Volta e meia falamos sobre como a riqueza é relativa, afinal, o que é importante para mim pode não ser para você e vice-versa. Eu, por exemplo, sempre considerei viajar uma parte importante da minha vida, e durante uns bons anos isso foi prioridade. Sim, prioridade, porque para fazer isso eu abri mão de muitas outras coisas. E é claro que o fato de ter namorado um europeu também colaborou, pois volta e meia precisava me ausentar e as viagens também faziam parte de uma certa rotina, que é algo muito comum para eles.

Hoje, acredito que é preciso haver um bom equilíbrio entre o que conquistamos materialmente e o que experimentamos, entendendo que muitas vezes as experiências nos deixam mais ricos do que as coisas, mas que, no final, ter alguma segurança financeira também é algo importante e é preciso estar preparado para as reviravoltas da vida. Ou seja, nem muito lá, nem muito cá. Este é o desafio!

E para que isso dê certo, tanto para mim, quanto para você, a educação financeira e a organização das receitas e despesas, somadas aos investimentos corretos é o que fará a diferença. Portanto, comecemos já, agora, caso ainda não tenhamos começado.

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Experiências que você leva para a vida

Bem, mas neste texto resolvi falar sobre viagens. Se você é dos meus e adora viajar, vai entender muito do que está aqui. E se você não costuma fazer muito isso, talvez possa inspirá-lo a encaixar uma viagenzinha no meio de tanto trabalho ou hábitos de apenas comprar ou economizar desesperadamente.

Afinal, cada experiência viajando vai ser algo que você vai levar pra vida e, acredite, nas viagens também conseguimos aprender (se estivermos abertos a isso) que a vida não precisa ser tão quadradinha quanto achamos, e que as pessoas vivem, sim, de formas muito diferentes das nossas, o que nos ajuda a reavaliar a própria vida.

Minha primeira viagem internacional foi um intercâmbio para a África do Sul. Lembro que tinha juntado dinheiro durante alguns anos (afinal eu era algo entre estagiária e recém-formada) e consegui pagar com as minhas economias um curso de inglês, a hospedagem na casa de uma família, a passagem aérea e ainda levar uma certa quantia que teve que ser muito bem usada porque senão acabaria antes do tempo.

Tudo aquilo foi uma novidade. Desde ter que organizar as finanças de forma certinha para não ter dor de cabeça até as experiências que tive. Fazia 10 anos que o Apartheid havia terminado e aquilo tudo para mim era história pura. Lembro até hoje de estar indo de barco para a Robben Island, ilha onde Nelson Mandela ficou preso durante anos, e do quanto ver aquele cubículo ao vivo me ensinou sobre resiliência e formas de encarar a vida.

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Depois, fiz uma primeira viagem para a Europa com uma amiga. Tinha acabado de saber que seria demitida, assim como toda a Redação, mas a passagem já estava comprada. O que fazer? Fui! O dinheiro novamente contado, e uma parte da viagem foi em hotel e outra em hostel. Comemos muitos dias fast food e eu nunca achei nenhum lugar tão caro quanto a Suíça. Pensei: O que estou fazendo aqui com meus poucos reais? Rs Mas no fim das contas, descobri o quanto poderia fazer e conhecer sendo do jeito que fosse.

No hostel, mesmo não sendo permitido, algumas chinesas faziam miojo todos os dias no quarto. E no final aquilo acabou virando uma história para nos fazer rir, pois o cheiro que ficava, ai senhor! Acabamos indo para vários países do leste europeu, conheci Auschwitz, saí tocada de lá, a casa em que o antigo Papa João XXIII morou na Polônia e várias outras coisas que ficaram gravadas na minha memória.

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As pessoas vivem de formas diferentes sim

Depois destas viagens iniciais, digamos que em meio a certo “perrengue” financeiro, fiz muitas outras um pouco mais tranquilas. Me lembro de estar em uma montanha no Marrocos, e era uma fase em que estava bastante confusa, prestes a dar alguns passos diferentes na minha vida, e aí enxerguei um senhor de bengalas descendo.

Ele já aparentava ter uns 70 anos, e descia com a bengalinha num compasso que eu não desceria. Parecia conhecer cada pedra, cada buraco. E aí naquela hora eu pensei: “Se este senhor mora no alto das montanhas e precisa descer para qualquer coisa que queira fazer, comprar, etc. e está vivendo assim, por que eu não conseguiria viver sem determinadas coisas ou de forma diferente da que vivo hoje? Não senhor, é claro que consigo”.

Nestas horas, percebemos o quanto o ser humano é adaptável. Acreditamos que precisamos de tantas coisas, que só conseguimos fazer isso e aquilo se for dentro de determinadas regras, mas não é nada disso.

Normalmente só aprendemos o quanto podemos fazer diferente quando a vida nos obriga; mas viajar e conhecer outras realidades também pode ser um grande aprendizado. Escrevi há pouco tempo sobre um senhor que vendia sorvetes em uma praia do nordeste e o quanto ele me ensinou sobre educação financeira ao contar sua vida e planejamento.

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E talvez você possa estar pensando: Não tenho como ficar viajando assim. É tudo muito caro e se eu fizer isso não conseguiria fazer outras coisas. Bem, calma lá. Nos últimos anos viajar se tornou algo muito mais simples e barato de se fazer. Há muitas promoções de passagens aéreas, startups que permitem hospedagem mais barata (como o airbnb), hostels, enfim… é muito mais uma questão de organização e prioridade. Ainda que seja para fazer algo assim daqui a um, dois anos, você pode começar agora a economizar certa quantia mensal e destinar a isso, entende?

Mas se ainda assim você acha que viajar não é para você, então permita-se conhecer novas realidades de onde estiver. Citei algumas experiências fora, mas o Brasil é tão grande e diferenciado que você pode conhecer diversas realidades por aqui também. Aliás, muitas vezes é só mudar de bairro.

Permita-se ouvir outras pessoas e vai ver como cada um tem uma realidade diferente e pode acrescentar algo. O importante é sair do ovo e permitir-se. Todo mundo tem muito a ensinar, seja em outra língua, outros costumes, ou até mesmo em outra situação financeira. Ouça e permita-se aprender e ensinar se puder. A vida é uma troca é certamente você a estará vivendo de forma muito mais rica em todos os sentidos!

Janaína Gimael
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