05 fev Educação Financeira Orçamento

Carros: Uma inusitada história de escolha consciente

Buscar o melhor caminho pode ser uma tarefa difícil num primeiro momento, mas sempre se mostra uma escolha consciente e positiva. Leia o relato de Leandro Mattera.

por Leandro Mattera
há 2 anos

Carros: Uma inusitada história de escolha conscienteDesde o ano passado, os leitores do Dinheirama  têm acompanhado uma série de artigos a respeito do tema relativo ao custo-benefício dos carros (clique para ler tudo).

Neste primeiro texto de 2013, o foco será compartilhar um relato pessoal, de forma mais descontraída, para ilustrar o processo de escolha e compra de um carro para minha esposa. O objetivo é demonstrar os desafios enfrentados e os aspectos mais importantes considerados.

1. Breve histórico

Desde 2007, morávamos no interior do Rio Grande do Sul, após deixarmos a cidade de São Paulo. No início de 2009, surgiu, para minha esposa, uma boa oportunidade de emprego em uma multinacional localizada em outra cidade, a cerca de 80 km de distância.

No entanto, o melhor acesso para esse município contemplava 20 km por estrada de terra, bastante irregular e com muitas pedras e cascalho. Além disso, os outros 60 km eram de estrada com pista simples (mão-dupla), com muito tráfego de caminhões longos.

Naquela época, já possuíamos um sedan médio que atendia as nossas necessidades, mas, evidentemente, precisaríamos de um novo carro para que ela pudesse se deslocar apropriadamente.

Mesmo levando em conta o meu profundo e antigo interesse por carros e finanças, sabia que teríamos um grande desafio à frente.

2. A escolha do modelo com foco na necessidade

Conforme relatado, o novo carro iria trafegar em vias complicadas e precisaria oferecer condições adequadas. A prioridade era o fator segurança. Por conta disso, entre os candidatos, somente selecionei veículos que foram submetidos a crash-tests (testes de colisão) internacionais e que haviam obtido, no mínimo, quatro estrelas (das cinco possíveis). Adicionalmente, deveria contar com air bag e freios ABS.

Em seguida, a robustez e a confiabilidade do carro e da marca eram essenciais. Afinal, minha esposa iria trafegar em estradas de terra, pouco movimentadas, inclusive à noite. Por conta disso e dos períodos de chuva, seria interessante contar com tração 4×4.

Além disso, o carro deveria ser baseado num projeto global, desenvolvido para os mercados de “primeiro mundo”, em função da melhor qualidade de construção e dos componentes. Um bom desempenho, pensando no conjunto mecânico, também era importante.

Por fim, buscávamos características complementares em relação ao nosso sedan, permitindo outros tipos de uso. Dessa forma, a escolha recaiu num “Small SUV” (utilitário esporte compacto).

3. A escolha do modelo com foco nas finanças

Tudo parecia relativamente fácil no item anterior. Porém, tínhamos uma limitação financeira considerável em relação ao preço de compra que, em função das nossas prioridades, não poderia ser muito superior ao de um popular 0 km.

Dessa forma, a opção seria um veículo usado. Aliás, essa decisão era respaldada pelas minhas planilhas de controle orçamentário, feitas por mais de oito anos, que traziam dados dos meus carros usados e de um zero quilômetro.

Era fundamental que o veículo fosse relativamente econômico em razão das distâncias a serem percorridas. Contudo, admitíamos preços de seguro e manutenção medianos, que seriam compensados, em parte, pelo menor gasto com o IPVA.

Além disso, a compra de um veículo usado, com cerca de oito anos, traria menos impacto em termos de desvalorização e custo de oportunidade.

4. A escolha do modelo com foco no lado emocional

Após a análise dos itens anteriores, era o momento de optar por um carro com um bom design externo e interno e que fosse agradável para nós (não para os outros). A intenção era aliar funcionalidade e beleza. Adicionalmente, gostaríamos de contar com câmbio automático.

Após tudo isso, conseguimos especificar que seria um SUV 4×4, de uma marca japonesa, de uma geração que abrangia os anos de 2000 e 2001.

5. A pesquisa e a busca

Todo esse processo foi fundamentado em muita pesquisa. Foram considerados dados técnicos, análises, relatos de proprietários, contatos com designers e mecânicos especializados na marca, fóruns na internet, sites e blogs automotivos e revistas. As informações foram procuradas no Brasil e no exterior (pela maior relevância do modelo lá fora), principalmente nos EUA, Canadá e Reino Unido.

Praticamente todas as fontes mais confiáveis apontaram para a excelente qualidade do projeto e satisfação dos proprietários. Aliás, esse modelo se tornou referência em vários quesitos.

Chequei ainda alguns comentários a respeito de casos de altíssimas quilometragens (acima dos 400 mil km) nos referidos países. Obviamente, esse era um dado que deveria ser mitigado no Brasil, em virtude das condições de pavimentação e combustível, mas, de todo modo, era algo relevante.

Definido o modelo, era hora de começar as buscas nos classificados. Essa fase foi bem complexa em função da extensa série de requisitos que considero fundamentais para a compra de um usado de qualidade. Realmente, a opção por um veículo usado pode ser bem interessante, mas é necessário que esteja em ótimas condições e tenha boa procedência, para evitar complicações futuras.

O objetivo era comprar em São Paulo, pela maior disponibilidade de ofertas e principalmente porque lá a maioria dos SUVs não são usados na terra. Enquanto eu buscava intensamente, a minha esposa usava o nosso sedan para trabalhar, tendo que seguir por um trajeto asfaltado que era muito mais extenso e perigoso.

6. O encontro

Após diversos contatos, chamou minha atenção um carro que estava à venda numa concessionária de uma marca premium alemã. Como tinha um compromisso em São Paulo, aproveitei a oportunidade para conferir de perto.

Realmente o veículo estava em condições excepcionais de conservação e com uma quilometragem razoável. Teve dois proprietários bastante meticulosos com a manutenção, sendo que todas as revisões estavam feitas e comprovadas por notas fiscais.

Na mais recente, haviam sido gastos mais de R$ 5 mil reais, por conta inclusive da troca de praticamente todos os componentes da suspensão (item que seria bastante exigido por nós). Curiosamente, todos os documentos relativos ao histórico do carro estavam bem organizados numa pasta.

O preço de compra estava um pouco abaixo da tabela FIPE, que já havia sido bastante corrigida em função dos impactos da crise de 2008. Além disso, seria entregue com o IPVA daquele ano quitado.

Enfim, só restava comprá-lo. Após uma simples troca de óleo por precaução, segui rumo ao RS numa viagem ininterrupta e tranquila.

7. Na lama

Nos três anos seguintes, a minha esposa usou o carro em condições intensivas, encarando sol, chuva, geadas etc. Por muitas vezes, chegava em casa com o carro coberto de lama. Enfrentou também o excesso de pedras e cascalho que eram jogados na estrada, sem o devido cuidado, para evitar o atolamento de caminhões.

Em algumas oportunidades, teve que se deslocar para Santa Catarina, para uma filial da empresa, e viajava por mais de 8 horas seguidas. Certa vez, acabou superando uma via na qual houve um desmoronamento de terra em Blumenau.

Mas o mais importante é que sempre trafegou com segurança. De fato, o carro se mostrou muito confiável e robusto, superando nossas expectativas. Sequer teve um pneu furado. O único item que apresentou um defeito, fora do previsto, foi um sensor do ABS, mas o carro pôde rodar até o momento do reparo. No restante, apenas seguimos o plano de revisões e trocamos alguns itens de desgaste natural.

Analisando o lado financeiro, o investimento no veículo foi altamente produtivo, porque permitiu que minha esposa aproveitasse uma ótima oportunidade profissional. Nesse período na empresa, obteve uma considerável ascensão e o retorno foi bastante satisfatório em vários sentidos.

8. Fora da lama

No ano passado, decidimos deixar o Rio Grande do Sul e voltamos para o estado de São Paulo, para morar em São José dos Campos. Depois de rodar cerca de 70 mil km, continuamos com este extraordinário carro, que agora atende a outras necessidades, como o transporte do nosso cachorro e das nossas bicicletas.

Além disso, permite eventuais incursões em estradas não pavimentadas no interior e no litoral. Como podem ver, ainda tem muitas missões a cumprir conosco.

Conclusão

Quando minha escolha é consciente, nenhuma repercussão me assusta. Quando não é, qualquer comentário me balança. José Eustáquio

Na minha visão, valorizo cada vez mais as escolhas conscientes em relação às decisões que realmente são relevantes em nossas vidas. Considero que a prioridade deve ser buscar o melhor caminho, ainda que seja o mais difícil num primeiro momento, pensando nos resultados positivos que serão colhidos ao longo do tempo.

Se tivesse optado pela rota mais fácil e cômoda, compraria um carro popular 0 km, expondo minha esposa a riscos elevados, sem contar as outras inúmeras desvantagens.

A compra de um carro, que para muitos pode parecer algo banal, na verdade tem uma série de aspectos importantes a serem considerados. No Brasil, há muitos veículos com baixa qualidade e péssimo nível de segurança, além de serem os mais caros do mundo. Esse cenário torna indispensáveis pesquisas e reflexões, que requerem muito tempo e conhecimento (que nem todas as pessoas possuem).

Avaliando essa situação e pensando nos resultados que já tinha obtido ao orientar amigos, familiares e conhecidos, decidi iniciar, no ano passado, o projeto da consultoria automotiva pessoal Carro e Dinheiro (clique para conhecer).

O objetivo dessa iniciativa é compartilhar o conhecimento adquirido e orientar as pessoas, de acordo com seu perfil, na escolha de qual carro comprar, pensando na qualidade, segurança e custo-benefício. Ficarei agradecido por sua visita ao site (que terá novidades em breve) e, nos próximos artigos, retornaremos aos temas ligados ao “seu carro e seu bolso”.

Obrigado pela atenção a até a próxima!

PS: Pensando nas pessoas que dão valor ao seu dinheiro e querem escolher bem os seus carros, foi publicado o livro digital Como Escolher o seu Carro Ideal (clique para detalhes), de minha autoria, que apresenta um roteiro completo para a definição de qual carro comprar, de acordo com o perfil de cada consumidor. Convido você a conhecer mais detalhes do livro clicando aqui.

Foto: arquivo pessoal do autor.

Importante: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.
  • leoh

    Qual o nome do carro que você comprou?

    • Leandro Mattera

      Olá, Leoh, não comento mais marcas e modelos em função de interpretações indevidas que ocorreram em artigos anteriores. Obrigado e abraço.

  • 100000530686150

    Olá Leandro….Qual a marca e modelo de carro que vc. comprou para sua esposa?? Qual sua avaliação sôbre o Cruze da chevrolet??

  • 100000530686150

    Olá Leandro….Qual a marca e modelo de carro que vc. comprou para sua esposa?? Qual sua avaliação sôbre o Cruze da chevrolet??

  • 100000683497146

    Olá, Volmar, não comento marcas e modelos em função de interpretações indevidas que ocorreram em artigos anteriores. Em relação as minhas avaliações de carros, por favor entre em contato por meio do e-mail: consultor@carroedinheiro.com.br. Obrigado!

  • 100001710275536

    Quem lê um artigo muito informativo com detalhes tecnicos, base quase cientifica pelas pesquisas feitas pelo autor, gosta de uma real opinião de quem usou o carro. Da mesma forma que o autor buscou informacoes em forum brasileiro e ingles, mercanicos, etc… mereceria os leitores do Dinherama saber a marca do carro.
    Entendo a posição do autor, mas na minha opiniao, faltou a cereja no bolo.

  • Rodrigo

    Se o carro da foto é o carro dele (e me parece que é), então trata-se de um Honda CRV. Abraços.

  • 100000827421273

    realmente com o preço atual das coisas, muito melhor comprar um bom veiculo resistente com os itens mencionados (4×4, chassi independente, eixo rigido etc) que um lixo de plastico descartavel. bastaria fazer uma revisao geral e voila.

  • 1183273276

    Leandro, vc conhece alguma bibliografia, livros sites, etc, destinados a quem quer avaliar todos os pontos na compra de um carro que atenda as NECESsidades? Se puder me indicar, agradeço. Abraço e otimas reportagens.. ps: escreva um livro disso e coloque no Amazon. vou comprar :)

  • 1183273276

    Leandro, vc conhece alguma bibliografia, livros sites, etc, destinados a quem quer avaliar todos os pontos na compra de um carro que atenda as NECESsidades? Se puder me indicar, agradeço. Abraço e otimas reportagens.. ps: escreva um livro disso e coloque no Amazon. vou comprar :)

  • audrey

    essa novela toda e o cara compra um honda crv antigo…

  • alex pas

    além de pagar altos custos com carro ainda vem um “esperto” querendo ganhar mais dinheiro com “consultoria de compra de carro” ..hahaha , coisa que uma boa pesquisa e troca de idéias com amigos se resolve…até onde o brasileiro vai continuar sendo trouxa na lábia desses “consultores” ….hehe

  • alex pas

    daqui a pouco vai ter consultor para aprender a caminhar , sair com amigos e até tomar um chop com a mesma ladainha. ..hehe

  • manassesvs

    Gostei… mais uma prova quem nem sempre o carro 0Km é a melhor opção, se eu já era adepto deste conceito fiquei mais ainda.

  • Tatiana

    Acho muito “interessante”, no mundo atual, como vários consultores de diferentes áreas resolvem contribuir, GRATUITAMENTE, dividindo conhecimento e experiências com milhares e como alguns reagem a isso. NADA DE ERRADO, portanto, que no final esses mesmos consultores tentem vender seu peixe – precisam de um retorno para investimento em tempo e cohecimento. COMPRA QUEM QUER. GARANTO que nenhum leitor por aqui trabalha de graça – nem gostaria.

    Quando alguém aponta uma direção, o idiota olha para o dedo, fazer o quê?