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	<title>Dinheirama - Economia, Investimentos e Educação Financeira ao alcance de todos &#187; estado</title>
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	<itunes:summary>Podcast Dinheirama: um papo descontraido e inteligente sobre dinheiro, educacao financeira, investimentos e financas pessoais com Conrado Navarro, educador financeiro com MBA em Financas, aluno de mestrado da UNIFEI, criador do site Dinheirama.com e autor dos livros Vamos falar de Dinheiro? (Editora Novatec) e Dinheirama (Blogbooks Ediouro).</itunes:summary>
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		<title>Dinheirama - Economia, Investimentos e Educação Financeira ao alcance de todos &#187; estado</title>
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		<title>Normalidade política e sustentabilidade econômica</title>
		<link>http://dinheirama.com/blog/2011/08/18/normalidade-politica-e-sustentabilidade-economica/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Aug 2011 18:29:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Plataforma Brasil</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Qual a sua avaliação sobre a atual condução política e econômica brasileira? Como emplacar o desafio de construir uma democracia plena, sólida e justa?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="Normalidade política e sustentabilidade econômica" src="http://dinheirama.com/files/2011/08/dinheirama_sustentabilidade_politica_normalidade_economica.jpg" alt="Normalidade política e sustentabilidade econômica" align="left" hspace="2" vspace="2" />Caro leitor, preciso fazer uma confissão: estou feliz com o momento político que estamos atravessando. Não, não irei além disso, não revelarei as minhas preferências políticas e nem em quem votei no último pleito eleitoral. Até porque trata-se de um dado irrelevante, pois a minha militância é pela democracia.</p>
<p>Cultivo a minha crença mais nas instituições do que nas pessoas outorgadas por mandatos para conduzi-las (confesso que muitas vezes, lamentavelmente, me contento com a esperança), acredito no sistema de pesos e contra pesos, na livre empresa, na independência dos poderes e nos benefícios da profilaxia que a livre imprensa nos traz.</p>
<p>Observem, por exemplo, que no escândalo britânico da prática ilegal dos grampos telefônicos colocados por um veículo da mídia, o denunciante não foi o Estado ou um órgão similar ao nosso Ministério Público, mas a própria imprensa que, equipada com liberdade total, efetivou brilhante investigação (nesse caso todas as honras ao corajoso jornal The Guardian, o mesmo das publicações do Wikileaks) e, finalmente, no fundamento onde a sociedade civil é servida pelo estado, e não o contrário.</p>
<p><span id="more-6456"></span>Naturalmente que é bastante histriônico o contexto onde, em oito meses de governo, ocorreram tantas substituições ministeriais (até agora foram quatro), mas o fato é que quando observo a chefe do executivo enfrentando conflitos políticos na sua própria base de apoio, sendo obrigada a distender as tensões com a oposição, reconhecendo as obras de grupos políticos antecessores e lutando com dificuldade para emplacar seus projetos e efetivar as suas faxinas internas, vejo uma líder normal, bem intencionada e aplicada (dizem que no seu gabinete, generalidades e o não aprofundamento nos assuntos resultam em exemplares puxões de orelha).</p>
<p>Como qualquer líder dentro da normalidade, ela conviverá com acertos e erros, terá algumas promessas de campanha cumpridas e outras não. Sem grandes espetáculos, menos personagem, mais servidora pública eleita. Trata-se portanto da normalidade.</p>
<p>Não é minha a máxima onde a democracia não se constitui em um regime a prova de imperfeições, mas dentre as outras opções é a melhor de todas. E é importante entendermos que em democracias e economias sustentáveis, plenas e verdadeiras, seus líderes são assim, exatamente como a descrição acima, comuns e humanos.</p>
<p>Contudo, evidentemente, essa constatação não significa que não possam ser cobrados, arguidos e pressionados por melhor desempenho por parte dos contribuintes, o que é saudável e necessário.</p>
<p>Em economias sustentáveis e regimes democráticos estáveis e livres, a grande força está nas suas instituições, na liberdade de expressão, no jornalismo que investiga e incomoda governos, no engajamento da sociedade civil e no poder de reciclagem e permanente correção que este sistema propicia.</p>
<p>É justamente com este modelo que se evita desastres econômicos, sociais e políticos. É a falta dele que, historicamente, atraiu as grandes mazelas da humanidade, as grandes guerras, a miséria, o terror de estado.</p>
<p><strong>Winston Churchill</strong> era um político desacreditado e ofuscado por fracassos administrativos retumbantes antes de se transformar no líder que conduziu a Inglaterra – enfrentando opositores, isolacionistas e também cometendo erros e acertos &#8211; no momento mais crítico e perigoso de sua história recente (setenta e dois anos não é nada no processo histórico).</p>
<p>A lógica que defendo convoca uma observação de longo prazo, muito distante do imediatismo que fragiliza gigantes econômicos. Muito diferente de personagens políticos mitológicos, com suas performances meticulosamente trabalhadas, com sua sede para reescrever a história após sua chegada.</p>
<p>Acho os líderes comuns, tal qual os descrevi neste artigo, mais corajosos, sólidos, verdadeiros e muito mais confiáveis. E você?</p>
<p>Até o próximo. Foto de <a title="Foto de sxc.hu" href="http://www.sxc.hu" target="_blank">sxc.hu</a>.</p>
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Este artigo foi escrito por <b>Plataforma Brasil</b>.<br>

A Plataforma Brasil Editorial atua como uma agência independente na produção de conteúdo e informação.<br>

<div style="padding:10 10 20 10;margin-left:auto;margin-right:auto;background:#FAFFB6;"><img align="left" style="padding-bottom:10;padding-right:15px;" src="http://dinheirama.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/logo_dinheirama_rss_footer.jpg">Este artigo apareceu originalmente no site <a href="http://dinheirama.com/">Dinheirama</a>.<br/>A reprodução deste texto só pode ser realizada mediante expressa autorização de seu autor. Para falar conosco, use nosso <a href="http://dinheirama.com/contato">formulário de contato</a>. Siga-nos no Twitter: <a href="http://twitter.com/Dinheirama">@Dinheirama</a></div>]]></content:encoded>
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		<title>Economia e Política: finalmente com os pés no chão!</title>
		<link>http://dinheirama.com/blog/2011/07/08/economia-e-politica-finalmente-com-os-pes-no-chao/</link>
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		<pubDate>Fri, 08 Jul 2011 18:27:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Plataforma Brasil</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As relações políticas movem decisões estratégicas também no lado econômico. Como isso influencia nosso projeto de nação e o futuro do Brasil? Um polêmico ponto de vista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="Economia e Política: finalmente com os pés no chão!" src="http://dinheirama.com/files/2011/07/dinheirama_politica_economia_revolucao.jpg" alt="Economia e Política: finalmente com os pés no chão!" hspace="2" vspace="2" align="left" />Conforme cometei em artigos anteriores, aguardava o momento para novamente abordar a nossa seara econômica. Hoje volto ao assunto, mas, como sempre, não deixarei de lado o momento político, uma vez que se trata, lamentavelmente, do vetor principal da vida econômica no nosso País.</p>
<p>Por mais que o mundo corporativo/empreendedor despreze a política e seus agentes, por mais que teimem em deixá-la de lado e evitar qualquer espécie de participação ou militância, não podemos nos esquecer de que convivemos com uma arrecadação correspondente a <a title="Carga tributária no Brasil" href="http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/03/carga-tributaria-foi-de-3513-do-pib-em-2010-diz-instituto.html" target="_blank"><strong>35%</strong> de toda a riqueza gerada</a> – e, pior, aproximadamente <strong>100 milhões</strong> de brasileiros – a metade de nossa população – vivem total ou parcialmente de recursos repassados pelas três esferas governamentais (municipal, estadual e federal).</p>
<p>Esses dados alarmantes (ou dramáticos), que tem origem nos estudos do economista <strong>Raul Velloso</strong> – presidente do movimento <a title="Conheça o Movimento Brasil Eficiente" href="http://www.brasileficiente.org.br/Home.aspx" target="_blank">Brasil Eficiente</a> e um dos maiores especialistas em contas públicas da atualidade – mostram o quanto o aparelho estatal, e por consequência o processo político, influencia as nossas vidas. Logo, dissociar o mundo corporativo, empreendedor e da livre iniciativa desse elemento torna-se, no mínimo, uma falha grosseira.</p>
<p><span id="more-6286"></span>Em resumo, não seria um absurdo dizer que o Brasil, apesar de todo o processo de privatização e das modernizações que se implementaram a partir dos anos 90, ainda é uma nação com preponderante influência estatal, garantindo à dinâmica política a devida relevância estratégica.</p>
<p>Neste contexto, o que nos resta é torcer para que o rolo compressor governamental não avance coeso e avassalador sobre nossas vidas, direitos e liberdades. E não é por outro motivo que comemoro quando, no noticiário cotidiano, observo as dificuldades que o atual governo enfrenta – me referindo a esfera federal –, seja para coordenar sua base de apoio parlamentar ou para avançar em projetos estratégicos.</p>
<p>A esse cenário adiciono o panorama econômico, marcado pela dificuldade de conter a valorização da moeda e emperrado pela necessidade das absurdas taxas de juros para conter a inflação. Em resumo, vivemos em uma novela dramática com importantes atores, mas com um protagonista principal muito bem definido chamado governo.</p>
<p>E não se engane ao imaginar que sou da turma do “quanto pior melhor”. Nada disso! Muito pelo contrário, simplesmente acredito na força renovadora e na capacidade de reciclagem das sociedades. E o que mais me deixa feliz é justamente essa crescente percepção em quase todos os círculos e ambientes.</p>
<p>É natural que, no curto prazo, essa sopa não seja nada digestiva. No longo prazo, no entanto, ela fortalecerá o sistema como um todo, uma vez que trazidos à consciência de nossos problemas políticos, sociais e estruturais, seremos obrigados a buscar soluções, aperfeiçoamentos e ajustes. Isso se quisermos manter o mito no qual o mundo nos colocou, “uma poderosa nação emergente” – cabe lembrar que antes não havia cobrança internacional e bastava conviver com as frustrações domésticas.</p>
<p>Com o pé na realidade tal como ela se apresenta, e ainda sem navegar em mar revolto, poderemos, sem o pânico dos gregos ou o grito de vitória espanhol dos anos 90, evitar definitivamente os ufanismos infantis e a crença sem sentido, que vinha ganhando terreno nos últimos anos, de que de agora em diante navegaremos <em>“livres de obstáculos e no máximo atingidos por inofensivas marolinhas”</em> e dedicar a nossa energia em busca de soluções duradouras, sustentáveis e consistentes.</p>
<p>Quando o véu do entusiasmo barato cai, somos acordados pelo grito da realidade. Então nos resta um único caminho, que está muito distante de comemorações ou consagrações míopes, mas nos empurra e nos impele a seguir em frente, cientes de que na democracia onde vivemos não haverá espaço para omissões. Você está pronto para fazer parte disso tudo?</p>
<p>Um grande abraço e até o próximo.</p>
<p>Foto de <a title="Foto de sxc.hu" href="http://www.sxc.hu" target="_blank">sxc.hu</a>.</p>
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		<title>As verdades, os perigos e os mitos sobre a dívida externa brasileira</title>
		<link>http://dinheirama.com/blog/2011/07/04/as-verdades-os-perigos-e-os-mitos-da-divida-externa-brasileira/</link>
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		<pubDate>Mon, 04 Jul 2011 19:49:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conrado Navarro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia Geral]]></category>
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		<description><![CDATA[A dívida externa brasileira está em níveis perigosos? Conheça a história da dívida externa, um pouco sobre FMI, reservas internacionais e economia brasileira.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img title="As verdades, os perigos e os mitos da dívida externa brasileira" src="http://dinheirama.com/files/2011/07/dinheirama_verdades_perigos_mitos_divida_externa_brasileira.jpg" alt="As verdades, os perigos e os mitos da dívida externa brasileira" hspace="2" vspace="2" align="left" />Guga</strong> comenta: <em>&#8220;Navarro, ontem escutei meus pais conversando sobre a dívida externa brasileira e seu montante. Parece que leram em algum jornal que a dívida continua crescendo e está em patamares considerados elevados. Gostaria de entender melhor o que é exatamente a dívida externa e se devemos mesmo nos preocupar com o nível em que ela se encontra atualmente. O que a dívida externa representa? Por que senti nos meus pais um ar de preocupação? Obrigado&#8221;</em>.</p>
<p>Há muito que o termo dívida externa é destaque em nosso cotidiano econômico. Mais do que isso, há uma geração que vê no termo &#8220;dívida externa&#8221; um sinônimo de encrenca. Questione seus amigos, familiares e parentes com algo tipo <em>&#8220;O que a dívida externa representa?&#8221;</em> e veja as reações: &#8220;FMI&#8221;, &#8220;roubo&#8221;, &#8220;calote&#8221;, &#8220;moratória&#8221; e &#8220;Sarney&#8221; serão algumas respostas comuns.</p>
<p>Abordarei neste texto o básico sobre a dívida externa, sua definição, um pouco de sua história e aproveitarei para comentar os dados divulgados recentemente sobre sua crescente alta. A ideia é completar o excelente artigo de <strong>Ricardo Pereira</strong>, aqui mesmo no <em>Dinheirama</em>, intitulado <a title="Entendendo a dívida externa brasileira" href="http://dinheirama.com/blog/2007/11/30/entendendo-a-divida-externa-brasileira/" target="_blank">&#8220;Entendendo a dívida externa brasileira&#8221;</a>. Ainda que alguns termos sejam técnicos demais, farei o possível para manter a explicação em tom simples e didático.</p>
<p><span id="more-6262"></span><strong>O que é divida externa?</strong><br />
Trata-se do montante de débitos de uma nação originados de empréstimos feitos no exterior. Estes empréstimos são feitos com bancos estrangeiros, governos de outros países ou instituições financeiras internacionais (FMI &#8211; Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial etc.). Em outras palavras, a dívida externa representa tudo aquilo que um país (em âmbito geral) deve em caráter internacional.</p>
<p><strong>Como assim, todas as dívidas internacionais do país?</strong><br />
A dívida externa contempla todos os empréstimos realizados por um país, incluindo ai as esferas de governo (federal, estadual e municipal) e setor privado. Ou seja, a dívida externa não é o valor devido pelo governo aos &#8220;gringos&#8221;, mas do país como um todo (incluindo empresas).</p>
<p><strong>Um pouco de história</strong><br />
Complementando o artigo do Ricardo, cabe citar alguns períodos históricos em que a dívida externa foi fator de destaque na economia e no noticiário especializado. Usando como fonte uma <a title="Matéria da Folha trata da dívida externa" href="http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201107030655_TRR_79803621" target="_blank">matéria recente da Folha de S. Paulo</a>, cito:</p>
<ul>
<li><strong>Ano de 1973: </strong>Auge do chamado &#8220;milagre econômico&#8221;, período marcado pela alta dos preços do petróleo. O forte desenvolvimento dos países desenvolvidos forçou a queda dos juros, deixando o dinheiro &#8220;mais barato&#8221;. Governos periféricos, Brasil inclusive, &#8220;aproveitaram&#8221; para se endividar no exterior. A dívida era de US$ 14,9 bilhões neste período;</li>
<li><strong>Ano de 1979: </strong>Momento marcado pelo segundo &#8220;choque do petróleo&#8221;. A inflação assola diversos países, que são obrigados a elevar seus juros. A dívida brasileira cresce com a alta das taxas e atinge US$ 55,8 bilhões;</li>
<li><strong>Ano de 1983:</strong> Tanto o Brasil quanto outros países assumem as dificuldades em pagar suas dívidas externas, recorrendo então ao FMI. A dívida alcançou US$ 93,7 bilhões neste período;</li>
<li><strong>Ano de 1987:</strong> O então presidente José Sarney anuncia, em rede nacional, a moratória da dívida externa brasileira. Cabe lembrar que o governo era responsável por quase 85% da dívida externa brasileira neste período, ou seja, o perfil da dívida era tal que os credores haviam emprestado majoritariamente ao governo brasileiro (e não ao setor privado). As dívidas alcançaram US$ 121,2 bilhões;</li>
<li><strong>Ano de 1994:</strong> As negociações iniciadas depois da moratória finalmente são concluídas, o que permitiu ao Brasil retomar os pagamentos aos credores e restaurar parte de sua credibilidade internacional (o que significa, na prática, oportunidade de tomar novos empréstimos). A dívida era de US$ 148,3 bilhões;</li>
<li><strong>Ano de 1999: </strong>Brasil tem que recorrer uma vez mais ao FMI e sua dívida aumenta para US$ 241,6 bilhões;</li>
<li><strong>Ano de 2005:</strong> Com a economia em ascensão, melhor gestão e ajudado pelo ótimo cenário internacional, nosso país acumula reservas em dólar e paga suas dívidas com o FMI. O Brasil passa a ser credor, ou seja, possuir mais dinheiro em reservas que o montante tomado em empréstimos. Dívida era de US$ 169,5 bilhões;</li>
<li><strong>Ano de 2011:</strong> A crise internacional trouxe uma nova onda de juros baixos &#8211; as taxas são &#8220;jogadas para baixo&#8221; a fim de aquecer a economia. O dinheiro &#8220;lá fora&#8221; ficou mais barato e uma nova onda de empréstimos no exterior acontece. A dívida atual é de US$ 284,1 bilhões, mas o Brasil continua credor (possui US$ 336 bilhões em reservas internacionais).</li>
</ul>
<p><strong>O que devemos entender a partir de tanta informação?</strong><br />
Dois aspectos são essenciais para se estabelecer o correto cenário econômico atual em torno da dívida externa brasileira:</p>
<ul>
<li><strong>Perfil da dívida.</strong> Apesar da crescente dívida externa brasileira, repare que o montante relacionado ao dinheiro emprestado diretamente ao governo caiu (e continua caindo). Em 1985, 85% do total devido era responsabilidade do governo (dos contribuintes, em essência), enquanto apenas 15% eram do setor privado. Atualmente, o percentual do Estado é de 25%, contra 75% do setor privado;</li>
<li><strong>Situação do país em relação aos empréstimos internacionais. </strong>As décadas que marcaram os problemas com a dívida externa mostravam um Brasil mal gerenciado, sem capacidade de poupar. O país não tinha como pagar sua dívida externa, já que não possuía dólares &#8220;em caixa&#8221; para essa operação. Hoje, a situação é outra: temos US$ 336 bilhões em reservas, dinheiro mais que suficiente para pagar a dívida externa, caso fosse necessário pagá-la de uma única vez.</li>
</ul>
<p><strong>Por que uma empresa brasileira pega dinheiro lá fora?</strong><br />
Porque a realidade dos juros e prazos de pagamento do empréstimo é bem diferente da encontrada no Brasil. Taxas menores e melhores condições de pagamento são fatores atraentes e que tornam melhores as margens dos produtos fabricados/comercializados por aqui (ou mesmo exportados a partir do Brasil). A contrapartida é que a dívida é em dólar &#8211; se a cotação mudar, a dívida pode ficar cara demais.</p>
<p><strong>Não há perigo em a dívida externa continuar crescendo?</strong><br />
A resposta não é tão simples. O fato de termos reservas nos dá tranquilidade, é verdade, mas o endividamento excessivo e a dependência externa trazem consigo um perigo: o quadro favorável (juros baixos, economia em crescimento, cotação do dólar e reservas em níveis inéditos) pode mudar, tornando a dívida excessivamente alta e com pagamento complicado.</p>
<p>Imagine uma eventual alta expressiva do dólar, por exemplo. Se o cenário mudar e as dívidas ficarem elevadas, as empresas com empréstimos lá fora terão que reajustar seus preços e condições de venda/produção, atrapalhando seu crescimento (e do país em geral). Seus produtos não serão mais tão competitivos e seu custo de produção pressionará suas margens &#8211; a gestão privada se complica.</p>
<p><strong>Conclusões</strong><br />
Cabe ressaltar que este artigo retrata <strong>minha opinião</strong>. Considerando o perfil da atual dívida externa brasileira e nossa situação econômica, não acredito que os atuais níveis de endividamento sejam danosos (ou mesmo perigosos). Faça as corretas interpretações: isso significa que estou no grupo dos conservadores. As coisas vão bem, mas o ritmo de alta da dívida externa precisa ser controlado de perto. A discussão sobre o nível da dívida externa pode se transformar em um bate boca sem fim, por isso prefiro a visão histórica e relativizada (como a que apresentei aqui). Sua conclusão é o que interessa.</p>
<p>Medidas como o recente aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) dão mostra de que o governo está prestando atenção no tema. Depois de conviver com sérios problemas em decorrência da irresponsabilidade com o dinheiro público, fica fácil entender porque a dívida externa costuma causar calafrios em muitos lares brasileiros. Parece que aprendemos a lição. Tomara.</p>
<p>Foto de <a title="Foto de sxc.hu" href="http://www.sxc.hu" target="_blank">sxc.hu</a>.</p>
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Este artigo foi escrito por <b>Conrado Navarro</b>.<br>

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: <a title="Siga o Navarro" href="http://www.twitter.com/Navarro">@Navarro</a>.<br>

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		<title>O Capitalismo na China e a Democracia</title>
		<link>http://dinheirama.com/blog/2011/06/27/o-capitalismo-na-china-e-a-democracia/</link>
		<comments>http://dinheirama.com/blog/2011/06/27/o-capitalismo-na-china-e-a-democracia/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 27 Jun 2011 14:46:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Plataforma Brasil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[comunismo]]></category>
		<category><![CDATA[estado]]></category>
		<category><![CDATA[indústria]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[mercado]]></category>
		<category><![CDATA[partido]]></category>

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		<description><![CDATA[Qual deve ser o olhar sobre o crescente avanço da China no cenário capitalista mundial? Como fica a discussão se lembrarmos que por lá não existe democracia?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="O Capitalismo na China e a Democracia" src="http://dinheirama.com/files/2011/06/dinheirama_capitalismo_china_democracia.jpg" alt="O Capitalismo na China e a Democracia" hspace="2" vspace="2" align="left" />A referência capitalista que a China comunista representa há muito deixou de espantar analistas de mercado e especialistas em desenvolvimento econômico. A estratégia liderada pelo ex-presidente norte-americano <strong>Richard Nixon</strong> – vítima de <em>impeachment</em> –, surpreendendo o mundo em matéria de política externa, ao estabelecer, nos anos setenta (auge da guerra fria), uma política de aproximação comercial e industrial com a China não tardou a produzir efeitos.</p>
<p>Preocupados com as consequências de uma China explicitamente hostil e dotada de crescente poderio político e militar, decidiram pelo caminho da proximidade, permitindo compreensões e a eliminação de mútuas desconfianças e mitos que não ajudam em nada na construção das saudáveis relações internacionais &#8211; e muito menos à paz.</p>
<p>Muito bem, neste episódio da história observamos um governo – o norte-americano – investindo na relação de mercado com uma nação politicamente hostil, justamente para que essa hostilidade possa ser, se não desarmada, ao menos melhor administrada.</p>
<p><span id="more-6231"></span>O resultado é conhecido. Hoje, a interdependência entre os dois países oferecem a tônica para as novas polarizações de poder que devem se consolidar nos próximos tempos. Mas, observemos que tudo nasceu de um mútuo entendimento e da compreensão das singularidades entre os interlocutores, ou seja, de um lado uma nação capitalista liberal e democrática e do outro uma ditadura maoísta com um nascente capitalismo de forte indução estatal (hoje já consolidado).</p>
<p>Faço esse paralelo e o devido resgate histórico para oferecer um contraponto à crescente, e na minha modesta opinião preocupante, sedução que o modelo chinês exerce em parte do nosso empresariado, situação que não encontro explicação, a não ser na provável confusão entre capitalismo (induzido ou não pelo aparato estatal) e democracia.</p>
<p>A China de hoje é uma nação fortemente inserida na economia de mercado, mas com fundamentos e alicerces típicos de uma ditadura. É inimaginável, por exemplo, um empreendimento como Belo Monte sofrer tão implacável oposição em um país como a China, onde o confronto de ideias e posições com o Estado é tratado como caso de polícia.</p>
<p>O mesmo ocorre com a população operária da “magnífica e competitiva” indústria chinesa, onde condições de trabalho que beiram a escravidão jamais foram objeto de qualquer tipo de mobilização, tal qual ocorreu aqui em plena ditadura militar, com as paralizações do ABC – considerando que, na época, nos enquadrávamos no mesmo conceito de nação capitalista, com forte indução estatal e nem de longe uma democracia.</p>
<p>É evidente que sem democracia e sem a livre expressão da sociedade civil organizada fica bem mais fácil tocar programas estatais de desenvolvimento e manipular a indústria.</p>
<p>Tudo isso sem contar com a total falta de transparência, tanto nos setores de mercado – e nesse segmento destaco o sistema financeiro –,  como nos institutos econômicos, deixando uma sociedade inteira, e porque não o mundo, devido à sua importância macroeconômica, à mercê das potenciais influências dos técnicos aprovados pelo partido comunista chinês.</p>
<p>O que vale compreender e reforçar é que o sistema político democrático liberal, com o qual nos habituamos desde a redemocratização em meados da década de oitenta e a posterior abertura dos mercados, mesmo com todas as suas imperfeições, é o grande alicerce de uma economia saudável e sustentável.</p>
<p>Para apimentar um pouco, deixo duas questões:</p>
<ol>
<li>O que acontecerá com a China quando a sociedade que ali está não se conformar mais apenas com o acesso ao consumo e exigir, com vigor, a abertura política e os direitos civis dos seus pares de mercado (vale observar o conturbado cenário político árabe)?</li>
<li>Você depositaria o seu dinheiro em um banco chinês e dormiria tranquilo?</li>
</ol>
<p>Até o próximo encontro.</p>
<p>Foto de <a title="Foto de sxc.hu" href="http://www.sxc.hu" target="_blank">sxc.hu</a>.</p>
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Este artigo foi escrito por <b>Plataforma Brasil</b>.<br>

A Plataforma Brasil Editorial atua como uma agência independente na produção de conteúdo e informação.<br>

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		<title>Nacionalização dos bancos americanos: a única solução?</title>
		<link>http://dinheirama.com/blog/2009/03/18/nacionalizacao-dos-bancos-americanos-a-unica-solucao/</link>
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		<pubDate>Wed, 18 Mar 2009 19:30:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexsandro Rebello Bonatto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[banco]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
		<category><![CDATA[estado]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
		<category><![CDATA[subprime]]></category>

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		<description><![CDATA[E a crise do subprime não para de causar espanto. Agora vemos o início de um debate que coloca do mesmo lado gente como Paul Krugman e Alan Greenspan: o debate pela nacionalização dos bancos americanos. A palavra que sequer é pronunciada pelos americanos (lá é conhecida como &#8220;n-word&#8221;) trata-se da estatização pura e simples [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-2062" src="http://dinheirama.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/dinheirama_estatizacao_bancos_eua.jpg" alt="Nacionalização dos bancos americanos: a única solução?" hspace="2" vspace="2" align="left" />E a crise do subprime não para de causar espanto. Agora vemos o início de um debate que coloca do mesmo lado gente como Paul Krugman e Alan Greenspan: o debate pela nacionalização dos bancos americanos. A palavra que sequer é pronunciada pelos americanos (lá é conhecida como &#8220;n-word&#8221;) trata-se da estatização pura e simples dos bancos em dificuldades.</p>
<p><strong>Exemplos da nacionalização</strong><br />
A solução foi adotada na Suécia em 1991 e 1992, quando o país também enfrentou uma grave crise bancária. Com a estatização, o governo assumiu os créditos podres, limpou os balanços das instituições financeiras e, em seguida, vendeu o controle a investidores privados. O custo dessa intervenção, à época, foi de quase 10% do PIB sueco. O México também pôs em prática o que é considerado uma nacionalização temporária, em geral bem-sucedida, de parte do seu sistema bancário na esteira da crise do peso nos anos 90.</p>
<p>Recentemente a Alemanha aprovou uma lei abrindo o caminho para a estatização. O alvo é o banco Hypo Real State Holding, que é a principal instituição financeira alemã com foco no crédito imobiliário. Ela recebeu aportes oficiais superiores a US$ 63 bilhões do governo alemão, mas não para de apresentar prejuízos, da ordem de US$ 4 bilhões por trimestre. Se a nacionalização vier a se confirmar, será a primeira desde 1930. Da mesma forma, a Irlanda já nacionalizou o Anglo British Bank em janeiro e gastou por volta de US$ 9 bilhões na recapitalização do Banco da Irlanda e Allied Irish Banks.</p>
<p>Especula-se — apesar das frequentes negativas por parte do primeiro-ministro britânico Gordon Brown — que o governo britânico planeja nacionalizar o Lloyds Banking Group ou o Royal Bank of Scotland (RBS), cuja participação acionária do governo é de 43% e 70%, respectivamente. Há um ano apenas, o Reino Unido nacionalizou o Northern Rock, um dos primeiros bancos a ter prejuízos catastróficos com a exposição de hipotecas lastreadas pelo crédito subprime nos EUA.</p>
<p>Mas quando se fala nos Estados Unidos a história é outra e o debate promete.</p>
<p><span id="more-2060"></span><strong>A situação americana</strong><br />
O próprio presidente Barack Obama disse recentemente à ABC News que é preciso cautela em relação ao modelo sueco de nacionalização dos bancos tendo em vista a dimensão da indústria bancária americana. <em>“A escala da economia americana e dos mercados de capitais vastos demais, assim como [...] os problemas próprios da administração e do controle de qualquer coisa dessa magnitude”</em> exigiriam procedimentos tão complexos, disse Obama, <em>“que simplesmente não fariam sentido. Além disso, temos outras tradições neste país.”</em></p>
<p>Todavia, diversos especialistas prevêem que a crise atual deverá levar de alguma forma a nacionalização. Nos EUA, país onde o sistema financeiro tradicionalmente esteve sob controle privado, a situação está se tornando insustentável. Só em 2009, já foram fechados 14 bancos. Desde o início da crise, 39 instituições financeiras encerraram as atividades.</p>
<p>É pouco perto dos 8 mil bancos dos EUA, mas é quase oito vezes a média histórica de quatro ou cinco por ano, desde 2000. Supõe-se que muitos bancos não consigam chegar ao fim de 2009, por causa da recessão e do aumento da inadimplência. No total, 314 instituições já cederam parte de suas ações ou outros papéis ao Tesouro americano, em garantia a US$ 350 bilhões em ajuda governamental.</p>
<p>Há dois grandes bancos americanos especialmente ameaçados: o Citigroup, que recebeu US$ 300 bilhões do pacote de ajuda do governo — em boa parte sob a forma de garantias a empréstimos concedidos no final do ano passado — e o Bank of America (BofA), beneficiário de um programa semelhante no valor de US$ 120 bilhões concedidos no início deste ano.</p>
<p>Numerosos especialistas acreditam que os dois resgates concedidos, apesar do enorme volume de dinheiro envolvido, pouco adiantaram para tirar os bancos da beira da insolvência, e o governo federal pouco pode fazer agora sem se tornar acionista majoritário. Os bancos perceberam que Washington já está tentando impor controles severos mesmo sem ter o controle acionário total deles: coisas como, por exemplo, limites à remuneração de executivos incluídos em recente projeto de lei de estímulo à economia</p>
<p>É duvidoso que o Estado consiga administrar de forma eficiente bancos globais como o Citi e o BofA. Instituições financeiras, quando nacionalizadas, ficam sujeitas a pressões políticas. Podem ser usadas como instrumento de política econômica ou social. Isso aumentaria ainda mais o déficit público americano, já na casa de assombrosos US$ 10,8 trilhões. Alguns analistas dizem que a nacionalização poderá retardar ainda mais a identificação dos ativos tóxicos, dificultando a retomada do crédito.</p>
<p>A experiência da seguradora AIG, que tem 80% de suas ações nas mãos do governo, reforça essa percepção. Depois de consumir US$ 150 bilhões dos contribuintes, a AIG pode ter perdido mais US$ 60 bilhões no último trimestre de 2008 e ainda poderá precisar de mais US$ 40 bilhões do governo para sanear seu balanço.</p>
<p>A nacionalização do Citi e do BofA seria um fim trágico para duas instituições centenárias. A mera possibilidade de que isso aconteça mostra o grau de debilidade atual do sistema financeiro nos EUA, onde os bancos se lançaram em operações de altíssimo risco com hipotecas para tentar maximizar o lucro, inflar as cotações de suas ações na Bolsa e garantir o pagamento de bônus aos seus principais executivos.</p>
<p>Nacionalizar os bancos pode até ser uma necessidade temporária. <em>“A propriedade explícita nas mãos do governo seria uma melhoria em relação à intervenção onerosa, flutuante e caprichosa de hoje”</em>, afirma o editorial da Economist. <em>“Mas, ao contrário da superficialidade de alguns defensores, o controle governamental dos grandes bancos não é uma solução rápida e indolor para o caos bancário.”</em></p>
<p><strong>Posições a favor da nacionalização</strong><br />
Para Alan Greenspan, o governo americano pode ser obrigado a nacionalizar alguns bancos americanos de maneira temporária para evitar o aprofundamento da crise financeira e para a normalização do crédito. Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, Greenspan, que sempre foi tido como um dos principais defensores do liberalismo econômico, afirmou que a nacionalização de parte do sistema financeiro pode ser a &#8220;opção menos ruim&#8221; a ser tomada pelos governantes americanos.</p>
<p>Greenspan não fez uma avaliação direta das medidas que já foram tomadas pelas equipes econômicas de George W. Bush e Barack Obama, mas, ao menos até agora, as ações ainda não conseguiram recuperar a confiança no sistema financeiro. Até agora, os políticos americanos vinham se mostrando reticentes até mesmo para transferir os créditos podres dos bancos para uma instituição estatal.</p>
<p>O problema é que para resgatar o sistema financeiro dessa forma, o governo americano teria de pagar mais caro por esses papéis do que a cotação atual. Para isso, entretanto, o governo teria de enfrentar e vencer uma radical oposição do Congresso, já que o eleitor e o contribuinte americano não concordam com a utilização do dinheiro público para resgatar as instituições.</p>
<p>Interessante é que até mesmo membros do partido Republicano, tido como contrário à intervenção do estado na economia, também defenderam idéias parecidas com a de Greenspan. <em>&#8220;Nós precisamos nos concentrar no que funciona&#8221;</em>, afirmou o senador Lindsey Graham, um Republicano da Carolina do Sul. <em>&#8220;Se a nacionalização é o que funciona, então nós devemos fazer isso.&#8221;</em></p>
<p>Partilhando da visão de Greenspan, o prêmio Nobel de Economia Paul Krugman publicou artigo no New York Times julgando correta a opção pela nacionalização. A opinião de Krugman fundamenta-se em três pilares:</p>
<ul>
<li>Primeiramente, <em>&#8220;alguns bancos estão perigosamente perto do limite &#8211; na realidade, eles já teriam falido se os investidores não esperassem pelo socorro governamental em caso de necessidade&#8221;</em>;</li>
<li>Além disso, o colapso do Lehman Brothers praticamente ruiu o sistema financeiro mundial e seria muito arriscado permitir algo semelhante com instituições do porte de Citigroup e Bank of America;</li>
<li>Para completar, muito embora os bancos precisem de fato do resgate, o governo dos EUA não poderia, fiscal e politicamente, dar grandes benefícios aos acionistas dos bancos.</li>
</ul>
<p>Outra voz a favor da nacionalização é a do próprio arauto da crise, o economista Nouriel Roubini. Roubini escreveu recentemente um artigo sobre o assunto no Washington Post em parceria com o colega Matthew Richardson. Eles dizem que poderá parecer “blasfêmia” para economistas que acreditam no sistema de livre mercado defender a aquisição de bancos por Washington, mas que não viam alternativa em vista do prognóstico de prejuízos espantosos por parte dos bancos da ordem de US$ 1,8 trilhão, superando seu patrimônio líquido de US$ 1,4 trilhão.</p>
<p>É imprescindível, disseram, que o Departamento do Tesouro aponte os bancos que estão, de fato, insolventes, adquira-os e separe os chamados “ativos tóxicos”, de modo que os ativos saudáveis que sobrarem possam ser vendidos rapidamente a investidores privados, enquanto os empréstimos podres são eliminados no tempo certo. <em>“Gastamos toda nossa munição, mas não foi suficiente para deter o bicho-papão”</em>, dizem os autores. <em>“Agora é hora de pegar a bazuca e acabar logo com isso.”</em></p>
<p>Em entrevista ao jornal alemão Deutsche Velle, o economista ganhador do prêmio Nobel de Economia em 2001, Joseph Stiglitz, também se mostrou a favor da nacionalização:</p>
<blockquote><p>&#8220;Na verdade, os bancos não se encontram de boa saúde. O governo americano injetou centenas de bilhões de dólares, sem qualquer efeito prático. Os bancos estão falidos. Os americanos são atualmente donos de um número bastante grande dos principais bancos. Mas não possuem qualquer controle no funcionamento dos mesmos, e qualquer sistema em que exista uma separação entre a propriedade e o controle, só pode conduzir ao desastre. A nacionalização é a única solução para estes bancos falidos.&#8221;</p></blockquote>
<p>Os defensores da nacionalização argumentam que não faz sentido o Estado destinar uma montanha de dinheiro dos contribuintes para salvar bancos falidos e mantê-los sob gestão privada. A nacionalização, dizem eles, seria uma medida temporária para promover o saneamento dos grandes bancos. Depois, com as contas em ordem, eles seriam devolvidos à iniciativa privada, por meio de um leilão de privatização ou de algum mecanismo semelhante. A nacionalização, dizem, também abriria caminho para a recuperação da confiança no sistema bancário, em particular nos negócios entre as próprias instituições financeiras.</p>
<p>Os defensores da nacionalização dizem ainda que ela permitiria contornar um problema surgido na crise: a dificuldade em atribuir preços aos papéis podres que recheiam os balanços dos bancos. Sobram títulos do gênero na praça – e faltam compradores para eles. É praticamente impossível, portanto, calcular quanto vale efetivamente a papelada. Por meio da estatização, o governo poderia transferir os “papéis tóxicos” para uma nova instituição, sem precisar antes estabelecer um preço. Seria possível, assim, isolar o “banco bom” do “banco ruim” e reforçar a confiança no sistema.</p>
<p><strong>Posições contrárias a estatização</strong><br />
Todavia, os críticos da nacionalização dos bancos dizem que embora tal solução radical possa parecer uma saída rápida para a crise financeira americana, a história não acolheu bem a maioria dos esforços nesse sentido — sobretudo a onda de esforços dessa natureza empreendida por governos com tendências esquerdistas na Europa e em outras regiões na geração que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. Muitos desses esforços fracassaram pelos mesmos motivos: a falta de concorrência resultou em burocracias ineficientes, além de corrupção e de decisões equivocadas baseadas mais em políticas do que em praticas empresariais sadias.</p>
<p>Ben Bernanke, atual presidente do FED, disse numa audiência no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados dos EUA, que:</p>
<blockquote><p>&#8220;Nacionalização, no meu ponto de vista, é quando o governo assume os bancos, zera a posição dos acionistas e começa a gerenciar e controlar o banco, e nós não planejamos fazer nada parecido com isso&#8221;.</p></blockquote>
<p>Recentemente, economistas da consultoria First Trust Advisors publicaram relatório mostrando-se contrários à nacionalização. Para eles, a opção mais adequada seria a suspensão da obrigatoriedade de marcar a mercado os títulos das instituições financeiras. Com a deterioração contínua dos preços dos ativos tóxicos, a regra obriga um agravamento constante da folha de balanço dos bancos. Sem ela, os bancos poderiam esperar um melhor momento no mercado para então marcar o valor de seus papéis.</p>
<p>De acordo com os economistas, essa seria uma solução mais rápida e menos custosa aos contribuintes. Até agora, de acordo com dados oficiais, o governo americano e o FED já comprometeram cerca de US$ 9 trilhões em compras de ativos, capitalizações, empréstimos e garantias para tentar manter o sistema financeiro em funcionamento. É o equivalente a 60% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA e 75 vezes os US$ 115 bilhões destinados pelo Plano Marshall para reconstruir a Europa no final da Segunda Guerra Mundial, em 1945. O buraco parece não ter fim.</p>
<p><strong>Conclusão</strong><br />
Embora ainda não tenha se formado um consenso em torno da possibilidade de nacionalização, a idéia, antes considerada absurda, ganha adeptos e pode acabar sendo uma questão de &#8220;quando&#8221; e “como” e não mais de &#8220;se&#8221;. Vejamos o que acontece.</p>
<p><strong>Bibliografia:</strong></p>
<ul>
<li>Revista da Semana, edição 78 de 12 de março de 2009</li>
<li>Revista Isto É Dinheiro, edição 594 de 25 de fevereiro de 2009</li>
<li>Revista Época, edição 563 de 28 de fevereiro de 2009</li>
<li>Portal <a title="Visite o Portal InfoMoney" href="http://www.infomoney.com.br" target="_blank">InfoMoney</a>, notícia publicada em 23 de fevereiro de 2009</li>
<li>Portal <a title="Portal Terra" href="http://www.terra.com.br" target="_blank">Terra</a>, notícia publicada em 25 de fevereiro de 2009</li>
<li>Site <a title="Wharton Universia" href="http://wharton.universia.net" target="_blank">wharton.universia.net</a>, artigo publicado em 25 de fevereiro de 2009</li>
<li>Site <a title="Adital" href="http://www.adital.com.br" target="_blank">www.adital.com.br</a>, entrevista publicada em 18 de fevereiro de 2009</li>
</ul>
<p>&#8212;&#8212;<br />
<strong>Alexsandro Rebello Bonatto</strong>, economista e com MBA em Gestão Empresarial, é professor universitário, instrutor e sócio da <a title="Conheça a Ventura Corporate" href="http://www.venturacorporate.com.br" target="_blank">Ventura Corporate</a>, empresa de treinamentos corporativos. Tem mais de 13 anos de experiência no mercado de crédito.</p>
<p>Crédito da foto para <a title="foto de stock.xchng" href="http://www.sxc.hu" target="_blank"><strong>stock.xchng</strong></a>.</p>
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Este artigo foi escrito por <b>Alexsandro Rebello Bonatto</b>.<br>

<br>

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