André comenta: “Navarro, meu pai (que é uma pessoa de pouca instrução) recebeu um dinheiro extra de um antigo processo judicial. Seu gerente do banco propôs que ele aplicasse parte do dinheiro na poupança e outra em um título de capitalização. Meu pai veio me perguntar o que era esse título de capitalização e eu quase enfartei duas vezes (uma pela poupança e a outra pelo título de capitalização). Que desserviço que esses gerentes fazem com gente desavisada.

Os desafios do Brasil estão por toda parte, e não é diferente para os gerentes de banco e suas metas cada vez mais agressivas e ousadas. Por isso a educação financeira é tão importante para todos. Só assim não seremos enganados e teremos condições de dar um bom destino ao nosso suado dinheiro.

O gerente está fazendo o seu trabalho, que é vender!

Apesar de repulsivos para quem conhece o assunto, relatos envolvendo “ofertas incríveis” de gerentes de banco são comuns e aparecem aos montes por aqui. Ok, mas precisamos ponderar uma coisa: os gerentes de banco estão apenas cumprindo seu papel. Eles são pagos (e muito bem treinados) para vender o que dá mais retorno (as metas são agressivas).

Houve um tempo em que o gerente de banco tinha um papel mais educativo na vida dos clientes. Eram chamados de “bancários” e entendiam bastante de finanças e da rotina de funcionamento dos bancos. Eles ainda existem, mas a ordem do dia hoje é vender de forma mais incisiva, afinal a agressividade da concorrência aumentou bastante.

Nos dias de hoje, os bancários são praticamente vendedores de produtos financeiros e, como tal, possuem metas; ah, sim, eles precisam alcançá-las para manterem seus empregos (ainda que isso signifique oferecer produtos ruins para muitos clientes).

Entre os agrados, cafezinhos oferecidos na agência e as ligações telefônicas pedindo que você contrate um determinado produto para “ajudá-los” a bater a meta, atenção: no fim, as chances são enormes de você entrar numa fria.

Leitura recomendada:  Conheça os “micos” que os bancos oferecem para você como investimentos

O papel do banco

Os lucros dos bancos originam-se primariamente das operações de crédito (empresar dinheiro e cobrar juros). No Brasil, emprestar dinheiro é, de longe, o maior “ganha-pão” dos bancos, afinal os juros são altos (basta reparar nas notícias dando conta dos recordes de lucro, ano após ano).

Em 2015, com a alta dos juros e aumento da inadimplência, houve também uma oportunidade de lucrar com títulos da dívida pública (sim, aqueles do Tesouro Direto, que tanto recomendamos aqui no Dinheirama). Com a Selic em 14,25% a ano, o lucro é ótimo e o risco baixíssimo.

Outro benefício que os bancos possuem com a alta dos juros reside nos depósitos compulsórios (dinheiro que os bancos precisam depositar junto ao Banco Central para controle da liquidez das economias dos bancos). Esses depósitos em parte são remunerados pela Selic, o que tem proporcionado bons lucros.

Cortar despesas também ajuda nos resultados. Com o aumento da tecnologia e a popularização do da Internet, aplicativos e caixas eletrônicos, o correntista faz quase todo o trabalho dispensando até a necessidade de agências e pessoas. Assim, os bancos têm diminuído os seus funcionários e substituindo-os por sistemas automatizados.

Por fim, a cobrança de tarifas pelos serviços prestados (aqueles que você mesmo faz) rende outra boa parcela de lucros aos bancos. Não é à toa que o processo de abertura de uma conta digital (que é operada pela internet e não paga nenhuma tarifa) não é tão simples como deveria ser, pois ela traz poucas vantagens para o banco.

Como você pode perceber, o papel do banco é simples: tirar dinheiro de você ao oferecer inúmeros serviços associados a ele (empréstimos, cobrança, serviços etc.). Repare que a importância dos bancos é enorme, e eles são fundamentais para a economia, mas isso não significa que possuem os melhores produtos de investimento.

 Não terceirize a administração do seu dinheiro

Para você se resguardar em relação às recomendações de “investimentos” do seu gerente de banco é necessário ter mais conhecimento que ele. E, acredite, isso já foi muito mais difícil. Há muita informação disponível para quem tem iniciativa, e os leitores assíduos do Dinheirama já estão numa posição vantajosa neste sentido.

Aprenda mais sobre renda fixa (clique aqui) e faça investimentos que realmente protejam seu dinheiro da inflação e ainda gerem ganho real. Se você tem um perfil mais arrojado, aprenda a investir na bolsa de valores. O importante é que você tome as rédeas das suas finanças e evite que seu suado dinheiro deixe outras pessoas mais ricas enquanto você empobrece.

Conclusão

Se você já se sentiu lesado alguma vez por alguma recomendação de seu gerente de banco, seja maduro e assuma a responsabilidade. Você é o único responsável pelo destino do seu dinheiro. Adote a educação financeira como um estilo de vida, importando-se com as escolhas que faz.

Este artigo não é uma crítica ao gerente de banco ou aos bancos em geral; como eu afirmei, o sistema precisa deles e estes profissionais estão apenas fazendo o seu trabalho. É a nossa expectativa e nível de conhecimento, enquanto clientes, que precisam de uma nova calibragem. Obrigado e até a próxima!

Leitura recomendadaDeixar o dinheiro aplicado no banco nem sempre é sinônimo de boa rentabilidade

Foto “bank manager”, Shutterstock.

Conrado Navarro
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários