Há alguns dias escrevi sobre a Selic e fiquei surpreso com o número de compartilhamentos do texto. Por ser um assunto mais técnico, pensei que a repercussão seria pequena.

Fico feliz por ter me enganado, pois isso mostra que os leitores estão mais interessados em compreender assuntos macroeconômicos, que afetam seu dia a dia de forma direta e indireta.

Como prometido, hoje vamos continuar abordando o tema Selic, porém, voltado para os investimentos. Antes disso, recomendo que você faça essa leitura indicada abaixo, que servirá como base.

Leitura recomendada: Selic: entenda como ela afeta a economia, o consumo e o (des)emprego

Taxa Selic e os investimentos

Ao investir no mercado financeiro, você precisa levar em conta a evolução da taxa Selic. Se ela estiver numa tendência de alta, como ocorreu em 2015, fique atento aos produtos financeiros pós-fixados, pois serão mais rentáveis.

Ao contrário, em movimentos de baixa, como deverá ocorrer em 2017, os investimentos com parcelas pré-fixadas, ou prefixados em sua totalidade, passam a ser mais rentáveis.

Tesouro Direto e a taxa Selic

Alguns títulos públicos do programa Tesouro Direto têm suas rentabilidades diretamente associadas à taxa Selic. No entanto, todos sofrem influência da Selic, ainda que indireta.

Temos basicamente três tipos de títulos públicos:

  • Indexados à taxa Selic (pós-fixados).
  • Indexados à inflação (pós-fixado com uma componente pré-fixada).
  • Prefixados.

Este material indicado logo abaixo é rico em detalhes sobre os títulos públicos, e sua leitura ensinará muito à você.

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Retomando o assunto, aqueles que são indexados à taxa Selic, são os chamados Tesouro Selic. Se ocorrer um aumento da taxa Selic, eles rendem mais. Se ocorrer uma queda, eles rendem menos.

Há uma coisa que muitas pessoas não sabem. Não podemos confundir a meta da taxa Selic com a taxa Selic realizada. No momento em que escrevo este texto, a meta Selic é de 13,75% ao ano, mas a taxa Selic do dia (apresentada de forma anualizada) deve ser consultada no site do Banco Central.

Os rendimentos desses títulos indexados à Selic são calculados com base na taxa Selic real, acumulada mensalmente. Para saber este valor, clique aqui.

Caderneta de Poupança e a taxa Selic

A rentabilidade da Poupança é de 0,5% ao mês mais a TR (Taxa Referencial), e isso não tem relação com a Selic. No entanto, uma regra que passou a vigorar em Maio de 2012, que foi apelidada de “nova poupança”, passou a ter.

Naquele período o governo já tinha planos de reduzir bastante a taxa Selic, e para que os títulos públicos não perdessem a atratividade (já que a poupança poderia render mais que eles, caso a Selic ficasse muito baixa), a regra foi criada.

Assim, o rendimento poupança passou a depender diretamente do valor dos juros Selic, e se divide em duas situações:

  • Se a taxa SELIC estiver for 8,5% ao ano, a poupança terá rendimento de 0,5% ao mês mais a TR.
  • Se ela for menor ou igual a 8,5%, a poupança terá um rendimento equivalente a 70% da taxa Selic vigente no período.

Nem preciso dizer que um título Tesouro Selic é mais rentável que a poupança, em todas as situações. Já escrevemos muito sobre isso por aqui.

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CDI e a taxa Selic

No texto anterior que escrevi sobre a Selic, expliquei sobre os vários empréstimos que um banco faz ao outro diariamente, chamado também de overnight, para atender às exigências do Banco Central.

Os juros praticados nestes empréstimos são chamados também de taxa Selic over. Nestes empréstimos, os bancos utilizam títulos públicos como garantias, mas aqueles que possuem grande solidez, podem também utilizar seus próprios títulos privados como garantia.

Esses títulos privados são chamados de Certificados de Depósito Interbancário, de onde surge a sigla CDI. Se esses títulos forem utilizados como garantia entre empréstimos de um banco e outro, a taxa de juros usada será o CDI. Normalmente o CDI e a Selic são muito próximos.

Assim, se a Selic aumentar, o CDI também aumenta e o contrário é verdadeiro. Podemos dizer que todo investimento em renda fixa baseado na taxa CDI rende mais quando a taxa Selic aumenta e menos quando ela diminui. Exemplos:

  • LCI – Letras de crédito imobiliário
  • LCA – Letras de crédito do agronegócio
  • LC – Letras de câmbio
  • CDB – Certificado de depósito bancário

Dólar e taxa Selic

Quando a taxa Selic está alta, o preço do dólar tende a cair, pois muitos investidores de outros países passam a investir no Brasil, para aproveitar os juros altos.

Isso faz com que grandes quantidades de dólares entrem na economia brasileira, aumentando a oferta dessa moeda, que por sua vez termina sendo desvalorizada. Com isso o real ganha força.

Há outros fatores que influenciam o câmbio, mas o objetivo aqui é mostrar a relação com a Selic.

Podcast recomendado: O dólar e sua participação em nossa vida financeira

Imposto de Renda e a taxa Selic

Estas são as duas coisas no Imposto de Renda que são atrelados à taxa Selic:

  • Pagamento do imposto devido em parcelas;
  • Atraso no recebimento da restituição.

Ambos são acrescidos de juros baseados na Selic. Assim, evite parcelar o pagamento dos impostos devidos, principalmente quando a taxa Selic estiver em alta.

Se você tiver imposto a ser restituído (ainda que demore a receber), quando isso acontecer você receberá o valor corrigido baseado na taxa Selic do período.

Juros bancários e a taxa Selic

A maior parte dos lucros dos bancos vem de algo chamado de spread, que é a diferença entre os juros cobrados pelo dinheiro que eles tomam emprestado e os juros cobrados quando eles emprestam o dinheiro.

Em outras palavras, os bancos são intermediadores de dinheiro. Eles “compram” dinheiro barato e “vendem” dinheiro caro.

Esse dinheiro que eles tomam emprestado de outras instituições financeiras e também de pessoas físicas (através da venda de seus produtos de investimento), estão em grande parte indexados ao CDI.

Quando eles emprestam dinheiro através de suas linhas de crédito, principalmente para a pessoa física, os juros são muito maiores, embora utilizem o CDI como referência.

Assim, quando uma pessoa precisa emprestar dinheiro do banco, os juros do empréstimo podem ser mais baixos ou mais altos em função da variação da taxa Selic.

Leitura recomendada: Como viver de renda com o Tesouro Direto e ter um futuro tranquilo

Conclusão

Agora você já entende mais sobre o que é a Selic, e como ela influencia nos seus investimentos e em toda a economia da nação.

Então, fique atento aos movimentos da taxa, e aproveite os momentos de alta ou baixa para maximizar os lucros de seus investimentos. Um forte abraço e até a próxima!

Giovanni Coutinho
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