Os investidores no segmento local trabalham com duas vertentes importantes que podem alterar a tendência dos mercados em sentido diametralmente opostos. De um lado, o julgamento do ex-presidente Lula pelo TRF-4 no próximo dia 24 de janeiro, e de outro, o encaminhamento de alguma reforma na Previdência.

No que tange ao julgamento de Lula, um placar de 3×0 no TRF-4 seria muito bem recebido e os mercados reagiriam de forma intensa, descontando um pouco o que já foi antecipado em altas recentes. Afinal, até a sessão de 08 de janeiro, a B3 (Bovespa) cravou sequência de onze pregões seguidos de alta, e nessa escalada ganhou cerca de 7000 pontos no índice.

Bem verdade que foi bastante ajudado por recordes sucessivos do mercado americano em seus três principais índices, e secundado por altas expressivas em outros tantos, como a bolsa indiana de Mumbai ou Hong Kong, ou ainda pelo maior patamar alcançado pelo Nikkei da bolsa de Tóquio no nível mais alto dos últimos 26 anos.

Fluxo de recursos internacionais

O Institute of International Finance (IIF) indica que houve entrada de recursos em emergentes durante o ano de 2017 no montante de US$ 235 bilhões, sendo que US$ 65 bilhões para o segmento de ações, e US$ 170 bilhões em títulos de dívida.

Isso mostra que existe fluxo de recursos sendo carregado para mercados de risco em todo o mundo, o que dá respaldo para maior precificação dos ativos. No Brasil, os investidores parecem antecipar o placar de 3×0 acelerando um pouco a tendência (com boa dose de risco), mas reagindo a esse fluxo de recursos.

O reposicionamento de carteiras nesse início de ano segue forte em todo o mundo, e no Brasil não é diferente, já que os gestores estavam meios vazios de renda variável e correm em busca de tentar acelerar retornos.

Brasil: Reforma da Previdência

A segunda vertente da reforma da Previdência parece ter andado pouco nesse período de recesso parlamentar, mas de muitas movimentações antecipadas em relação às próximas eleições.

Pelo noticiário local, mesmo com o presidente liberando muitas emendas, com a reforma ministerial em curso e ajuda aos Estados e Municípios; ainda assim a quantidade de votos necessários para a reforma continua longe dos requeridos 308.

O clima eleitoral não favorece em nada a reforma e a vontade do ministro Meirelles de concorrer à presidência ajuda a atrapalhar o processo.

A necessidade de alguma Reforma

Repetimos que qualquer reforma da Previdência, por mais emagrecida que fosse seria muito bem recebida, exatamente por conta de sinalizações que seriam dadas para os investidores em todo o mundo (e agências de risco, em especial).

Sem reforma da Previdência tudo ficará comprometido em termos de ajuste da economia, com cortes de investimentos, eventual ampliação da carga tributária, expectativa de inflação e juros, endividamento crescente e próximo de 80% (dívida bruta). Sem ela teríamos recidiva e as perspectivas dos próximos anos seria bastante alterada para pior.

Os (enormes) desafios do próximo presidente

Tudo estaria empurrado para o próximo presidente eleito que ninguém arrisca quem seria, e qual o comprometimento dele com reformas estruturantes. O fato continua sendo que não temos “salvação” sem reformas de vulto em muitas áreas, que teriam de serem feitas no momento inicial do novo governo. Porém, já estaríamos em meados de 2019, e o país não pode esperar todo esse tempo.

Olhando por esse ângulo, as apostas que os investidores estão fazendo em antecipar resultados para essas duas vertentes parece coerente, até por conta que haveria tempo de desfazer erros e corrigir performance ao longo do restante do ano.

Nos definimos como otimistas e, como tal, apostamos que a razão acabará prevalecendo. Caso contrário, vamos cair na frase de Paulo Francis que dizia que “o Brasil é um asilo de lunáticos, onde os pacientes assumiram o controle”.

Orientamos suas aplicações em mercado de renda fixa e variável nesse período de vendaval nos mercados. Consulte o nosso site.

Alvaro Bandeira
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