Ainda que exista quem critique, depois que descobri como Jorge Paulo Lemann decidiu começar seus investimentos no segmento de cervejas ao ler o livro “Sonho Grande”, nunca mais desmereci uma lista de homens mais ricos do Brasil e do mundo.

Para quem não sabe a história: ao ver que os homens mais ricos da Argentina, Colômbia e Venezuela à época eram donos de cervejaria, ficou “curioso” para entender qual a ineficiência que impedia os líderes de empresas brasileiras estivessem em patamar semelhante. O resto é história: em 18 anos saíram da compra da Brahma em frangalhos a se tornar a maior cervejaria do mundo.

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Ver a lista dos maiores empresários do planeta e a movimentação dos respectivos patrimônios dá um bom tom para onde o mundo está migrando em termos de negócios, segmentos da economia e afins. E a rápida ascensão de Jeff Bezos e Mark Zuckerberg, somada a presença há mais de 20 anos de Bill Gates sempre “namorando” o topo da pirâmide apresenta alguns aprendizados para quem, como eu, se aventura pelo mundo das startups.

Ver o dono do Windows e do Office tanto tempo entre os três homens mais ricos do mundo mostra um fator pouco difundido por soar meio constrangedor, mas que o livro “Zero a Um”, de Peter Thiel, traz à tona de forma brilhante: a importância de você construir um negócio que seja monopolista no seu segmento de atuação.

Para trazer à prática: quem conhece algum escritório onde não exista a combinação PC + Windows + Pacote Office? Ainda que a Microsoft se veja em um momento de mudança de suas frentes de trabalho, é esta “segurança” que permite ser uma empresa saudável e bilionária.

Mas o grande aprendizado dos últimos anos vem de Jeff Bezos e da Amazon. Ela se mostra o principal exemplo de caso de sucesso no que Salim Ismail, da Singularity University, cunhou como “Organização Exponencial”.

Assim: o desenvolvimento de uma empresa sob o viés de ser uma plataforma, aproveitando-se da abundância de produtos a serem vendidos mundo afora, a construção de relacionamento com o público por meio de seus algoritmos e a experiência desde a compra até a sugestão de itens complementares e a rapidez de entrega.

Ele, que por horas foi o homem mais rico do mundo na segunda quinzena de julho, mostra um caminho para onde qualquer um que almeja empreender diretamente no segmento de tecnologia não terá como escapar.

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Para pegar outras duas empresas cujos fundadores estão no TOP-50 em franca ascensão, Jack Ma (Alibaba) e Mark Zuckerberg (Facebook) atuam exatamente no mesmo caminho: desenvolveram negócios que atuam como plataforma para promoção tanto de produtos quanto relacionamentos em rede.

O mesmo critério se aplica em algumas das startups de mais rápido crescimento da história, como Uber, Airbnb, GroupOn, eBay, YouTube, WhatsApp e outras. Se olharmos para os casos de sucesso mais próximos dos brasileiros, Peixe Urbano, Buscapé, Mercado Livre e Decolar (estes dois últimos argentinos, mas com forte presença no país) seguem as mesmas condições de plataforma.

Independente do segmento que você atue, uma das rotas de maior transformação de valor é dar margem e espaço para o escoamento de recursos de terceiros e ao mesmo tempo de construir o melhor ambiente para o fomento a negócios, ter uma participação nos seus resultados.

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Por coincidência, no mesmo dia da ascensão de Bezos revi a famosa entrevista que Bruce Lee – então um ascendente ator em Hollywood no fim dos anos 60, traça um paralelo sobre a existência humana, o equilíbrio e a confluência com a água, eternizada pela frase “Be water, my friend.”

A frase faz todo sentido com o caminho que as grandes empresas, aquelas que em dez anos formarão a nova turma da Fortune 500, estão seguindo: seja plataforma e busque seu monopólio, meu amigo.

João Gabriel Chebante
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