29 jan Educação Financeira Internet

Mito: falta informação sobre finanças pessoais no Brasil

A falta de informação sobre finanças pessoais no Brasil é desmentida pela quantidade de blogs, portais e outros sites sobre o tema. Leia nosso apanhado.

por Fabio de Almeida Lopes Araujo
há 1 ano

Mito: falta informação sobre finanças pessoais no BrasilCaso essa afirmação tivesse sido feita dez anos atrás, eu assinaria embaixo. Porém, a situação mudou. Há quem diga que há informações em excesso. Acredito que as fontes de informação aumentaram tanto em quantidade quanto em qualidade (sendo que muitas estão disponíveis de forma gratuita).

O importante atualmente é saber procurar o que é adequado para as suas necessidades e circunstâncias. Duvida? Vamos checar alguns temas.

Controle de gastos? Existe. Elaboração de orçamento pessoal ou familiar? Tem. Modelos de orçamento? Sim! Comparação de fundos de investimento? Tem. Dicas de consumo consciente? Tem. Rankings com o custo do crédito? Sim. Artigos sobre a relação entre psicologia e economia? Sim. Como dar mesada para os filhos? Tem.

A lista é longa… Herança? Tem. Como preencher o formulário do Imposto de Renda? Tem. Ajuda para aqueles que estão superendividados? Sim. Calculadoras financeiras, cursos para investir via Tesouro Direto, quais são os ativos que compõe os fundos de investimentos…

Quer um exemplo mais específico? Narrarei um dia em que uma pessoa (de folga, obviamente) buscou informação para melhorar sua gestão financeira.

Segunda feira, 28 de janeiro de 2013. Julio Neves, 37 anos.

Durante o café da manhã, Julio lê o caderno Folhainvest do jornal Folha de S. Paulo. Sim, há uma seção sobre finanças pessoais no jornal. Ele lê que o Tesouro Direto é alternativa para investir em cenário de juro baixo e descobre que as inscrições para jogo que simula mercado de ações estão abertas. As inscrições são gratuitas e ele pode experimentar negociar no mercado de ações sem colocar o seu suado dinheiro em jogo.

Eufórico, ele passa os olhos pelo jornal O Estado de S. Paulo e lê que fundos de ações com estratégia superam o rendimento do Ibovespa, uma matéria que faz uma análise dos resultados dos fundos que não seguem o famoso Ibovespa, o índice da Bolsa de São Paulo. Em um único dia ele já tem informações sobre fundos, papéis de renda fixa e ações.

Júlio dá uma checada no jornal O Globo e se depara com a busca da melhor aplicação entre as siglas do Tesouro Direto, uma matéria para novatos. Empolgado, antes de sair da seção “jornais”, confere O Valor Econômico e lê a manchete Investir diretamente lá fora requer experiência e atenção, uma matéria que alerta para os perigos dos impostos duplos e das perdas com diferenças cambiais para investimentos no exterior. Há matérias para novatos e para os mais experientes – Julio conclui.

Ele liga o rádio e escuta o comentário do Mauro Halfeld às 8h na CBN. Ele fala que os cortes na Selic estão perdendo a eficácia. O comentarista faz suas considerações sobre a última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e as consequências para o mundo dos investimentos.

Júlio se sente menos perdido com os cenários, se anima e se conecta à Internet. Quer ouvir a Mara Luquet, mas não quer esperar o seu comentário das 13h15. Então clica no áudio da sexta-feira, “Afinal, para que serve o consultor ou planejador financeiro?”, e fica feliz ao saber que essa profissão está crescendo no Brasil.

O Certified Financial Planner (Planejador Financeiro certificado), ou CFP, é certificado no Brasil pelo IBCPF (Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros). Eles têm um site interessante tanto para os profissionais quanto para quem busca o auxílio deles.

Por falar em CFP, Julio entra no blog no Professor Louis Frankenberg, o introdutor do campo de finanças pessoais no Brasil e fundador e ex-Presidente do IBCPF. Ele lê suas considerações sobre fundos imobiliários, que colocam algumas pulgas atrás da sua orelha.

Já que está na internet, Julio não perde tempo e acessa o blog do André Massaro na Exame.com. Rapidamente lê os textos sobra A (nova) era da responsabilidade individual e chega à conclusão que tem que se preocupar mais com sua aposentadoria.

Ele se lembra de um livro que ganhou no fim do ano, “Tranquilidade Financeira: saiba como investir no seu futuro”, do Beto Veiga. O livro mostra um estudo sobre o valor a se acumular para uma aposentadoria tranquila e faz uma análise detalhada das opções atuais de previdência privada no Brasil.

Uma pausa nos blogs e leituras e Julio corre para checar o e-mail. Já está quase na hora do almoço. Como ele é cliente de uma corretora de valores, recebe e-mails diários com o cenário do dia, as maiores altas e baixas do mercado de ações e recomendação de carteiras.  A maioria das corretoras de valores oferece isso aos seus clientes. Muitas, aliás, oferecem seus relatos também para não clientes.

Falando em análise de mercado, Júlio segue a dica de um amigo e descobre os relatórios da Orbe Investimentos, uma gestora de investimentos, e do Luis Stuhlberger (procure pelo relatório do Fundo Verde), considerado o melhor gestor de recursos do Brasil. Leitura para depois.

Após o rápido almoço (bife, arroz, feijão e salada) é o momento de navegar mais pela Internet. Dinheirama, Mais Dinheiro, Minhas Economias, AmigoRico, Mais Ativos… Em cada um desses sites daria para passar dias aprendendo algo importante sobre o dinheiro.

O Dinheirama, onde você está agora, ganhou duas vezes o prêmio de melhor blog de finanças do Brasil e é um verdadeiro Portal. O Dinheirama Online, gerenciador financeiro gratuito e completo deste espaço, oferece tudo que você precisa para cuidar de seu orçamento.

O Mais Dinheiro é o site do Gustavo Cerbasi, autor de finanças pessoais mais lido no país e consultor e palestrante consagrado. O Minhas Economias oferece conteúdo e ferramentas interessantes. O AmigoRico é um blog pioneiro na área finanças pessoais e atualmente tem excelentes vídeos que utilizam o conhecimento da psicologia econômica para aconselhar o público. O Mais Ativos tem bastante coisa interessante sobre educação financeira infantil.

Falando em educação infantil, Julio lembra de algumas dicas da consultora Cassia D’Aquino para dar mesada aos filhos e faz uma visita ao seu site. Começar a tratar do tema desde cedo e da maneira correta faz uma grande diferença – Julio pensa antes de continuar.

Bom, vamos dar uma checada nos sites oficiais? CVM, Susep, Banco Central, Tesouro Nacional. A CVM tem o Portal do Investidor. Entre as muitas coisas legais do site, há o Consulta aos fundos que um colega comentou. Dá para consultar em quais ativos os melhores fundos do mercado estão investindo.

Na Susep tem uma área que explica cada produto (seguros, previdência complementar e capitalização) em detalhes. O Banco Central tem a calculadora do cidadão que nos auxilia a calcular as prestações de uma compra a prazo e o valor futuro de um capital, entre outros. Isso é só uma palhinha do que existe nesses sites.

O Tesouro Nacional tem o site do Tesouro Direto (lembra que Julio leu algo a respeito nos jornais pela manhã?). A visita mostrou os preços e taxas dos títulos que os especialistas tanto falam. Julio se deliciou com o curso virtual grátis que tem disponível no site. Fácil e bem feito. Aprendizado instantâneo sobre o produto mais badalado de renda fixa do país.

Júlio nem viu a hora passar. Já estava escuro. Vamos relaxar um pouco no Facebook? Ele entra e “bum”, descobre um grupo de Educação Financeira (só entra com convite, é verdade) com 741 membros e também um grupo de Psicologia Econômica com 83 pessoas discutindo as interações entre economia e psicologia.

Júlio clica em sair e corre para a geladeira. Pega um pedaço da torta de batatas recheada com carne moída, ovo cozido e azeitonas verdes que trouxe da casa dos Bezerra e liga a televisão.  Programa Dinheiro no Bolso do Canal Futura às 22h30 no ar. Trata-se de um game show realizado em parceria com a BM&F Bovespa.

Julio fica em dúvida se muda de canal e assiste ao Programa Conta Corrente da Globo News para checar os números do fechamento do mercado ou se mantém os olhos grudados no game show. Após a briga com o controle remoto, ele acaba voltando para a Internet.

Quase 23h e ele descobre uma lista com os 10 livros de finanças pessoais do ano (2012). Publicações interessantes tanto nacionais quanto internacionais.

Não dá para ir dormir sem buscar algo para auxiliar o cunhado endividado. Julio entra no site do Procon-SP e conhece o Núcleo de Tratamento do Superendivido (PAS). Há ajuda especializada para aqueles que estão enforcados. Que boa notícia!

Exausto, Júlio vai dormir. O cansaço só não é maior que a satisfação em sentir que não está sozinho para tomar suas decisões financeiras. Há muitas outras fontes de informação em português sobre o tema (se procurar em inglês a lista se multiplica). O livro “SuasFinanças.com”, de Marcelo Junqueira Angulo, por exemplo, mostra os 101 melhores sites para cuidar do dinheiro e ajudar a enriquecer.

E tem gente que ainda acha que faltam informações sobre finanças pessoais no Brasil. Mito! Conhece outras fontes interessantes? Relate nos comentários! Até a próxima.

Aviso legal: Este trabalho não deve ser citado como representando as opiniões do Banco Central do Brasil. As opiniões expressas neste trabalho são exclusivamente do autor e não refletem, necessariamente, a visão do Banco Central do Brasil.

Foto de freedigitalphotos.net.

  • Jessé Fagundes

    Excelente! Muita coisa legal na lista. Cito também o infomoney. Valeu!

  • Anderson Feijó

    Artigo para guardar com carinho. Muito link legal para consultar!

  • Luiz Paulo Guimarães

    Quem tem acesso aos links citados certamente não se ressente de falta de informações sobre educação financeira. Aliás, é possível que nem precise de educação financeira. Infelizmente, não é essa a realidade da maioria de nossa população. Continuo achando de relevante importância a inclusão da educação financeira na grade curricular de nosso ensino, público e privado, à semelhança do que ocorre em países mais aculturados e mais desenvolvidos.

  • Kleber Rebouças

    Olá Fábio!

    Realmente a quantidade e qualidade de informações vem aumentando exponencialmente. Esse conteúdo atinge a uma classe média e à Nova Classe Média que possuem acesso a internet. Mas ainda percebo que há um tremendo espaço para atuação dos educadores financeiros porque apesar de haver informação disponível, muita gente não sabe onde encontrar. E quando sabe onde encontrar, não sabe o que fazer com ela.

    Parabéns pelo seu trabalho.

    http://dnhro.blogspot.com

  • Lucas Moratto

    Muito bom o post, muito bem estudado e estruturado.
    Parabéns!

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