29 mar Ações e Derivativos Entrevistas

Dinheirama Entrevista: Guilherme Horn, CEO da Órama

Guilherme Horn, CEO da Órama, explica como é possível ter acesso aos melhores fundos de investimento e estratégias com aportes iniciais pequenos.

por Conrado Navarro
há 3 anos

Dinheirama Entrevista: Guilherme Horn, CEO da ÓramaHá um bom tempo tratamos de uma questão relacionada às decisões de investimentos dos brasileiros que mostra que grande parte dos investidores tem pouco dinheiro para começar a investir. Com aportes menores, estes indivíduos normalmente são levados a escolher produtos com rentabilidades menores. A questão que fica é: como garantir rentabilidades maiores e com aportes iniciais menos vultosos?

Para ajudar a tratar desta questão, conversei com Guilherme Horn, CEO da Órama DTVM S/A. Guilherme é Mestre em Administração de Empresas pela PUC-RJ e Doutor em Ciências Empresariais na UMSA – Argentina, com concentração em Sistemas Complexos. Depois de quase 10 anos de experiência em outros segmentos, juntou-se à Ágora Corretora em 2000 para iniciar o projeto de varejo online daquela corretora.

Foi o sócio responsável pelo projeto, que incluía as áreas de Tecnologia e Marketing, até 2008, quando a empresa foi vendida para o Bradesco por cerca de R$ 1 bilhão de reais. Em 2009, Horn, junto com os sócios fundadores da Ágora, iniciou o desenvolvimento da Órama, a primeira loja online independente de fundos do Brasil, lançada no mercado em agosto de 2011.

Acompanhe nosso papo:

Guilherme, os investidores brasileiros que buscaram a renda variável aumentaram bastante na última década. Gestores especializados também apareceram para suprir a demanda por investimentos mais rentáveis. Esse movimento deve continuar?

Guilherme Horn: Nos últimos anos, houve uma grande popularização da Bolsa no Brasil. Isso mostra que finalmente o brasileiro começou a se preocupar não só em poupar, mas também em rentabilizar seu patrimônio. No entanto, o investidor comum, que se aventurou na Bolsa e obteve grandes conquistas, ficou perdido quando viu seus investimentos se diluírem com a crise. O grande engano foi achar ser possível administrar sozinho 100% dos investimentos.

A analogia que faço é com a automedicação. Uma simples dor de cabeça não te leva ao médico. Mas se o problema é sério, você não vai se automedicar, não é verdade? Então por que vai fazer isto com o seu dinheiro? É muito mais prudente colocar seu dinheiro na mão de especialistas que só fazem isso! Se os ricos e milionários fazem desta forma, você realmente acha que deve fazer diferente?

Muitos leitores têm dúvidas sobre as diferenças de se investir em fundos de investimentos e de forma direta. Você pode citar as características destas alternativas e quando elas podem ser mais interessantes e vantajosas?

G. H.: Uma das grandes vantagens de se investir em Fundos é contar com especialistas que acompanham e analisam o mercado diariamente em busca das melhores oportunidades, dentro de uma estratégia traçada. Esses profissionais contam com softwares de análise de risco sofisticados, que possibilitam a avaliação do risco de cada operação e suas possibilidades de retorno. Já a Bolsa oferece muitas vantagens para quem quer ter total autonomia, mas para isso é preciso entender, ter tempo de acompanhar o mercado, além de capital disponível para a diversificação em diferentes ativos.

Um Fundo de Ações, por exemplo, antes de comprar um papel, conversa com os administradores da empresa, com funcionários, ex-funcionários, concorrentes, clientes e fornecedores. Algumas vezes até se faz passar por um potencial parceiro ou cliente para entender melhor os processos da empresa. Leva meses numa pesquisa de campo exaustiva e detalhada. Sem contar a quantidade de dados e informações a que tem acesso.

Isto tudo faz com que o gestor do Fundo tenha um conhecimento da empresa e uma visão de seu futuro que não pode ser comparada com a de um investidor individual. O resultado final não pode ser o mesmo. Até pode acontecer de um investidor individual, num determinado período específico, ganhar mais do que um fundo. Mas é só comparar no longo prazo, em 5 ou 10 anos, que fica evidente a diferença na consistência dos resultados.

Um dos principais problemas de muitos investidores é o aporte inicial. Muitas instituições de varejo (grandes bancos, por exemplo) oferecem produtos de aportes baixos, mas cujas rentabilidades não são tão interessantes. Por outro lado, produtos de gestores especializados costumam exigir valores iniciais mais elevados. Pode explicar a diferença entre os produtos de grande apelo daqueles mais específicos?

G. H.: Brasileiro está acostumado a investir através de seu banco, geralmente com a indicação do gerente, que não é uma pessoa especializada em investimentos. Os bancos oferecem diversos produtos, como poupança, previdência, entre outros. Fundo de Investimento é mais um dos muitos produtos oferecidos. Por isso, da mesma maneira que procuramos um cardiologista quando temos um problema no coração e não um clínico geral, por que fazer diferente com nossos investimentos?

Nada melhor do que escolher um especialista em Fundos se você quiser investir e aumentar suas chances de obter êxito neste segmento. Os produtos que gestores especializados oferecem são diferenciados, pois existe um alinhamento de interesses do gestor e do cotista. Na maioria das vezes, inclusive, o dinheiro do gestor está investido no mesmo produto.

Reparei que a Órama nasceu com o objetivo de permitir que, mesmo com aportes menores, o investidor consiga investir e aproveitar a estratégia de fundos especializados. Pode explicar melhor como surgiu essa ideia?

G. H.: É antigo o nosso desejo de democratizar o mercado de Fundos de Investimento no Brasil. A história da Ágora, que foi durante quase uma década a maior corretora do país, nos mostrou que a Internet é um meio muito poderoso de prover acesso. Por isso, queremos reeditar essa trajetória de democratizar o acesso, criando a ponte entre o pequeno investidor e os Fundos de Investimento mais sofisticados do país.

Afinal, com uma aplicação inicial de R$ 5 mil fica muito mais fácil investir em Fundos de Gestores Independentes, que normalmente possuem uma aplicação inicial de R$ 50 mil a R$ 500 mil, sem contar que para ser cliente de uma gestora dessas, muitas vezes o patrimônio exigido é superior a R$ 1 milhão ou R$ 3 milhões. Alguns vídeos explicam melhor nossas ideias e propósitos: “Como surgiu a ideia da Órama” e “Como a Órama se insere no mercado”.

Os fundos mais conhecidos pelas pessoas normalmente são aqueles mais comuns, comercializados através do relacionamento frequente com o gerente do banco. Como são escolhidos os fundos que a Órama oferece e de que forma o investidor pode encontrar mais detalhes antes de se decidir?

G. H.: O que a Órama faz é uma rigorosa seleção, pois não pretendemos ser um supermercado com centenas de opções de Fundos, como algumas corretoras, mas sim oferecer efetivamente os melhores. Por isso, dentre os milhares disponíveis no Brasil, não vamos distribuir mais de 50. Queremos que o investidor saiba que na Órama ele pode formar uma carteira bem diversificada apenas com os melhores.

Para isso, formamos um comitê que analisa rigorosamente os Fundos através de reuniões com os gestores, análise de seu histórico, análise dos processos internos de gestão, controles de risco, grau de aderência à filosofia e estratégia de investimentos. Enfim, uma detalhada due diligence que busca confirmar que a rentabilidade é resultado de uma estratégia bem definida, e não da sorte.

Para auxiliar o investidor a montar uma carteira de Fundos, oferecemos diversas ferramentas. Uma delas chama-se Selecionador de Fundos, na qual você responde seis perguntas e então recebe uma indicação dos melhores fundos para o seu perfil e objetivo. Temos ainda uma área multimídia com vídeos dos próprios gestores explicando as estratégias dos Fundos e suas performances mensais.

Como a Órama consegue viabilizar essa facilidade do aporte inicial menor? Se o fundo exclusivo exige aporte elevado, isso significa que vocês completarão o valor necessário?

G. H.: Sim. Para cada Fundo escolhido, montamos um FIC (Fundo de Investimento em Cotas), com uma aplicação mínima de R$ 5 mil. Assim, o que você aplicar no nosso FIC, nós aplicamos no que chamamos Fundo Alvo. Por exemplo, se você aplicar R$ 5 mil no Órama Gávea, a Órama vai completar o mínimo do Gávea (Fundo Alvo), ou seja, colocar mais R$ 295 mil e investir um total de R$ 300 mil lá.

Quando você quiser resgatar, é a mesma coisa. Você resgata o quanto deseja (mínimo de R$ 3 mil) e a Órama faz os ajustes necessários. Dia desses um repórter me perguntou se seria uma espécie de compra coletiva (garantida) de Fundos. Gostei da comparação!

Se o fundo alvo escolhido cobra taxas de performance e administração, como ficará o patrimônio do investidor na hora do resgate? O que mais será cobrado por possibilitar a ele o acesso a este produto diferenciado?

G. H.: O que a Órama cobra pelo acesso aos melhores Fundos do mercado é uma taxa de administração de 0,6% ao ano. Isso representa apenas R$ 30,00 por ano para quem aplicou R$ 5 mil. Um valor bem razoável para que você possa investir nos Fundos onde até hoje somente os milionários investiam – ainda mais por se tratar de um site simples, fácil de operar e que oferece todos os melhores fundos num só lugar.

E é só isso, pois a Órama não cobra taxa de performance. É importante lembrar que a rentabilidade de um Fundo é apresentada líquida da taxa de administração. Ou seja, não tem nada a ser debitado, além do imposto, é claro.

Como você vê o atual momento econômico do Brasil e a importante mudança no patamar de renda de nossa população? É hora de investir? Como convencer as pessoas da importância do planejamento financeiro?

G. H.: O Brasil está vivendo um momento ímpar. Alcançou a 5ª posição entre as maiores economias do mundo, deixando o Reino Unido para trás. Com inflação aparentemente controlada, moeda fortalecida e nível de desemprego no menor patamar da história, esse é o melhor momento para começar a pensar no futuro. As pessoas estão consumindo mais e mudando o padrão de vida.

Por isso, é importante se planejar, investir e diversificar para não ter uma surpresa negativa no futuro. Imagine a situação dos gregos, que não se planejaram. Ou de tantos outros cidadãos europeus diante desta crise. Sejam os investimentos para alcançar um determinado objetivo ou para complementar a renda da aposentadoria, quanto antes começar, melhor. Não é fácil convencer alguém a se planejar, mas cada um tem seu tempo para entender a importância do planejamento.

Guilherme, obrigado pela participação e disponibilidade. Por favor deixe uma mensagem final aos jovens que desejam construir um futuro financeiro melhor e mais tranquilo.

G. H.: Como mensagem final, gostaria de dizer aos jovens que consumir é muito bom, mas ter dinheiro guardado é melhor ainda. Dá segurança e traz liberdade! Nada melhor do que ter uma reserva para poder viajar, consumir e realizar os sonhos. Eu que agradeço o espaço e deixo o convite aos seus leitores para acessarem nosso site – www.orama.com.br – e conhecerem nossos fundos. Tenho certeza de que vão gostar! Até a próxima.

Foto: divulgação.

Conrado Navarro

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros "Dinheiro é um Santo Remédio" (Ed. Gente), “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks), autor do blog "Você Mais Rico" do Portal EXAME e colunista da Revista InfoMoney. No Twitter: @Navarro.

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  • Yuri

    Excelente entrevista. Gostei muito das respostas comparando com médicos. Pergunto: As aplicações são garantidas pelo FGC?

    • http://dinheirama.com/ Conrado Navarro

      Olá Yuri, tudo bem?
      Obrigado por comentar. Fundos de investimento não tem garantia do FGC. A parte de perguntas frequentes do FCG explica melhor isso, retirei de lá o texto abaixo:

      Por que o dinheiro que eu aplico em Fundos de Investimentos não tem garantia do FGC?

      Os Fundos de Investimentos Financeiros são entidades constituídas sob a forma de condomínios abertos. É uma comunhão de recursos arrecadados de clientes para aplicação em carteira diversificada de ativos financeiros, cujos regulamentos são registrados em cartórios de títulos e documentos. Geralmente são administrados por uma instituição financeira e estão sujeitos a supervisão e acompanhamento do Banco Central do Brasil ou da CVM – Comissão de Valores Mobiliários, dependendo de sua natureza.

      A pessoa jurídica de um Banco não se confunde com a dos Fundos de Investimentos. Quando um banco sofre intervenção ou liquidação extrajudicial, a garantia para os cotistas desses Fundos consiste na própria carteira de ativos financeiros, que seguem normas específicas de administração que objetivam garantir segurança e transparência, de forma que o cliente pondere fatores, tais como: rentabilidade e risco quando da sua decisão de aplicar em um fundo de investimento financeiro.

      Mais em: http://www.fgc.org.br/?ci_menu=59&conteudo=1

      Abraços.