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Você e o próprio negócio: o empreendedorismo perde força

13comentários

Você e o próprio negócio: o empreendedorismo perde forçaPor Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial.

Caros leitores, o título também me traz pesar. Mais do que isso, me assusta. Quando comecei a conceber esse texto, troquei algumas opiniões a respeito com parceiros e sócios, e de fato ali não observei sequer uma vírgula de desânimo, mas o universo empreendedor é muito grande e, por conta disso, alguns dados não podem passar sem o mínimo de observação.

Desde sempre escutei – e realmente presenciei todos os indícios – a máxima que coloca o Brasil como um dos países mais empreendedores do mundo. Uma gente criativa, impactada por múltiplas influências culturais, dotada de grande capacidade de adaptação a adversidades e invejável flexibilidade a circunstâncias.

E, como se não bastasse, um povo que ainda conta com um dos maiores mercados[bb] consumidores do mundo, além de um universo empresarial repleto de oportunidades e grande diversificação.

Tudo absolutamente verdadeiro, assim como é efetivamente possível perceber o avanço do empreendedorismo como cultura e aspiração para jovens e também maduros, que anseiam independência e campo fértil para suas realizações e sonhos através das próprias “pernas” (empresas).

Mas alguns fatos merecem atenção. Segundo algumas pesquisas, a maioria dos profissionais já formados e em atividades, estudantes e donas de casa, declaram o desejo de ter serem seus próprios patrões, mas pouquíssimos se animam a pôr a ideia em prática. Ao que tudo indica , o impulso perdeu intensidade nos últimos anos.

Durante muito tempo, muito antes do glamour empreendedor, diante das inúmeras e recorrentes crises econômicas, muitos brasileiros enxergavam no negócio próprio uma rota de fuga da consequente escassez de empregos formais. Para mim, semanas antes da formatura, é inesquecível a imagem da aglomeração de alunos disputando um mural que não continha mais do que alguns poucos anúncios de emprego[bb]. Algo impensável nos dias de hoje.

O tempo passou, o Brasil passou a usufruir das poucas e essenciais reformas que foram implementadas nos últimos 17 anos, recebendo impacto direto na criação de empregos formais. Com isso, observamos o surgimento e o fortalecimento de grandes grupos empresariais. Estes também, frutos de forte e saudável cultura empreendedora.

Mas a dinâmica econômica precisa ser sempre observada em perspectiva e, ao que tudo indica e apesar dos avanços claros, estamos “ficando pra trás”. Em um estudo divulgado pelo Banco Mundial em 2011, sobre a facilidade para abrir e conduzir negócios em 183 países, o Brasil ocupou o longínquo 126º lugar no ranking, entre a Bósnia e a Tanzânia.

Além dos obstáculos criados pela nossa ineficiente burocracia, existem as questões tributárias e os encargos trabalhistas que, consumindo 35% da renda nacional, põem medo em muita gente corajosa. A parte paradoxal dessa história é que, segundo alguns levantamentos, não obstante o crescimento observado nos últimos anos, o número de brasileiros que declaram desejar montar as suas próprias empresas vem declinando na medida em que os empregos formais ganham força.

A conclusão aqui é a de que não atingiremos os patamares desejados de competitividade, diversidade industrial e tecnológica sem um forte e estruturado espírito empreendedor[bb] capaz de ser colocado em prática, em ação.

Esse mesmo espírito deve ser potencializado por incentivos e um cenário minimamente fértil para o seu fortalecimento – ou, quem sabe, menos hostil. Mais do que tudo isso, o empreendedorismo saudável deve ser cada vez mais uma opção e menos uma simples solução.

Você já tentou abrir uma empresa por aqui? É atualmente um empresário? Pretende ser? Como enxerga essa situação? Vamos discutir o tema com mais cuidado? Use o espaço de comentários abaixo. Obrigado e até o próximo.

Foto de sxc.hu.

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  • Gustavo Oliveira

    Eu tenho vontade de empreender algo no ramo educacional. Lecionar é uma paixão e empreender é um desejo constante, mas o grande vilão que no curto/médio prazo vai impedir esse “casamento” é a brutal e complexa carga tributária. Não tenho vergonha de dizer que não me sinto confortável em abandonar meu emprego estável e me aventurar em um negócio próprio em um país que, como mostra pesquisas, é um dos piores para se empreender no mundo. Infelizmente, vou continuar alimentando meu espírito empreendedor de outras formas…

  • Sketchkorn

    Se as cargas tributáris são altas não é o empreendedor que leva a pior, e sim o consumidor final! Não adianta, conta simples para nós empreendedores. A cultura do nosso país é a de ilusão do desenvolvimento. Povo tem mania de ficar parado! Vai aprender algo e aprimore seu conhecimento constantemente! Empreender é mudar sempre para melhor.

    • Gustavo Oliveira

      Eu discordo. A sua lógica só faz sentido quando o negócio já está estabelecido, de forma que venda não só um produto (no sentido amplo), mas também agregue valor. Quando se começa um negócio, a burocracia e a carga tributária atrapalham demais a busca por espaço no mercado. Se você não atrai pela “marca” e não atrai pelo “preço”, qual atrativo você oferece ao cliente?!

      • Sketchkorn

        Empreender tbm é agregar valor (e outras várias coisas), se não é capaz disto, o indivíduo vai ter que ter carteira assinada mesmo. Espaço no mercado tbm é o empreendedor que cria. Falar de burocracia e carga tributária é desculpa para não empreender. Se concentre na solução e não no problema: “Como aumentar o faturamento da minha empresa?” O resto já virou cultura assim como os impostos do governo em tudo. Só com o reconhecimento e experiência do seu trabalho ao longo de alguns anos que o mercado absorve você. A palavra mágica dos empreendedores é “criatividade”. E não é começar a empreender que as coisas vão acontecer num passe de mágica e sua vida vai estar feita porque você é dono do próprio negócio ou porque o Brasil é o país dos empreendedores. O sistema é lindo, rustico e sistemático. Respondendo a pergunta: Se eu não atraio pela marca e preço eu ainda tenho: produto (ou serviço) que solucione, ponto de venda (atendimento sempre disponível e rápido), promoção (não especificamente de preço), parceria com clientes, fornecedores, colaboradores e comunidade, competência, compromisso, criatividade, aptidão em mudar (em até virar tudo de cabeça pra baixo qnd for necessário).. etc. =] Abraço!

  • Dbpicchi1

    Vou ser bem sincero…
    Sou empreendedor, tenho meu próprio negócio, uma empresa de consultoria em gestão empresarial, e junto da minha sócia, a nossa principal dificuldade é encontrar mercado, é conseguir vender nosso peixe, e isso tem nos desmotivado bastante!

  • Celso

    Já que há espaço para opiniões, ai vai a minha …

    - Tenho atuado como perito contábil há alguns anos. O meu público-alvo é formado de advogados atuantes na área cível, além das demandas do Fórum.

    - Toda vez que aparece alguma perícia (contratos bancários) noto após ler os documentos, normalmente com muitos anos de vigência, um sonho que se perdeu no tempo …

    - A pessoa (Física ou Jurídica) tinha uma necessidade e após “embarcar” no financiamento teve se refazer os seus planos, que muitas vezes não estavam devidamente estruturados – ou seja – eram feitos para apagar um incêndio que então aparecia …

    - A visão do brasileiro, com raras e honrosas exceções é colonial. Ele não consegue por vários fatores pensar no longo prazo. O habitual comportamento é o de um bombeiro, o que explica em parte a falta de empreendimentos centrados em pesquisa e desenvolvimento, por exemplo.

    E isso é notado até em grandes centros de formação acadêmica infelizmente. Tudo é voltado para o curto prazo. As exceções quando descobertas são atraídas para o exterior.

  • Bruno

    gostaria de deixar aqui o meu comentario…tambem sou comerciante..empreendedor…mas estou um pouco frustrado por algumas situações…realmente ocorreu um boom de investimento e de surgimento de empreendimentos…o que desencadeou em uma problemática que vem sendo confirmada por diversos empresários..além das altas taxas de impostos, encargos trabalhistas uma coisa q cansa muito é a mão de obra..a dificuldade em arrumar funcionário especializados e com comprometimento, é muito dificil para uma empresa (micro) manter um funcionário, hoje parece que estamos nas mão deles. eles cansam e te deixam na mão..a lei os protege. EMPREENDER tem se tornado muito cansativo, vc cria mas as pessoas não se adequam. A super estimativa de que deve´se abrir um negócio criou uma especulação imobiliaria, aumentando os custos fixos..oscilação de preços, aumentos repentinos de impostos..e para se manter competitivo tem que anter o preço..não eh facil empreender no Brasil não…é uma guerra se manter..

  • Rafaels1303

    Tenho negócio próprio também.
    A questão dos impostos no Brasil penso que seja
    um fator determinante para desmotivar o empreendedor.

    Pois assim como alguém falou que quem paga o pato é consumidor
    final, nós empreendedores sofremos também pelo custo de se manter
    um negócio, muitos não acabam prosseguindo nos seus respectivos negócios,
    pela questão de ter que arcar com um custo fixo muitas vezes altos demais.

    E pra onde que vai toda essa dinheirama???? Essa pergunta eu me faço todos
    os meses.

  • http://twitter.com/everton_ric Finanças Forever

    Não creio que o empreendedorismo esteja perdendo força. Ao contrário, acredito muito mais nele.

    Os juros atuais estão de bom tamanho para quem já possui um empreendimento. Com receitas mensais constantes (medias anuais) se pode conseguir um empréstimo bom ou razoável e alavancar sua empresa. Não estou dizendo para todos irem ao Banco e pedir empréstimos. Quero dizer que é um bom momento para quem já tem uma empresa em andamento.

    Ao meu entender, ficou bom para gerar dinheiro, porém ficará mais difícil para segurar mão de obra qualificada.

    Abração,

  • Gustavo Chierighini

    Meus caros, agradeço muito pelo debate rico que o texto provocou.

    Na data de hoje, precisamente, inicia a nossa alforria tributária (é tema comentado no meu novo artigo). Significa que trabalhamos cinco meses para honrar com nossas obrigações fiscais pasa os ambientes federal, estadual e municial. Só perdemos para a Suécia que trabalha por 6 meses. Mas o fato é que não recebemos de volta os benefícios deste investimento “público”. Quando me refiro a perda de força do empreendedorismo, me baseio nas condições adversas que enfrentamos cotidianamente no Brasil.

    Mss continuo acreditando, e empreendendo, tenham certeza.

    Um grande abraço a todos.

    Gustavo Chierighini

  • Evelim Candido

    Na minha opinião o empreendedorismo no Brasil não esta perdendo força, ao contrário as mudanças são poucas mas já há sinais de que o Governo deseja que os profissionais saiam da informalidade e da sonegação, com a criação do Simples Nacional e do EI (Empreendedor Individual). O que eu observo é uma série de profissionais sem experiência para gerenciar um negócio e ainda pior sem qualificação! Por isso que a taxa de mortalidade das empresas nos dois primeiros anos ainda é muito grande. Mais uma vez vamos ter a educação do Brasil como a grande vilã para as mazelas do país … um país sem educação de qualidade jamais irá alcançar grandes patamares de desenvolvimento.

  • Junior

    Sou pequeno empresario ja a 15 anos e realmente as vezes penso em desisitir. Nos brasileiros somos um povo pacato, as vezes ate demais. Na hora de votar em causa propria, nosso politicos nao pensam duas vezes. Mas quando se fala em algo para beneficar o povo como uma reforma tributaria a coisa se arrasta por anos. Pagamos diversos impostos, e vai sendo criados mais maneiras de tirar nosso dinheiro sem que nos demos conta. Por exemplo, pagamos impostos que teoricamente deveria ser para manter nossas estradas, e nao bastando isso, nos cobram pedagio. Ainda assim nao sendo suficiente, agora temos que pagar parquimetro para estacionar. Realmente desestimula empreender desta maneira. Eis porque o sonho de muita gente e passar em concurso publico.

  • Jhon

    para mim, em grande parte empreendorismo = amadorismo.

Quem já falou do Dinheirama?

No Brasil, se eu pensar em blog de finanças pessoais, a primeira idéia que vem à cabeça é Dinheirama. Parabéns e sucesso para vocês!

Humberto Veiga

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