Em mais um texto especial em comemoração ao mês de março, em que se comemora o Dia da Mulher (8), pedimos para algumas mulheres bem-sucedidas contarem como elas se relacionam com dinheiro e cuidam das próprias finanças. Confira:

Kelly Possebon, financista e diretora da Mulher Capital

“O que muitas pessoas têm em mente sobre alguém das finanças é que elas nasceram assim. E não, ninguém nasce usando HP 12C ou calculando taxas e retornos. Hoje, após 16 anos no mundo das finanças, resta olhar para trás e sorrir. Sorrir para aquela menina que aos 18 anos resolveu morar sozinha, e ser ‘dona de sua vida’.

E eu fui, tanto dona da minha vida, quanto das enrascadas financeiras que um jovem pode enfrentar longe da vida mágica da casa de seus pais. Com aquele salário do 1º emprego, na loja daquela chefe tirana, de onde saí correndo 9 meses depois, a possível paz ao me livrar dela, teria outro custo – como pagaria minhas contas?

Se tiver alguém aí pensando que as contas eram sobre bolsas, roupas, sapatos e cia está mais que enganado. Fora aluguel, luz, prestações de 3 móveis únicos adquiridos para iniciar a vida na ‘nova casa’, estava chegando o dia da matrícula na universidade.

Perdida em meus pensamentos, meio da tarde, a campainha tocou. Minha amada vó Aida me conhecia o suficiente para saber que eu não pediria ajuda a ninguém. Ela sabia também o quê aqueles meses atrás de um novo emprego fariam ao meu CPF e noites de sono.

Vim te ajudar, vamos planejar? Disse minha vó. E foram valiosos 3 meses de educação financeira até o novo emprego. Ganhei dela o pagamento do 1º semestre na universidade, e descobri que não mais seria jornalista. Ela exigiu pagamento: cadeira na primeira fila no dia da formatura.

Infelizmente a vida não permitiu sua presença no grande dia, ao menos naquela cadeira. Hoje levo aos clientes da Mulher Capital a pessoa real, as possibilidades muito além destes 16 anos de experiência acadêmica e profissional. Divido o que fiz e faço.

Muito mais que técnica, tem que ter alma, pois a cada dia que nasce nós acordamos batalhando por um futuro, então cuido do dinheiro de hoje para tê-lo como aliado ali neste futuro. E além do planejamento, acredito no poder. No poder dos juros compostos, para o bem e para o mal.

Meu segredo? Escolhas inteligentes quanto ao dinheiro, trabalho por ele para depois colocá-lo trabalhar por mim”.

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Luciana Caletti, CEO da Love Mondays

“Acredito que ter uma relação saudável com o dinheiro é importante para a felicidade. Diria que uma relação saudável é você não precisar se preocupar com dinheiro o tempo todo, poder ter a tranquilidade de que você poderá pagar as contas no fim do mês. Para chegar lá, acho que o mais importante seja priorizar seus gastos.

Procuro estabelecer prioridades de acordo com o que me faz feliz. Sou muito econômica em certas áreas, mas em outras gosto de desfrutar dos frutos do meu trabalho. Gosto, por exemplo, de investir em viagens e experiências de aprendizado, seja um curso de línguas, um MBA ou aprender a tocar um instrumento musical.

Para poder investir nas coisas que eu gosto, sou bastante econômica em outros aspectos: por exemplo, gasto muito pouco com roupas e procuro evitar gastos desnecessários no dia a dia.

Há anos queria empreender e deixar as finanças em dia foi um aspecto fundamental para eu conseguir realizar esse sonho. Alguns anos antes de deixar a vida corporativa estabeleci um objetivo financeiro para poder abrir meu negócio e mês a mês prestei atenção na conta bancária para ter certeza que estava no rumo certo.

Traçar um objetivo claro e que inspire você é uma ótima maneira de cortar os gastos desnecessários e economizar para atingir esse objetivo, seja ele começar a sua empresa, fazer uma viagem ou um curso de pós-graduação”.

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Carolina Ruhman Sandler, fundadora do site Finanças Femininas

“Eu aprendi a lidar com dinheiro com meu pai. A partir do momento em que comecei a ter mesada, era estimulada a ter um controle daquilo para conseguir poupar para comprar o que eu quisesse, e não gastar tudo em chiclete e gibi.

Quando ganhei um talão de cheques (na época, ninguém dava cartão de crédito para os filhos!), aos 15 anos, ele deixou clara a contrapartida: eu tinha que me organizar para entregar todos os meses para ele um relatório de gastos. Passei a ter um orçamento sem nem conhecer a palavra.

Quando fiz 18 anos, meu pai me deu uma enorme pasta azul, cheia de declarações de Imposto de Renda, notícias de jornal, relatórios de bancos de investimento. Meu trabalho era ler tudo aquilo para podermos fazer uma rodada de conversas ao longo dos meses seguintes. Eu podia perguntar tudo o que quisesse. Essas conversas, que passamos a fazer sempre em almoços semanais, viraram a base da minha educação financeira.

Eu saí de casa cedo, aos 24 anos, para morar sozinha. Mas como já tinha o hábito de controlar meus gastos, consegui fazer a transição de uma forma tranquila. Sempre anotei tudo, acompanhei meus gastos ao longo do mês e aprendi a guardar sempre uma parte do que ganho para realizar meus sonhos.

Hoje, eu controlo meus gastos com uma planilha dividida em apenas 3 categorias: gastos essenciais (moradia, alimentação, transporte, etc), supérfluos (lazer, compras, presentes, etc) e investimentos. Procuro fazer de tal forma que os essenciais correspondam a 50% dos meus ganhos, os supérfluos, a 30%, e os investimentos, a 20%. Assim sempre consigo guardar um pouquinho todo mês”.

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Annalisa Dal Zotto, sócia da Par Mais Planejamento Financeiro

“Desde novinha, gerir dinheiro sempre caiu na minha responsabilidade. Aos 12 anos, já tinha conta corrente e talões de cheques para fazer o mercado para minha mãe. Quando me casei aos dezessete anos meu marido logo me delegou o controle das finanças e do patrimônio.

Está no meu sangue a boa relação com o dinheiro, gosto e me sinto bem administrando finanças, minhas ou dos outros. Foi por isso que me dediquei e me empoderei financeiramente.

Agora enquanto empresária, sinto um misto de satisfação e apreensão. Satisfação, ao ver a mudança que o meu trabalho e do time da Par Mais faz na vida dos nossos clientes. Apreensão, porque empreender no Brasil é muito complicado, exige muita criatividade, perseverança e resiliência. Manter o time engajado, oferecer sempre o melhor aos clientes, pagar as contas e ainda conseguir prosperar é o meu prazeroso desafio diário.

No começo, precisei matar um leão por dia para provar, num segmento predominantemente masculino que é o mercado financeiro, que mesmo sendo mulher, bem casada, apaixonada pelos filhos, alegre e ainda por cima loira, que podia também ter cérebro e talento como qualquer um deles.

Mas isso são águas passadas, hoje não existe mais essa necessidade, pois sou tratada e respeitada como igual. Mas sei bem que a cada minuto, muitas mulheres têm que vencer essa guerra.

Para mim, o grande desafio do momento é ser inovadora, é fazer a nossa companhia respirar inovação e utilizar todos os recursos tecnológicos que estiverem ao nosso alcance para tornar nossa missão, que é a de empoderar financeiramente as pessoas em grande escala, uma realidade. E como a maioria das mulheres, tenho garra e perseverança suficiente para seguir em frente”.

Foto “Super Woman”, Shutterstock.

Isabella Abreu
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