Pular a navegação e ir direto para o conteúdo


Dinheirama > Economia Geral > O governo brasileiro vai pra cima (dos outros)

O governo brasileiro vai pra cima (dos outros)

7comentários

O governo vai pra cima (dos outros)Por Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial.

As queixas do brasileiro diante do universo de serviços comumente consumidos é enorme – mais do que isso, chega a ser folclórica e quase cultural. É caro viver no nosso querido país. Por um conjunto de razões que, como sabemos, extrapolam a lógica e o desejo do mundo empresarial, pagamos caro por serviços que quase sempre nos oferecem mediana qualidade.

Nas exceções, quando o vendido é efetivamente entregue, o resultado é quase uma adoração pública. Por fim, estes são os fatos. A análise deste contexto é complexa, envolve questões culturais, o nosso apego a um modelo operacional de baixa precisão, uma fiscalização deficitária e pouco rigorosa no que é essencial e, como não poderia deixar de ser, um impacto governamental e legislatório que carrega em tributos, encargos, taxas, cara burocracia e deficiência em infraestrutura básica.

Em resumo, uma bela salada de ineficiências. A velha e determinante mistura da “fome com a vontade de comer”. O resultado não poderia ser outro: muitas reclamações, um senso comum de inquietações e, claro, imensas oportunidades para quem for minimamente atento e esperto.

Oportunidade para quem quer, de fato, além do marketing e do lero-lero corporativo, se esforçar efetivamente para atender bem os seus clientes, com muito mais do que as cansativas mensagens socialmente responsáveis que atualmente inundam a narrativa das centrais de atendimento ao longo dos hiatos de espera. Atender com serviços precisamente bem qualificados ou minimamente em acordo com os contratos firmados.

O governo também é exigente…
Mas não são apenas os empresários sérios e dedicados que enxergam ganhos em nadar na contramão da incompetência de serviços. Com eles concorre o governo, em busca de espaço e votos (tudo bem, tudo bem, não só isso), que na sua função de indutor regulatório, passou a pegar pesado com setores representativos da reclamação nacional.

Pragmáticos e contando com a infantaria do Banco Central, começaram direcionando as baterias para os juros bancários. No rastro do rolo compressor, as instituições foram pouco a pouco cedendo às pressões e reduzindo suas taxas “mobilizados para atender ao novo momento”, nas palavras de um banqueiro. Em seguida, direcionaram o fogo para as teles, onde por meio da agência reguladora setorial moveram um conjunto de punições absolutamente sem precedentes.

Agora o radar governamental se dirige ao setor automotivo, onde ameaça encerrar a redução do IPI caso as montadoras decidam sustentar demissões relevantes para encarar os novos ventos econômicos. Os planos de saúde parecem estar na mira. Até os atletas nas olimpíadas estão sendo cobrados por conta dos recursos públicos neles alocados.

…mas prefere cobrar só dos outros
Muitos aplaudem, outros são tomados pela doce sensação de revanche, mas os mais críticos observam o óbvio, e questionam:

  • Quando o governo vai mirar para o próprio espelho?
  • Quando assumirá as suas próprias deficiências sem demandar novos impostos para saneá-las?
  • Quando atuará de fato, reduzindo o déficit de infraestrutura que esmaga a nossa produtividade?
  • Quando vai atuar firmemente em prol das reformas tributária e trabalhista (existem outras de grande importância estrutural)?

As respostas ficam no ar. Ok, é verdade que algumas iniciativas nessa direção estão entrando em curso, mas de longe com menos rigor e intensidade do que as outras que trouxeram tantos festejos aos consumidores. Temos muito a fazer, não?

Esperemos, pois, sem parar de trabalhar. Até o próximo.

Foto de sxc.hu.

Gostou do artigo?

Por favor, compartilhe!

Plataforma Brasil

Mais informações

A Plataforma Brasil Editorial atua como uma agência independente na produção de conteúdo e informação.

Leia todos os artigos de Plataforma Brasil

Comente pelo Facebook


  • Felipe Borduam

    Não vejo de forma negativa o posicionamento mais rígido do Governo em relação as deficiências que ocorrem no mercado, contudo concordo veementemente que está na hora deles olharem para seu próprio calo. Atualmente, mobilização e pressão social são as ferramentas que julgo indispensáveis para que isso ocorra.

    • Edson

      Mobilização e pressão social disse tudo Felipe, está na hora do povo abrir os olhos para as questões políticas, e votar com consciência e ética.
      Quando a classe política perceber que o povo mudou a forma de votar, muito provavelmente vão mudar a forma de governar.
      É mais ou menos assim, se o povo continua a votar nos mesmos é porque está satisfeito com o serviço prestado, mudar o voto é como passar a comprar da concorrência, e ninguém quer perder clientes.

  • M Gorgatti

    So digo uma coisa: FERROVIAS. e PORTOS. Estamos 100 anos atrasados. Mas isto melhoraria bem o transporte (Inclusive das estradas e das cidades – pois a infra que ja temos seria muito melhor utilizada) e os custos de exportacao, certo ? Qual a dificuldade de produzir os trilhos ( nas nossas siderurgicas) , e as locomotivas e vagoes ? alem dos empregos que gerariam.. Abs a todos.

  • Celso

    Vejo de forma objetiva esta questão do Estado na economia.

    No passado distante, o Estado era indispensável para fazer este país funcionar. Hoje ele não é mais, mas … como o seu peso em nossas vidas gigantesco retirá-lo, equivale a tentar desarmar um explosivo de poder altamente destrutivo.

    Será que existe alguém capaz deste desafio ?

    • Felipe Borduam

      Celso, concordo que o Estado por muitas vezes se torna um peso, invés de um instrumento facilitador da justiça social. Contudo, Adam Smith em seu livro “A Riqueza das Nações” já defendia que existia uma “mão invisível” no mercado capitalista, o qual iria regular tudo sem a necessidade de intervenção externa (do Estado). A história demonstra que não é bem assim. O capitalismo se não for regulado e acompanhado se torna bem injusto e explorador. O que temos que fazer é obrigar a esse “gigante” e “gordo” Estado a fazer um “regime” ao ponto de profissionalizarmos a administração pública e que todos os cidadãos tenham influência e discutam os caminhos que ela deva tomar. Na era da informação e das mídias sociais acredito que esse objetivo seja mais factível.

  • http://twitter.com/Blog_MundoY Mundo Y

    Infelizmente, não vejo nenhuma grande melhora na competitividade do Brasil, no mínimo, pelos próximos 10~15 anos.
    Os motivos não são nenhuma novidade: projetos de melhoria da infra-estrutura teimam em não sair do papel, o investimento na qualidade da educação está longe do aceitável, excesso de corrupção, dentre milhares de outros motivos.

    Até hoje, as medidas tomadas pelo governo (redução de imposto, juros etc) remediaram os sintomas dos problemas, mas não a causa raiz.

    Quando a economia mundial reaquecer, o dragão da inflação irá preocupar novamente e veremos de novo juros de 2 dígitos. Investidores de renda fixa agradecem.

  • LuizSantos

    Estavam indo tão bem até tocar no tema de “reforma trabalhista”. Foi essa mesma “reforma” que acabou com o direito dos trabalhadores em alguns países da Europa e quase dizimou o mercado de trabalho nos USA. Se for uma reforma para melhor, ainda vai, o problema é que essa pressão por reforma trabalhista é sempre pra FERRAR com o trabalhador.

Quem já falou do Dinheirama?

No Brasil, se eu pensar em blog de finanças pessoais, a primeira idéia que vem à cabeça é Dinheirama. Parabéns e sucesso para vocês!

Humberto Veiga

Parcerias Exclusivas

Ueba

Disclaimer

Toda e qualquer decisão tomada após a leitura deste blog é única e exclusiva responsabilidade do leitor