Crise financeira mundial, a economia real e o dinheiro
Publicado por Conrado Navarro em 27.10.2008 na seção Economia Geral
Célia comenta: “Navarro, quais problemas a crise financeira internacional pode trazer para a economia real brasileira? O assunto é bastante batido, é verdade, mas gostaria que comentasse sobre a ótica brasileira, ainda que não estejamos diretamente relacionados com a origem do problema. Entendi em seus artigos que vamos viver uma desaceleração, mas em que esferas isso ocorrerá primeiro? Como notamos os efeitos enquanto cidadãos? Há algo que possamos fazer para colaborar com as autoridades e empresas no sentido de mitigar os problemas mais duros? Muito obrigada”.
Depois de ensaiar uma recuperação, o mercado de ações voltou a desabar. A semana passada foi marcada por uma segunda-feira de otimismo, mas também de dias tensos e de resultados complicados anunciados pelas empresas, tanto aqui, quanto lá fora. Grandes grupos anunciaram sua situação no terceiro trimestre do ano, dando asas a resultados ruins e projeções de crescimento ainda piores. Natural em tempos de turbulência, como queremos acreditar, mas desanimador sob a ótica do acionista e do investidor.
Por aqui, mais companhias relataram prejuízos gerados pela forte variação da moeda americana. Desta vez, menos da especulação e mais das decisões e seus modelos de operação. O que se viu foram demonstrações de dívidas em moeda estrangeira - que tiveram seus valores corrigidos aumentados - prejudicando a resposta da companhia aos seus investidores e stakeholders. Sobrevida à tensão, ao pânico e ao medo de uma recessão em escala global. Tudo bem, mas e o cidadão comum?




A pergunta um tanto chocante do título deste artigo, que fiz questão de proferir diante de muitos amigos e familiares, despertou seu interesse? Como atingir tal façanha? Bom, as respostas que recebi foram pouco variadas: a maioria disse, sem hesitar, que para ganhar essa bolada em tão pouco tempo só mesmo apostando na loteria. Outro grupo sugeriu a abertura de um banco. Um amigo emendou: “Jogar na loteria ou abrir um banco? Nos dias de hoje, ambas as atitudes não trazem os mesmos riscos”? Um silêncio perturbador tomou conta do ambiente. Ah, a crise!
228 a 205. O placar representa uma segunda-feira muito tensa no mercado financeiro. A maioria dos congressistas norte-americanos rejeitou o plano de salvação de US$ 700 bilhões - conhecido lá fora por Bailout - proposto por Henry Paulson e Ben Bernanke, que não desistiram. “Este plano é muito importante, não podemos simplesmente deixá-lo falhar” bradou Paulson enquanto os mercados de todo o mundo derretiam - e derreteram mesmo.
















