Um programa de educação financeira oferecido pela empresa onde trabalha foi o que ajudou o analista fiscal Eduardo Guimarães, 34 anos, a sair do vermelho. As dívidas já se acumulavam há quase 2 anos e o salário nunca era suficiente para liquidá-las. Dessa forma, Eduardo sempre recorria ao cartão de crédito e a empréstimos com juros altíssimos.

Antes que a situação se complicasse ainda mais, ele participou de um curso na companhia onde trabalha e aprendeu a organizar seu orçamento mensal. Hoje, conseguiu colocar as finanças em ordem, repensou sua forma de consumo e o mais importante: aprendeu a economizar para realizar sonhos.

Em um período em que as finanças das famílias não vão bem, a oferta de cursos e palestras sobre educação financeira para empregados começa a se expandir no Brasil. Além da situação econômica atual do país, Rodrigo Bussab, coach de finanças e sócio da FS Advisors, avalia que o aumento da demanda é reflexo também da nossa falta de cultura em planejar.

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“Se voltarmos à origem, não fomos colonizados por​ especialistas em planejamento. E na história mais recente, temos apenas 21 anos de estabilidade do Real como moeda forte. Na comparação com os norte-americanos, por exemplo, que foram colonizados por ingleses e têm uma moeda forte há 200 anos, ainda estamos muito longe. A cultura por lá de planejamento financeiro é mais presente na população. É um processo lento, de gerações”, diz Rodrigo.

Os efeitos das dívidas

De acordo com um estudo realizado pela universidade americana Boston College, oito em cada dez profissionais afirmaram que a preocupação com as finanças reduziu a capacidade de desempenhar um bom trabalho.

Além do impacto negativo na produtividade, pessoas que estão enfrentando problemas financeiros costumam ter muita dificuldade de relacionamento.

“É comum ocorrer um aumento significativo da irritabilidade devido ao estresse excessivo causado pelo desconforto financeiro, bem como pela dificuldade de manter um determinado estilo de vida diante dos colegas de trabalho, o que muitas vezes pode estar relacionado ao sentimento de ‘inclusão’ e de ‘aceitação’ num determinado meio”, afirma Gustavo Chaves, diretor da G9 Investimentos.

Márcia Arcoverde, sócia da Stoas Carreiras, acredita que, geralmente, quem passa por um momento como esse tem dificuldade em compartilhar tal situação. “Há um sentimento de fracasso, de incompetência em administrar a própria vida e a impressão de que não conseguirá entregar os resultados colocados como meta no trabalho”, diz.

Educação financeira na empresa

No site de empregos Catho, as diversas solicitações de colaboradores pela antecipação do 13º salário ou férias e empréstimo pessoal fizeram com que a empresa ficasse atenta à saúde financeira de seus funcionários.

Michelly Santana, gerente de qualidade de vida da Catho, conta que houve casos em que os profissionais chegaram ao ponto de pedirem para serem demitidos para terem acesso às verbas rescisórias. “Diante desse cenário, queríamos fazer algo para apoiar os colaboradores e retê-los. Chegamos a conclusão que o melhor meio era ensiná-los como administrar melhor o seu dinheiro”, ressalta.

O Programa Sucesso Financeiro, implementado pela consultora Roberta Omeltech, sócia da Omeltech Desenvolvimento e Consultoria, tinha como principal objetivo a conscientização, organização e o planejamento.

“Mostramos para os colaboradores que existe relação do dinheiro com as outras áreas de nossas vidas e que isso pode impactar de maneira negativa ou positiva. Além disso, abordamos a importância de ter sonhos, objetivos e metas”, explica Roberta.

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Quem participou classifica a experiência como “excepcional”. “Foi uma surpresa muito positiva pra mim. Decidi participar para tirar algumas dúvidas em relação à gestão financeira e nossos encontros foram muito além”, conta Juliana Barreto, supervisora de pós-vendas da Catho.

Após as aulas de educação financeira, Juliana conversou com o marido e juntos optaram por vender um dos carros. “Conseguimos perceber que não precisávamos de 2 veículos. Fizemos um teste por um mês ficando com um carro só e deu muito certo”, diz. “O principal ensinamento é que com planejamento, boas escolhas e determinação conseguimos gerenciar nossas finanças de maneira saudável e isso irá refletir em todos os outros aspectos das nossas vidas”, completa.

Para a empresa, um dos principais ganhos mensuráveis foi a redução de aproximadamente 2% em faltas e ausências dos colaboradores. “Fizemos uma pesquisa com os participantes e 9% afirmaram que quitaram ou refinanciaram alguma dívida que tinham”, diz Michelly. Além disso, 69% declararam que a motivação para o trabalho, o sono e a alimentação melhoraram após o programa.

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Foto “Business People”, Shutterstock.

Isabella Abreu
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