Por Cláudia Martinelli, especialista em economia sustentável e articulista da Plataforma Brasil Editorial.

Muitas vezes os empresários expressam grande insatisfação em relação às leis e às obrigações que carregam sobre as costas. Ao serem cobrados para terem uma gestão mais sustentável, a falta de contrapartida do governo, assim como a carga tributária, são as principais queixas levantadas pela classe produtiva.

Os empresários possuem razão em grande parte do seu descontentamento com o poder público, no entanto a participação política desse segmento da sociedade também é pouco expressiva.

Os empreendedores, assim como grande parte da população, acreditam que fazem seu papel político ao votarem e pagarem seus impostos. No entanto, precisam aprofundar sua participação política, especialmente quando se trata de micro, pequenas e médias empresas.

Assim como é bem sabido que, como cidadãos, a participação política é imprescindível para que o indivíduo se sinta representado, esse modelo se replica ao tratarmos de organizações civis privadas. No entanto, o que vemos hoje é a reprodução da apatia da sociedade.

A maior desculpa dada pelos empresários é a falta de tempo, como se a participação política fosse um hobby ou um assunto menor para a empresa. Os empresários precisam entender que as políticas públicas são os alicerces na qual seu negócio está sendo construído.

Se decisões do governo afetam negativamente a empresa, ela pode desmoronar. A participação política é algo estratégico para a empresa e precisa ser tratada como tal, pois afeta sua sobrevivência.

O meio empresarial possui diversas oportunidades na sustentabilidade. Além da mitigação de riscos, a sustentabilidade pressupõe inovação e cooperação entre empresas ou outros setores da sociedade. Esses dois fatores são importantes para a construção de uma economia mais sólida e que apresenta maior valor agregado nos produtos e serviços que oferece.

Sendo assim, políticas públicas que facilitem a inovação, a cooperação e dão incentivos para empresas que oferecem um impacto socioambiental positivo devem ser defendidas não só pela sociedade como um todo, como também pelo empresariado.

É realmente frustrante ter que lidar com as cobranças por uma gestão mais sustentável ao mesmo tempo em que não há incentivo ou até mesmo uma ação semelhante por parte do ambiente público institucional.

Um exemplo disso é a crise hídrica paulista. Indústrias e agronegócios são aqueles que mais utilizam água em sua produção e estão sendo pressionados a diminuírem seu consumo. Por outro lado, existem especulações aparentemente confiáveis de que em 2013 a Sabesp perdeu cerca de 31% da água distribuída entre a estação de tratamento e a caixa d´água dos consumidores.

Isso é apenas um exemplo da falta de comprometimento e descaso que muitos dos nossos recursos são tratados pelo governo em todas as esferas de atuação.

Ao alimentarmos a ideia de que o que é público é de todo mundo, mas ninguém é responsável ou até mesmo que o responsável são apenas os órgãos públicos, nós nos privamos da possibilidade de transformação social e, consequentemente, de protagonizar naquilo que afeta as nossas vidas pessoais e profissionais.

Convido você, caro leitor, a olhar a questão política como um fator estratégico para a sua empresa e a buscar formas de participação nas discussões políticas que são relevantes ao seu negócio.

Precisamos nos livrar da apatia e buscar representação nas esferas públicas para, assim, construirmos uma sólida estrutura onde poderemos levantar nossos negócios de forma economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente correta. Você concorda? Obrigada e até o próximo.

Foto “Green vision”, Shutterstock.

Plataforma Brasil
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