória do Estado (desde que não seja excessiva e se mantenha a serviço de uma sociedade livre), mas lutam por um modelo economicamente sustentável e coexistente com outras culturas.

Vejo nesse movimento o remédio para fechar muitas das feridas hoje expostas. Contudo, a retórica politicamente correta e do bom senso sustentável precisa deixar de ser apenas retórica para virar realidade. Com força, disciplina, protagonismo político efetivo e senso de convivência responsável digno de um continente economicamente entrelaçado e profundamente interdependente.

Se vai dar certo? A torcida é grande.

Foto de sxc.hu.

Plataforma Brasil

Mais informações

A Plataforma Brasil Editorial atua como uma agência independente na produção de conteúdo e informação.

Leia todos os artigos de Plataforma Brasil

  • Enviar por E-mail
  • Link Curto: http://bit.ly/x5bZ4q
  • http://mises.org.br Filipe

    Definitivamente analises macroeconomicas só empobrecem o dinheirama.

  • Marcelo Almeida

    Gustavo, gostei do texto. Obrigado por compartilhar sua opinião conosco. Discordo do Filipe, acho que é muito importante lermos sobre os acontecimentos econômicos mundiais – e seu texto não tem análise macro nenhuma, trata-se de um breve histórico do que houve agora e do que já ocorreu no passado.

    Trata-se de um desafio para a Europa, como os muitos que ela já viveu. Mas, acredito eu, agora as coisas estão muito mais relacionadas e o efeito dominó pode ser mais devastador, mundialmente falando. O tal disciplina “finanças” está muito desenvolvida, criativa e interlaçada. Não acha?

    Abs. Valeu.

  • http://www.pbrasilnet.com.br Gustavo Chierighini

    Caro Marcelo,

    Eu concordo com você. A interdependência dos mercados, tornaram imperativo o desenvolvimento de novas metodologias para a análise e a contenção de riscos. Espero que os desdobramentos com os quais estamos convivendo desde o tsumani de 2008 (lembrando que antes disso, a partir de uma análise cuidadosa e crítica já era possível identificar os primeiros sinais de deterioração) tragam o ensinamento para que tenhamos um futuro mais sólido e economicamente menos perigoso.

    Um grande abraço
    Gustavo Chierighini

  • http://mises.org.br Filipe

    @marcelo, se essa frase “Vejo nesse movimento o remédio para fechar muitas das feridas hoje expostas.” não implica em análise macro então eu preciso voltar pra primeira série.

    @gustavo, se queres um futuro sólido quem sabe comecemos por extinguir o banco central e não obrigar os bancos a utilizarem reservas fracionárias? Eu poderia escolher um banco que não faz alavancagem com o meu dinheiro e ficar tranquilo de que se ele quebrar eu irei conseguir retirar meu dinheiro que estava em conta-corrente e o governo pode deixa-lo ir a falência. No bom capitalismo ir a falếncia é ÓTIMO pois retira o capital de empreendimentos nãos rentáveis.

    Esqueci de comentar também que essa afirmação “valorizam a importância regulatória do Estado” esta me fazendo pensar seriamente se o dinheirama ainda merece minha indicação para amigos que estão começando no estudo da educação financeira. É uma afirmativa tendenciosa sem argumentação que engana quem não estudou economia.

    • http://dinheirama.com/navarro Conrado Navarro

      Filipe, obrigado pelo comentário. Um dos grandes diferenciais do Dinheirama é justamente a pluralidade de opiniões e as discussões que enriquecem o aprendizado dos leitores. Agradeço pelas indicações aos amigos que estão começando e acredito que seguirá nos apoiando.

      Sobre o texto do Gustavo, acho que precisamos ser um pouco mais razoáveis com a interpretação. A questão mais polêmica, que você apontou, diz que a grande transformação vem sempre do arejamento e das medidas tomadas na economia do dia a dia, dos empreendedores médios, das pessoas comuns. A frase que você citou sobre a valorização do Estado veio seguida de um parêntesis que denota a preocupação do autor em que essa participação seja dotada de bom senso e visão técnica, sem exageros. Entendi que o autor vê como remédio justamente essa retomada através do empreendedorismo e dos modelos sustentáveis de negócio, sem exageros capitalistas e também interferências demasiadas do Estado. Não é uma visão sobre o que acontece ou o que funciona, mas a opinião dele sobre o que pode ser melhor.

      Fico muito feliz que artigos assim nos levem a questionar conceitos e enriquecer nosso conhecimento, por isso reitero meu obrigado por sua opinião e por nos apoiar. E reafirmo nosso compromisso em seguir sempre abertos a novos pensamentos, mas sempre focados em tentar universalizar a discussão econômica de forma acessível, nosso objetivo sempre.

      Grande abraço.

  • http://mises.org.br Filipe

    Conrado, para universalizar a discussão e não prejudicar os “novatos” proponho que artigos como este possuam um banner/alerta no começo dizendo “Algumas opiniões no artigo são baseadas em hipóteses” ou algo mais sucinto mas capaz de alertar o leitor pro fato de que ele deve ler o artigo com o senso crítico “ligado”.

    Ou quem sabe não é hora de classificar os artigos por níveis? Afinal durante tanto tempo no ar os leitores antigos já estão em outro nível de conhecimento.

    Um pouco mais da minha opinião contrária ao texto, sucintamente. É impossível não existir exageros capitalistas no atual sistema economico. Vide os pacotes de “ajuda” dos governos, empresas que arriscam muito mais do que deveriam são salvas, qual o incentivo elas possuem pra não incorrerem nesse tipo de prática novamente? Nenhum!

    Discordo também quando se diz que a transformação vem na economia do dia a dia. É simplesmente impossível. O governo manipula as taxas de juros ao invés de deixar a decisão pro livre mercado. O governo IMPRIME dinheiro e distribui aos bancos (atualmente atráves de títulos públicos) e estes distorcem os preços do livre mercado ofertando empréstimos pra setores da economia escolhidos pelo governo.

    Vou parar por aqui, cansei. Deixo uma última pergunta a quem teve saco de me aguentar até aqui. Vocês já leram sobre a Teoria austríaca dos ciclos economicos – TACE – da escola austríaca? Sugiro.

  • http://www.evolucaocontabilidade.com.br Credenciamento Finame

    Gostei do texto. Um resumo do que aconteceu e do que está acontecendo de forma clara. Parabéns!

  • http://empregodinheiro.blogspot.com/ €mpregodinheiro

    Parabéns pelo seu post, exprime conhecimento sobre uma realidade que na Europa se vive diariamente e que se espera não não agrave mais ainda, todos os dias suguem noticias de mais austeridade e contenção.

  • Livro O Que as Mulheres Querem Saber Sobre Finanças Pessoais

    Livro O Que as Mulheres Querem Saber Sobre Finanças Pessoais

    R$ 19,90
    Comprar
  • E-book: Educação Financeira Infantil – PDF

    E-book: Educação Financeira Infantil - PDF

    R$ 9,90
    Comprar
  • Kit Livros “Vamos Falar de Dinheiro?” e “Terapia Financeira” – FRETE GRÁTIS

    Kit Livros "Vamos Falar de Dinheiro?" e "Terapia Financeira" - FRETE GRÁTIS

    R$ 49,90
    Comprar
Livro Crash Coleção A Revolta de Atlas Livro Aprenda a Operar no Mercado de Ações Livro: Pai Rico Pai Pobre Livro As Armadilhas do Consumo Livro Saga Brasileira

Quem já falou do Dinheirama?

O Dinheirama ensina-nos a obter a saúde financeira com felicidade. "Poupar dinheiro é a arte de garantir o futuro no presente, mas poupar felicidade é perder a essência da vida".

Diego V. de Angelo

Parcerias Exclusivas

Ueba

Disclaimer

Toda e qualquer decisão tomada após a leitura deste blog é única e exclusiva responsabilidade do leitor