Felizmente uma boa notícia produzida pelo governo, e não interessa por qual razão. Estamos diante de um governo que não tem recursos para nada e que trabalha com expectativa de dívida pública explodindo em relação ao tamanho do PIB, caso as reformas demorem e/ou saiam desidratadas.

Já abordamos o fato de que com elevação da meta de déficit para os próximos anos, o problema já foi jogado no colo do sucessor de Temer, seja qual for ele.

Apesar disso, vai ser preciso perseguir o ajuste da economia, sem o que não haveria recursos para investimentos e preparar o crescimento mais sólido, ainda que numa visão de mais longo prazo. Em teoria, isso só aconteceria lá pelos idos de 2022, mas é preciso começar o mais rápido possível.

Não adianta o ministro Henrique Meirelles dizer que no final do ano cresceremos o PIB na velocidade de 2,5% ou 3,0%, sem recursos para investimento. E atração de investidores estrangeiros, já que também vai demorar para o país ampliar o nível de poupança e investimento.

A privatização da Eletrobrás

É nesse contexto que surge novamente a vertente de privatizar a Eletrobrás. É bem verdade que o governo encontrou resistências para vender algumas usinas de geração de energia. Vejam, por exemplo, o que está acontecendo com usinas da Cemig. A Cemig está tentando obter recursos para ficar com as usinas, com o BNDES surgindo como alternativa mais viável e rápida. Porém, o governo ainda mantém as datas de leilão e pode não haver tempo hábil para levantar recursos.

A ideia de privatizar a Eletrobrás é torna-la uma empresa pública na acepção da palavra (sem controle definido) parece uma proposição ótima. Ainda se fala em uso de uma “golden share”, onde o governo manteria poder de veto em determinadas situações, mas isso reduziria um pouco o ímpeto de investidores estrangeiros e do preço obtido (depende dos vetos).

O governo ainda não explicitou sua postura de modelagem da operação, mas os mercados já reagiram por conta disso. Na sessão de 22 de agosto, as ações ordinárias subiram mais de 30%, e ajudaram a B3 a bater novamente nos 70000 pontos, coisa que não ocorria desde 2011.

Uma medida acertada

Certamente a medida é absolutamente adequada. Basta ver o que aconteceu com todas as empresas que foram privatizadas, seja em termos dos serviços prestados, seja em eficiência empresarial ou, principalmente, na melhora da governança.

Nas declarações dadas pelo ministro do MME e executivos da Fazenda foi passado o valor da empresa em R$ 20 bilhões (só em 22 de agosto o valor de mercado da Eletrobrás já tinha evoluído mais R$ 6,0 bilhões).

O mercado é imediatista e a modelagem da operação está apenas começando e Itaipu e nucleares vão ficar de fora. Além disso, segundo a Eletrobrás, a empresa seguirá alienando participações destinadas a reduzir o nível de alavancagem para baixo de 4,0x. Outra boa notícia.

O governo alerta que o impacto fiscal não gera receita primária e, portanto, não impacta a meta fiscal que é baseada no resultado primário. Porém, o simples fato de privatizar já irá desonerar o governo. De outra feita, a maior eficiência gerada vai permitir custo de energia mais competitivos e isso será muito bem avaliado pelos investidores e demais interessados. Se for levado adiante, o cronograma será de realizar a operação até o primeiro semestre de 2018. Ficamos torcendo e esperando anúncios também para o Banco do Brasil e Petrobras.

O mercado de capitais e os brasileiros agradeceriam esse presente, com o devido respeito aos sindicatos, associações de classes ligadas, grupos organizados em geral, políticos, PT;  e todos os outros que são contra a eficiência e a redução do tamanho do estado brasileiro.

Alvaro Bandeira
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