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Talento essencial, medo, dinheiro e sucesso

8comentários

Talento essencial, medo, dinheiro e sucessoSou educadora em cursos técnicos e minha disciplina é voltada para o Desenvolvimento Humano. Um dos últimos estudos realizados em classe foi baseado em um texto animador da Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva sobre os jovens e o novo mercado de trabalho. Um aspecto relevante levantado por ela foi que caminhamos para um mundo movido a talento:

“Vivemos em uma economia que é movida a talento. Ele é capaz de gerar novas e ousadas ideias que, transformadas em produtos ou serviços, geram riquezas ou promovem mudanças que podem mudar o mundo para melhor. Cada ser humano é único e possui um talento essencial. Descobrir os próprios talentos e poder expressá-los ao mundo em que vivemos justifica a nossa existência e traz realizações pessoais (profissional, afetivo, familiar, social)”.

“Nem sempre descobrimos facilmente nosso talento essencial (principalmente sozinhos), mas nunca devemos desistir de alcançá-lo. Afinal de contas, com o tempo, todos nós teremos que administrar nossas personalidades, e para isso devemos ter a habilidade de identificar e desenvolver os mais expressivos talentos pessoais”.

A receptividade ao tema foi muito boa, os alunos conseguiram ver a importância da atenção aos aspectos fundamentais para o sucesso profissional: o cuidado com o autodesenvolvimento e o foco nas busca dos objetivos pessoais. Talento e empreendedorismo[bb] caminham juntos.

Por que não fazemos o que queremos e podemos?
Como quase tudo em nossa vida, quando saímos do plano das ideias e trazemos esses elementos sinalizados pela autora e por tantos outros especialistas para a vida real, o encontro com o talento essencial ganha um novo contorno. Em outra discussão proposta dentro do tema, os alunos revelaram as dificuldades desse encontro e as barreiras de tornar real cada sonho empreendedor.

O medo foi o limitador mais citado entre as opiniões. O medo de arriscar, de pensar fora da caixa e não ser aceito. Vivemos em uma sociedade, digamos, “formatada” e é comum a inovação incomodar, pois traz a necessidade de ajuste. Em vários casos, esse medo revela a dependência que temos em relação às pessoas – é normal o ser humano buscar a aprovação, mas quando esse sentimento impede a evolução pessoal, a vida se torna uma espécie de escravidão suave no dia a dia.

A insegurança, a baixa autoestima e o comodismo vão minando as possibilidades de voos mais altos, de acordo com outros alunos. A cegueira em relação aos talentos pessoais e a imagem depreciativa que a pessoa tem de si mesma podem ser notadas por meio de frases do tipo “isso não é para mim”, “isso é para gente rica”, “estou muito velha para mudar” ou “não sei fazer nada direito”.

Os pensamentos constantes nesse sentido aprisionam e criam uma realidade limitada. Acredito que todas as pessoas tem uma missão nobre nessa existência, uma missão pessoal de superação e da busca pelo bem. Achar que talentos são para os outros parece cômodo demais, concordam?

Nem tudo se resume a mais dinheiro…
Ainda nesse aspecto, uma pequena provocação para aguçar novos pensamentos: um pouco desse comodismo e desanimo tem raízes na sociedade[bb] que insiste em prestar atenção e enaltecer a dupla “Sucesso e Dinheiro”! Muito dinheiro! Entendam que o dinheiro é resultado de um trabalho bem executado e não há nada errado em recebê-lo – o que incomoda é a distorção do conceito essencial de sucesso.

Eu e felizmente muita gente, compreendemos o sucesso como algo que vai além do aspecto financeiro. Para traduzir esse entendimento, vejam o que o filósofo Ralph W. Emerson escreveu, no século XVIII, sobre o tema:

“Rir muito e com frequência; ganhar o respeito de pessoas inteligentes e o afeto das crianças; merecer a consideração de críticos honestos e suportar a traição de falsos amigos; apreciar a beleza, encontrar o melhor nos outros; deixar o mundo um pouco melhor, seja por uma saudável criança, um canteiro de jardim ou uma redimida condição social; saber que ao menos uma vida respirou mais fácil porque você viveu. Isso é ter tido sucesso”.

O sucesso é algo pessoal!
É óbvio que cada um é livre para entender o sucesso segundo seus próprios filtros, mas é preciso atenção à avalanche de conceitos excludentes que acabam contribuindo para que muitas pessoas não expressem seu talento porque alguns falam que “isso não dá dinheiro” ou “aquilo não é para você”. Ora, todos os talentos são essenciais, todas as profissões cooperam para a construção de uma sociedade (a questão das incoerências salariais já é outra história).

Assim, em meio às contradições diárias existe um espaço muito especial para a esperança! Saber ler a vida com olhos de atento aprendiz é aproveitar cada dia para ser uma pessoa melhor. Evoluir é o caminho. Descobrir os talentos, tomar posse deles e usá-los para construir uma vida e um mundo melhor é uma questão de aprendizagem.

Aprender liberta e oferece ferramentas para buscar a excelência pessoal. Sou testemunha de muitas conquistas dos meus alunos e isso sempre me emociona. Afinal, já está na hora de quebrar modelos desgastados que não atendem aos anseios de mentes conscientes do Belo, do Bem e do Bom.

Compartilhe conosco seu ponto de vista sobre talento e sucesso usando o espaço de comentários abaixo. Será muito bom conhecer o pensamento de vocês sobre esse tema ainda polêmico. Abraço grande e até a próxima.

Foto de sxc.hu.

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Bernadette Vilhena

Mais informações

Pedagoga empresarial, consultora em diversas instâncias da prática educativa nas empresas e autora do livro "Dinheirama" (Blogbooks). Especialista em Gestão de Pessoas e estudos nas áreas de Ergologia, Gestão do Conhecimento e Educação no trabalho.

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  • http://twitter.com/VideoAulasByAna VídeoAulas ByAna

    Uau, Bernadete! Esse texto me tocou profundamente. O meu blog (sobre aprendizagem) começou justamente num momento de descoberta dos meus reais talentos e daquilo que amo fazer. Isso tem tudo à ver com o que acredito e tento repassar um pouco lá pras pessoas, principalmente quando você diz: “Aprender liberta e oferece ferramentas para buscar a excelência pessoal”.
    Também amei a definição de sucesso do Emerson. Poderia igualmente ser a definição de felicidade. No fundo, é dela que estamos todos correndo atrás, né?
    Abraço,
    Ana

    • Bernadette Vilhena

      É isso mesmo Ana, esse conceito de sucesso tem tudo haver com felicidade!
      Fico feliz por ter levado algo de bom para você e saber sobre sua busca/encontro com o talento essencial.
      Abraço

  • Jair Brizolla

    O atual modelo que teve início no pós-guerra (1945) esgotou-se e vai até no máximo 2015. É urgente um novo “modelito” para esta nova era. As grandes corporações não sabem o que fazer e para onde vão… cabe a nós definirmos o dia de hoje com nossos talentos. Parabéns pelo seu texto. Atenciosamente, JAIR BRIZOLLA NOVO HAMBURGO – RS.

    • Bernadette

      Concordo Jair, estamos caminhando para a “virada”. Essas questões atingem também as escolas e seus modelos engessados de ensino, outra área doente. Obrigada pelo comentário.
      Abraço

  • Lucas

    Embora políticos, líderes empresariais e proletários debatam acerca dos problemas que eles alegam serem os responsáveis pelo crescimento do desemprego mundo afora, como o outsourcing de companhias estrangeiras ou o trabalho imigrante, a verdadeira causa não está sendo abordada no debate público: o desemprego tecnológico.

    Nas palavras do economista ganhador do Prêmio Nobel Wassily Leontief:

    “O papel dos humanos como os fatores mais importantes na produção está fadado a diminuir do mesmo modo que o dos cavalos na produção agrícola foi primeiramente reduzido e depois eliminado com a introdução dos tratores.”(21)

    Desde que o capitalismo mercantil é baseado na lógica de reduzir os custos de entrada (incluindo os de mão-de-obra) para elevar os lucros, a tendência a substituir força de trabalho humana sempre que possível por automação mecânica é uma progressão natural na indústria. Afinal, uma máquina não precisa descansar,
    não exige plano de saúde ou benefícios, e não faz parte de um exigente sindicato trabalhista.

    Uma rápida olhada nas estatísticas americanas de trabalho por setores definitivamente revela o padrão de automação mecânica substituindo a mão-de-obra humana. No setor agrícola, praticamente todos os processos tradicionais são agora executados por máquinas.

    Em 1949, as máquinas colhiam 6% do algodão no sul dos EUA. Por volta de 1972, 100% da colheita de algodão passou a ser feita mecanicamente. (22)Quando a automação atingiu o setor de produção americano na década de 50, 1,6 milhões de empregos de colarinho azul foram perdidos em 9 anos.(23) Em 1860, 60% dos EUA trabalhavam na agricultura, ao passo que hoje são menos de 3%.(24)

    Em 1950, 33% dos trabalhadores americanos trabalhavam no setor de produção, enquanto que por volta de 2002 tornaram-se apenas 10%.(25) A indústria metalúrgica americana, de 1982 a 2002, aumentou sua produção de 75m toneladas para 120m toneladas, ao passo que seus trabalhadores foram de 289.000 para 74.000.(26)

    Em 2003, a Alliancie Capital realizou um estudo das 20 maiores economias do globo, abrangendo o período de 1995 a 2002, que descobriu que 31 milhões de empregos no setor de produção foram perdidos, enquanto a produção teve um aumento de 30%.(27) Essa forma de aumentar a produtividade e o lucro, aliada ao aumento do desemprego, é um fenômeno novo e poderoso, sem nenhum sinal demudança à vista.

    Então, para onde foram esses empregos? Para o setor de serviços. Enquanto que de 1950 à 2002, a porcentagem de americanos desempregados nas indústrias de serviço estavam ente 59% e 82%(25), nos últimos 50 anos, o setor absorveu os desempregados da agricultura e produção.

    Infelizmente, esse padrão está sendo desacelerado à medida que a automação computadorizada é contida. De 1983-1993, os bancos cortaram 37% de seus caixas humanos, e no ano de 2000, 90% dos clientes usavam caixas eletrônicos. (28)

    Os operadores de telemarketing foram quase que completamente substituídos por vozes eletrônicas que respondem a perguntas. Os caixas dos correios estão sendo substituídos por máquinas auto-serviço, enquanto que os caixas estão sendo substituídos por caixas eletrônicos.

    O McDonald’s, por exemplo, tem falado sobre uma total automação de seus restaurantes já faz muitos anos, introduzindo quiosques para substituir a equipe do balcão, assim como ferramentas culinárias automáticas, como viradores de hambúrgueres, para a equipe interna.(29) O fato de ainda não terem feito isso está provavelmente ligado a questões de relações públicas, pois eles sabem quantos empregos seriam cortados no caso de o fazerem.

    Não há uma área sequer na indústria de serviços que não esteja sendo afetada pela automação computadorizada. Na verdade, se alguém pensasse criativamente sobre a aplicação da tecnologia que existe atualmente, mas não é ainda aplicada no setor de serviços, é fácil perceber como, quase que do dia para a noite, a maioria desses serviços poderia ser removido, a começar pelos caixas, garçons, e operadores de telefone.

    O economista Stephen Roach alertou:

    “O setor de serviços perdeu sua função como desenfreado mecanismo criador de empregos dos EUA.”(30)

    Onde está o novo setor emergente para empregar todos os desempregados quando essa transição ocorrer? De fato não há uma. Pelo menos não ainda. Embora existam muitos campos de especialização emergindo no reino das informações, eles são muitos limitados em suas habilidades de oferecer algo próximo a uma compensação pela vasta perda de empregos que está por vir.

    O que vocês pensam sobre o futuro impacto do desemprego tecnológico?

    • Ed Antonio

      Lucas, novas tecnologias acabam sendo aplicadas sem que a sociedade esteja preparada para absorvê-las, isto pode ser observado ao longo de toda a história da humanidade, causando mudanças abruptas na forma de produzir, transacionar e até se relacionar. Também considerava as novas tecnologias uma ameaça, até chegarem os Chineses e sua maneira irracional de produzir, assim como sua forma de competir no mercado, agora vejo que o mundo estava se adaptando e muito bem as novas tecnologias, com muita dificuldade estava conseguindo manter e evoluir a qualidade de vida das pessoas, veja a Europa, todas as conquistas sociais conseguidas estão ameaçadas pela forma de atuar dos Chineses, será impossível para qualquer país no mundo ter políticas sociais que tornem a vida mais fácil para as pessoas enquanto a China inundar o mundo com seus produtos a preços reduzidos.

      Mas foi bom que isto aconteceu, trouxe a tona o grande problema do mundo capitalista, “A Ganância”. A crise financeira atual que se iniciou em 2008 representa a falência deste modêlo. Agora todos tem que aprender a ganhar pouco para sobreviver aos Chineses, talvez isto traga um pouco mais de inteligência para as pessoas e tenhamos uma melhor distribuição das riquezas no futuro. Quanto aos Chineses, não sei como tantas pessoas suportam apenas trabalhar e trabalhar, sem ter o mínimo de benefício ou retorno em forma de qualidade de vida.

      Nós brasileiros precisamos educar a nossa população em todos os aspectos, falta muito para alcançarmos o nível de evolução conseguido na Europa, mas não podemos deixar que o modelo Chines seja adotado por aqui.

      Tendo em mente que quem investe em educação nunca tem prejuízo, vemos que o Brasil não está sabendo investir.

      O brasileiro consegue fazer uma grande mobilização para comemorar a vitória do seu clube de futebol, mas é completamente alienado para as questões políticas que envolvem o seu futuro e o dos seus filhos, não se une para manifestar-se contra por exemplo: fator previdênciário; aposentadoria aos 75 anos; mais verba para a educação; ensino público e gratuíto; etc. Isto sim é algo preocupante.

  • Celso

    Um dos maiores desafios dos educadores é saber separar o joio do trigo – ou seja – aquele que tem potencial e aquele que apenas quer aparecer.

    Que os (as) educadores (as) possam investir o seu tempo lapidando os legítimos talentos.

    O Brasil agradece.

  • 100004257969979

    muito motivador , foi tudo que eu precisava ouvir de uma pessoa experiente e pude ler e vou guardar para que sirva de inspiraçao

Quem já falou do Dinheirama?

No Brasil, se eu pensar em blog de finanças pessoais, a primeira idéia que vem à cabeça é Dinheirama. Parabéns e sucesso para vocês!

Humberto Veiga

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