Nos últimos meses, a economia brasileira começou a mostrar alguma recuperação em muitos fundamentos, e isso tem sido alardeado com vigor por membros do governo Temer. Vale ressaltar que a melhora sé da quando analisado o curto prazo, partindo de base comparativa muito fraca.

O setor externo já mostra grande recuperação por força da balança comercial forte, basicamente pela exportação de produtos agropecuários e pela fragilidade de nossas importações. No acumulado até setembro, o superávit está em US$ 53,3 bilhões. O déficit em conta corrente até agosto de US$ 3,0 bilhões é baixo e é amplamente coberto pelo investimento direto no país, que soma nos oito meses de 2017, US$ 45,5 bilhões.

É possível notar inflação que tende para baixo da meta e menor que 3,0%. Isso tem acelerado a queda dos juros básicos, com a taxa Selic podendo atingir menos de 7,0% no final desse ano. Encontramos melhora na produção industrial, vendas no varejo, endividamento das famílias e comprometimento da renda. A queda no desemprego para 12,6%, e a sensação de expansão da renda real tem motivado a ampliação do consumo reprimido em dois anos de profunda recessão. A prestação de serviços começa a passar por melhores dias.

O governo tenta tirar o foco dos problemas políticos

O governo mostra todos esses dados na ânsia de retirar o foco dos problemas políticos de denúncias de corrupção em todos os níveis do segmento estatal e político, ao mesmo tempo em que acena com reformas importantes para dar novo rumo para a economia.

O governo Temer já conseguiu alguns feitos como a reforma trabalhista e passar o limite de gasto, mas claudica com outros temas importantes, principalmente a Reforma da Previdência e Reforma Tributária. A primeira fundamental para limitar e reduzir o enorme déficit fiscal, e a segunda para dar mais competitividade para nossas empresas.

Falamos da necessidade de reformas (e existem outras ações importantes), pois só assim será possível trazer de volta um pouco de governabilidade e atrair investidores locais e internacionais para o país. Antes que os países desenvolvidos comecem a contrair suas políticas de distensão monetária. Precisamos acelerar todos os passos da privatização e concessão de serviços, reduzir o tamanho do estado brasileiro incluindo redução de despesas com quadros comissionados e acabar com os desperdícios da máquina administrativa e privilégios.

As reformas são indispensáveis para o Brasil

Mais que isso, reformas são necessárias para estancar o déficit crescente da do país e, com isso, segurar o endividamento crescente que pode beirar cerca de 80% do PIB, o que é extremamente elevado para países considerados emergentes. Essas são variáveis que incomodam muito e que só serão equacionadas com medidas duras. Ocorre que é difícil conseguir isso com o baixo nível (3%) de aprovação do governo. Provavelmente nos remeterá para reformas desidratadas ou até para o próximo governo. Resta saber se o próximo governante estará engajado na necessidade de reformas.

É exatamente por isso que caracterizamos a melhora da economia como de curto prazo. Para ter consistência somente com reformas e não tão desidratadas. O risco inerente parece ser aquele que sempre acomete o Brasil e adia reformas: já que melhorou um pouco, podemos ser mais lenientes com ajustes. Não pode, não! é preciso perseverar nas reformas sem as quais teremos novo voo de galinha na economia, e a luz no final do túnel será um trem vindo para nos amassar.

Caso contrário, corremos o risco de compactuar com o teólogo e filósofo Giordano Bruno: “que ilusão a minha de achar que quem detém o poder vai reformá-lo”.

Alvaro Bandeira
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