13 abr Finanças Pessoais

Dinheiro e felicidade: elementos complementares para quem planeja o futuro

A relação entre dinheiro e felicidade é muito clara nas famílias que criam e planejam seu futuro. Afinal, será que dinheiro traz felicidade?

por Ricardo Pereira
há 3 anos

Dinheiro e felicidade: elementos complementares para quem planeja o futuroJá tem tempo que penso em escrever um artigo falando de felicidade. É comum, muito comum, diga-se de passagem, ouvirmos aquela veja velha máxima “dinheiro não traz felicidade”. Até que ponto essa afirmação está correta? Você concorda? A resposta comum, e muitas vezes irônica, que muita gente gosta é “Ele (o dinheiro) pode não trazer, mas manda buscar”. Pois é…

A verdade é que, a cada dia que passa, estou mais convencido de que o que nos faz ou não felizes quando falamos em dinheiro é a forma como lidamos com ele. Não só nos momentos de crise, mas em todos os momentos de nossa vida. Quase sempre, só percebemos o quanto alguma coisa é importante para nossas vidas quando deixamos de tê-la. Essa verdade pode ser empregada para o dinheiro também.

Exemplos: são eles que movem o mundo.
É natural buscarmos exemplos na vida prática que sirvam de inspiração e fonte de motivação para alcançar o sucesso. Quantos por ai não confirmam possuir muita admiração por esportistas, personalidades da TV e atores de cinema? Mas, dificilmente percebemos (pelo menos no público jovem) a identificação com pessoas de sucesso no mundo das finanças.

Afinal, o que é mais legal: a figura do jovem ator da novela das oito ou o jovem que batalhou e alcançou, com seu próprio esforço, sua independência financeira antes dos 30 anos? A visão romântica do sucesso é mais “cool”, mais simples de explicar aos outros e mais fácil de “emular”.

Somos condicionados, desde sempre, a viver uma realidade de faz de conta. Aprendemos de forma errada que para ter alguma coisa na vida é preciso se endividar. Ontem mesmo no caminho para participar de uma palestra, ouvi alguém falando isso. Olhei para ver quem era e, para meu espanto, eram duas jovens de pouco mais de 20 anos. Muito triste.

O Brasileiro ainda vive na década de 80?
Tenho a nítida impressão que ainda estamos vivendo no Brasil da década de 80, onde era praticamente impossível planejar o orçamento financeiro no longo e médio prazo. A inflação, que batia forte no poder de compra da população, ainda está presente, mas hoje temos a possibilidade de pensar o amanhã com muitas possibilidades.

Para começar, podemos sonhar com possibilidades inimagináveis naquele tempo. Hoje é possível investir pra valer na carreira (sim, educação é investimento!). O Brasil de hoje e do futuro é carente de mão de obra especializada, algo que você já está cansado de saber. Quer mais? O desemprego encontra-se em níveis relativamente baixos e a renda é crescente, o que nos permite estruturar o orçamento doméstico com tranquilidade e priorizar a construção de patrimônio.

Felicidade hoje e sempre!
Hoje é uma necessidade indispensável pensar o futuro, trabalhar para criar um modelo novo e privado de aposentadoria. Você, jovem leitor, deve se sentir privilegiado: tem muito mais tempo e possibilidades de aprendizado (acesso a informações) que seus pais ou avós. O que você faz diante dessa realidade?

E como fica a felicidade nessa história? Ora, hoje é muito mais fácil encontrar a felicidade. E, vamos deixar a hipocrisia de lado, ela passa necessariamente por questões financeiras, seja pela tranquilidade de não estar devendo a ninguém ou mesmo pelas possibilidades de conquistar bens de consumo e realizar desejos e sonhos pessoais/familiares. O dinheiro e os exemplos que surgem na forma como lidamos com ele são importantíssimos.

Para finalizar, presto uma homenagem a um grande brasileiro que recentemente nos deixou: Millôr Fernandes. Uma pessoa admirada por muitos e que também manifestou alguns ótimos pensamentos em relação ao dinheiro: “O que o dinheiro faz por nós não é nada em comparação com o que a gente faz por ele”.

Tenho certeza que a reflexão sobre essa frase complementa e, ao mesmo tempo, dá o tom do artigo de hoje. Até a próxima!

Foto de sxc.hu.

Ricardo Pereira

Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

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  • CARMEN

    Excelente texto e convite à reflexão.

    Ver os jovens de hoje tão envolvidos com o propósito de investir em educação para serem felizes muito me conforta e anima porque eu sempre tive a certeza de que estudar seja o que há de mais compensador na vida.

    Dinheiro traz felicidade sim, na medida que saibamos nos respeitar e respeitá-lo exatamente na mesma proporção, enxergando-o como sendo a consequência dos nossos atos e esforços e nunca como causa que justifique qualquer atitude, inclusive com falta de ética e de caracter, como se vê muito por aí.

    Com relação à célebre frase do saudoso Millôr, por um lado temos que considerar o que a maioria de nós está disposta a fazer honestamente para alcançar um confortável padrão de vida e, por outroa atentar para o que os políticos costumam fazer para se ter a dimensão exata do que a falta de vergonha na cara é capaz de permitir em nome do dinheiro…

    Parabéns pelo trabalho dessa excelente equipe.

    Abraços.

  • http://www.facebook.com/people/Pobretão-De-Vida-Ruim/100003513889338 Pobretão De Vida Ruim

    Minha opinião sobre isso é forte: Dinheiro pra mim é felicidade.

    Quanto mais dinheiro ganhamos mais felizes somos pois dinheiro permite fazermos as coisas mais maravilhosas que existem e o trabalho é uma algema para o ser humano. As pessoas gastam muito em bens materiais e se endividam e ficam presas na corrida dos ratos pra sempre.

    Forte abraço!

  • usjunior

    Concordo plenamente. Dinheiro traz felicidade SIM!
    Muitos dizem também: Ter muito dinheiro e não ter saúde…
    Tendo dinheiro posso pagar um ótimo convênio e não depender de hospitais públicos. Diárias em hospitais de alto custo podem chegar a cinco, dez mil reais. Vou fazer minhas as palavras do “Pobretão De Vida Ruim” que comentou anteriormente: Dinheiro é felicidade.

    []s

  • SGRZ

    Dinheiro, traz felicidade SIM. Quem disser o contrário ou já nasceu rico ou vive estressado e nunca passou por dificuldades financeiras. Quando a pessoa tem dinheiro ela se sente realizada por poder fazer e comprar as coisas que as deixa FELIZ. A sensação de tranquilidade ao saber que pode pagar pelo que compra é SIM uma forma de felicidade. A pessoa que inventou a frase “dinheiro não traz felicidade” está errada, pois ao meu ver esta frase não tem efeito prático e sim motivador para quem não tem dinheiro.

  • Celso

    O dinheiro, claro dentro da realidade ocidental, é importantíssimo mas … é preciso atenção !

    Há aqueles que o buscam loucamente e para isso atropelam, fazem toda sorte de pilhagem – enfim não encontram barreiras que possam intimidar e logo as atravessam.

    Passado um certo tempo de “sucessos” vem um vazio existencial, quando não … a falta de saúde !

    Todo esforço precisa ser equilibrado – afinal de contas – de que adianta ter um saldo lindo se há um passivo oculto prestes a apresentar a sua “fatura” ?

    Equilíbrio eita coisa difícil …