Júlio César comenta: “Navarro, estou com 28 anos e recentemente mudei de emprego, indo para uma empresa multinacional. Durante o processo de contratação eles me ofereceram um benefício de plano complementar de aposentadoria, onde eu pago uma parte e eles colocam outra parte (igual). Eu aceitei, mas ouvi alguns colegas dizendo que era bobagem. Confesso que não penso muito nessa coisa de aposentadoria e fiquei com dúvidas se fiz um bom negócio”.

Falar de aposentadoria hoje em dia é algo muito interessante. Afinal de contas há um choque de realidade envolvendo a Previdência Social e o equilíbrio do sistema de arrecadação/pagamento de benefícios. A verdade é que o assunto é relevante e pouco compreendido.

Quero começar, portanto, discutindo melhor o conceito de aposentadoria (minha opinião, claro). Depois vamos analisar esse lance do benefício complementar que algumas empresas oferecem. Na sequência, ofereço um presente para você (essa é a melhor parte) que está interessado no tema “Aposentadoria”. Vamos nessa?

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Um conceito mal entendido

Todos nós temos uma definição sobre aposentadoria, ainda que ele seja baseado puramente no senso comum. Aposentadoria tem alguma coisa a ver com velhice, dinheiro sem ter que trabalhar e passar o dia fazendo algo que gosta. É por aí?

Essas noções surgiram a partir das experiências de nossos pais e avós, que viveram mais intensamente a era industrial e experimentaram um tempo onde foram desenvolvidas algumas leis para “melhorar” a relação entre trabalhadores e empregadores, que em alguns casos era realmente sofrida.

Coloquei entre aspas porque, com o passar do tempo, o que era para ser bom, ficou ruim. Quem já esteve dos dois lados dessa relação sabe muito bem o quanto as leis trabalhistas podem complicar o avanço de uma empresa, além de criar uma falsa sensação de conforto e segurança para os empregados. Mas isso é assunto para outro texto.

O fato é que passar algumas décadas trabalhando em um emprego que muitas vezes nem gostamos, contribuindo mensalmente (e obrigatoriamente) para o INSS para, um dia, lá na velhice, receber uns trocados e “começar” a desfrutar a vida de verdade, é algo bem longe do conceito atual de aposentadoria. Pode até ter funcionado para nossos ascendentes, mas hoje já não garante nada.

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Como devemos pensar no conceito de aposentadoria?

A reflexão começa em nossa relação com o trabalho. Ainda que trabalhemos pensando primariamente no nosso sustento e também no bem-estar de nossas famílias, será que temos que aceitar qualquer coisa, colocando sempre o dinheiro em primeiro lugar?

Defendo a posição de que precisamos nos esforçar ao máximo para associar nossas fontes de renda com algo que gostamos de fazer. Isso faz a coisa ficar boa para todos os envolvidos. O prazer pelo trabalho precisa ser resgatado. Precisamos abandonar aquele pensamento medíocre de que o patrão é o bandido e o trabalhador é o mocinho.

Olhar tudo com outro olhar, mas sem romantismos e mantendo sempre os pés no chão. Se a situação é de emergência, é claro que você deve aceitar o que vier. Mas assim que as coisas estiverem sob controle novamente, não se acomode. Busque um trabalho que te deixe satisfeito.

Ao gostar do que faz, ainda que a empresa onde trabalha não seja um mar de rosas (até porque perfeição não existe mesmo), você já começa resolvendo um grande problema: deixar de desfrutar trabalhos prazerosos só no futuro para viver isso hoje mesmo.

Isso gera um ciclo mental positivo, pois você passa a ter uma rotina mais alegre no trabalho, o que contagia outras áreas da vida. Por exemplo, você não vai chegar em casa sempre “azedo”, descontando na família as suas frustrações profissionais.

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Aposentadoria ou independência financeira?

Com isso, você já pode refletir em outra coisa: por que parar de trabalhar, se você gosta do que faz? Ora, vamos manter nossa mente e corpo em atividade enquanto conseguirmos, certo? Até porque assim, ainda que velhice física venha nos pegar, a mente continuará jovem!

Ok, mas e se em algum momento da vida eu não quiser trabalhar com algo que gere renda, mas sim com outra coisa que é muito satisfatória, porém não remunerada, como trabalhos voluntários ou atividades domésticas e rurais, por exemplo?

Ai entra outra reflexão sobre a aposentadoria, que converge para o conceito da tão falada independência financeira. Aposentar é ter um patrimônio que seja suficiente para gerar renda capaz de sustentar padrão de vida, sem que você tenha que continuar trabalhando para isso.

Sobre o complemento de aposentadoria oferecido por algumas empresas

Quando uma empresa oferece aos seus colaboradores um benefício de previdência privada, onde ela complementa o valor que você se compromete a pagar, estamos diante de uma ótima oportunidade para acelerar a formação de patrimônio.

As empresas que fazem isso utilizam fundos de investimento, onde você e elas aplicam a quantia estipulada todos os meses. Por exemplo, se você decide aplicar R$ 500,00, a empresa vai e aplica outros R$ 500,00 por conta dela. Assim, a empresa ajudou a dobrar a velocidade no seu acúmulo de capital (dinheiro).

A maioria dos fundos de investimento aplicam os recursos dos clientes em produtos de baixo risco, como os títulos públicos e privados que tanto comentamos aqui no Dinheirama.

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Assim, mesmo que haja alguma variação no portfólio de produtos (como uma parcela em renda variável, que é mais arriscado), a sua rentabilidade real será bem maior do que se você estivesse acumulando sozinho o seu capital, com os mesmos R$ 500,00.

Assim, minha recomendação é que sempre que a empresa oferecer este tipo de benefício, você deve aceitar imediatamente. E mais: procure realizar os maiores aportes possíveis e que sejam feitos pela empresa (geralmente, elas investem a mesma quantia, mas até um determinado teto).

Digo isso porque as empresas estabelecem um limite para participarem com um valor igual ao que você está depositando. Descubra qual é este teto e se esforce para depositar esta quantia limite.

O seu presente está aqui!

Voltando à nossa reflexão sobre o conceito de aposentadoria nos dias de hoje, recentemente eu convidei o Renato de Vuono para escrever sobre este assunto.

Ele atendeu o convite com maestria! E o resultado foi a criação de um e-book gratuito sensacional: “O novo aposentado: esqueça tudo o que você pensava sobre aposentadoria”. Pelo título você já viu que é imperdível, ainda mais que o e-book é gratuito!

Então, mãos à obra: clique aqui para baixar sua cópia, e o Renato vai ampliar ainda mais este assunto. Você vai descobrir qual é o dia que você precisa começar a se preocupar com sua aposentadoria, além de aprender como criá-la. Boa leitura e até a próxima!

Conrado Navarro
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Comentários

  • Marcelo

    Bom dia Conrado! Parabéns pelo texto. Tenho 30 anos, autônomo, e filho de contadores!! Sempre que converso com meus pais sobre investimentos e chegamos ao assunto da previdência não conseguimos chegar num acordo. Minha mãe principalmente, que era funcionária pública e trabalhou na Previdência Social, insiste que eu deveria contribuir com o teto, já eu penso, e assim faço, contribuo com o mínimo justamente por não querer “depender” do INSS e destinar esse dinheiro para melhores investimentos. Gostaria de saber sua opinião levando em consideração que pelos meus ganhos mensais estaria incluído na alíquota do teto. Um grande abraço,
    Marcelo.

  • ALINE B P

    A grande questão neste tipo de “previdência” ao meu ver é : – quem vai administrar esse fundo ? Não tem o risco do dinheiro ser desviado?

  • Angela F

    Conrado. Estou com a mesma duvida da Aline. Sou servidora pública e minha instituição oferece isso, porém ainda estou com receio de entrar por conta doq vimos com os fundos dos correios e outras instituições p.ex.. Por hora estou fazendo meus investimentos por conta fora do sistema oferecido pela instituição.

    Parabéns pelo texto e muito obrigada por todos os esclarecimentos que nos traz!