Olá amigo leitor, tudo bem? Quem me acompanha já percebeu que não tenho pudores em contar meus tropeços pela vida e os aprendizados resultantes deles. Creio que abrindo o jogo posso fazer estas experiências terem valor também para você e demais interessados em uma vida financeira mais equilibrada.

Pois bem, no caso dos consórcios, não foi diferente. E aqui estou eu não apenas para compartilhar meu conhecimento teórico sobre o assunto, mas principalmente, minha experiência pessoal. Recentemente, eu e o Conrado Navarro gravamos um vídeo sobre esse assunto (você o encontra mais abaixo neste post), e resolvi então complementá-lo.

O básico sobre consórcio

Prática muito comum no país, os consórcios prometem ser uma alternativa barata e simples aos financiamentos tradicionais e CDC (Crédito Direto ao Consumidor). Há consórcios para praticamente tudo, desde os óbvios para automóveis e imóveis, até para viagens e eletrodomésticos.

O princípio é simples: digamos que um grupo de 30 pessoas tem um objetivo em comum, como comprar o CARRO X que custa R$ 30 mil, mas nenhuma delas tem todo o dinheiro. No entanto, cada uma consegue dispender a quantia de R$ 1000,00 por mês para pagar pelo carro.

Assim, juntando as parcelas de todos os interessados, durante 30 meses, cada uma delas vai poder comprar um CARRO X por mês. Simples e fácil, certo? Seria, se fosse garantido que todos iriam continuar pagando até o trigésimo mês, o que não é simples em um grupo tão grande.

E é aí que os bancos e empresas de consórcio surgiram, para fazer a coisa toda funcionar e garantir que os pagantes recebam o bem contratado. Mas há outros fatores que também devem nos chamar atenção, tais como:

  • A variação do valor do bem, isto é, o CARRO X não vai custar daqui a 30 meses o mesmo que custa hoje, e todos querem o mesmo carro;
  • A definição da aleatoriedade de quem será contemplado, sem favorecer ninguém.

Não preciso dizer que essa virou uma indústria milionária e que as empresas “mordem” sua fatia para profissionalizar essa que podia ser uma “ação entre amigos”. Para administrar tudo isso, as administradoras acrescentam entre 15 a 20% sobre o valor do carro (nosso exemplo). Você pode pensar que “com os juros altos praticados aqui, ainda parece uma boa ideia”. Calma.

Leitura recomendada: Carros: planilha (gratuita) para você controlar os gastos – cada vez maiores no Brasil!

O que aprendi (na marra) sobre consórcio

Era o ano de 2012, e não fazia muito tempo que meu filho havia nascido, assim resolvemos que um carro maior e mais seguro era “necessário”. Eu já conhecia o sistema, tinha comprado outro carro assim e, até então, era um ferrenho defensor dos consórcios.

Mas, o que ninguém conta são os “poréns” e, tamanha a ânsia de realizar um sonho, eu não parei para pensar neles (por isso sempre repito que custa caro não ter educação financeira; sai mais caro ainda ter e ser leniente).

Peguei uma carta de R$ 96 mil, dei um lance de R$ 40 mil e pagaria assim 60 parcelas de R$ 1.173,00. Era um grande negócio, pois o custo total era de 15% sobre o valor da carta, ou seja, R$ 14.400,00 calculado como juros simples (R$ 96 mil + 15%, dos quais 3% é para o fundo de reserva que é devolvido no fim sem qualquer correção).

Mas considerando os 15%, fazendo a conta reversa usando juros compostos, eu “financiei” R$ 60.000,00 a uma taxa de 0,54% a.m. Minha carteira de investimentos rendia em média 1,1% ao mês. E, ainda, o CDC com menor taxa que encontrei na época, incluindo todos os custos, era de 1,28% a.m. Deixar o dinheiro aplicado e fazer o consórcio era a escolha óbvia, certo? Não tão rápido!

Claro que quem vende o consórcio não dá muita ênfase na parte “variável” da coisa, que é justamente o fato de a carta de crédito ser em cima de um bem específico. Na prática, todos os consorciados precisam ser capazes de adquirir aquele bem e é aí que a coisa ficou desagradável.

Em pouco mais de um ano, a parcela já tinha saltado para R$ 1.400,00. Depois R$ 1.550,00 e hoje, faltando 11 parcelas, estou pagando R$ 1.900,00 por mês. Se o valor se mantiver no patamar atual pelos próximos 11 meses, minha parcela média terá sido de R$ 1600,00, isso significa que o custo efetivo final será de 1,69% ao mês, portanto mais caro do que eu teria pago se tivesse feito um empréstimo (ainda pior foi não ter pago à vista).

Quem vende não é “bobo” para ressaltar essa questão, como também o fato de não haver abatimento caso queira quitar. Outra coisa que não se fala é sobre o grande montante financeiro que você terá que dispor para contemplar sua carta através de lance, e assim, não ter que esperar ser sorteado.

Ah, eu já ia me esquecendo: se a modalidade já não é bom negócio se usada como financiamento, isto é, contratar e dar um lance para poder adquirir o bem o mais rápido possível, pior ainda quando o sujeito adquire para esperar ser contemplado.

Leitura recomendada: Carros: precisamos (mesmo) trocar tanto?

Consórcio não é investimento

Eu já ouvi alguém dizer que é “como é uma poupança”. Não amigo, nem de longe é uma poupança. Poupança pressupõe que seu dinheiro seja remunerado e no caso do consórcio, você está remunerando o banco.

Em números: se você aplicasse R$ 1.000,00 por mês na poupança, ao final do ano você teria R$ 12.404,00, dos quais R$ 404,00 em juros. Já num consórcio, você teria R$ 10.200,00, uma vez que pagará a administradora 15% sobre o valor da carta. É um cálculo “de padaria”, mas serve para ilustrar as diferenças.

Isso sem contar que suas parcelas podem subir a qualquer momento, aumentando sua dívida. Deixando claro: consórcio é uma forma de antecipação de consumo (como um financiamento) e, portanto, jamais pode ser confundido com investimento.

Hoje, depois de duas experiências frustrantes e caras com consórcio, vejo que se realmente precisar de um bem, mas não tiver dinheiro para comprar à vista, talvez escolha o financiamento (CDC), principalmente para prazos alongados; é um negócio mais previsível, embora mais caro à primeira vista.

Financiar exige um desembolso muito menor no início e caso tenha dinheiro para dar uma entrada grande, as condições melhoram mais. O raciocínio vale também para o caso dos imóveis, que exigem em torno de 50% do valor da carta para dar de lance e cujas parcelas são corrigidas de acordo com o INCC (Índice Nacional da Construção Civil).

Em uma economia como a nossa, não é bom ter nenhuma dívida que seja corrigida além da taxa contratada. Lembrando que os financiamentos imobiliários são corrigidos pela T.R., além dos juros contratuais.

Leitura recomendada: Financiamento com desemprego: situação crítica que demanda ação imediata!

Conclusão

Então, estimado amigo, resumindo meu sentimento em uma palavra: fuja! Consórcio é mais uma das muitas armadilhas do nosso sistema financeiro, que se aproveita do imediatismo, da falta de informação e de atenção da maioria dos brasileiros.

Consórcios são imprevisíveis como os financiamentos atrelados ao dólar do início do plano Real (conheço muita gente se deu mal). Ok, posso ter exagerado, mas repito: é no mínimo inconsequente ter qualquer tipo de dívida, atrelada a índices que variam, sobretudo em terras tupiniquins.

É óbvio que não estou aqui para demonizar os consórcios, financiamentos e similares, mas apenas para dividir com você uma experiência pessoal e a minha opinião sobre o que passei. O objetivo é somar, de modo que você possa tomar sua decisão reunindo o máximo de informações possíveis.

A propósito, falei do vídeo que gravei com o Navarro sobre este tema, e ele está aqui:

Como não dá para falar tudo em apenas um texto, se você tiver dúvida ou quiser acrescentar algo, deixe seus comentários que responderei com prazer.

Grande abraço e até a próxima!

PS: Aqueles que viram meu vídeo no Café com Finanças falando que consórcio é um bom negócio – embora eu tenha alertado para a parte variável – deixo aqui minha retratação pública; eu estava errado.

Foto “Car agent”, Shutterstock.

Renato De Vuono
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Comentários

  • Thomas

    Não entendi um consórcio de 96 mil em parcelas de 1900 tá barato ainda em comparação a cdc

    • Olá Thomas, tudo bem? Antes de mais nada, obrigado por deixar seu comentário.

      Sobre sua dúvida: o valor financiado foi de R$ 60mil, já que, para contemplar a carta, tive que dar R$ 46mil de lance. Então, fazendo a conta, se eu tivesse feito o CDC com melhor taxa na época (1,28% am), financiando esses R$ 60mil, as parcelas seriam de R$ 1.438,76 contra R$ 1.600,00 de parcela média do consórcio. Como eu disse no texto, o consórcio ficou mais caro que o CDC “disponível na época que eu comprei o carro”.

      Grande abraço

      • José

        Prezado Renato, Bom dia!

        No meu caso, eu fiz um consórcio em outubro de 2012 a ser pago em 73 parcelas, com taxa de administração de 11% a.a., fundo de reserva de 3,5% a.a. e seguro de vida de 0,98% a.a. O valor da carta foi de R$ 56.838,00. Dei um lance de R$ 31.000,00, fui contemplado, comprei o carro e optei por diminuir o valor da parcela de R$ 890,00 para R$ 412,31. Essa parcela foi aumentando aos poucos até chegar em uma média de R$ 434,00 em outubro de 2013. Após esse período, acho que devido à crise, o valor foi diminuindo aos poucos e hoje está R$ 427,33.
        Como ainda resta um prazo longo à frente, você acha que eu deveria aproveitar para quitar ou, pelo menos, para adiantar várias parcelas, aproveitando que o valor do bem, na prática, parecesse estar “congelado”?

        • Olá José, como vai?

          Obrigado por mandar sua dúvida. A primeira vista, no seu caso, não houve uma variação significativa como eu tive o azar de ter.

          Vamos a umas contas:

          Você “financiou” no final R$ 25,838,00. Logo, se a parcela se mantiver até o final na média entre a máxima e a mínima, ou seja, em torno de R$ 423,00, no regime de juros compostos, você terá pago efetivamente uma taxa de juros de 0,497%. Temos que convir que é uma taxa excelente, e muito difícil algum CDC conseguir batê-la, a não ser, aqueles subsidiados pelas montadoras.

          Olhando apenas para esses dados eu diria que você está bem como está. Já pagou 41 parcelas e tem 32 pela frente.

          No entanto, é muito difícil, e arriscado, eu simplesmente te dizer “faça isso” ou “faça aquilo”. O cenário que você passou sugere que o carro que adquiriu tem uma tabela de preço estável.

          Assim, temos 2 coisas que você precisa considerar:

          1 – Você deve ainda em torno de R$ 13.700,00, e quitando hoje, ao contrário do CDC, não teria nenhum desconto. Se o seu dinheiro está aplicado, em algo que renda pelo menos 0,7% a/m, NESSE CENÁRIO, não seria interessante quitar. Mas espere!

          2 – Por outro lado. se acontecer (como houve comigo), um aumento muito grande daqui para frente, caso resolva quitar, vai ser pelo valor novo. Ou seja, se amanhã a parcela subir para R$ 650,00 o valor de quitação saltaria para quase R$ 21mil.

          Visto isso, se pergunte:

          * Posso quitar sem que isso afete minhas finanças?
          * Se eu não quitar, e a parcela subir, qual o limite que meu orçamento mensal suporta?
          * Sou do tipo “seguro morreu de velho” ou sobressaltos econômicos não me assustam?

          Essas perguntas podem lhe ajudar a tomar uma decisão que seja adequada ao seu perfil emocional e financeiro.

          Mas para não fugir a pergunta vou dizer o que eu fiz: eu quitei. E aí pelo meu perfil emocional: me antecipei a possibilidade de novos aumentos, e assim, durmo mais tranquilo. Financeiramente não fazia sentido, mas, na vida, nem tudo são números.

          Espero tê-lo ajudado.

          Grande abraço

      • Thomas

        Obrigado Renato, mas minha dúvida é se você não der lance nenhum o consórcio acaba sendo mais vantajoso? Pois para pegar um CDC de 60 mil é quase impossível a não ser que você comprove uma renda muito alta.

        Estava pensando em consorcio pois estava planejando pagar só as parcelas mesmo sem lance até ser contemplado.

        Obrigado.

        • Olá Thomas! Nesse caso, se não pretende dar o lance, é melhor você guardar mensalmente o valor da parcela. Veja, se você tem R$ 1000,00 por mês, a grosso modo, se aplicar todo mês no Tesouro Selic vai ter ao final de uma ano em torno de R$ 12.680,00, enquanto no consórcio você paga 15% para o banco, então, você terá pago 12mil e terá R$ 10.200,00, ou, no caso dos 60mil, pagará 69k para ter 60k. Então, se você não tem pressa a ponto de poder esperar ser contemplado, não há dúvida que o melhor lugar para seu dinheiro é aplicado até o momento que decida fazer a compra, assim terá capital para dar uma boa entrada. A única chance de o consórcio ser um bom negócio é dando lance e sendo contemplado rápidamente, pois do contrário, estará perdendo dinheiro. A questão que levantou da renda é muito pertinente, embora, muitos bancos de montadoras sejam menos rígidos por se tratar de um financiamento com “garantia real”, ou seja, o próprio veículo garante a operação, já que, em caso de insolvência, o banco pega o carro de volta para abater da dívida.

          Ajudei?

          Grande abraço e obrigado por deixar sua dúvida, pois sempre ajuda muita gente!

  • cezar alves

    Bom dia Renato,

  • cezar alves

    Bom dia Ranato,

    Fiz uma simulação aqui com uma carta de R$ 99 000,00
    Em 72x com tx adm 13,50 + 0,50 fundo reserva
    Parcelas de R$ 1 607,00
    Dando um lance de R$ 40 000,00 ( logo no primeiro mês) e sendo contemplado as parcelas vão para R$ 1 011,00.
    Mesmo assim vc acha que o Financiamento neste caso seria melhor?

    Abraços
    Cezar

    • Bom dia Cezar!

      Amigo, é como falei para o José na resposta acima. Olhando para o momento presente, ou seja, se fosse certeza de que não haveria nenhuma variação brusca no valor do bem que consta em sua carta de crédito, o consórcio seria imbatível. Quer ver? Com um capital financiado de 59mil, prazo de 72 meses e parcelas de R$ 1011,00, a taxa efetiva seria de 0,59% a.m, no regime composto de juros. É muito difícil achar um CDC que chegue nessas condições. Até aí não resta dúvida.

      Eu resolvi contar o meu caso justamente por isso, em 2012, quando fiz essa conta, a conclusão foi exatamente essa: consórcio é a melhor opção, mas ao longo do tempo, ficou caro. Eu poderia prever esse cenário? Não! Mas, eu tinha os dados para ao menos considerar essa possibilidade? SIM! Eu sabia que o valor da carta variava conforme o valor de tabela divulgado pela montadora.

      Então, o que você tem aqui é possibilidade x probabilidade. Possibilidade é algo real, que está no contrato, e está ciente que pode acontecer. A probabilidade, nesse caso, é o fator imprevisível. Qual delas pesa mais para você?

      No fim, amigo Cezar, escrever o texto, gravar o vídeo, é mais para dar a você novos componentes para sua tomada de decisão, isso quer dizer, para que você tenha o máximo de ferramentas possíveis para lhe auxiliar, do que, te dar uma resposta binária: sim ou não. Conheço pessoas que amam consórcios, tiveram só boas experiências e outras, como eu, que não.

      Mas para não ficar em cima do muro: EU (Renato De Vuono), não farei mais consórcios ou qualquer tipo de dívida com componente variável, mesmo que esse possa representar uma queda em vez de acréscimo. Passei a comprar carros usados, mais baratos, de forma a conseguir colocar meu antigo no negócio e voltar a diferença à vista. Essa fórmula me atende bem, outros preferem carros novos… é muito complicado encontrar um sapato que sirva em todos os pés.

      É como falei para o José, pegue todas as informações, coloque numa balança e veja o que faz mais sentido para você: correr risco de ter sua dívida aumentada ao longo do tempo? Pagar mais caro a primeira vista (CDC), mas ter a tranquilidade de um fluxo de caixa previsível, e saber, exatamente o tamanho da dívida contraída? Ou ainda, rever suas opções de compra de forma a conseguir pagar à vista?

      Pese tudo isso e tenho certeza que chegará na melhor conclusão para você.

      Ajudei?

      Grande abraço

      • cezar alves

        Opa..Ajudou sim , e muito .
        Obrigado
        Abraços

    • Junior

      Cezar se ainda precisar me consulte! [email protected]

  • Gregório Almeida

    Boa tarde Renato De Vuono.

    Gostaria da sua opinião profissional.

    Sempre tive a vontade em fazer investimento para tornar independente financeiro no futuro. Quem não leu o “Pai Rico e Pai Pobre” srrsrs.

    Acredito que por desconhecimento e imaturidade da idade, não conhecia outras alternativas para “fazer” o dinheiro trabalhar pra mim.

    Sempre fui efetivo é manter meu nome limpo, minhas contas sempre estão em dia, então o mais lógico era contrair uma conta em que eu “fosse obrigado” a contribuir mensalmente.
    Sendo assim, eu procurei uma corretora de seguro, no caso Porto Seguro, e fazer um consórcio de imóveis. Comprei uma carta ná epoca de R$55.000,00 reais com parcelas que realmente poderia compromenter em pagar. Nna época, março de 2013, os R$ 350,00 pareciam muito atrativos em parcelas de 180 meses (15 anos). Hoje, minha parcela é de R$436,00, tendo a carta valorizada para 63.000,00, o que me preocupa, não é se darei conta de realmente pagar os 139 meses que faltam e sim saber que estou perdendo muito dinheiro. Que no caso poderia estar optando em investir em titulos públicos e outros fundos mais atrativos.

    Como ainda eu não fui comtemplado, não sei se isso é bom ou não rsrs, comecei a estudar um pouco sobre outros modelos de investimentos, e estou cogitando em encerrar o meu contrato de consórcio, sei que o dinheiro “investido” só será retornado em 2028, e iniciar uma nova jornada de investimento.

    Na sua opinião isso seria realmente uma boa opção, continuar com o consórcio ou direcionar meus esforços e dinheiro em uma outra frente?

    Atenciosamente,
    Gregorio de Almeida Queiroz

    • Olá Gregório, tudo bem?

      É muito complicado eu te dizer “o que fazer”, até por uma questão ética. Mas, olhando sua situação, EU (é importante deixar claro), iria por esse caminho, deixaria de pagar o consórcio (em algum ponto no futuro você, como disse, vai receber esse dinheiro) e começaria investir esse dinheiro de outra forma.

      O motivo é muito simples, enquanto de um lado, entre 14 a 20% do seu capital está indo para a companhia, do outro, você vai passar a ganhar em vez de perder.

      Ajudei ou atrapalhei?

      Grande abraço e obrigado por deixar sua dúvida.

      • Gregório Almeida

        Bom dia Renato,

        Sim, ajudou muito. Ontem passei a noite releendo o contrato firmaado. Se houver desistência, quando o dinheiro for liberado, receberei uma multa de 10%.

        Mas acho que realmente, será mais interessante parar com o consórcio e ir para o tesouro direto. Se a cada 4 meses eu compro uma % de título no tesouro, gero anualmente 3 novas frentes de retorno a longo prázo.

        Muito grato por sua contribuição.

        Parabéns pelo seu trabalho.

        Grande abraço.

      • Gregório Almeida

        Renato, 7 meses depois estou aqui nesta publicação para contar o que aconteceu com aquela história.

        Conforme sua orientação, fui estudar e saber mais sobre a minha particularidade. Consegui paralisar o consórcio. E, comecei a investir realmente de fato, inicialmente para fortificar a reserva de emergência.

        Uma coisa foi, apesar de ser algo idiota de se dizer, o fato de ter um boleto a pagar me ajudou a me organizar financeiramente. Hoje, consigo poupar praticamente o dobro da parcela que tinha do consórcio.

        Uma das primeiras coisas que fiz em conjunto com a paralisação do consórcio, foi encontrar onde sangrava mais o meu dinheiro. Era o cartão de crédito. Então, me organizei para parar de usar o cartão, confesso que foi bem difícil, era hábito. Mesmo tendo dinheiro no bolso ou no débito, insistia em parcelar ou jogar para o próximo mês coisas fúteis, como por exemplo uma compra de R$50,00.

        Agradeço imensamente por sua contribuição naquele ponto em minha vida. Achei que seria interessante voltar e dizer o que aconteceu.

        Abraços e sucesso!

        • Gregório, tudo bem? Quanta satisfação receber um retorno desse. É difícil explicar o sentimento. É um orgulho enorme saber que causamos impacto positivo e melhora da vida de uma pessoa. Sinto que, minha missão foi cumprida. Imagine agora, se você causa o mesmo impacto na vida de alguém com sua experiência? Se cada um de nos, ajudássemos uma única pessoa, logo, em algum ponto, o mundo todo se ajudaria. Utopia? Talvez. Mas sou um otimista incorrigível. Nem sei como agradecer seu retorno. Você permite que eu publique seu comentário em um texto? Se topar, podemos até fazer uma entrevista. Aguardo sua resposta no [email protected] Abração e obrigado mais uma vez.

          • Gregório Almeida

            Tudo Ótimo Renato. A satisfação é toda minha. Entrarei em contato via e-mail para conversarmos melhor.

            P.S: Pode utilizar o comentário pra qualquer campanha que quiser.

            Grande abraço!

  • Sammer Lima

    boa tarde Renato De Vuono

    poderia me ajudar ?
    eu tenho 15 mil e queria comprar uma moto
    o que me indica financiar ou fazer um consorcio
    lembrando a moto e uma xj6 no valor de 35 mil

  • Sammer Lima

    boa tarde Renato De Vuono

    poderia me ajudar ?
    eu tenho 15 mil e queria comprar uma moto
    o que me indica financiar ou fazer um consorcio
    lembrando a moto e uma xj6 no valor de 35 mil….

    • Sammer, tudo bem?

      É muito difícil dar esse tipo de conselho. Se olhar no dia de hoje, o consórcio vai ser mais barato. O problema é que, com o passar do tempo, se a moto subir muito, suas parcelas também vão subir. Se você fizer algo de mais curto prazo, é provavel que o consórcio saia mais em conta.

      Como eu disse, o problema é o longo prazo. No meu caso, se eu voltasse atrás, financiaria. Na época, nos primeiros 2 anos, o negócio foi excelente, depois que azedou, quando minhas parcelas que eram de 1100,00 chegaram a 1900,00…

      Pense com carinho, seja consórcio ou financiamento, ambos configuram dívida depois que adquirir o bem.

      Abração

    • Junior

      Me consulte sobre valores e prazos do consorcio, o consorcio é sim uma execelente ferramenta basta saber jogar com as regras [email protected]

  • Rafael Faria Kümmel Guimarães

    Muito bom! Quase contratei um consórcio hoje para “ajudar” meu gerente e ser obrigado a “poupar”…

  • Adelar Correa Azzolin

    Renato ! Agradeço imensamente as informações…estava prestes a fechar um consórcio imobiliário…acho que você me salvou…um super abraço !!!

    • Olá amigo! Se eu ajudei, fico imensamente feliz! Obrigado por deixar seu comentário. Grande abraço

  • Niselma Soledade

    Bom dia, sou uma pessoa totalmente leiga em assuntos financeiros e fiz um consórcio de um automóvel de 72 meses em janeiro de 2015. Só agora comecei a pesquisar mais sobre o assunto e acredito não ter feito um bom negócio. Gostaria de saber como analiso se vale a pena pedir exclusão do grupo.

    • Olá, tudo bem? É muito difícil dizer assim, de longe, se fez um bom ou mal negócio. Se você não pretende dar o lance, e apenas ir pagando o consórcio como forma de “guardar dinheiro”, minha sugestão é que peça para sair e aguarde o reembolso (que só acontece com o fim do grupo), afinal, não estará de fato guardando dinheiro, já que pagará taxas e não receberá como numa aplicação. Se pretende dar o lance e comprar o carro, não chega a ser um mal negócio. A grande armadilha do consórcio são as altas no bem que faz com que a carta também suba de valor. É uma questão de sorte (ou azar, como foi no meu caso). Ainda assim, há muitos casos que o consórcio, no fim, fica mais barato que o financiamento.

      Analise com muita calma qual a melhor opção para você.

      Ajudei?

      Abraços

      • Niselma

        Ajudou sim, e tem ajudado muito. Conheci o dinheirama a pouco tempo, e já tá transformando minha vida! Obrigada ?

  • Lydiane Takimoto

    Bom dia Renato!

    Consórcio foi o pior ” investimento” que fiz na vida, previdência privada foi o segundo pior rsrs. Estou tentando me livrar das más escolhas. Tenho um consórcio de imóvel com o valor do bem de R$ 426.237 ( inicialmente era 300.000) e já quitei R$ 201.606.Estou dando lance livre (lance embutido) e lance fixo há cerca de 6 meses e até agora nada de contemplação. Estou vendo que tem várias empresas que compram consórcios. É furada isso? Quanto que devo esperar perder? Obrigada pela sua opinião!

    • Bom dia amiga Lydiane, tudo bem? Para sentir-se melhor, eu fiz muitas más escolhas na vida, incluindo aí, alguns consórcios. E te afirmo: não há aprendizado melhor do que errar.

      Sobre erros e más escolhas: fiz, faço e farei! Essa é a condição humana e é importante sabermos disso para podermos evoluir.

      Bom, sobre o consórcio: há sim quem compre cartas de crédito, contempladas ou não. Mas, como não existe almoço grátis, eles vão calcular um “deságio” ou percentual de desvalorização, que é onde ganham dinheiro.

      Para saber se é furada , só fazendo conta e, principalmente, conhecendo bem sua situação financeira.

      A grosso modo, se você não precisa com urgência desse dinheiro, o que você pode é “desistir”, avisar o banco e deixar de pagar. Quando o grupo chegar ao fim, eles te devolvem o dinheiro pago, menos as taxas de Administração (isso é perdido de qualquer jeito).

      Importante é calcular: quanto já pagou, quanto perderia se vendesse a carta e quanto esse dinheiro renderia aplicado, por exemplo, no Tesouro Direto.

      É uma decisão pessoal, onde, mais uma vez, é preciso conhecer muito a situação financeira da pessoa para poder opinar. Por isso a resposta é um tanto genérica.

      Caso precise de algo mais aprofundado, nos mande um email e podemos encontrar uma maneira de ajudá-la.

      Um abraço

      • Lydiane Takimoto

        Pois é Renato… tenho pensado dessa forma, pelo menos serviu como aprendizado. Não adianta chorar o leite derramado.

        Recebi algumas propostas de compra, e me ofereceram até 100 mil, sendo que paguei 201mil ( e com as taxas absurdas de admnistração, desses 201 mil só tenho para receber de fato 132 mil). Então se eu vendesse ainda iria perder 32k.

        Ai ai, a gente podia aprender de forma menos dolorida, né? kkkkkkk

        Tesouro direto é onde ando investindo no último ano. Até o final do ano que vem, investindo cerca da metade do valor da parcela que pago de consórcio, vou ter mais dinheiro no tesouro direto do que no consórcio que pago há 5 anos.

        Não ter educação financeira é fogo.

        Obrigada pelos conselhos e por toda empatia!

        Grande abraço,
        Lydiane

  • Jailton

    Olá Renato, tudo bem?

    Olha só, gostaria que você comentasse sobre o chamado “LANCE
    EMBUTIDO” no consórcio.

    Pesquisei em vários locais mais não tive informações claras, sobretudo, a respeito
    de como fica o valor total do débito e o valor das parcelas. Em um local vi que
    as parcelas diminuem, já em outro tive informação de que o valor do lance é diluído
    nas parcelas, de forma a aumentar o seu valor… Estou extremamente confuso,
    poderia me ajudar?

    Qual é a melhor forma e momento de você se utilizar deste
    tipo de lance e se é favorável…?

    Desde já fico grato e parabéns pelo artigo, excelente!

    • Olá amigo tudo bem?

      O lance embutido aumenta o valor da parcela, afinal, como o nome sugere, eles estão embutindo o valor do lance no montante total e diluindo das parcelas.

      Ou, se não há acréscimo na parcela, você terá o valor do lance subtraído do valor da sua carta de crédito. Supondo que tenha pego uma carta de crédito. Supondo que tenha pego uma carta de 50mil e o lance seja de 20mil, no final sua carta poderá comprar algo de 30mil e não de 50mil.

      Honestamente, nunca achei uma boa ideia o lance embutido, e se quiser aceitar uma sugestão, passe longe! E há um motivo MUITO simples para isso, administradoras que vendem lance embutido, vão vender para todo mundo, isso quer dizer que, a chance de ser contemplado pelo lance embutido é virtualmente zero.

      E aí, além do lance, terá que colocar um dinheiro a mais, se quiser de fato ser contemplado. A conta começa ficar salgada.

      Se realmente pretende fazer um consórcio, procure as administradoras que não tem a modalidade do lance embutido, pois aí as chances de ser contemplado com lance “real” são melhores.

      E faça o consórcio tendo o dinheiro previsto para dar o lance, pois, se consórcio já não é bom contemplado, ficar pagando e esperando, é pior ainda. Melhor guardar esse dinheiro no Tesouro Selic e comprar o bem mais para frente.

      Grande abraço

  • Rodrigo Dias Nascimento

    Olá Renato,

    Achei muito interessante suas considerações sobre a parte variável do consórcio e também sobre o lance embutido. Minha experiência com consórcio até o momento não foi ruim.
    Adquiri um imóvel comercial na planta em 2012 com previsão de entrega para o final de 2015. Meu planejamento era realizar um financiamento bancário no valor do saldo devedor quando o imóvel fosse entregue e com o valor do aluguel que receberia pagaria as prestações do financiamento. Contudo, com a crise as taxas de juros dispararam e o preço do m2 diminuiu! Resultado: o investimento que havia pensado em fazer iria se tornar uma baita dor de cabeça.
    A alternativa que encontrei foi realizar um consórcio imobiliário para que conseguisse taxas menores. Porém, ao invés de comprar um única carta no valor total que precisava, adquiri 3 com valores menores que somadas dariam o valor do meu saldo devedor no banco. Além disso, entrei em grupos que já estavam em andamento. Desta forma, poderia usar lances embutidos e concorrer com outros do grupo em valores menores. Consegui, em 4 meses, contemplar a 3 cartas usando lances embutidos com valores das próprias cartas. Calculando o que ainda tenho que pagar (11 anos) e comparando com o que eu pagaria no banco (12% ao ano durante 30 anos), a diferença monetariamente seria superior a 14 anos de financiamento! Então, sem dúvida para mim foi um ótimo negócio.

    Agora, estou pensando em adquirir uma carta para um automóvel com valores semelhantes ao que você deu de exemplo. Inclusive o valor do lance. Contudo, se ao invés de solicitar o abatimento do valor do lance na redução do valor das parcelas, eu solicitar a redução do número de parcelas (prazo menor de quitação) não seria um negócio melhor do que um CDC?

    Obrigado

    • Olá Rodrigo, tudo bem? Antes de mais nada, obrigado por deixar seu comentário. Uma coisa que sempre repito em meus textos e respostas a perguntas é: não existe certo ou errado, tampouco, uma verdade imutável. O importante é que o negócio seja bom para você, simples assim.

      O consórcio imobiliário é bastante diferente do automotivo, já que, o fator de correção é “um pouco” mais previsível (o INCC).

      Importante notar que, em um primeiro momento, o consórcio de carros é MUITO melhor que o CDC ou que o Leasing, e foi isso que me seduziu. O problema mora no fato de, o “fator de correção” ser muito volátil, pois de trata do preço de tabela da montadora.

      No meu caso a variação em menos de 24 meses foi de mais de 30mil reais, ou, mais de 34%. E isso quebra qualquer planejamento orçamentário. E assim, no fim das contas, haviam CDCs melhores na época do que eu paguei de consórcio até o fim.

      Para que saiba, o lance eu pedi que as parcelas fosse reduzidas e não diminui a extensão, o que acabou se provando um erro, já que se eu terminasse de pagar mais cedo, sofreria menos com as oscilações.

      Se você conseguisse prever que o valor do bem sofreria pouca alteração ao longo dos 60 meses ou mais do consórcio, não existiria nada melhor. Porém, não é o que acontece e a surpresa costuma ser cara e desagradável.

      Volto a dizer: essa foi minha experiência, pode ser que no seu caso seja um ótimo negócio. Se conseguir pegar grupos com prazos mais curtos, até 36 meses, talvez consiga mitigar boa parte dessa grande variação.

      Pense com carinho, melhor mesmo é adiar o consumo, guardar a grana e pagar à vista. Pense em comprar um carro mais barato, ou ainda, usado, suas finanças vão agradecer. Claro, se isso fizer sentido para você.

      Grande abraço

    • Junior

      Existe consorcios de auto com correção anual pelo INPC, deixando assim mais previsivel as correções, me consulte [email protected]

  • Danilo Santana de Souza

    Boa tarde Renato, tudo bom? Li atentamente sua experiencia e só gostaria de deixar uma observação para aqueles que tem interesse em consórcio. O consórcio é bom sim, sou suspeito em falar porque sou um representante de uma grande empresa de consórcio. Eu pratico uma venda honesta, explico os detalhes do plano de uma forma transparente assim fazendo o cliente a entender como funciona um plano de consórcio. Resumindo, o consórcio é ótimo principalmente para quem tem problemas em guardar dinheiro mas para ter uma compra de sucesso minha dica é pesquisar muito sobre a empresa e procurar um representante de preferencia por (indicação). Tenho 100% de meus clientes ativos e satisfeitos e alguns já contemplados e muitos satisfeitos. Abraços!

  • Gledir

    Boa noite
    Adquiri uma carta de consorcio no valor de 130,000,00. valor das parcelas seria 1 a 5 de 2.595,00 de 6 a 70 de 2.267,00 . hoje já estou na parcela 22 e pago o valor de 2.549,23. e compensável continuar pagando ou melhor quitar . o que eu posso perde se eu para de pagar? obrigado

  • Zoraide

    Ola, boa noite.
    Por falta de orientação e por excesso de ansiedade entrei em um consorcio de imoveis no valor de $ 250.000,00. Paguei apenas a primeira parcela e a taxa de adesão. O total foi de 6.500,00. Nos próximos dias começaremos a pagar efetivamente pelo bem. Agora lendo sua matéria, assistindo ao video, me bateu um desconforto muito grande. Posso desistir.?

    • Olá Zoraide. O consórcio de imóveis difere bastante do de carros, que é o tema desse texto. Você pode desistir, MAS, é preciso checar com a empresa as condições para isso. Estude direitinho se vale mesmo a pena, para não tomar outra decisão que possa se arrepender. Abraço