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Você e os carros mais caros e cada vez mais vendidos do mundo

22comentários

Você e os carros mais caros e cada vez mais vendidos do mundoÉ comum ouvirmos que o brasileiro é apaixonado por carros. O tema é bastante controverso, mas essa discussão não é relevante no momento. Por ora, o que podemos afirmar com certeza é que o brasileiro aceita pagar caro pelos carros que compra em quantidades cada vez maiores, apesar de serem os veículos com os preços mais caros do mundo.

Como isso ocorre e o que podemos fazer? Inicialmente, vamos falar sobre os “quatro pilares” que sustentam a existência desses preços astronômicos. Os três primeiros serão abordados rapidamente, porque o nosso foco será discutir o quarto.

1. Alta carga tributária

No Brasil, os carros constituem a maior fonte de arrecadação para o governo em todas as esferas. Em relação ao preço de compra, há estimativas de que os impostos representam (sobre o custo total) cerca de 42% para os carros nacionais e 56% para os importados. Esta matéria da revista Época tratou especificamente do assunto.

2. Elevada margem de lucro das fabricantes

Apesar dos tributos, os carros vendidos no Brasil apresentam preços bem acima do que seria razoável, principalmente quando comparamos os valores cobrados pelos mesmos modelos em outros países. Existem estimativas apontando para o fato de que a margem das fabricantes no Brasil chega a ser o dobro (ou superior) em relação ao mercado externo.

Adicionalmente, as concessionárias têm uma considerável margem e ainda existem questionáveis regras internas que impedem os consumidores de comprarem numa região diversa daquela em que residem.

Neste artigo, o objetivo é apenas retratar esse cenário, lembrando que as empresas são entidades voltadas à obtenção de lucro. Isso porque a intenção principal é destacar que compete ao consumidor tomar as melhores decisões de compra (veja o item “4” abaixo), o que inclusive pode implicar alterações nas próprias condições do mercado num prazo mais amplo.

3. Incidência do “Custo-Brasil” e protecionismo

O chamado “Custo-Brasil” é a principal justificativa usada pelas fabricantes ao comentarem os preços elevados. Acreditamos que isso explica apenas parcialmente a questão, principalmente porque observamos que alguns carros fabricados no Brasil e exportados apresentam um preço significativamente inferior no mercado externo (mesmo considerando os diferentes tratamentos tributários aplicáveis).

Mas, realmente, não podemos ignorar o “Custo-Brasil”, que, além de englobar o item “1”, abrange a falta de infraestrutura e consequentes impactos logísticos, legislação trabalhista ultrapassada, custo do capital, política monetária, alta carga de impostos na folha de pagamento, práticas sindicais questionáveis e etc.

Além disso, há um excesso de medidas protecionistas que comprometem a competitividade dos veículos importados, o que afeta a concorrência. O novo Regime Automotivo, conhecido como Inovar-Auto, inclusive mantém uma série de regras nesse sentido. Adicionalmente, no Brasil existe a proibição de importação de veículos usados com menos de 30 anos, o que também contribui para esse cenário.

4. O consumidor brasileiro aceita pagar caro pelos carros

“O dinheiro nunca falta para os nossos caprichos; somente discutimos o preço das coisas úteis e necessárias”Honoré de Balzac

Finalmente chegamos ao ponto que queremos discutir. Nos últimos anos, o mercado de automóveis brasileiro vem crescendo no ranking global de vendas e já temos a quarta posição, com perspectivas de atingirmos a terceira.

Como isso é possível considerando que temos os carros mais caros do mundo?

A resposta é simples: o brasileiro paga. Como já foi dito por executivos das fabricantes, o preço desvincula-se do custo de produção e é baseado no valor percebido pelos clientes. Esse fator subjetivo de avaliação permite que as empresas vendam os seus produtos pelo maior preço possível que os consumidores se dispõem a pagar.

Assim, não há motivos para um fabricante reduzir os preços se há compradores. Obviamente, não há nada de errado nisso, levando em conta que as empresas não são entidades assistencialistas e não estão vendendo bens absolutamente essenciais à vida humana.

Recentemente, a Forbes publicou uma matéria mostrando que os brasileiros se assustam com os preços dos carros no Brasil quando comparados aos similares americanos. Prontamente, o amigo Conrado Navarro – @Navarro – disparou no Twitter: “Fica assustado, mas compra pra dedéu?”. Isso resume bem o que pensamos.

Além disso, o que dizer das pessoas que ainda se dispõem a pagar ágio sobre os preços que já são exorbitantes? O que comentar sobre as filas de clientes comprando lançamentos que sequer chegaram às concessionárias, mostrando que estão adquirindo sem ao menos dirigir o futuro carro?

Além disso, ainda temos a questão de pagar mais caro por carros em busca de status. Na célebre matéria anterior da Forbes, isso foi brilhantemente ironizado. Nos artigos anteriores, já foi exposta a minha opinião contrária a esse comportamento, lembrando que “você não é o carro que possui”.

Analisando-se todo o contexto, percebe-se que os consumidores têm grande responsabilidade para manter esse quadro de altos preços dos carros. Afinal, as vendas continuam em alta.

Ok, mas o que fazer então?

Os três primeiros itens compreendem aspectos que estão fora do nosso alcance direto. É claro que há várias iniciativas que podem ser tomadas ou apoiadas para alterar essa situação (o que é mais do que necessário), mas isso escapa ao nosso controle na esfera individual.

Portanto, vamos nos ater, no momento, ao que pode ser feito agora, justamente envolvendo as nossas decisões de compra. A aquisição de carros com inteligência financeira é um dos temas centrais dessa série de artigos para o Dinheirama.

Em síntese, pensando no momento da compra, segue uma sequência de passos que já foram ou serão desdobrados em outros artigos.

1. Atente para os motivos da compra

No artigo “Você compra seu carro por necessidade, status ou pelo preço? Ou tudo isso?”, apresentamos um guia para ser usado como referência. Basicamente, busque conciliar suas necessidades, as finanças, a qualidade e segurança do veículo e os seus desejos.

2. Faça o seu planejamento financeiro

Reiteramos que, ao pensarmos nas finanças automotivas, é necessário considerar toda a Estrutura de Preços dos carros. Além disso, é importante dedicar-se ao seu planejamento financeiro para analisar exatamente as suas possibilidades pessoais e familiares. Em recente artigo para a Você S/A, o amigo Conrado Navarro tratou do assunto.

3. Compare e saiba se o carro pretendido vale o que custa

Este é um tema complexo e será aprofundado em outros artigos. No momento, é importante dizer que existe uma série de itens a serem avaliados pensando no lado técnico do carro. São aspectos como motor, câmbio, espaço interno, itens de série, porta-malas, estabilidade etc.

Adicionalmente, é importante comparar todas as opções dentro do segmento pretendido, fazendo uma análise criteriosa. Mas, além dos fatores habituais, é preciso destacar que, no Brasil (mesmo considerando que todos os carros são caros), existem muitos fatores que tornam muitos automóveis ainda mais onerosos, considerando questões de (falta de) qualidade e segurança.

Basicamente, por estarmos num mercado emergente, há diversos modelos à venda que jamais seriam comercializados atualmente em países de primeiro mundo.

Com relação à qualidade, há carros que apresentam projetos antigos e ultrapassados, além de contarem com qualidade de construção questionável. Existem casos de carros que são produzidos há décadas sem mudança de geração (novo projeto efetivo, e não um mero “facelift”), estando muito atrasados em relação aos similares em outros países.

Também temos motores usados desde os anos 80 e que ainda continuam equipando veículos novos. Possuímos, ainda, carros com plataformas absolutamente defasadas datadas do início dos anos 90.

Quanto à segurança, será publicado um artigo específico, mas voltamos a citar a frase de Max Mosley, presidente do Global NCAP: “Os níveis de segurança dos carros mais populares da América do Sul ainda estão vinte anos atrasados em relação aos veículos utilizados na Europa e América do Norte”.

Portanto, na hora de escolher o carro, a pesquisa deve contemplar, além dos aspectos usuais, também o que chamamos de “elementos ocultos”. No nosso trabalho de consultoria automotiva pessoal, percebemos que esses são os pontos normalmente negligenciados pelos consumidores, até porque não são facilmente encontrados na mídia.

4. Compre o carro que você pode

Considerando os altos preços dos carros zero quilômetro, é possível que você chegue à conclusão de que a compra está além das suas possibilidades financeiras. Ainda, você pode se recusar a pagar o valor cobrado.

Nesses casos, existe a opção de adquirir um usado, desde que em ótimas condições. Como já foi dito, considerando nossa experiência de localizar usados de qualidade, é possível encontrar bons exemplares, mas é necessário pesquisar bastante e ter paciência.

Caso tenha verificado que o seu orçamento familiar não permite, no momento, a compra de um carro, ainda que usado, busque alternativas até que você possa superar essa situação e lembre-se de que “nem todo mundo pode ter um carro”. Esse polêmico tema foi abordado em antigo artigo aqui no Dinheirama.

5. Compre um carro que atenderá você por muito tempo

De acordo com estimativas do Sérgio Habib, presidente da JAC Motors, o brasileiro fica com um carro por 32 meses, em média. Esse número é bem inferior quando comparado, por exemplo, à média de 60 meses apurada na França.

Na minha opinião, esse é um comportamento questionável e insustentável. Isso porque os automóveis são bens duráveis e devem ser tratados como tal. As sucessivas trocas trazem elevados impactos financeiros e, em muitos casos, não têm fundamento real plausível, pensando estritamente nas condições de uso do carro. A questão do impacto ambiental resultante também deveria ser levada em conta.

Realmente, avaliando o lado financeiro, costuma ser vantajoso ficar com o mesmo veículo pelo maior tempo possível. Por isso, reitera-se a importância da escolha, que deve ser bastante criteriosa considerando inclusive a robustez, durabilidade, disponibilidade de peças e facilidade de manutenção, com o objetivo de assegurar o uso do carro por um bom período.

Ao analisar suas necessidades, lembre-se de pensar nas presentes e futuras. Por exemplo, se você já sabe que sua família irá aumentar no próximo ano, busque veículos que já ofereçam as condições de que irá precisar.

Este estudo recente publicado pela Revista Exame traz estimativas interessantes mostrando que, na maioria dos casos, compensa ficar com o carro por mais tempo.

Conclusão

“Tudo pode ser tirado de um homem exceto uma coisa: a última de suas liberdades – escolher sua atitude em um determinado arranjo circunstancial, a escolha de seu próprio caminho”Viktor Frankl.

É possível constatar que vários aspectos estruturais contribuem para os elevados preços cobrados pelos carros no Brasil. Porém, os consumidores também têm sua parcela de responsabilidade ao aceitarem pagar esses valores altíssimos.

Nesse cenário, você, que dá valor ao seu dinheiro, deve avaliar com atenção as suas atitudes procurando utilizar a inteligência financeira para orientar suas decisões de compra. Até porque sabemos que, em função de diversos fatores, o carro é necessário para boa parte dos brasileiros.

Embora tenhamos um contexto complicado, ainda assim existe um significativo universo de possibilidades que podem ser exploradas. Pense bem nas atitudes que irá tomar em seu próprio benefício pessoal e financeiro.

Obrigado pela atenção e até a próxima.

Foto de sxc.hu.

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Leandro Mattera

Mais informações

Fundador e Consultor Automotivo na CARRO E DINHEIRO – Consultoria Automotiva Pessoal. Acompanha os setores automotivo e financeiro há mais de 12 anos por meio de experiência, pesquisas e contatos com profissionais. É palestrante sobre o tema “Seu Carro e seu Bolso”. No Twitter: @carroedinheiro. No Facebook: facebook.com/carroedinheiro

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  • Otto

    Eu não vejo como os impostos de um carro fabricado aqui podem chegar a 42% do valor total. Primeiro, porque deficientes e taxistas não pagam IPI e ICMS num carro zero, e esse desconto é de apenas 20% a 25%.
    Segundo, os modelos fabricados aqui e exportados para outros países da América Latina chegam lá com preços absurdamente mais baixos; coisa de até 50%. E esses modelos obviamente pagam os mesmos impostos que os carros que ficam aqui. Também são produzidos pela mesma mão-de-obra, com mesma carga tributária da CLT.
    Então, não consigo imaginar um motivo pelo qual os carros ficam mais baratos ao serem exportados, exceto que as montadoras aceitam ter um lucro menor.

    Pra mim, a resposta é simples e foi dita no artigo: brasileiro paga, então pra que baixar os preços? O próprio presidente da Citroën/Peugeot afirmou isso, segundo matéria da Webmotors.

    Uma coisa que gostaria de destacar é o cartel que existe no mercado brasileiro. Tudo bem não baixarem os preços porque há demanda, mas será que nenhuma montadora acha inteligente baixar os preços para ganhar o mercado, mantendo ainda boa lucratividade? Se uma montadora resolvesse baixar o preço de um popular em uns 4 mil reais (continua mais caro que nos países vizinhos), será que não ganharia o mercado todo daquele segmento? Não faz isso porque não acha bom negócio ou porque o cartel com as demais não deixa?

    Eu estou no meu primeiro carro e pretendia vendê-lo com 2 anos. Não pelo status, mas porque queria evitar manutenções, já que sou leigo no assunto e também dependo muito do carro (os dias sem carro são terríveis pra mim). Mas estou pensando seriamente em ficar com ele por pelo menos mais 1 ou 2 anos.

  • Adrianaspacca

    Oi Navarro! Olha eu acho que tem um componente emocional e psicológico muito forte por trás do consumo de carros (e celulares). Esse dois bens deixam de ser percebidos como meios de transporte e comunicação para assumirem uma extensão do “eu”. São dois bens que têm um forte impacto na sociliazação pelo consumo. E puxando um pouco a sardinha pro meu lado, isso começa lá na infância quando o “batman” e “barbie” último modelo, deixam de ser brinquedos para brincar e passam a ser passaportes para a socialização. E quando não diferenciamos o bem de nós mesmos, nos transformamos em consumistas e deixamos de ser consumidores. Agora eu pergunto: quem tem mais poder: consumidor ou consumista?

    Excelente artigo, como sempre!

    Abraço

    • Leandro Mattera

      Olá, Adriana! Muito obrigado pelo elogio e pelo extraordinário comentário, com o qual concordo totalmente. No meu texto anterior, mencionado neste artigo, comentei sobre o lado emocional, que pode ser conciliado no momento e na proporção certa, desde que com consciência e baseando-se nas preferências individuais.

      Agora, assim como você, também acho que o consumo consciente deve se basear primeiramente na necessidade, desvinculando-se da imagem a ser transmitida aos outros. O autoconhecimento é fundamental para evitar que o ego seja vinculado a coisas, alimentando uma busca incessante por “status”. Gostei da sua análise buscando como causa remota o comportamento das crianças. Particularmente, também acho que os consumistas apresentam algumas atitudes similares às crianças.

      Sobre o tema envolvendo a psicologia do consumo, acho bastante interessante o documentário “The Century of the Self”, da BBC, que pode ser visto no Youtube. Já assistiu?

      Obrigado!

  • Adrianaspacca

    Ops, Leandro… vi o link do artigo do face do Navarro e “assumi” que o artigo era dele. Desculpe.

    • http://dinheirama.com/ Conrado Navarro

      Oi Adriana, obrigado por comentar. Eu fiz a correção no comentário anterior para mencionar o Leandro. O artigo é mesmo fantástico e ele faz um trabalho muito legal na conscientização do brasileiro em relação à compra do carro… Vamos que vamos. Abraços.

      • Leandro Mattera

        Oi, Navarro, obrigado pelas palavras e pela correção. Vamos em frente!

  • Glau

    Artigo incrível! É impressionante como o brasileiro supervaloriza o status “ter carro”.

    • Leandro Mattera

      Olá, Glau! Obrigado mesmo pelo elogio e pelo comentário. Concordo com você. Abraço.

  • Davi

    Leandro, muito bom artigo!
    Eu penso, além das ideias que vc colocou aí, no lixo tecnológico que está se formando qdo carros são descartados para aquisição de novos. Por mais que outras pessoas os comprem, muitos ficam nas garagens e não são mais comercializados. Já reparou que o número de garagens de carros usados cresceu muito nos últimos anos? Qq terreno vazio em uma rua e a pessoa já pensa em montar uma garagem nova.
    Oura observação importante é que o brasileiro adora a palavra “promoção”. Não importa de que seja. Ele vai comprar, sem ao menos fazer os cálculos para verificar se realmente é uma promoção. Essa isenção de IPI para veículos foi uma grande tacada do governo e das montadoras. Os carros ficaram um pouquinho mais baratos (mas não a um preço justo) e o sinal na cabeça da população foi apenas um “promoção”. Aí ficou fácil. Seria legal se houvesse alguma estatística da venda de carros com isenção de IPI, comparada aos períodos anteriores, com o imposto.
    Eu sabia que os preços no Brasil eram exorbitantes, mas fiquei surpreso, viajando para a Grécia, ao ver que a grande maioria dos taxistas de lá tem um Mercedes quase novo para trabalhar. E dizem que é o melhor custo-benefício para eles, pois compram por 30 mil euros ali.
    Acredito que a postura do brasileiro só vai mudar qdo ele se der conta que não consegue mais andar de carro, por causa do alto volume de veículos nas ruas. Aí, quem sabe, começa o investimento no transporte público e o carro passa de objeto de primeira para segunda ou terceira utilidade.
    Grande abraço e continue esse importante trabalho de conscientização!

    • Leandro Mattera

      Oi, Davi, agradeço bastante pelo seu comentário! Fico contente de saber que está gostando do trabalho.
      Realmente a frota cresceu muito depois de 2003 e temos várias consequências, inclusive ambientais como você destacou.
      Também acho que o brasileiro é bastante seduzido por promoções e acaba se equivocando ao comprar baseando-s em contabilidade mental. Essas medidas do governo não resolvem em nada e apenas comprometem a estrutura do mercado no longo prazo, considerando que há antecipações de compras.
      Quanto aos táxi Mercedes, eu também andei de Classe E em Amsterdam. Isso sem contar que têm uma ótima durabilidade por centenas de milhares de quilômetros.
      Vamos ver até quando vão os excessos no mercado automotivo brasileiro.
      Novamente obrigado e forte abraço!

      • Davi

        Só mais uma coisa: não foi com surpresa que o recebemos a notícia de mais uma “prorrogação” da isenção do IPI. Será que é porque as concessionárias nunca venderam tanto “na história desse país”?

        • Leandro Mattera

          Oi, Davi, as intervenções governamentais sempre geram desequilíbrios no mercado, implicando novas intervenções que apenas vão agravando cada vez mais os problemas estruturais.
          O caso do IPI ilustra bem isso. Temos uma demanda artificial baseada em antecipação do consumo.
          Isso é insustentável e veremos os resultados lá na frente. Abraço!

  • Rafael

    Gostaria de perguntar a sua opinião para um caso específico:

    Tenho um tio que trabalha em uma montadora e consegue retirar carros zero km com preços de 15 a 18% abaixo da tabela.

    A cada 3 anos ele tira um veículo pra mim (sem cobrar nada por isso).

    Como eu não rodo muito, consigo trocar antes de ter os maiores gastos com manutenção, como a troca de pneus.

    Neste caso, vale a pena manter essa frequência de 3 anos ou até diminuí-la ou você acha eu deveria ficar mais tempo com o carro?

    • Leandro Mattera

      OI, Rafael, precisaríamos avaliar uma série de fatores para responder com mais precisão. Em resumo, tudo depende bastante dos carros específicos que estão sendo comprados, porque cada modelo apresenta uma Estrutura de Preços específica de acordo com suas especificidades.
      Em linhas gerais, penso que o desconto provavelmente não é suficiente para justificar trocas tão frequentes (principalmente se os carros ainda estão em boas condições), pensando apenas no lado financeiro. Abraço!

      • Rafael

        Obrigado pela opinião, Leandro.
        O carro em questão é um FIAT Bravo. Antes desse, tive 2 Stilos e sempre troquei com 3 anos aproximadamente achando que estava fazendo um ótimo negócio.

        A economia que eu tenho não fazendo a revisão de 60mil, que normalmente envolve várias peças mais caras, e não tendo que trocar os pneus, somado ao fato que a minha perda é pequena, uma vez que já ganhei 15% ou mais na compra, compensa a troca, acredito, mesmo tendo que pagar IPVA e seguro mais caro.

        Além da economia, como estou sempre com um carro relativamente novo, a probabilidade dele me deixar na mão é mínima.

        • Leandro Mattera

          Olá, Rafael,
          Realmente é um estratégia interessante e diferenciada. A propriedade dos carros envolve uma série de outros aspectos além do financeiro, como você comentou. Porém, se olharmos apenas pela ótica das finanças, é bem provável que compensaria você ficar um pouco mais de tempo com os carros, principalmente considerando a desvalorização (ainda que menor no seu caso), o IPVA e o custo de oportunidade.
          Agora tudo depende do perfil de cada um e de suas prioridades. Se acredita que a estratégia está gerando bons resultados para você, vale mantê-la. Abraço!

  • Laurí

    Olá Leandro. Ótimo artigo. Tenho uma pergunta específica, que talvez até possa ser respondida na forma de outro artigo: Para o brasileiro da classe média, qual seria um valor razoável do carro a ser adquirido? Eu penso algo em torno de 10 vezes sua renda bruta mensal, ou no máximo o valor de sua renda bruta anual. Neste último caso, para uma pessoa que ganha 3 mil mensais, o valor do carro não poderia passar de 40 mil reais. Entretanto, vejo que muita gente compra carros com valor referente a 2 ou mais anos de seu salário. Trabalham pra manter o carro. No meu caso, tenho um carro referente a 5 meses da minha renda mensal.

    Já vi artigos comparando o preço máximo do carro em relação ao patrimônio líquido, mas acredito que é mais prático comparar com a renda da pessoa.

    Para finalizar, muitas pessoas trocam de carro a cada 3 anos com o argumento de que a partir deste ponto o carro começa a dar mais manutenção. Essa desculpa é ridícula, pois o custo de manutenção preventiva de um carro é várias vezes menor se comparado à depreciação do carro novo juntamente com os juros do financiamento. Outra coisa que as pessoas fazem cada vez menos é manutenção preventiva, que é relativamente barata. Andam 100 mil Km (mais de 2 voltas ao redor da Terra), não fazem manutenção preventiva e depois dizem que após uns 100 mil km o carro só dá manutenção. Claro que dará manutenção, mas se ela estiver em dia, os gastos serão aceitáveis. É só fazer as contas.

    Abraço
    Laurí

    • Leandro Mattera

      Olá, Laurí,
      Muito obrigado pelo elogio e pelo seu ótimo e relevante comentário. Quanto à questão do preço do carro x renda, vou avaliar a possibilidade de escrever um artigo. A princípio, eu não gosto de apresentar fórmulas prontas para serem aplicadas indistintamente. Eu procuro sempre respeitar e analisar os diversos perfis individuais e, além disso, a propriedade dos carros envolve uma série de variáveis (incluindo a possibilidade do carro servir para o trabalho ou para gerar renda). Dessa forma, eu acho que seria mais interessante avaliar o orçamento familiar de cada um, para analisar qual seria o montante máximo de impacto possível. Mas, como estimativa em termos gerais, eu diria que o preço máximo do carro deveria ser próximo ao intervalo entre 5 a 8 salários brutos mensais. Acima desse patamar, acredito que as chances de complicações financeiras são altas.
      Sobre o seu comentário relativo ao modo como as pessoas trocam de carros, concordo integralmente. Ótimas observações. Abraço!

    • Jose

      Na minha opinião isso não tem a ver. Deve comprar um carro da forma que com o seu salário você consiga sustentá-lo. Calcule antes os gastos fixos (IPVA, financiamento, seguro, manutenção…) e uma média de gastos variáveis (gasolina, estacionamento…)
      Se isso estiver dentro do seu salário você pode comprar.

  • http://ficandomuitorico.blogspot.com.br/ Fique Rico

    Algumas Montadoras possuem incentivos Fiscais de Governos Estaduais e Municipais o que reduz bastante o valor de tributos pago pelas montadoras muito menor do que apresentado no Texto, o problema do preço absurdo dos Carros no Brasil é mais relacionado a alta margem de Lucro que as montadoras praticam no Brasil e que também o Brasileiro aceita pagar o Preço que eles definem.

  • Leandro Mattera

    Olá, Laurí,
    Muito obrigado pelo elogio e pelo seu ótimo e relevante comentário. Quanto à questão do preço do carro x renda, vou avaliar a possibilidade de escrever um artigo. A princípio, eu não gosto de apresentar fórmulas prontas para serem aplicadas indistintamente. Eu procuro sempre respeitar e analisar os diversos perfis individuais e, além disso, a propriedade dos carros envolve uma série de variáveis (incluindo a possibilidade do carro servir para o trabalho ou para gerar renda). Dessa forma, eu acho que seria mais interessante avaliar o orçamento familiar de cada um, para analisar qual seria o montante máximo de impacto possível. Mas, como estimativa em termos gerais, eu diria que o preço máximo do carro deveria ser próximo ao intervalo entre 5 a 8 salários brutos mensais. Acima desse patamar, acredito que as chances de complicações financeiras são altas.
    Sobre o seu comentário relativo ao modo como as pessoas trocam de carros, concordo integralmente. Ótimas observações. Abraço!

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