O poder da mesada: investir nos filhos sempre será o melhor investimento

16 fev Educação Financeira

O poder da mesada: investir nos filhos sempre será o melhor investimento

A mesada é um importante instrumento de educação financeira e empreendedorismo. Aprenda a usá-la e compreenda porque os filhos são o melhor investimento.

por Leonardo Hermoso
há 2 anos

O poder da mesada: investir nos filhos sempre será o melhor investimentoAtualmente, um fato que vem se tornando cada vez mais comum é o endividamento por parte dos jovens, um fenômeno que não para de crescer. Os críticos mais severos podem até dizer que estamos diante de uma juventude que não leva nada a sério e que não pensa no futuro. Será que é assim tão simples e óbvio?

Farei uso de um trecho do livro “Freakonomics” (Ed. Campus) para embasar minha analogia e opinião de que o fenômeno é muito mais educacional do que comportamental, sendo a influencia dos pais um fator de grande relevância – impactando muito mais que a própria vontade do jovem.

O livro mostra situações cotidianas confrontadas pelos autores, onde ideias simples, convenientes e confortadoras, tidas como verdadeiras pela sociedade, são postas em dúvida, assim como pretendo fazer com a questão do endividamento dos jovens.

O capítulo que fornece subsídios para minha análise trata da diminuição da criminalidade na cidade de Nova York em decorrência adoção da política de tolerância zero, criada na década de 90, pelo então prefeito Rudolph Giuliani. Após um levantamento, percebeu-se que a maioria dos crimes era cometida por jovens de baixa renda que se encontravam na faixa entre os 18 e 25 anos.

Um fator, portanto, que não foi levado em consideração neste levantamento foi o advento da legalização do aborto no estado de Nova York, nos anos 70, fazendo com que gravidezes indesejadas fossem interrompidas.

Por mais cruel que possa parecer, segundo o autor do livro, o economista Steven Levitt, estas crianças que não nasceram em decorrência destes abortos seriam, futuramente, as pessoas que teriam o perfil traçado para cometer crimes. Coincidentemente, o prefeito Giuliani adotou a o programa de tolerância zero vinte e três anos após a lei do aborto ser aprovada, o que contribuiu de forma expressiva para o sucesso do seu projeto.

Mas o que isso tem a ver com jovens endividados?
Assim como no caso mostrado, em que uma ação realizada no passado acabou por fazer toda a diferença para o sucesso de um projeto futuro, embora isso não tenha passado pela previsão do autor do projeto, temos algo muito parecido com a nossa situação-problema: jovens descontrolados geralmente são, de alguma forma, crianças frustradas economicamente.

Ao levar os filhos a um supermercado, por exemplo, os pais geralmente respondem com um assertivo “não” para os pedidos descontrolados das crianças, ao invés de proceder de forma inteligente e educacional, explicando à criança o motivo da negação. A criança, desse modo, fica sem compreender o que realmente aconteceu e, nos momentos em que estiver de posse de algum dinheiro, procurará realizar todos os seus desejos, interrompidos outrora por um “não”.

A importância da mesada
A mesada é uma forma muito inteligente e educacional de acostumar crianças ao dinheiro. Receber um retorno financeiro a partir de tarefas e comportamentos estipulados em conjunto com os pais ajuda a criar o ambiente ideal para que o jovem aprenda ter responsabilidades. Deve-se ainda dar à criança a opção de ter parte do pagamento retido como forma de investimento.

Exemplo: ao invés de receber 50 reais, referente a um valor integral hipotético, recebe-se somente 30 reais, ficando os 20 reais que faltaram para gastos nas férias de fim de ano ou para comprar as guloseimas do supermercado, que antes eram impedidas pelo “não”.

Há também a possibilidade da cobrança de uma espécie de taxa, que deverá ser devolvida em benefício da criança, podendo, por exemplo, ser revertido em um passeio ao parque de diversões no final de semana, devendo os pais deixar claro à criança que aquela regalia só foi conseguida graças ao trabalho despendido.

Pequenas alternativas como estas ensinam a criança a dar valor e a lidar de maneira inteligente com dinheiro, afinal introduzem conceitos de trabalho, investimentos e impostos. Educação não se restringe somente ao ensino de boas maneiras, etiquetas à mesa e responsabilidade com os estudos. Educação também deve abordar assuntos financeiros. Só assim teremos jovens e adultos conscientes em relação a finanças.

Assim como aconteceu em Nova York, uma decisão que fora tomada anos atrás pode alterar o curso das coisas. Educação financeira é como um investimento: deve ser diário, com fundamento e visando o longo prazo. Investir nos filhos ainda pode ser considerado a melhor e mais viável forma de investimentos que há disponível.

Foto de sxc.hu.

Leonardo Hermoso

Trabalha no mercado financeiro desde 2006 e, desde 2010, é sócio fundador da Tradeal Investimentos. Aficionado por tecnologia, acredita que um grande boom financeiro pode acontecer muito em breve graças às facilidades dos meios digitais. No Dinheirama, traz explicações e soluções mais práticas para o seu bolso e o seu dia a dia.

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  • Mel

    É isso aí! Totalmente de acordo com o texto! O brasileiro, não só o jovem, é muito ruim no quesito planejamento financeiro. Detalhe gramatical: “visando ao longo prazo”. Parabéns pelo artigo!

  • http://www.facebook.com/juliocesardemelo1987 Julio César

    kkkk quanta hipocrisia! 80% os brasileiros ganham uma miséria que mal da para as necessidades básicas.

    • Guilhermemig17

      E muito mais importante aprender a lidar com dinheiro do que ter o dinheiro em si.
      Prefiro passar fome e saber como administrar cada 1 centavo que eu ganho do que ter ganhado na mega sena e não saber usar aquilo como a maioria das pessoas não sabe

  • MARCOS

    Não é hipocrisia, Julio César….Não ganham nem pras necessidades mas torram no cartão de crédito até ficarem atolados…tanto pessoas de baixa renda como as mais bem sucedidas…

  • Guilhermemig17

    E a falta de conhecimento financeiro ne.
    OS pais não sabem lidar com dinheiro e não sabem ensinar o filho a lidar também.
    Recomendo a leitura de um livro chamado: Os segredos da mente milionária de T. harv eker

  • Renato

    isso e mais um reportagem ligada ao consumismo, ao tal crescimento economico que todo mundo vai atras, ninguem pensa nas consequencias disso,,não existiráa mundo para sutentar essas loucuras feitas atualmente, é só comprar , gastar, comer e beber mesmo sem fome e sede..ter o mais que puder ter para mostrar aos outros,,,etc,,etc
    a raca humana é ridicula…deveriam aprender com os animais….que na verdade sao seres desenvolvidos.!

  • Noel Santos

    Olá, Investidores!
    Vocês sabem realmente qual o melhor investimento?
    Pra que viver se preocupando com vossos investimentos? Participe de um sistema semelhante a um investimento na poupança, mas com rendimentos muito maiores!
    Email.. nnoelsantos@gmail.com
    MSN.. tridente.27@hotmail.com

  • Icaromauricio

    Sobre o endividamento de jovens brasileiros, há um fenomeno preocupante em universidades publicas do país. Instituições financeiras vem oferecendo cartões de crédito com limites de 1000 a 2000 reais a estudantes que não tem um centavo de renda. Sem analise de credito, pouquissima burocracia. As “tias do cartao” é um dos grupos de personagens mais abundantes, repetitivos e caricatos que vc pode encontrar em um campus. Se o jovem não souber lidar com a ferramenta, começará a vida adulta já endividado… Aí entra a importancia de uma educação financeira desde a infancia, como bem escreveu o ator do artigo. Parabéns!

    • Gisele

      Bem verdade. Eu sempre achava engraçado como alguém poderia aceitar ter um cartão sem ter dinheiro! hehehe Eu acabei criando uma conta universitária, mas conversei com meus pais antes. Tenho ela até hoje e nunca entrei no negativo. ;)

  • Sofia31

    Excelente artigo! Temos uma filha pequena e confesso que ainda estamos nos educando financeiramente, com alguns pequenos tropeços, mas sempre buscando aprender para poder ensiná-la tudo aquilo que os nossos pais não nos ensinaram. Nossos pais são da geração que confia na opinião do gerente do banco (até hoje!) para guiá-los em suas decisões financeiras e não tiveram acesso a educação financeira. O legado disso é complicado, sentimos na pele. Queremos que a nossa filha entenda o valor do dinheiro, tenha um relacionamento bacana com questões de ordem financeira e sinta orgulho de poder conquistar as coisas com o próprio trabalho e com decisões inteligentes de poupança e investimentos. Essa é a semente que pretendemos plantar. Acho que falta a muitos pais entenderem que eles não serão os provedores financeiros dos filhos para sempre, e que muitas vezes acabam “aleijando” o filho com muita ajuda, impedindo que ele aprenda lições valiosas de autonomia e responsabilidade que o salvará de muitos problemas no futuro. Acredito que o papel dos pais é o de fornecer as ferramentas necessárias para que os nossos filhos saiam do ninho com as próprias asas, e estimulá-los a tentarem se levantar sozinhos sempre que caírem, confiando no potencial de cada um. Claro, a gente só pode ensinar o que sabe, por isso nós estamos correndo tanto atrás. A nossa pequena é a nossa maior motivação.
    Realmente, como alguém disse abaixo, não é o quanto se tem ou não se tem. É como se administra o que se tem para alcançar objetivos de curto e longo prazo. A gente sempre vai aumentar o padrão de vida a cada aumento de salário. Difícil é viver com o que se ganha e pensar no futuro. Nesse quesito, somos quase todos iguais.

    • http://www.facebook.com/leonardohermosogarcia Leonardo Hermoso

      Sofia,

      Essa é a realidade na maioria dos lares, tudo é preocupação menos como essa criança vai lidar com dinheiro.

      Se quiser bater um papo me envie um email

      leonardo@tdinvestimentos.com.br

  • Gisele

    Gostei muito das dicas! Eu particularmente nunca tive esse esquema de mesada, mas o diálogo aqui em casa sempre foi grande, então não foi problema. Mas são ótimas idéias pra ajudar o pessoal. Parabéns

  • Gustavo Desvars

    Escrever para uma parcela pequena e burguesa é fácil, porém isso não se aplica a população de classe baixa. Dar mesada, levar ao parque, viajar nas férias; isso realmente não faz parte da grande população brasileira, só quem trabalha com a população carente que pode compreender .em vez de escrever coisas sem sentido.

  • Marcos Paulo

    Muito bom o artigo. E de fato, é bem comum os pais dizerem diretamente um não para a criança, sendo que a mesma não possui senso para distinguir o que esse “não” significa. Tenho um outro exemplo semelhante ao que você menciona no texto, que foge um pouco dessa questão da criança e foca no jovem.. Em que o pai não passa a responsabilidade para o filho para que possa administrar o que tem, nem mesmo encorajá-lo para a vida. É triste, vê-lo como amigo e ver que não está interessado em estudar, que acha que o pai ficará vivo para sempre para poder o sustentar. Visto que o pai também não é uma pessoa que preza pela educação financeira, e nem curso superior tem. Ou seja, essa “deficiência” hereditária tem cura?