Quem investe e tem acesso aos home brokers das corretoras de valores já deve estar percebendo mudanças no conteúdo disponível para estudo. As corretoras estão gradualmente disponibilizando mais textos explicativos de como lucrar em uma tendência baixista.

Não hesite: procure livros sobre o assunto, além de publicações na Internet e, uma vez confirmada a tendência de baixa, siga a trajetória do mercado por meio de algumas operações sobre as quais comentarei a seguir.

Vale salientar que evitarei ao máximo a menção de ativos específicos para a realização das operações, já que o presente artigo não tem um caráter de recomendação de carteira, mas apenas de sinalização de operações possíveis em um mercado baixista.

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O que será do Brasil?

Inicialmente, vale mencionar que o Ibovespa se valorizou em grande parte por questões políticas. A saída da ex-presidente Dilma Rousseff deu um fim à paralisia política e econômica brasileira, mas por outro lado colocou no poder alguém engessado por um forte fisiologismo parlamentar.

O futuro do presidente Michel Temer hoje depende da decisão do Tribunal Superior Eleitoral, que deverá sair nos próximos dias. Se a chapa Dilma-Temer for cassada, todo o alívio gerado pela mudança no poder será anulado imediatamente. O dólar tenderá a se valorizar e o ajuste inflacionário alcançado até o momento poderá ser prejudicado.

Imaginem os senhores: sairia do Congresso, que amarga índices espetaculares de rejeição, o novo chefe do Poder Executivo. Independente da agremiação e da ficha criminal, se o novo presidente colocar em pauta uma agenda conservadora que contenha responsabilidade fiscal, os mercados acionários não deverão reagir mal no médio e longo prazos.

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Operações possíveis na Bolsa

  1. Dividendos e Lançamento coberto

Quando se fala em mercado baixista, os analistas do mercado têm uma recomendação na ponta da língua: as famosas ações defensivas, que consistem em geral em empresas voltados ao setor interno.

Os especialistas tendem a atribuir a esses papéis certa proteção em momentos tensos em decorrência do foco delas ser o mercado interno.

Porém, vale lembrar que a percepção do risco sistêmico nos mercados acionários é bastante forte e, portanto, dificilmente ativos com direcionamento ao consumo interno (bebidas, telecomunicações, varejo, dentre outros segmentos) sobreviverão a uma forte desvalorização do índice brasileiro.

O que deve ser levado em conta, sim, são alguns aspectos, digamos, operacionais, dentre os quais destaco dois: a distribuição de dividendos, que em momentos de queda pode ser uma boa alternativa de remuneração da carteira; e a possibilidade de lançamento coberto de opções, que consiste em uma excelente ferramenta de lucro em mercados baixistas.

É evidente que essa operação incorre em certos riscos quando o papel apresenta forte desvalorização e, logo, recomendo muito estudo antes de tentar essa alternativa. Em um mercado “andando de lado” ou levemente altista, o lançamento coberto de opções é muito mais previsível e, portanto, menos arriscado.

  1. Remar contra a maré e fazer compras

Não é uma regra, mas o Ibovespa e o dólar tendem a seguir direções contrárias, ou seja, quando a bolsa sobe, o dólar tende a cair assim como quando o mercado cai, o dólar é provável que se valorize.

Seguindo essa premissa, que pode ser observada com freqüência, um mercado baixista pode trazer grandes oportunidades em papéis de empresas exportadoras, que se beneficiam da valorização do dólar sobre o real.

Um elemento interessante nesse tipo de operação é quando há um descolamento entre a bolsa brasileira e a americana de sorte que os investidores estrangeiros, confiantes com a perspectiva positiva do mercado dos seus países, reforçam compras em papéis específicos dos mercados emergentes—mesmo quando estes apresentam viés de baixa.

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Indo direto ao ponto: vender ações

Mediante vendas, os investidores alienam ativos na expectativa de recomprá-los por um custo inferior ao volume da venda.

A venda descoberta é a operação pela qual os participantes do mercado realizam vendas sem possuir os ativos. É uma espécie de operação de crédito pela qual as corretoras permitem que os investidores vendam ativos que eles não possuem.

Cuidado com o after market: as corretoras não permitem que um investidor “durma” descoberto e, portanto, um funcionário da corretora vai recomprar seus papéis se você não fizer o fechamento. A baixa liquidez do pós-mercado pode fazer com que os ativos sejam vendidos a preços mais elevados.

A venda coberta consiste no aluguel de um determinado ativo de forma que você pode vendê-los e manter a operação até o final do contrato (este pode, inclusive, ser rolado para que você possa permanecer na posição por mais tempo).

Estando coberto também permite que você possa vender e compra o ativo diversas vezes sem os riscos inerentes à operação descoberta. Você só precisará pagar uma taxa ao emprestador.

O ideal antes de realizar vendas cobertas e, assim, se comprometer a pagar um aluguel por um determinado ativo, é realizar um diagnostico do mercado de forma que você entenda quais setores ou segmentos serão mais afetados pela próxima crise que se avizinha.

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