Os brasileiros estão discutindo as mudanças que poderão ser implementadas na Previdência Social a partir da PEC 287/2016 enviada ao Congresso Nacional pelo Governo Federal no final do ano passado.

Todos fazendo suas contas diante da possibilidade da ampliação da idade mínima para aposentadoria e do tempo mínimo de contribuição. Mas ao meu ver, uma discussão mais profunda deveria tomar conta da sociedade brasileira.

O Brasil vem passando por uma transformação radical no perfil etário da sua população. Antes conhecido como um país de povo muito jovem, assistimos à ampliação da população mais idosa. A expectativa de vida no Brasil já rompeu a barreira dos 70 anos.

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Envelhecer traz uma série de novos desafios. Sobretudo para corpo e mente, que não conseguem mais acompanhar o mesmo ritmo da juventude. Inclusive, no âmbito profissional.

Daí surge a necessidade de nos afastarmos de nossas atividades profissionais. Abre-se a possibilidade da conquista de mais tempo para outras atividades fora do trabalho.

Chega um primeiro desafio: não termos mais a mesma remuneração e termos de viver com os rendimentos da aposentadoria.

Esta preocupação cresce, pois, com o aumento da expectativa de vida no Brasil, a aposentadoria será uma fase da vida cada vez mais longa.

Antigamente, uma pessoa vivia poucos anos como aposentado. Hoje já temos várias pessoas vivendo mais de 90 anos. Isso significa que terão de viver da aposentadoria por muitos e muitos anos.

Além disso, o orçamento doméstico passa por um processo de mudança nos gastos. Por um lado, a família havia experimentado uma diminuição dos gastos, pois a criação dos filhos, muitas vezes, já tinha sido concluída, o que era resultado de menos despesas com alimentação, educação, vestuário e muitos outros itens.

Mas, por outro, aumentam-se bastante outras despesas, tais como gastos com saúde e medicamentos, além da necessidade de também aumentarem-se gastos com lazer. Afinal, não se espera que uma pessoa se aposente com todo o vigor e fique em casa de pijamas.

Nesse quadro de muitas mudanças, surge ainda um grande desafio financeiro, principalmente para aqueles que se aposentaram tendo como única fonte de renda o benefício do INSS: como sobreviver ao longo dos anos com a aposentadoria recebida?

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Muitos aposentados têm visto a respectiva aposentadoria diminuir em termos de comparação com os salários mínimos (quando se aposentavam, recebiam, por exemplo, um valor que representava seis salários mínimos e hoje a aposentadoria recebida não chega a quatro).

Portanto, aumenta-se cada vez mais o grupo de aposentados que ganha um salário mínimo apenas. Com isso, a dificuldade de honrar os compromissos do orçamento doméstico aumenta. E o aposentado acaba recorrendo a empréstimos, cujo pagamento, mesmo com juros menores, tem como consequência a diminuição de sua renda disponível.

Para usufruir de uma aposentadoria mais equilibrada será necessário, então, criar novas alternativas para esta nova fase. Uma boa reserva financeira é a primeira delas.

Diversas pesquisas têm mostrado que os brasileiros, em especial os mais jovens, não estão guardando recursos para uma fase tão importante de suas vidas. E nesse caso, o tempo é um aliado. Quanto antes se começa, menor será o esforço necessário.

Outra alternativa é criar opções para se ganhar dinheiro nesta nova fase da vida. Segundo os especialistas, a aposentadoria não mais significará uma saída do mercado de trabalho. Será uma transição entre atividades.

Como exemplo, posso citar o caso de uma pessoa para qual dei uma consultoria recentemente. Ela está se aposentando e se afastando das atividades que exerceu durante anos em uma grande empresa.

Pretende, a partir de agora, se dedicar a uma nova carreira na área da música, ligada ao grupo musical do qual faz parte. Pretende ganhar com as apresentações do grupo parte dos recursos necessários para garantir uma boa qualidade de vida no seu longo período da nova aposentadoria.

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Algumas dicas para ajudar no planejamento da aposentadoria

  • Procure definir qual estilo de vida você pretende ter após a aposentadoria. Os gastos nessa nova fase dependerão dessa definição;
  • Faça as contas. Simule um orçamento com os gastos esperados. Não se esqueça que alguns gastos aumentam bastante nessa fase (remédios, gastos com plano de saúde, lazer);
  • Calcule o valor que você deverá ter guardado para ajudar nesta fase e veja quanto você deve poupar a cada ano para formar este capital. Lembre-se que todos nós temos uma dívida com o   nosso futuro, já que uma parte do que ganhamos, hoje, não podemos utilizar agora. Devemos ser disciplinados para guardar esse recurso destinado para a aposentadoria;
  • Procure desenvolver atividades que possam se tornar fonte de renda no futuro;
  • Amplie seus conhecimentos sobre os tipos de investimento existentes.

Obrigado e até a próxima!

Carlos Eduardo Costa
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