Corrida aos bancos, com direito a saques de 800 milhões de euros por dia, estocagem de comida e instabilidade política na Grécia, injeção de fôlego de 100 bilhões de euros para re-capitalização de bancos espanhóis sem garantia de sucesso, relação dívida/PIB italiana em níveis nunca dantes vistos e cortes orçamentários profundos da família real britânica.
Isso sem falar do rebaixamento, por agências de rating, de bancos alemães (grande parte do PIB alemão está atrelada à saúde financeira do resto da Europa, já que exportam boa parte de sua produção para os vizinhos). A crise lá fora tem ingredientes de sobra para alarmar muita gente (e seus governantes).
O que se faz, de fato?
Linhas de crédito aos bancos como salvação e manutenção da solvência evitam a disseminação do pânico, quebra de instituições financeiras e aumentos ainda maiores nos prêmios de risco (custos de rolagem das dívidas públicas), mas são apenas medidas pontuais que não resolvem os problemas estruturais políticos, fiscais e sociais.
Tais problemas, como o ínfimo crescimento, o desemprego em níveis alarmantes e a taxa de rejeição aos atuais governos só terão reversão de tendência quando esforços estruturais e sistemas de metas de austeridade fiscal, superávit primário, transparência e regulação dos mercados e redução de déficit em transações correntes do balanço de pagamentos forem devidamente implementadas na Zona do Euro.
O custo social e político do aumento de tempo de contribuição e mudanças de regras previdenciárias, elevação de impostos e diminuição de oferta de serviços públicos é tão grande que faz com que haja uma enorme lacuna entre a retórica dos governos e a efetiva execução desse “aperto de cinto social”.
E como fica o Brasil nessa história?
Por aqui, no que se refere à “questão macroeconômica”, não podemos deixar de elogiar a condução do tripé da política econômica: política monetária voltada à manutenção do poder de compra da moeda e o sistema de metas de inflação, política de câmbio flutuante que permite absorver choques externos e eventualmente acumular reservas internacionais e a política de austeridade fiscal, com metas de superávit primário.
A população vê, no governo Dilma, uma atuação mais conjunta e coordenada entre Ministério da Fazenda e Banco Central (BC), diferentemente dos governos passados onde víamos discrepâncias nos pacotes de medidas entre as duas instituições.
Basta lembrar que o BC usava, no passado recente, medidas macroprudenciais para restringir o crédito e controlar a convergência da inflação para o centro da meta, enquanto a Fazenda cortava o IPI da linha branca e dos automóveis mostrando-se na contramão ou suscetível à pressão política dos sindicatos e da indústria.
Se a autoridade monetária (BC) acertadamente aproveitou a oportunidade da crise externa para baixar a taxa básica de juros (SELIC) ao seu menor nível histórico (8,5%) e tentar aquecer a economia no segundo semestre, através do estímulo ao consumo de nossas já altamente endividadas famílias, vamos saber daqui a pouco.
Particularmente, preferia ver mudanças também através das reformas estruturais, por nós tão sonhadas e das quais ouvimos falar por aqui desde meados da gestão FHC. Continuar sonhando não custa nada, não é?
Foto de sxc.hu.