O poder da mesada: investir nos filhos sempre será o melhor investimentoAtualmente, um fato que vem se tornando cada vez mais comum é o endividamento por parte dos jovens, um fenômeno que não para de crescer. Os críticos mais severos podem até dizer que estamos diante de uma juventude que não leva nada a sério e que não pensa no futuro. Será que é assim tão simples e óbvio?

Farei uso de um trecho do livro “Freakonomics” (Ed. Campus) para embasar minha analogia e opinião de que o fenômeno é muito mais educacional do que comportamental, sendo a influencia dos pais um fator de grande relevância – impactando muito mais que a própria vontade do jovem.

O livro mostra situações cotidianas confrontadas pelos autores, onde ideias simples, convenientes e confortadoras, tidas como verdadeiras pela sociedade, são postas em dúvida, assim como pretendo fazer com a questão do endividamento dos jovens.

O capítulo que fornece subsídios para minha análise trata da diminuição da criminalidade na cidade de Nova York em decorrência adoção da política de tolerância zero, criada na década de 90, pelo então prefeito Rudolph Giuliani. Após um levantamento, percebeu-se que a maioria dos crimes era cometida por jovens de baixa renda que se encontravam na faixa entre os 18 e 25 anos.

Um fator, portanto, que não foi levado em consideração neste levantamento foi o advento da legalização do aborto no estado de Nova York, nos anos 70, fazendo com que gravidezes indesejadas fossem interrompidas.

Por mais cruel que possa parecer, segundo o autor do livro, o economista Steven Levitt, estas crianças que não nasceram em decorrência destes abortos seriam, futuramente, as pessoas que teriam o perfil traçado para cometer crimes. Coincidentemente, o prefeito Giuliani adotou a o programa de tolerância zero vinte e três anos após a lei do aborto ser aprovada, o que contribuiu de forma expressiva para o sucesso do seu projeto.

Mas o que isso tem a ver com jovens endividados?
Assim como no caso mostrado, em que uma ação realizada no passado acabou por fazer toda a diferença para o sucesso de um projeto futuro, embora isso não tenha passado pela previsão do autor do projeto, temos algo muito parecido com a nossa situação-problema: jovens descontrolados geralmente são, de alguma forma, crianças frustradas economicamente.

Ao levar os filhos a um supermercado, por exemplo, os pais geralmente respondem com um assertivo “não” para os pedidos descontrolados das crianças, ao invés de proceder de forma inteligente e educacional, explicando à criança o motivo da negação. A criança, desse modo, fica sem compreender o que realmente aconteceu e, nos momentos em que estiver de posse de algum dinheiro, procurará realizar todos os seus desejos, interrompidos outrora por um “não”.

A importância da mesada
A mesada é uma forma muito inteligente e educacional de acostumar crianças ao dinheiro. Receber um retorno financeiro a partir de tarefas e comportamentos estipulados em conjunto com os pais ajuda a criar o ambiente ideal para que o jovem aprenda ter responsabilidades. Deve-se ainda dar à criança a opção de ter parte do pagamento retido como forma de investimento.

Exemplo: ao invés de receber 50 reais, referente a um valor integral hipotético, recebe-se somente 30 reais, ficando os 20 reais que faltaram para gastos nas férias de fim de ano ou para comprar as guloseimas do supermercado, que antes eram impedidas pelo “não”.

Há também a possibilidade da cobrança de uma espécie de taxa, que deverá ser devolvida em benefício da criança, podendo, por exemplo, ser revertido em um passeio ao parque de diversões no final de semana, devendo os pais deixar claro à criança que aquela regalia só foi conseguida graças ao trabalho despendido.

Pequenas alternativas como estas ensinam a criança a dar valor e a lidar de maneira inteligente com dinheiro, afinal introduzem conceitos de trabalho, investimentos e impostos. Educação não se restringe somente ao ensino de boas maneiras, etiquetas à mesa e responsabilidade com os estudos. Educação também deve abordar assuntos financeiros. Só assim teremos jovens e adultos conscientes em relação a finanças.

Assim como aconteceu em Nova York, uma decisão que fora tomada anos atrás pode alterar o curso das coisas. Educação financeira é como um investimento: deve ser diário, com fundamento e visando o longo prazo. Investir nos filhos ainda pode ser considerado a melhor e mais viável forma de investimentos que há disponível.

Foto de sxc.hu.

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