Lembre-se do conceito da “carta branca”. Pense no que isso significa. Você pode fazer qualquer coisa, do seu jeito. Então lhe é entregue essa folha em mãos.

Desenhe vários rabiscos sem sentido, apenas para passar o tempo ou coloque de forma organizada no papel várias ideias que estão em sua mente.

Tudo que existe no mundo hoje, desde o início da história, veio de uma ideia volátil da mente de um ser humano. Transmitir uma ideia não é tarefa fácil. Explicar às outras pessoas o que passa na sua cabeça pode ser mais complicado do que parece.

Agora pense nessa situação: você, ideias e uma folha em branco. Se alguém lhe dissesse que você pode escrever ou desenhar um negócio para ser oferecido a um grande investidor, como você faria isso?

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Se fosse uma tarefa fácil, o Alexander Osterwalder não teria feito tanto sucesso com o Canvas, não é mesmo? Nove quadradinhos em uma folha em branco para guiar empreendedores do mundo inteiro na montagem de um modelo de negócio.

Mas por quê esse tal de Canvas fez e faz tanto sucesso assim? Tudo começa de uma história. E por falar em história, a diferença também está na forma como as contamos.

Quando somos crianças, todas as historinhas têm um sentido, não tem? Sempre existe uma passagem, principalmente no final, que nos deixa alguma lição.

Existe o bem, o mal, a aventura, o desfecho que nos faz pensar. E assim são os filmes, as novelas, as séries – tudo segue o mesmo modelo, mas estamos tão mergulhados no automatismo que já nem nos damos conta. Tudo precisa de um início, meio e fim para fazer sentido.

E tudo começa com uma folha em branco: um livro, uma planta baixa, um processo desenhado por um especialista, uma nova receita gastronômica.

Mas um bolo não se torna um bolo quando os ingredientes são misturados de forma aleatória, não é mesmo? Existe uma forma certa de fazer a mistura que confere à receita seu bom resultado.

Um livro só vira “best seller” se a história for cativante, se o autor se preocupar em organizar os fatos de forma que façam sentido. Então por que pensar que no mundo dos negócios isso seria diferente?

Negócios partem de ideias, mas também precisam fazer sentido. Precisam de um porquê. Na verdade, são dois “porquês” básicos: o porquê de você querer ter um negócio e o porquê dele existir.

No primeiro caso, você precisa estar seguro de que está apto a ter um negócio. E isso vai muito além de um CNPJ. Um negócio é feito de pessoas, produtos, processos, planejamento e receita. Quando não há geração de receita, não é um negócio, é um hobby.

E gerir tudo isso vai muito além do que simplesmente ser dono de uma marca. É meter a mão na massa, é estar antenado no mercado – não só no consumidor mas também na concorrência.

E essa receita é fruto do “porquê” de sua existência: qual a solução oferecida para o mercado? O consumidor precisa entender a sua proposta de valor e desejar (ou precisar) do seu produto ou serviço.

Agora pense na complexidade de organizar tudo isso em uma folha de papel. Concatenar todas essas variáveis de forma que façam sentido para outro ser humano. Não é fácil, mas não é impossível.

Existe muita oportunidade no mercado e muitas necessidades que ainda não foram sanadas. Mas exatamente por não ser uma tarefa simples, nem todos estão aptos a se aventurar no mundo dos negócios.

Mas nada que um bom planejamento e o desenho de estratégias bem elaboradas não resolvam. A diferença está no fazer. Não existe “valuation” de ideias. O que não se pode medir, não se pode gerir, já dizia Peter Drucker.

Se você tem uma folha em branco e tem a chance de começar algo do zero, você prefere lidar com isso de forma desinteressada ou com cuidado?

Pense nessa folha em branco como aquela oportunidade única que bate à sua porta. Você não sabe se ela volta, se haverá uma segunda vez. Então aproveite e dê o seu melhor!

Se você vislumbra uma situação, um “gap” no mercado e que você tem capacidade de atender e pode transformar isso em um negócio rentável, por que não fazer isso de forma coerente e ordenada? Por que fazer apenas uns rabiscos desinteressados e contar com a sorte?

Hoje existem tantos recursos disponíveis, tanto conhecimento sendo disseminado. Basta querer e ter a sabedoria de usar as ferramentas disponíveis.

Você prefere desenhar um círculo à mão livre na sua folha ou pegar um compasso e acertar de primeira? Se você não sabe usá-lo, contrate quem saiba. Busque um especialista e seja produtivo. Invista na sua ideia.

Se você não acredita nela, como esperar que outros o façam? As pessoas são atraídas pelo seu “porquê” e não pelo seu “o quê”. Aquilo que você oferece vem de um motivo pelo qual você fez o que fez, vem de uma vontade, de um querer. E é isso que cativa as pessoas.

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Ninguém disse que seria fácil. Mas ver a sua ideia passar para uma folha de papel e sair dele tornando-se algo que cativa as pessoas e gera receita, não tem preço.

É o resultado de muito trabalho, dedicação, conhecimento e isso tem um valor que deve ser muito bem transmitido ao mercado, afinal de contas não foi um mero rabisco feito no papel como passatempo, e sim um desenho bem elaborado com as ferramentas certas.

A esta altura, espero que você pense com mais carinho sobre o que faria com uma simples folha em branco. Afinal, é exatamente isso que você está fazendo agora, ao olhar longe e refletir sobre seu potencial e seus sonhos de empreender. Boa sorte! Sucesso!

Adriana Vale & Roberto Moscatelli
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