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Padrão de vida, objetivos, investimentos e sorrisos

7comentários

Padrão de vida, objetivos, investimentos e sorrisosOs especialistas defendem que investir precisa ser uma decisão ancorada em um objetivo. Na prática, relacionar investimentos e metas é necessário porque o componente emocional é sempre determinante em nosso comportamento. Em outras palavras, precisamos de motivação forte o suficiente para definir e respeitar nossas prioridades ou seremos “engolidos” pelos prazeres do momento (consumismo).

Acontece que as transformações hoje são muito mais velozes, o que traz uma carga elevada de ansiedade. Essa sensação “ainda não é suficiente” se converte em pressa para realizar sonhos[bb] e objetivos que antes eram mais planejados e distribuídos em um horizonte temporal. O resultado é uma angústia constante, alimentada muito mais por nossas decisões que por terceiros.

Veja como são as coisas: vivemos muito mais hoje que no passado, mas temos necessidades cada vez mais urgentes e passageiras. Temos tempo pela frente, mas ignoramos esse fator na construção de patrimônio. Precisamos e preferimos parecer completos e bem-sucedidos a construir isso de fato (o que requer paciência, encarar frustrações e disciplina).

Homens e mulheres
Em palestras, sempre brinco com a questão dos gastos familiares e pergunto: “Quem gasta mais, o homem ou a mulher?”. Está comprovado que o homem gasta mais que a mulher e que elas são muito melhores em gerenciar as finanças e os investimentos. O homem tem um comportamento mais agressivo, arrisca mais e funciona muito bem para alavancar parte do patrimônio (mas não todo).

Onde há diálogo, a segurança na escolha feminina e o apetite pelo risco do homem formam um time vencedor nos investimentos. E, se interessa saber, mulheres bem informadas são mais ousadas que os homens na hora de investir. Certo, mas o que pensam e como agem as mulheres em relação aos investimentos? Uma pesquisa realizada no primeiro trimestre de 2012, pelo Instituto Data Popular, com 15 mil mulheres, revela algumas observações interessantes:

  • 40% das entrevistadas disseram que economizam para realizar um objetivo pessoal, como um curso no exterior, uma viagem ou uma cirurgia plástica;
  • Das que não afirmaram não ter objetivos, 40% poupam para criar um fundo de reserva capaz de deixá-las mais seguras;
  • Do total, 16% delas só fazem poupança para comprar à vista;
  • Apenas 3% das participantes afirmaram que poupam como investimento;
  • Segundo projeções do Data Popular, feitas a partir da Pesquisa Nacional de Amostragem de Domicílios do IBGE (Pnad), as mulheres movimentarão R$ 738,3 bilhões este ano.

Apesar da maioria das mulheres ainda não relacionar metas, razões para economizar e investimentos[bb], os números mostram que uma parcela razoável delas age de forma sistematizada, associando desejos a sua realidade econômica e preparando-se para emergências. Não me surpreenderia com uma realidade diferente no caso dos homens – fica o convite para que seja feita uma pesquisa neste sentido.

Investimento e padrão de vida
Meu objetivo com este texto é alertá-lo, caro leitor, para a frequente confusão entre investimento e padrão de vida. O dilema que envolve a decisão de consumir ou deixar para depois tem se agravado também em função da ansiedade gerada com a quantidade de informação à nossa disposição atualmente. Muito material disponível, muitas responsabilidades e a angústia de querer ser “o primeiro” torna complexa a atividade de avaliar e respeitar o padrão de vida.

É tanta coisa para fazer, tantas expectativas para corresponder, tantas demandas para suplantar que fica difícil parar e pensar no que nós realmente queremos. E assim paramos de pensar no por que deveríamos fazer isso ou deixar de fazer aquilo. Simplesmente fazemos porque é o que esperam de nós.

Ao que tudo indica, seguimos firmes com a cultura do consumo como fator de diferenciação social. Nada errado em subir o padrão de vida, é claro, mas é importante que possamos garanti-lo diante da elevada expectativa de vida. Isso traz uma interpretação do que é subir o padrão de vida: não se trata de ter mais coisas e ser mais feliz, mas de ter mais liberdade e qualidade de vida.

Sorrir demais é diferente de sorrir sempre!
O psiquiatra Contardo Calligaris explica isso de forma brilhante, abordando a questão do sorriso nas fotos e nosso hábito de sorrir. Antigamente tínhamos que esperar segundos (até minutos) de exposição para tirar uma foto – e ninguém sorria porque segurar o sorriso por tanto tempo o tornaria ridículo. Com o avanço da tecnologia[bb], hoje vivemos a era do sorriso instantâneo – é feliz e “de bem com a vida” quem publica mais fotos sorrindo em suas redes sociais.

Questões essenciais e mais profundas, como relacionamento, diálogo, dinheiro, investimento, patrimônio e tantas outras, tornaram-se “assuntos chatos”, “coisa de especialista” – basta ver quantos consultores e especializações existem por ai. Ironicamente, sorrisos demais significam vida plena de menos.

Não será hora de rever valores e princípios? Deixe seu comentário no espaço abaixo e também no Twitter – sou o @Navarro por lá.

Foto de sxc.hu.

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Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks), autor do blog "Você Mais Rico" do Portal EXAME e colunista da Revista InfoMoney. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

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  • Carmen

    Meu filho, como sempre um artigo altamente didático e inspirador escrito de forma leve e de agradável leitura.
    Suas reflexões são bastante lúcidas e nossas necessidades “cada vez mais urgentes e passageiras”, se constantemente atendidas certamente repercutirão de forma negativa na qualidade e padrão de vida futuros.
    O tempo só está a nosso favor quando aprendemos a utiliza-lo de forma a construir uma vida mais verdadeira e sustentável, caso contrário, parecer completo e bem sucedido a qualquer preço só causará consequencias nefastas a médio prazo.
    Os sorrisos fáceis da fotos atuais, mais que alegria, têm que traduzir confiança, determinação e sentido de vida para serem autênticos.
    Parabéns pela indicação ao prêmio Guru de Ano, que para mim você já ganhou, e pelo enorme e merecido sucesso, fruto de seu maravilhoso trabalho..

  • Luiz Dorça

    Muito bom o artigo, Navarro, parabéns.
    Acredito que toda hora é hora para revisar valores e princípios. Já li muitos artigos que falam que as experiências marcam muito mais do que coisas materiais. Experiências nos trazem de volta aquela sensação de felicidade sempre que nos lembramos delas. Mas um bem material só nos dá sensação real de felicidade nas primeiras semanas. Depois nos acostumamos com aquilo. Mais importante do que a marca do carro é para onde estamos indo com ele. Um passeio de fusca até a praia vale muito mais do que um passeio de ferrari até o shopping. E sai bem mais barato ainda por cima.
    A questão é o equilíbrio da balança entre viver bem o momento e pensar no futuro. E este exercício fica mais fácil quando temos valores e princípios bem embasados.

  • Ana Paula

    Sensacional! Parabéns!

  • http://www.facebook.com/mauro.amado.75 Mauro Amado

    Muito bom! Parabéns!

  • Pingback: Nossos gastos e o tabu das dívidas | Chega de Dívida

  • Andre Fogaça

    “Mais importante do que a marca do carro é para onde estamos indo com ele. Um passeio de fusca até a praia vale muito mais do que um passeio de ferrari até o shopping. E sai bem mais barato ainda por cima.”

    Excelente Texto e ótimo comentário do Luiz Dorça.

    Abraço,
    André Fogaça

  • Murielhlf

    Minha ex-namorada disse para mim que o pai dela perguntou o que ela queria de aniversário de 15 anos, uma festa com todos os caprichos e tals ou um celular de ultima geração, ela escolheu o celular. hoje o celular dela está “ultrapassado” e ela não tem nenhuma recordação plausível da data.

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