<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd"
xmlns:rawvoice="http://www.rawvoice.com/rawvoiceRssModule/"
>

<channel>
	<title>Dinheirama - Economia, Investimentos e Educação Financeira ao alcance de todos &#187; subprime</title>
	<atom:link href="http://dinheirama.com/blog/tag/subprime/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://dinheirama.com</link>
	<description>Só mais um site WordPress</description>
	<lastBuildDate>Thu, 24 May 2012 14:15:15 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.2</generator>
<!-- podcast_generator="Blubrry PowerPress/4.0" -->
	<itunes:summary>Podcast Dinheirama: um papo descontraido e inteligente sobre dinheiro, educacao financeira, investimentos e financas pessoais com Conrado Navarro, educador financeiro com MBA em Financas, aluno de mestrado da UNIFEI, criador do site Dinheirama.com e autor dos livros Vamos falar de Dinheiro? (Editora Novatec) e Dinheirama (Blogbooks Ediouro).</itunes:summary>
	<itunes:author>Conrado Navarro</itunes:author>
	<itunes:explicit>no</itunes:explicit>
	<itunes:image href="http://dinheirama.com/wp-content/uploads/powerpress/dinheiramacast_grande_novo.jpg" />
	<itunes:owner>
		<itunes:name>Conrado Navarro</itunes:name>
		<itunes:email>navarro@dinheirama.com</itunes:email>
	</itunes:owner>
	<managingEditor>navarro@dinheirama.com (Conrado Navarro)</managingEditor>
	<copyright>www.dinheirama.com - 2010</copyright>
	<itunes:subtitle>Dinheiro, educacao financeira e investimentos ao alcance de todos</itunes:subtitle>
	<itunes:keywords>dinheiro, financas pessoais, economia, educacao financeira, planejamento, educacao, mercado de acoes, investimento, investidor, bolsa de valores</itunes:keywords>
	<image>
		<title>Dinheirama - Economia, Investimentos e Educação Financeira ao alcance de todos &#187; subprime</title>
		<url>http://dinheirama.com/wp-content/uploads/powerpress/dinheiramacast_peq_novo.jpg</url>
		<link>http://dinheirama.com</link>
	</image>
	<itunes:category text="Business">
		<itunes:category text="Investing" />
		<itunes:category text="Business News" />
		<itunes:category text="Management &amp; Marketing" />
	</itunes:category>
		<item>
		<title>TV Dinheirama: Como a crise financeira mundial afetará o Brasil e você?</title>
		<link>http://dinheirama.com/blog/2011/08/24/tv-dinheirama-como-a-crise-financeira-mundial-afetara-o-brasil-e-voce/</link>
		<comments>http://dinheirama.com/blog/2011/08/24/tv-dinheirama-como-a-crise-financeira-mundial-afetara-o-brasil-e-voce/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 24 Aug 2011 18:07:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conrado Navarro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[banco]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[europa]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
		<category><![CDATA[PIB]]></category>
		<category><![CDATA[subprime]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dinheirama.com/?p=6477</guid>
		<description><![CDATA[Veja como a crise financeira mundial pode afetar o Brasil e o seu bolso. Por que a situação é diferente da de 2008? Qual a realidade do país e nosso futuro?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="TV Dinheirama: Como a crise financeira mundial afetará o Brasil e você?" src="http://dinheirama.com/files/2011/08/dinheirama_tvdinheirama_crise_financeira_voce.jpg" alt="TV Dinheirama: Como a crise financeira mundial afetará o Brasil e você?" align="left" hspace="2" vspace="2" />Compreender a extensão da atual crise financeira não é tão simples. Alguns leitores nos questionam sobre os impactos da crise na nossa economia e se os problemas para os brasileiros serão semelhantes aos enfrentados em 2008. Difícil dizer, mas achei a oportunidade interessante para falar um pouco mais sobre a situação, de forma mais didática e simples. Neste episódio da <strong><a title="Acesse a TV Dinheirama" href="http://www.youtube.com/dinheirama" target="_blank">TV Dinheirama</a></strong> eu trato dos principais reflexos que a crise pode trazer e como entender que problemas viveremos e seu grau de complexidade.</p>
<p>Também abordo neste video os seguintes temas:</p>
<ul>
<li>A crise pode resultar em desaquecimento econômico global e prejudicar nossa economia caso a demanda por commodities também caia;</li>
<li>Nossa demanda interna parece ser capaz de sustentar o crescimento, ainda que menor?</li>
<li>Nossas autoridades financeiras apontam para um quadro melhor do que o de 2008, mas já aparecem revisões para o crescimento projetado de nosso PIB (Produto Interno Bruto);</li>
<li>O que você deve levar em consideração para entender a crise e passar por ela sem grandes sustos?</li>
</ul>
<p>Assista ao vídeo e comente:</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=pZ64E_lbFAg">http://www.youtube.com/watch?v=pZ64E_lbFAg</a></p>
<p><strong>Importante:</strong> Lembre-se de acessar nosso canal no YouTube &#8211; <strong><a title="Acesse a TV Dinheirama" href="http://www.youtube.com/dinheirama" target="_blank">www.youtube.com/dinheirama</a></strong> &#8211; e se inscrever para receber nosso material. As gravações têm caráter didático e instrutivo. As dicas dadas deverão ser usadas sob sua total responsabilidade. Vem mais por ai. Espero que gostem! Até a próxima.</p>
<!-- boo-widget start -->
          <script type="text/javascript">
            bb_keywords = "empreendedorismo, falar dinheiro, investimentos, bolsa valores, sucesso profissional";
            bb_bid  = "74";
            bb_lang = "pt-BR";
            bb_name = "custom";bb_limit = "7";bb_format = "bbc";
          </script>
          <script type="text/javascript" src="http://widgets.boo-box.com/javascripts/embed.js"></script>
          <!-- boo-widget end --><b>------</b><br>

Este artigo foi escrito por <b>Conrado Navarro</b>.<br>

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: <a title="Siga o Navarro" href="http://www.twitter.com/Navarro">@Navarro</a>.<br>

<div style="padding:10 10 20 10;margin-left:auto;margin-right:auto;background:#FAFFB6;"><img align="left" style="padding-bottom:10;padding-right:15px;" src="http://dinheirama.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/logo_dinheirama_rss_footer.jpg">Este artigo apareceu originalmente no site <a href="http://dinheirama.com/">Dinheirama</a>.<br/>A reprodução deste texto só pode ser realizada mediante expressa autorização de seu autor. Para falar conosco, use nosso <a href="http://dinheirama.com/contato">formulário de contato</a>. Siga-nos no Twitter: <a href="http://twitter.com/Dinheirama">@Dinheirama</a></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dinheirama.com/blog/2011/08/24/tv-dinheirama-como-a-crise-financeira-mundial-afetara-o-brasil-e-voce/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Os nós da economia, seus pontos de inflexão e o Brasil</title>
		<link>http://dinheirama.com/blog/2011/08/05/os-nos-da-economia-seus-pontos-de-inflexao-e-o-brasil/</link>
		<comments>http://dinheirama.com/blog/2011/08/05/os-nos-da-economia-seus-pontos-de-inflexao-e-o-brasil/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 05 Aug 2011 13:15:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Plataforma Brasil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
		<category><![CDATA[mercado]]></category>
		<category><![CDATA[subprime]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dinheirama.com/?p=6395</guid>
		<description><![CDATA[As mudanças econômicas parecem muito mais que um simples relexo da crise financeira de 2008. Como desatar os nós econômicos vigentes? Quais são os reais problemas?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="Os nós da economia, seus pontos de inflexão e o Brasil" src="http://dinheirama.com/files/2011/08/dinheirama_economia_nos_pontos_inflexao_brasil.jpg" alt="Os nós da economia, seus pontos de inflexão e o Brasil" align="left" hspace="2" vspace="2" />Pelo andar da carruagem, mesmo depois de superado o susto de uma possível moratória norte-americana, onde a aflição tomou conta dos mercados internacionais assim como de veteranos de guerra, pensionistas e credores, poucas horas de sono tranquilo estarão disponíveis nos próximos tempos para aqueles que acompanham a novela da economia mundial, seja por força da profissão ou por senso de realidade.</p>
<p>O fato é que as explicações oferecidas e elaboradas por especialistas, que apresentavam o forte impacto da crise de 2008 como justificativa para a paralisia da maior economia do mundo em 2009, e que depois foram reapresentadas para explicar a irrelevante reação ensaiada em 2010, tornaram-se agora teses sem validade, com quase nenhuma sustentação. Passados quase três anos após a <a title="Entenda a quebra do Lehman Brothers" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u445110.shtml" target="_blank">quebra do <em>Lehman Brothers</em></a> (lembram-se do primeiro dominó da série?), a economia americana patina em meio a um dos maiores confrontos políticos de sua história, com sequelas ainda imprevisíveis.</p>
<p>A sensação que fica é a de que a roda emperrou como resultado de uma quebra na engrenagem econômica, fazendo a confiança dos tradicionalmente convictos e autoconfiantes empresários norte-americanos ser reduzida a pó, resultando em uma fortuna em caixa a espera de um empurrão, uma luz no fim do túnel, um alento.</p>
<p><span id="more-6395"></span>Não há dúvida sobre a imperiosa necessidade de mudanças nesta engrenagem econômica que encantou o mundo por décadas de sucesso e dinamismo. Mas também não há dúvidas sobre a dificuldade de uma mobilização nacional nessa direção, ainda mais quando o cenário aponta uma sociedade ainda crente na força natural de reciclagem e reinvenção do seu potencial empresarial, e que por sua vez é conduzida por um dos governos mais desprovidos de força política de sua história.</p>
<p>Franklin Delano Roosevelt (presidente por quatro mandatos, de 1933 a 1945) enfrentou uma barra e tanto com a grande depressão, mas <a title="Relação da crise de 1929 e a Segunda Guerra Mundial" href="http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/a-grande-depressao-de-29/54012/" target="_blank">em sua “salvação” veio a Segunda Grande Guerra</a>, e com ela o rompimento do “ponto de inflexão” &#8211; a partir da união nacional em prol de um maciço emprego da sociedade no esforço de guerra e com isso o desatar do nó econômico de sua época. A história que se seguiu sabemos de cor. Mas e quanto ao momento atual? O que desatará o nó? A torcida é grande.</p>
<p>Mas não deixemos de olhar para as bagunças da própria casa enquanto contemplamos a confusão nos vizinhos. <strong>Não estaremos nós também enfiados em um gigante e imponente “Ponto de Inflexão”?</strong></p>
<p>A partir de 1990, iniciamos finalmente a abertura de nossos mercados, a consolidação aos trancos e barrancos da nossa jovem democracia e a inevitável inclusão da palavra competição no vocabulário cotidiano das empresas. Em 1994 começamos a debelar a inflação, cuja queda se consolidou (mas nunca deixou totalmente de nos ameaçar) e diante de uma economia “de verdade” avançamos e inovamos como poucas vezes se observou. No período seguinte, fortalecemos as instituições, saneamos o sistema financeiro e o próprio estado por meio de um forte processo de privatização.</p>
<p>Em 2003, inauguramos uma fase de exploração do câmbio desvalorizado (mas que agora foi embora e vai demorar a voltar), expandindo as fronteiras do processo exportador, bem como passamos a valorizar e praticar a continuidade de políticas econômicas e fiscais que vinham dando certo (independentemente de terem sido implementadas por outro grupo político), colocamos em prática um modelo próprio de desenvolvimento do mercado interno e também surfamos na onda gigante e confortável das commodities.</p>
<p>Em 2008, superamos todas as expectativas dos analistas internacionais e das agências de avaliação de risco, enquanto ícones do mercado financeiro internacional viravam pó da noite para o dia (muitas vezes no mesmo dia em que seus economistas chefes liberavam avaliações bastante pessimistas sobre as economias emergentes), para em seguida serem salvos pelo dinheiro dos contribuintes de seus países.</p>
<p>Mas a fila anda e não é difícil pensar no que consiste o nosso “Ponto de Inflexão”. E é justamente por não termos atravessado tantas décadas de bonança e sucesso ininterruptos que posso deixar a sentença assim, subentendida e incompleta para ser preenchida na cabeça de cada leitor. Sabemos bem onde estão os nossos nós, não sabemos?</p>
<p><strong>Talvez a falta de espaço para ilusões seja uma vantagem.</strong> Mas não podemos perder tempo. Até o próximo texto.</p>
<p>Foto de <a title="Foto de sxc.hu" href="http://www.sxc.hu" target="_blank">sxc.hu</a>.</p>
<!-- boo-widget start -->
          <script type="text/javascript">
            bb_keywords = "economia, sustentabilidade, falar dinheiro, bolsa valores, investimentos";
            bb_bid  = "74";
            bb_lang = "pt-BR";
            bb_name = "custom";bb_limit = "7";bb_format = "bbc";
          </script>
          <script type="text/javascript" src="http://widgets.boo-box.com/javascripts/embed.js"></script>
          <!-- boo-widget end --><b>------</b><br>

Este artigo foi escrito por <b>Plataforma Brasil</b>.<br>

A Plataforma Brasil Editorial atua como uma agência independente na produção de conteúdo e informação.<br>

<div style="padding:10 10 20 10;margin-left:auto;margin-right:auto;background:#FAFFB6;"><img align="left" style="padding-bottom:10;padding-right:15px;" src="http://dinheirama.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/logo_dinheirama_rss_footer.jpg">Este artigo apareceu originalmente no site <a href="http://dinheirama.com/">Dinheirama</a>.<br/>A reprodução deste texto só pode ser realizada mediante expressa autorização de seu autor. Para falar conosco, use nosso <a href="http://dinheirama.com/contato">formulário de contato</a>. Siga-nos no Twitter: <a href="http://twitter.com/Dinheirama">@Dinheirama</a></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dinheirama.com/blog/2011/08/05/os-nos-da-economia-seus-pontos-de-inflexao-e-o-brasil/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Quando tocará o despertador do ocidente?</title>
		<link>http://dinheirama.com/blog/2011/03/18/quando-tocara-o-despertador-do-ocidente/</link>
		<comments>http://dinheirama.com/blog/2011/03/18/quando-tocara-o-despertador-do-ocidente/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 18 Mar 2011 13:06:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Plataforma Brasil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[europa]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
		<category><![CDATA[Japão]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[subprime]]></category>
		<category><![CDATA[tsunami]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dinheirama.com/?p=5886</guid>
		<description><![CDATA[Tsnumai e desastre no Japão, Oriente Médio em clima de guerra, vazamento de informações, crise econômica. Sinais de que devemos nos preparar melhor?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="Quando tocará o despertador do ocidente?" src="http://dinheirama.com/files/2011/03/dinheirama_despertador_ocidente.jpg" alt="Quando tocará o despertador do ocidente?" hspace="2" vspace="2" align="left" />Começo esse artigo com um questionamento: o que está acontecendo com a nossa cultura ocidental? Honestamente, não tenho resposta.</p>
<p>Mas alguns acontecimentos dizem muito.</p>
<p>Depois de assistir <a title="Conheça melhor &quot;Inside Job&quot;" href="http://dinheirama.com/blog/2011/02/04/inside-job-mais-que-um-documentario-uma-aula-de-economia/" target="_blank">“Inside Job”</a> (ou Trabalho Interno, em português), vencedor do Oscar 2011 como melhor documentário, saí da sala de cinema com a nítida sensação de que passados quase dois anos do vendaval financeiro que varreu (e ainda varre) o mundo em 2008, pouco ou quase nada de concreto se fez, além de conjecturas e ensaios bem intencionados, para que no horizonte dos próximos dez anos não vivenciemos situação semelhante.</p>
<p><span id="more-5886"></span>A bem da verdade, não é necessário assistir ao filme &#8211; que recomendo por ser muito interessante e cômico -, mas basta acompanhar as notícias na mídia especializada para chegar à mesma conclusão.</p>
<p>Acompanhei com atenção as recentes revoltas no norte da África e Oriente Médio. Por instantes, tive a certeza de que a ditadura Líbia cairia por terra, principalmente depois do anúncio de rompimento das relações diplomáticas por parte de algumas grandes potências ocidentais (a França chegou a reconhecer a legitimidade oficial do governo rebelde), colocando uma pedra nas relações com o recém (de 2006 para cá) aliado.</p>
<p>Mas, para a surpresa de todos, a <a title="Queda do ditador era esperada" href="http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/podcasts/880841-correspondente-relata-expectativa-em-torno-da-queda-de-gaddafi-ouca.shtml" target="_blank">queda do ditador esperada</a> para ocorrer em no máximo vinte e quatro horas (segundo anúncios da grande mídia há duas semanas) ainda não passa de um anseio, com chance de observarmos o nascimentos de mais uma zona de guerra permanente, seguindo na mesma esteira do que observamos no Iraque e no Afeganistão.</p>
<p>Para resumir, a tal “Zona de Exclusão Aérea” exaustivamente discutida e analisada semana após semana, que serviria para evitar um massacre dos opositores e da população civil, <a title="Zona de Exclusão aprovada" href="http://ultimosegundo.ig.com.br/revoltamundoarabe/conselho+de+seguranca+aprova+zona+de+exclusao+aerea+na+libia/n1238177632668.html" target="_blank">só foi aprovada agora</a>. No entanto, apostaria que as grandes potências ocidentais ainda não possuem uma ideia clara sobre o que fazer para estancar a tragédia humana na qual essa história pode se transformar.</p>
<p>O fato é que um mês antes do início dos protestos na Tunísia, nenhuma voz conhecida ou respeitada no ocidente conseguiu prever os acontecimentos que hoje colocam em risco o equilíbrio energético do planeta. Tenham certeza de que essa história renderá muito ainda, oferecendo não apenas roteiros excepcionais para Hollywood, mas mudanças significativas no tabuleiro de xadrez mundial.</p>
<p>Como se não bastasse, assistimos com aflição à recente tragédia japonesa, onde observamos de um lado os <a title="Técnicos tentam corrigir problema nuclear" href="http://g1.globo.com/tsunami-no-pacifico/noticia/2011/03/dois-funcionarios-de-usina-em-fukushima-estao-desaparecidos.html" target="_blank">atos de heroísmo e coragem física inimagináveis por parte dos funcionários da usina nuclear de Fukushima</a>, tentando resfriar o reator na marra, e do outro uma Europa assustada, revisando procedimentos de segurança para impor controles de resistências em suas usinas, com a realização de testes para analisar como reagem em emergências (terremotos, tsunamis, ataques terroristas e etc.). No caso preventivo europeu, mesmo que ainda se aplique a expressão “antes tarde do que nunca”, podemos questionar: mas só agora?</p>
<p>Viajar para a Europa ou para os EUA transformou-se num pesadelo que não passa &#8211; com aniversário de dez anos previsto para os próximos meses. As incômodas (mas naturalmente necessárias) e rigorosas medidas de segurança por conta da cotidiana iminência de ataques terroristas, que em um primeiro momento durariam alguns poucos anos, aparentemente vieram para ficar.</p>
<p>Por outro lado, a tal luta contra o terror ganha, a cada dia que passa e a cada derrota ocidental na “frente de batalha”, mais e mais posições rumo ao altar dos eternos “lugares comuns”.  Algo cada vez mais rarefeito, que com o passar das gerações vai perdendo o sentido e o viço.</p>
<p>Em tempos tão perigosos e ameaçadores, seria inimaginável e muito ficcional pensar em montanhas de documentos secretos diplomáticos norte americanos vagando no ciberespaço nas mãos de um grupo de ativistas da era digital. O aparente roteiro de filme se transformou em realidade com o episódio Wikileaks, causando consternação e constrangimento não apenas pelo vazamento em si, mas principalmente pela (baixa) qualidade das análises realizadas.</p>
<p>Na minha modesta opinião, o pior de tudo foi a forma como ocorreu o vazamento: <a title="Soldado de 23 é suspeito de vazar informações" href="http://exame.abril.com.br/economia/mundo/noticias/wikileaks-soldado-acusado-de-vazar-documentos-foi-maltratado" target="_blank">pelas mãos de um soldado raso de 23 anos de idade</a>, que não é um hacker e nem mesmo um agente secreto treinado em uma potência opositora. Não, ele simplesmente tinha acesso ao sistema.</p>
<p>Na arena industrial, segundo um estudo do centro de pesquisas econômicas IHS Global Insight, a China destronou os Estados Unidos em 2010 e se tornou a <a title="China ultrapassa EUA em manufatura" href="http://veja.abril.com.br/noticia/economia/china-supera-eua-como-maior-potencia-industrial" target="_blank">maior potência manufatureira do mundo</a>, embora ainda esteja atrás no quesito produtividade. Mas me recordo de ter lido análises durante a crise de 2008 projetando a <a title="China era esperada na liderança apenas em 2020" href="http://www.finfacts.ie/irishfinancenews/article_1010305.shtml" target="_blank">ocorrência desse fato consumado apenas para o ano de 2020</a>.</p>
<p>Voltando às consequências da crise de 2008, venho acompanhando com atenção aos movimentos europeus por maior rigor na regulação das atividades das auditorias independentes. Mas recomendo acompanhar as impressões do presidente mundial da PwC, Dennis Nally, cuja opinião é favorável ao processo de reciclagem regulatória. Com a experiência de quem vivenciou as mudanças implementadas após a crise da Enron, Dennis Nally adverte para que se fuja da mudança pela mudança, em benefício de uma abordagem mais focada, profunda e estruturante do assunto. Pensando bem, faço coro com o Sr. Nally.</p>
<p>Me perdoe o leitor por ter inundado o artigo com doses desagradáveis de incômodos apontamentos, mas o ditado popular afirma que a maior cegueira é a voluntária, que nasce quando não se quer enxergar.</p>
<p>Não prego a vinda do apocalipse ou o fim dos tempos, não entendo nada sobre o calendário Maia ou a era de aquário. Mas acredito em deterioração, em fragilidades econômicas e culturais provocadas pela inação, pela preguiça de levantar do berço esplendido ou pelo ato de desligar o despertador para “dormir mais cinco minutinhos”.</p>
<p>Até a próxima.</p>
<p>Foto de <a title="Foto de sxc.hu" href="http://www.sxc.hu" target="_blank">stock.xchng</a>.</p>
<!-- boo-widget start -->
          <script type="text/javascript">
            bb_keywords = "economia, sustentabilidade, falar dinheiro, bolsa valores, investimentos";
            bb_bid  = "74";
            bb_lang = "pt-BR";
            bb_name = "custom";bb_limit = "7";bb_format = "bbc";
          </script>
          <script type="text/javascript" src="http://widgets.boo-box.com/javascripts/embed.js"></script>
          <!-- boo-widget end --><b>------</b><br>

Este artigo foi escrito por <b>Plataforma Brasil</b>.<br>

A Plataforma Brasil Editorial atua como uma agência independente na produção de conteúdo e informação.<br>

<div style="padding:10 10 20 10;margin-left:auto;margin-right:auto;background:#FAFFB6;"><img align="left" style="padding-bottom:10;padding-right:15px;" src="http://dinheirama.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/logo_dinheirama_rss_footer.jpg">Este artigo apareceu originalmente no site <a href="http://dinheirama.com/">Dinheirama</a>.<br/>A reprodução deste texto só pode ser realizada mediante expressa autorização de seu autor. Para falar conosco, use nosso <a href="http://dinheirama.com/contato">formulário de contato</a>. Siga-nos no Twitter: <a href="http://twitter.com/Dinheirama">@Dinheirama</a></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dinheirama.com/blog/2011/03/18/quando-tocara-o-despertador-do-ocidente/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Renda fixa e Bovespa: o que muda com a alta da Selic?</title>
		<link>http://dinheirama.com/blog/2010/05/06/renda-fixa-e-bovespa-o-que-muda-com-a-alta-da-selic/</link>
		<comments>http://dinheirama.com/blog/2010/05/06/renda-fixa-e-bovespa-o-que-muda-com-a-alta-da-selic/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 06 May 2010 14:25:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ações e Derivativos]]></category>
		<category><![CDATA[Renda Fixa]]></category>
		<category><![CDATA[bolsa]]></category>
		<category><![CDATA[bovespa]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
		<category><![CDATA[investidor]]></category>
		<category><![CDATA[subprime]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dinheirama.com/?p=4420</guid>
		<description><![CDATA[O ciclo de alta nos juros em 2010 faz os investidores pensarem novamente na renda fixa. Vale a pena? Como ficam os investimentos em ações na Bolsa de Valores?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="Renda fixa e Bovespa: o que muda com a alta da Selic?" src="http://dinheirama.com/files/2010/05/dinheirama_selic_bolsa_renda_fixa.jpg" alt="Renda fixa e Bovespa: o que muda com a alta da Selic?" hspace="2" vspace="2" align="left" />Os investidores conservadores que optam por renda fixa estão passando por um período de grande agitação. A recente queda da bolsa acentua a inquietação e está relacionada ao solavanco financeiro causado pela desconfiança na política fiscal de Grécia e Espanha e a tendência de alta nos juros observada na última reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária).</p>
<p><strong>Lembrando o passado&#8230;<br />
</strong>Quando ocorreu a estabilização econômica, com o Plano Real, não conseguimos tirar o fardo dos altos juros. Essa cultura fez com que o brasileiro se interessasse e percebesse grande vantagem ao aplicar em renda fixa. Com juros de dois dígitos, aplicações com juros pré e pós-fixados irrigaram e fomentaram toda uma geração de <a class="bbli" href="http://sledge.boo-box.com/list/page/aW52ZXN0aWRvcl8jI19ib3hfIyNfdGFnZ2luZy10b29sLXdwXyMjXzc0-56">investidores<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a> que não precisam de muito esforço para ter bons resultados.</p>
<p>Com o passar do tempo as coisas foram mudando, principalmente no que tange à Taxa Selic. Mesmo não baixando a nível deveras civilizado, não temos como negar que ela experimentou uma queda considerável a partir do governo Lula. Então começamos a nos deslumbrar com notícias e bastidores, transmitidos por jornais e revistas, de pessoas que alcançaram milhões com a Bolsa de Valores. A renda fixa já não era o melhor investimento, ao menos para quem estava acostumado com grandes rentabilidades.</p>
<p><span id="more-4420"></span><strong>A onda da bolsa de valores<br />
</strong>Pronto! Começada a “festa”, dezenas de investidores resolveram pousar na BM&amp;F Bovespa na base da empolgação, sem preparo e com pouco conhecimento do que significa investir em ações. O que normalmente já seria motivo para preocupação se tornou algo pior: estourou a crise do Subprime e milhares de pessoas que entraram no mercado já altista viram suas ações virarem pó. Com o pânico, realizaram as perdas e amargaram prejuízos.</p>
<p>Também por falta de conhecimento, tais investidores preferiram seguir por um caminho diferente para o futuro. Infelizmente, muitos preferem culpar o mercado &#8211; quem é esse cara? &#8211; pelos maus negócios e não a própria ineficácia em conhecer a dinâmica do <a class="bbli" href="http://sledge.boo-box.com/list/page/aW52ZXN0aW1lbnRvK2JvbHNhXyMjX2JveF8jI190YWdnaW5nLXRvb2wtd3BfIyNfNzQ=-68">investimento em bolsa<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a>.</p>
<p><strong>A renda fixa e o futuro<br />
</strong>A renda fixa perdera o posto de “garota dos olhos” dos investidores. Para se ter uma idéia, de acordo com a Anbima (Associação Brasileira das Entidades de Mercado Financeiro e de Capitais), de julho de 2009 a março de 2010 os fundos multimercados acumulavam captação de R$ 34,836 bilhões, enquanto os fundos DI registravam resgate de R$ 352,55 milhões.</p>
<p>Se estivermos diante de um novo ciclo de aumento nos juros, segundo sinaliza o Banco Central, o cenário poderá mudar. Os investidores de renda fixa podem tomar um fôlego adicional, mas de forma ainda comedida. Afinal, olhando para o futuro, e pela própria dinâmica econômica de um país em franco desenvolvimento, o mercado de renda fixa tende a ficar ainda menos atraente. Os juros vão subir, mas tendem a cair novamente. Assim esperamos.</p>
<p>A tão comentada, festejada e polêmica caderneta de poupança também perde um pouco do brilho com o aumento dos juros, afinal com os juros em 8,75%, valor anterior ao da última reunião do COPOM, apenas fundos com taxa de administração inferior a 0,5% eram competitivos. Agora com os juros em 9,50% ao ano, os fundos DI com taxas próximas a 1,5%  empatam com a poupança nos períodos mais curtos (até seis meses, onde o imposto é de 22,5%).</p>
<p>Esse é o cenário de momento. Vale sempre refletirmos sobre onde estamos pisando, tendo sempre uma visão global e analisando a conjuntura financeira, o que acontece nos EUA e na Europa (Espanha e Grécia principalmente). Tais regiões podem sim influenciar sua vida e refletir até nos seus <a class="bbli" href="http://sledge.boo-box.com/list/page/aW52ZXN0aW1lbnRvc18jI19ib3hfIyNfdGFnZ2luZy10b29sLXdwXyMjXzc0-60">investimentos<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a>. Saia da zona de conforto e busque aproveitar as oportunidades, mesmo que lhe dê um pouco mais de trabalho. Afinal, será o seu dinheiro que se multiplicará com seu envolvimento.</p>
<p>Crédito da foto para <a title="Foto de FreeDigitalPhotos.net" href="http://www.freedigitalphotos.net/" target="_blank"><strong>freedigitalphotos.net</strong></a>.</p>
<!-- boo-widget start -->
          <script type="text/javascript">
            bb_keywords = "falar dinheiro, conrado navarro, economia, investimentos, bolsa valores";
            bb_bid  = "74";
            bb_lang = "pt-BR";
            bb_name = "custom";bb_limit = "7";bb_format = "bbc";
          </script>
          <script type="text/javascript" src="http://widgets.boo-box.com/javascripts/embed.js"></script>
          <!-- boo-widget end --><b>------</b><br>

Este artigo foi escrito por <b>Ricardo Pereira</b>.<br>

Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: 
<a title="Siga o Ricardo" href="http://twitter.com/RicardoPereira">@RicardoPereira</a><br>

<div style="padding:10 10 20 10;margin-left:auto;margin-right:auto;background:#FAFFB6;"><img align="left" style="padding-bottom:10;padding-right:15px;" src="http://dinheirama.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/logo_dinheirama_rss_footer.jpg">Este artigo apareceu originalmente no site <a href="http://dinheirama.com/">Dinheirama</a>.<br/>A reprodução deste texto só pode ser realizada mediante expressa autorização de seu autor. Para falar conosco, use nosso <a href="http://dinheirama.com/contato">formulário de contato</a>. Siga-nos no Twitter: <a href="http://twitter.com/Dinheirama">@Dinheirama</a></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dinheirama.com/blog/2010/05/06/renda-fixa-e-bovespa-o-que-muda-com-a-alta-da-selic/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Nouriel Roubini e o futuro do Brasil e do mundo</title>
		<link>http://dinheirama.com/blog/2009/08/27/nouriel-roubini-e-o-futuro-do-brasil-e-do-mundo/</link>
		<comments>http://dinheirama.com/blog/2009/08/27/nouriel-roubini-e-o-futuro-do-brasil-e-do-mundo/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 27 Aug 2009 12:14:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
		<category><![CDATA[mercado]]></category>
		<category><![CDATA[oportunidade]]></category>
		<category><![CDATA[subprime]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dinheirama.com/blog/?p=2828</guid>
		<description><![CDATA[Muitos acreditam que o pior da crise já passou. Alguns indícios disso são dados diariamente por dados econômicos divulgados mundo afora. Aqui mesmo no Brasil, na última semana recebemos dados animadores sobre o índice de desemprego &#8211; que está em um patamar inferior ao do último ano (considerado o mesmo período): 8%. Por aqui, alguns [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://dinheirama.com/blog/wp-content/uploads/2009/08/dinheirama_economia_global_roubini.jpg" alt="Nouriel Roubini e o futuro do Brasil e do mundo" hspace="2" vspace="2" align="left" />Muitos acreditam que o pior da crise já passou. Alguns indícios disso são dados diariamente por dados econômicos divulgados mundo afora. Aqui mesmo no Brasil, na última semana recebemos dados animadores sobre o índice de desemprego &#8211; que está em um patamar inferior ao do último ano (considerado o mesmo período): <strong>8%</strong>. Por aqui, alguns acreditam que a crise até já ficou para trás.</p>
<p>Nesse cenário otimista, eis que o Dr. Apocalipse, <strong>Nouriel Roubini</strong>, professor da Universidade de Nova York, lança mais uma de suas previsões. A <a class="bbli" href="http://sledge.boo-box.com/list/page/ZWNvbm9taWFfIyNfYm94XyMjX3RhZ2dpbmctdG9vbC13cF8jI183NA==-56">economia<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a> mundial pode, ainda, ter mais um surto e sofrer nova recessão. Segundo Roubini, a economia pode não se adequar bem à perda dos incentivos financeiros que são parte da solução encontrada pelos governos para amenizar a crise.</p>
<p>Sua atual previsão vai além: o cenário será negativo para quem optar em manter tais incentivos. Durante algum tempo, especialmente no período pré-crise, Roubini foi considerado apenas um falastrão sem competência técnica para ser “ouvido pelo mercado”, principalmente quando a economia mundial crescia e o período de bonança se estendia. Entretanto, suas previsões sobre colapso financeiro se tornaram realidade. Desde então, suas palavras passaram a ter peso e destaque.</p>
<p><span id="more-2828"></span>Olhando para nosso panorama, a política de exoneração fiscal para alguns setores teve um efeito positivo na economia e representou um papel importante dentro do conceito de competitividade do país. Ficou provado que o consumo interno é capaz de manter o país em uma rota de crescimento.</p>
<p>Por outro lado, os gastos do governo cresceram em um ritmo alucinante, o que leva certa preocupação ao <a class="bbli" href="http://sledge.boo-box.com/list/page/bWVyY2FkbythJUU3JUY1ZXNfIyNfYm94XyMjX3RhZ2dpbmctdG9vbC13cF8jI183NA==-68">mercado<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a> e ao futuro da economia brasileira. O governo parece disposto a cumprir um papel de provedor, fazendo com que os gastos de custeio se sobreponham aos investimentos em infraestrutura e modernização do país.</p>
<p>Nesse meio tempo, percebemos que surgem oportunidades raras. Alguns conglomerados parecem dispostos a galgar um papel extremamente relevante e tornarem-se players de destaque. Vejo como grande exemplo o grupo Itau Unibanco, que nasce com um apetite voraz e coloca as garras de fora ao associar-se com a Porto Seguro, ganhando peso em um setor que tende a crescer bastante no país.</p>
<p>Mais do que grandes dificuldades, esse período que Roubini alerta como crítico para os desdobramentos da crise podem ser administrados positivamente, com oportunidades que surgem principalmente em países emergentes e que se mostram mais resilientes e capazes de aproveitar a demanda interna e a mudança no perfil de consumo de sua população.</p>
<p>Muitos setores no país parecem ter um horizonte promissor e um deles é o de construção de imóveis para a população de baixa renda. É fato que a estabilização econômica atingida no Brasil, mais pessoas começam a ter acesso a serviços e produtos que não faziam parte da realidade de uma maioria. Esse novo perfil de consumo leva e acrescenta mais brasileiros à chamada classe média e transforma o perfil do país.</p>
<p>Pois, sim, Nouriel Roubini pode estar certo e a economia mundial pode ter uma recuperação lenta em formato U &#8211; isto quer dizer que para sair do fundo do poço demora-se um tempo maior. Ele ainda cogita a forma W, onde sai-se da recessão rapidamente, mas o problema volta também rapidamente. Aqui no Brasil, se seguirmos a trajetória de sucesso na condução da política econômica, é possível que o fundo do poço já tenha ficado para trás e a trajetória de recuperação seja em V.</p>
<p>Em tempos de oportunidade e desafios, o Brasil e o mundo passam por momentos históricos em que decisões tomadas hoje impactarão fortemente o futuro. Ter consciência dos movimentos que a economia irá tomar e interpretar de uma maneira rápida seus efeitos e possíveis problemas pode significar um caminho mais feliz e próspero. Pensando no <a class="bbli" href="http://sledge.boo-box.com/list/page/aW52ZXN0aWRvcl8jI19ib3hfIyNfdGFnZ2luZy10b29sLXdwXyMjXzc0-56">investidor<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a> e seus anseios por melhores rentabilidades, o importante parece ser acertar mais que errar. Nada novo.</p>
<p>&#8212;&#8212;<strong><br />
Ricardo Pereira </strong>é educador financeiro e palestrante, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do <em>Dinheirama</em>.</p>
<p>▪ <a title="Perfil de Ricardo Pereira" href="http://dinheirama.com/blog/ricardo">Quem é Ricardo Pereira?</a><br />
▪ <a title="Acesse todos os artigos escritos por Ricardo Pereira" href="http://dinheirama.com/blog/author/ricardo%20pereira">Leia todos os artigos escritos por Ricardo</a></p>
<p>Crédito da foto para <a title="Foto de stock.xchng" href="http://www.sxc.hu/" target="_blank"><strong>stock.xchng</strong></a>.</p>
<!-- boo-widget start -->
          <script type="text/javascript">
            bb_keywords = "falar dinheiro, navarro, bolsa valores, mercado ações";
            bb_bid  = "74";
            bb_lang = "pt-BR";
            bb_name = "custom";bb_limit = "7";bb_format = "bbc";
          </script>
          <script type="text/javascript" src="http://widgets.boo-box.com/javascripts/embed.js"></script>
          <!-- boo-widget end --><b>------</b><br>

Este artigo foi escrito por <b>Ricardo Pereira</b>.<br>

Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: 
<a title="Siga o Ricardo" href="http://twitter.com/RicardoPereira">@RicardoPereira</a><br>

<div style="padding:10 10 20 10;margin-left:auto;margin-right:auto;background:#FAFFB6;"><img align="left" style="padding-bottom:10;padding-right:15px;" src="http://dinheirama.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/logo_dinheirama_rss_footer.jpg">Este artigo apareceu originalmente no site <a href="http://dinheirama.com/">Dinheirama</a>.<br/>A reprodução deste texto só pode ser realizada mediante expressa autorização de seu autor. Para falar conosco, use nosso <a href="http://dinheirama.com/contato">formulário de contato</a>. Siga-nos no Twitter: <a href="http://twitter.com/Dinheirama">@Dinheirama</a></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dinheirama.com/blog/2009/08/27/nouriel-roubini-e-o-futuro-do-brasil-e-do-mundo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Livro: O Crash de 2008</title>
		<link>http://dinheirama.com/blog/2009/08/06/livro-o-crash-de-2008/</link>
		<comments>http://dinheirama.com/blog/2009/08/06/livro-o-crash-de-2008/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2009 19:00:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[banco]]></category>
		<category><![CDATA[bolsa]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
		<category><![CDATA[mercado]]></category>
		<category><![CDATA[subprime]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dinheirama.com/blog/?p=2724</guid>
		<description><![CDATA[Livro: O Crash de 2008 Autor: Charles R. Morris Editora: Aracati Páginas: 254 Preço médio: R$ 55,00 Compre o livro no Submarino [clique aqui] A leitura do livro “O Crash de 2008 &#8211; Dinheiro fácil, apostas arriscadas e o colapso global do crédito” foi uma surpresa das mais agradáveis. O livro foi escrito pelo advogado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img src="http://dinheirama.com/blog/wp-content/uploads/2009/08/dinheirama_capa_livro_crash_2008.jpg" alt="Livro: O Crash de 2008" hspace="2" vspace="2" align="left" />Livro: </strong><a title="Compre o livro no Submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21542225/?franq=247523" target="_blank">O Crash de 2008</a><br />
<strong>Autor:</strong> Charles R. Morris<br />
<strong>Editora: </strong>Aracati<br />
<strong>Páginas:</strong> 254<br />
<strong>Preço médio:</strong> R$ 55,00<br />
<a title="Compre o livro no Submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21542225/?franq=247523" target="_blank">Compre o livro no Submarino [clique aqui]</a></p>
<p>A leitura do livro <a title="Compre o livro no Submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21542225/?franq=247523" target="_blank">“O Crash de 2008 &#8211; Dinheiro fácil, apostas arriscadas e o colapso global do crédito”</a> foi uma surpresa das mais agradáveis. O livro foi escrito pelo advogado e ex-banqueiro <strong>Charles R. Morris</strong> e publicado no Brasil pela Editora Aracati. O livro é composto de 8 capítulos, divididos em 254 páginas. Cabe destacar também a existência de um interessante glossário de termos financeiros, que contempla parte do jargão usado com frequência pela mídia especializada.</p>
<p>O <a title="Compre o livro no Submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21542225/?franq=247523" target="_blank">livro</a> se inicia com o prefácio do Professor Luiz Gonzaga Belluzzo. Sua brilhante introdução traduz-se em uma verdadeira aula de economia &#8211; e que, por si só, já merece um grande destaque. A clareza com que o Prof. Belluzzo trata temas áridos e complexos transforma as informações em material indispensável para quem busca entender o inicio do liberalismo econômico e suas conseqüências dentro do mundo contemporâneo. E trata-se do prefácio, apenas.</p>
<p><span id="more-2724"></span>Aqui mesmo no <em>Dinheirama</em>, tratei muito do assunto “crise financeira”. Algumas vezes falei pouco, outras falei demais. Muitas vezes compartilhei a visão de economistas e do cidadão comum. No entanto, por mais claro que fosse minha visão a respeito da crise, me senti um verdadeiro leigo a partir da leitura da opinião contundente com que Charles R. Morris trata o assunto e ao conhecer os pormenores do sistema financeiro norte-americano.</p>
<p>Trata-se de um ótimo exercício de aprendizado tentar acompanhar a lógica e os passos, em diferentes períodos da história, que explicam como o liberalismo nasceu e caminhou por momentos de glória &#8211; até a recente tragédia. O Keynesianismo de Richard Nixon e o ultra liberalismo de Ronald Regan são exemplos importantes captados e divididos com os leitores através de relatos históricos precisos e muita opinião.</p>
<p>O autor coloca-se como um espectador privilegiado e pragmático sobre a forma com que <em>Wall Street</em> se tornou a Meca do mercado financeiro e viu ruir seus maiores símbolos de poder. Nomes que fizeram parte da história moderna, e que voltam ao cenário atual, como o de Paul Volcker, podem sinalizar o caminho com que os EUA devem seguir &#8211; e Morris trata destas possibilidades neste <a title="Compre o livro no Submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21542225/?franq=247523" target="_blank">livro</a>.</p>
<p>O Capítulo 7, com o título provocativo “Catando os cacos”, mostra como os grandes bancos americanos se tornaram vítimas de seu próprio veneno. A “alavancagem invisível”, termo usado e explicado pelo autor, fez estragos e gerou imprecisões que impactaram a vida financeira de muitas pessoas, empresas e países em todo o planeta.</p>
<p><strong>Avaliação final</strong><br />
O tema é complexo e provavelmente durante os próximos anos muito ouviremos sobre o assunto. Entretanto, é inegável que a obra foi muito feliz em sua elaboração. Mesmo se tratando de um livro sobre questões econômicas complexas e de conjuntura que merecem uma leitura cuidadosa, a abordagem é bastante didática e de prazerosa leitura. Concordo com a critica do Financial Times, que diz que o <a title="Compre o livro no Submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21542225/?franq=247523" target="_blank">livro</a> é <em>“instigante para os especialistas e fácil de ler para os leigos”</em>. Vejamos as notas:</p>
<ul>
<li>Linguagem e narrativa: <strong>9,5</strong></li>
<li>Exemplos práticos: <strong>8,5</strong></li>
<li>Temas abordados: <strong>9,0</strong></li>
<li>Preço: <strong>7</strong></li>
<li>Custo/Benefício: <strong>8,5</strong></li>
</ul>
<p>Se você quer entender melhor a crise financeira internacional, como ela aconteceu e de onde ela surgiu, <a title="Compre o livro no Submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21542225/?franq=247523" target="_blank">“O Crash de 2008”</a> certamente irá ajudá-lo. Recomendo a leitura!</p>
<p><strong>Quer ganhar um exemplar? Participe da promoção!</strong><br />
O <em>Dinheirama</em> oferece a possibilidade de você ganhar um exemplar do livro <a title="Compre o livro no Submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21542225/?franq=247523" target="_blank">“O crash de 2008”</a>. Para isso deixe registrado, no espaço de comentários deste artigo, sua resposta para a seguinte pergunta: quais as lições que o mundo tirou ou irá tirar com a crise financeira de 2008? A melhor resposta &#8211; escolhida pela equipe de editores do Dinheirama &#8211; receberá o exemplar em casa. <strong>A promoção se encerra no dia 20/08</strong>. Participe e boa sorte!</p>
<!-- boo-widget start -->
          <script type="text/javascript">
            bb_keywords = "falar dinheiro, navarro, bolsa valores, mercado ações";
            bb_bid  = "74";
            bb_lang = "pt-BR";
            bb_name = "custom";bb_limit = "7";bb_format = "bbc";
          </script>
          <script type="text/javascript" src="http://widgets.boo-box.com/javascripts/embed.js"></script>
          <!-- boo-widget end --><b>------</b><br>

Este artigo foi escrito por <b>Ricardo Pereira</b>.<br>

Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: 
<a title="Siga o Ricardo" href="http://twitter.com/RicardoPereira">@RicardoPereira</a><br>

<div style="padding:10 10 20 10;margin-left:auto;margin-right:auto;background:#FAFFB6;"><img align="left" style="padding-bottom:10;padding-right:15px;" src="http://dinheirama.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/logo_dinheirama_rss_footer.jpg">Este artigo apareceu originalmente no site <a href="http://dinheirama.com/">Dinheirama</a>.<br/>A reprodução deste texto só pode ser realizada mediante expressa autorização de seu autor. Para falar conosco, use nosso <a href="http://dinheirama.com/contato">formulário de contato</a>. Siga-nos no Twitter: <a href="http://twitter.com/Dinheirama">@Dinheirama</a></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dinheirama.com/blog/2009/08/06/livro-o-crash-de-2008/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>21</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Nacionalização dos bancos americanos: a única solução?</title>
		<link>http://dinheirama.com/blog/2009/03/18/nacionalizacao-dos-bancos-americanos-a-unica-solucao/</link>
		<comments>http://dinheirama.com/blog/2009/03/18/nacionalizacao-dos-bancos-americanos-a-unica-solucao/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 18 Mar 2009 19:30:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexsandro Rebello Bonatto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[banco]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
		<category><![CDATA[estado]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
		<category><![CDATA[subprime]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dinheirama.com/blog/?p=2060</guid>
		<description><![CDATA[E a crise do subprime não para de causar espanto. Agora vemos o início de um debate que coloca do mesmo lado gente como Paul Krugman e Alan Greenspan: o debate pela nacionalização dos bancos americanos. A palavra que sequer é pronunciada pelos americanos (lá é conhecida como &#8220;n-word&#8221;) trata-se da estatização pura e simples [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-2062" src="http://dinheirama.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/dinheirama_estatizacao_bancos_eua.jpg" alt="Nacionalização dos bancos americanos: a única solução?" hspace="2" vspace="2" align="left" />E a crise do subprime não para de causar espanto. Agora vemos o início de um debate que coloca do mesmo lado gente como Paul Krugman e Alan Greenspan: o debate pela nacionalização dos bancos americanos. A palavra que sequer é pronunciada pelos americanos (lá é conhecida como &#8220;n-word&#8221;) trata-se da estatização pura e simples dos bancos em dificuldades.</p>
<p><strong>Exemplos da nacionalização</strong><br />
A solução foi adotada na Suécia em 1991 e 1992, quando o país também enfrentou uma grave crise bancária. Com a estatização, o governo assumiu os créditos podres, limpou os balanços das instituições financeiras e, em seguida, vendeu o controle a investidores privados. O custo dessa intervenção, à época, foi de quase 10% do PIB sueco. O México também pôs em prática o que é considerado uma nacionalização temporária, em geral bem-sucedida, de parte do seu sistema bancário na esteira da crise do peso nos anos 90.</p>
<p>Recentemente a Alemanha aprovou uma lei abrindo o caminho para a estatização. O alvo é o banco Hypo Real State Holding, que é a principal instituição financeira alemã com foco no crédito imobiliário. Ela recebeu aportes oficiais superiores a US$ 63 bilhões do governo alemão, mas não para de apresentar prejuízos, da ordem de US$ 4 bilhões por trimestre. Se a nacionalização vier a se confirmar, será a primeira desde 1930. Da mesma forma, a Irlanda já nacionalizou o Anglo British Bank em janeiro e gastou por volta de US$ 9 bilhões na recapitalização do Banco da Irlanda e Allied Irish Banks.</p>
<p>Especula-se — apesar das frequentes negativas por parte do primeiro-ministro britânico Gordon Brown — que o governo britânico planeja nacionalizar o Lloyds Banking Group ou o Royal Bank of Scotland (RBS), cuja participação acionária do governo é de 43% e 70%, respectivamente. Há um ano apenas, o Reino Unido nacionalizou o Northern Rock, um dos primeiros bancos a ter prejuízos catastróficos com a exposição de hipotecas lastreadas pelo crédito subprime nos EUA.</p>
<p>Mas quando se fala nos Estados Unidos a história é outra e o debate promete.</p>
<p><span id="more-2060"></span><strong>A situação americana</strong><br />
O próprio presidente Barack Obama disse recentemente à ABC News que é preciso cautela em relação ao modelo sueco de nacionalização dos bancos tendo em vista a dimensão da indústria bancária americana. <em>“A escala da economia americana e dos mercados de capitais vastos demais, assim como [...] os problemas próprios da administração e do controle de qualquer coisa dessa magnitude”</em> exigiriam procedimentos tão complexos, disse Obama, <em>“que simplesmente não fariam sentido. Além disso, temos outras tradições neste país.”</em></p>
<p>Todavia, diversos especialistas prevêem que a crise atual deverá levar de alguma forma a nacionalização. Nos EUA, país onde o sistema financeiro tradicionalmente esteve sob controle privado, a situação está se tornando insustentável. Só em 2009, já foram fechados 14 bancos. Desde o início da crise, 39 instituições financeiras encerraram as atividades.</p>
<p>É pouco perto dos 8 mil bancos dos EUA, mas é quase oito vezes a média histórica de quatro ou cinco por ano, desde 2000. Supõe-se que muitos bancos não consigam chegar ao fim de 2009, por causa da recessão e do aumento da inadimplência. No total, 314 instituições já cederam parte de suas ações ou outros papéis ao Tesouro americano, em garantia a US$ 350 bilhões em ajuda governamental.</p>
<p>Há dois grandes bancos americanos especialmente ameaçados: o Citigroup, que recebeu US$ 300 bilhões do pacote de ajuda do governo — em boa parte sob a forma de garantias a empréstimos concedidos no final do ano passado — e o Bank of America (BofA), beneficiário de um programa semelhante no valor de US$ 120 bilhões concedidos no início deste ano.</p>
<p>Numerosos especialistas acreditam que os dois resgates concedidos, apesar do enorme volume de dinheiro envolvido, pouco adiantaram para tirar os bancos da beira da insolvência, e o governo federal pouco pode fazer agora sem se tornar acionista majoritário. Os bancos perceberam que Washington já está tentando impor controles severos mesmo sem ter o controle acionário total deles: coisas como, por exemplo, limites à remuneração de executivos incluídos em recente projeto de lei de estímulo à economia</p>
<p>É duvidoso que o Estado consiga administrar de forma eficiente bancos globais como o Citi e o BofA. Instituições financeiras, quando nacionalizadas, ficam sujeitas a pressões políticas. Podem ser usadas como instrumento de política econômica ou social. Isso aumentaria ainda mais o déficit público americano, já na casa de assombrosos US$ 10,8 trilhões. Alguns analistas dizem que a nacionalização poderá retardar ainda mais a identificação dos ativos tóxicos, dificultando a retomada do crédito.</p>
<p>A experiência da seguradora AIG, que tem 80% de suas ações nas mãos do governo, reforça essa percepção. Depois de consumir US$ 150 bilhões dos contribuintes, a AIG pode ter perdido mais US$ 60 bilhões no último trimestre de 2008 e ainda poderá precisar de mais US$ 40 bilhões do governo para sanear seu balanço.</p>
<p>A nacionalização do Citi e do BofA seria um fim trágico para duas instituições centenárias. A mera possibilidade de que isso aconteça mostra o grau de debilidade atual do sistema financeiro nos EUA, onde os bancos se lançaram em operações de altíssimo risco com hipotecas para tentar maximizar o lucro, inflar as cotações de suas ações na Bolsa e garantir o pagamento de bônus aos seus principais executivos.</p>
<p>Nacionalizar os bancos pode até ser uma necessidade temporária. <em>“A propriedade explícita nas mãos do governo seria uma melhoria em relação à intervenção onerosa, flutuante e caprichosa de hoje”</em>, afirma o editorial da Economist. <em>“Mas, ao contrário da superficialidade de alguns defensores, o controle governamental dos grandes bancos não é uma solução rápida e indolor para o caos bancário.”</em></p>
<p><strong>Posições a favor da nacionalização</strong><br />
Para Alan Greenspan, o governo americano pode ser obrigado a nacionalizar alguns bancos americanos de maneira temporária para evitar o aprofundamento da crise financeira e para a normalização do crédito. Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, Greenspan, que sempre foi tido como um dos principais defensores do liberalismo econômico, afirmou que a nacionalização de parte do sistema financeiro pode ser a &#8220;opção menos ruim&#8221; a ser tomada pelos governantes americanos.</p>
<p>Greenspan não fez uma avaliação direta das medidas que já foram tomadas pelas equipes econômicas de George W. Bush e Barack Obama, mas, ao menos até agora, as ações ainda não conseguiram recuperar a confiança no sistema financeiro. Até agora, os políticos americanos vinham se mostrando reticentes até mesmo para transferir os créditos podres dos bancos para uma instituição estatal.</p>
<p>O problema é que para resgatar o sistema financeiro dessa forma, o governo americano teria de pagar mais caro por esses papéis do que a cotação atual. Para isso, entretanto, o governo teria de enfrentar e vencer uma radical oposição do Congresso, já que o eleitor e o contribuinte americano não concordam com a utilização do dinheiro público para resgatar as instituições.</p>
<p>Interessante é que até mesmo membros do partido Republicano, tido como contrário à intervenção do estado na economia, também defenderam idéias parecidas com a de Greenspan. <em>&#8220;Nós precisamos nos concentrar no que funciona&#8221;</em>, afirmou o senador Lindsey Graham, um Republicano da Carolina do Sul. <em>&#8220;Se a nacionalização é o que funciona, então nós devemos fazer isso.&#8221;</em></p>
<p>Partilhando da visão de Greenspan, o prêmio Nobel de Economia Paul Krugman publicou artigo no New York Times julgando correta a opção pela nacionalização. A opinião de Krugman fundamenta-se em três pilares:</p>
<ul>
<li>Primeiramente, <em>&#8220;alguns bancos estão perigosamente perto do limite &#8211; na realidade, eles já teriam falido se os investidores não esperassem pelo socorro governamental em caso de necessidade&#8221;</em>;</li>
<li>Além disso, o colapso do Lehman Brothers praticamente ruiu o sistema financeiro mundial e seria muito arriscado permitir algo semelhante com instituições do porte de Citigroup e Bank of America;</li>
<li>Para completar, muito embora os bancos precisem de fato do resgate, o governo dos EUA não poderia, fiscal e politicamente, dar grandes benefícios aos acionistas dos bancos.</li>
</ul>
<p>Outra voz a favor da nacionalização é a do próprio arauto da crise, o economista Nouriel Roubini. Roubini escreveu recentemente um artigo sobre o assunto no Washington Post em parceria com o colega Matthew Richardson. Eles dizem que poderá parecer “blasfêmia” para economistas que acreditam no sistema de livre mercado defender a aquisição de bancos por Washington, mas que não viam alternativa em vista do prognóstico de prejuízos espantosos por parte dos bancos da ordem de US$ 1,8 trilhão, superando seu patrimônio líquido de US$ 1,4 trilhão.</p>
<p>É imprescindível, disseram, que o Departamento do Tesouro aponte os bancos que estão, de fato, insolventes, adquira-os e separe os chamados “ativos tóxicos”, de modo que os ativos saudáveis que sobrarem possam ser vendidos rapidamente a investidores privados, enquanto os empréstimos podres são eliminados no tempo certo. <em>“Gastamos toda nossa munição, mas não foi suficiente para deter o bicho-papão”</em>, dizem os autores. <em>“Agora é hora de pegar a bazuca e acabar logo com isso.”</em></p>
<p>Em entrevista ao jornal alemão Deutsche Velle, o economista ganhador do prêmio Nobel de Economia em 2001, Joseph Stiglitz, também se mostrou a favor da nacionalização:</p>
<blockquote><p>&#8220;Na verdade, os bancos não se encontram de boa saúde. O governo americano injetou centenas de bilhões de dólares, sem qualquer efeito prático. Os bancos estão falidos. Os americanos são atualmente donos de um número bastante grande dos principais bancos. Mas não possuem qualquer controle no funcionamento dos mesmos, e qualquer sistema em que exista uma separação entre a propriedade e o controle, só pode conduzir ao desastre. A nacionalização é a única solução para estes bancos falidos.&#8221;</p></blockquote>
<p>Os defensores da nacionalização argumentam que não faz sentido o Estado destinar uma montanha de dinheiro dos contribuintes para salvar bancos falidos e mantê-los sob gestão privada. A nacionalização, dizem eles, seria uma medida temporária para promover o saneamento dos grandes bancos. Depois, com as contas em ordem, eles seriam devolvidos à iniciativa privada, por meio de um leilão de privatização ou de algum mecanismo semelhante. A nacionalização, dizem, também abriria caminho para a recuperação da confiança no sistema bancário, em particular nos negócios entre as próprias instituições financeiras.</p>
<p>Os defensores da nacionalização dizem ainda que ela permitiria contornar um problema surgido na crise: a dificuldade em atribuir preços aos papéis podres que recheiam os balanços dos bancos. Sobram títulos do gênero na praça – e faltam compradores para eles. É praticamente impossível, portanto, calcular quanto vale efetivamente a papelada. Por meio da estatização, o governo poderia transferir os “papéis tóxicos” para uma nova instituição, sem precisar antes estabelecer um preço. Seria possível, assim, isolar o “banco bom” do “banco ruim” e reforçar a confiança no sistema.</p>
<p><strong>Posições contrárias a estatização</strong><br />
Todavia, os críticos da nacionalização dos bancos dizem que embora tal solução radical possa parecer uma saída rápida para a crise financeira americana, a história não acolheu bem a maioria dos esforços nesse sentido — sobretudo a onda de esforços dessa natureza empreendida por governos com tendências esquerdistas na Europa e em outras regiões na geração que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. Muitos desses esforços fracassaram pelos mesmos motivos: a falta de concorrência resultou em burocracias ineficientes, além de corrupção e de decisões equivocadas baseadas mais em políticas do que em praticas empresariais sadias.</p>
<p>Ben Bernanke, atual presidente do FED, disse numa audiência no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados dos EUA, que:</p>
<blockquote><p>&#8220;Nacionalização, no meu ponto de vista, é quando o governo assume os bancos, zera a posição dos acionistas e começa a gerenciar e controlar o banco, e nós não planejamos fazer nada parecido com isso&#8221;.</p></blockquote>
<p>Recentemente, economistas da consultoria First Trust Advisors publicaram relatório mostrando-se contrários à nacionalização. Para eles, a opção mais adequada seria a suspensão da obrigatoriedade de marcar a mercado os títulos das instituições financeiras. Com a deterioração contínua dos preços dos ativos tóxicos, a regra obriga um agravamento constante da folha de balanço dos bancos. Sem ela, os bancos poderiam esperar um melhor momento no mercado para então marcar o valor de seus papéis.</p>
<p>De acordo com os economistas, essa seria uma solução mais rápida e menos custosa aos contribuintes. Até agora, de acordo com dados oficiais, o governo americano e o FED já comprometeram cerca de US$ 9 trilhões em compras de ativos, capitalizações, empréstimos e garantias para tentar manter o sistema financeiro em funcionamento. É o equivalente a 60% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA e 75 vezes os US$ 115 bilhões destinados pelo Plano Marshall para reconstruir a Europa no final da Segunda Guerra Mundial, em 1945. O buraco parece não ter fim.</p>
<p><strong>Conclusão</strong><br />
Embora ainda não tenha se formado um consenso em torno da possibilidade de nacionalização, a idéia, antes considerada absurda, ganha adeptos e pode acabar sendo uma questão de &#8220;quando&#8221; e “como” e não mais de &#8220;se&#8221;. Vejamos o que acontece.</p>
<p><strong>Bibliografia:</strong></p>
<ul>
<li>Revista da Semana, edição 78 de 12 de março de 2009</li>
<li>Revista Isto É Dinheiro, edição 594 de 25 de fevereiro de 2009</li>
<li>Revista Época, edição 563 de 28 de fevereiro de 2009</li>
<li>Portal <a title="Visite o Portal InfoMoney" href="http://www.infomoney.com.br" target="_blank">InfoMoney</a>, notícia publicada em 23 de fevereiro de 2009</li>
<li>Portal <a title="Portal Terra" href="http://www.terra.com.br" target="_blank">Terra</a>, notícia publicada em 25 de fevereiro de 2009</li>
<li>Site <a title="Wharton Universia" href="http://wharton.universia.net" target="_blank">wharton.universia.net</a>, artigo publicado em 25 de fevereiro de 2009</li>
<li>Site <a title="Adital" href="http://www.adital.com.br" target="_blank">www.adital.com.br</a>, entrevista publicada em 18 de fevereiro de 2009</li>
</ul>
<p>&#8212;&#8212;<br />
<strong>Alexsandro Rebello Bonatto</strong>, economista e com MBA em Gestão Empresarial, é professor universitário, instrutor e sócio da <a title="Conheça a Ventura Corporate" href="http://www.venturacorporate.com.br" target="_blank">Ventura Corporate</a>, empresa de treinamentos corporativos. Tem mais de 13 anos de experiência no mercado de crédito.</p>
<p>Crédito da foto para <a title="foto de stock.xchng" href="http://www.sxc.hu" target="_blank"><strong>stock.xchng</strong></a>.</p>
<!-- boo-widget start -->
          <script type="text/javascript">
            bb_keywords = "subprime";
            bb_bid  = "74";
            bb_lang = "pt-BR";
            bb_name = "custom";bb_limit = "7";bb_format = "bbc";
          </script>
          <script type="text/javascript" src="http://widgets.boo-box.com/javascripts/embed.js"></script>
          <!-- boo-widget end --><b>------</b><br>

Este artigo foi escrito por <b>Alexsandro Rebello Bonatto</b>.<br>

<br>

<div style="padding:10 10 20 10;margin-left:auto;margin-right:auto;background:#FAFFB6;"><img align="left" style="padding-bottom:10;padding-right:15px;" src="http://dinheirama.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/logo_dinheirama_rss_footer.jpg">Este artigo apareceu originalmente no site <a href="http://dinheirama.com/">Dinheirama</a>.<br/>A reprodução deste texto só pode ser realizada mediante expressa autorização de seu autor. Para falar conosco, use nosso <a href="http://dinheirama.com/contato">formulário de contato</a>. Siga-nos no Twitter: <a href="http://twitter.com/Dinheirama">@Dinheirama</a></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dinheirama.com/blog/2009/03/18/nacionalizacao-dos-bancos-americanos-a-unica-solucao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Princípios de economia e o fantasma da crise</title>
		<link>http://dinheirama.com/blog/2009/02/27/principios-de-economia-e-o-fantasma-da-crise/</link>
		<comments>http://dinheirama.com/blog/2009/02/27/principios-de-economia-e-o-fantasma-da-crise/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2009 16:13:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexsandro Rebello Bonatto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
		<category><![CDATA[Obama]]></category>
		<category><![CDATA[subprime]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dinheirama.com/blog/?p=1951</guid>
		<description><![CDATA[Existe um ditado popular que diz: “Quando tudo mais falhar&#8230; leia o manual”. É exatamente isso que vou propor para que possamos finalmente entender que diabos é essa crise financeira internacional. Entendo que devemos consultar o manual – ou, no caso, o livro-texto de economia. Embora muitos dos nossos comentaristas não abra um desses livros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-1953" src="http://dinheirama.com/blog/wp-content/uploads/2009/02/dinheirama_mundo_economia_crise.jpg" alt="Princípios de economia e o fantasma da crise" hspace="2" vspace="2" align="left" />Existe um ditado popular que diz: <em>“Quando tudo mais falhar&#8230; leia o manual”</em>. É exatamente isso que vou propor para que possamos finalmente entender que diabos é essa crise financeira internacional. Entendo que devemos consultar o manual – ou, no caso, o livro-texto de <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/bid:74/lang:pt-BR/tags:economia/format:box">economia<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a>. Embora muitos dos nossos comentaristas não abra um desses livros desde seu tempo de “calouro” no curso de economia, geralmente as respostas estão todas lá, basta consultar. Vou provar minha tese utilizando os princípios básicos de economia (que normalmente são ensinados no primeiro dia de aula) para explicar o furacão financeiro que estamos vivendo.</p>
<p><strong>1. Pessoas enfrentam <em>tradeoffs</em>:</strong> <em>“Não existe almoço grátis”</em>. Para obter uma coisa que desejamos, em geral temos de abrir mão de outra coisa da qual gostamos. Tomar decisões exige comparar um objetivo com outro. Quando as pessoas estão agrupadas em sociedade, elas se deparam com diferentes tipos de <em>tradeoff</em>.</p>
<p>O <em>tradeoff </em>clássico é aquele entre “armas e manteiga”. Quanto mais for gasto em defesa nacional para proteger o país de agressores externos (armas), menos se poderá gastar com bens pessoais para aumentar o padrão de vida (manteiga).<br />
 <strong>Lição para a crise:</strong> se você enfrentar o <em>tradeoff</em> entre refinanciar pela quarta vez a hipoteca de sua casa ou não trocar o seu <em>SUV (Sport Utility Vehicle)</em>, escolha a segunda opção.</p>
<p><span id="more-1951"></span><strong>2. O custo de alguma coisa é do que você desiste para obtê-la:</strong> como as pessoas enfrentam <em>tradeoffs</em>, a tomada de decisões exige a comparação dos custos e benefícios dos vários cursos de ação. O custo de oportunidade de um item é aquilo de que se abre mão para obtê-lo. Ao tomar qualquer decisão, como quando se trata de freqüentar uma universidade, deve-se estar atento aos custos de oportunidade que acompanham cada ação possível.<br />
 <strong>Lição para a crise:</strong> o custo de oportunidade para aprovar o milésimo empréstimo <em>subprime</em> muito provavelmente será a falência de seu banco.</p>
<p><strong>3. Pessoas racionais pensam na margem: </strong>as decisões que tomamos na vida são, raramente, em preto e branco; em geral, têm tons de cinza. Quando é hora de jantar, a decisão não é jejuar ou se entupir de comida, mas a de pegar mais uma colher de sopa. Quando as provas se aproximam, a decisão não é de jogá-las para o alto ou estudar 24 horas por dia, mas entre gastar mais uma hora revendo a matéria ou assistir televisão.</p>
<p>Os economistas empregam a expressão alterações marginais para descrever pequenos ajustes incrementais a um plano de ação incremental. “Margem” também significa “beirada”, de modo que alterações marginais são ajustamentos na beirada daquilo que você está fazendo.</p>
<p>O princípio marginal nos permite tomar melhores <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/bid:74/lang:pt-BR/tags:decis%F5es/format:box">decisões<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a>; podemos usá-lo para determinar se o aumento de uma unidade em uma variável nos deixará ou não em melhores condições. Por exemplo: um barbeiro poderia decidir se deve manter sua barbearia aberta por mais uma hora. Você poderia decidir se deve estudar mais uma hora para a prova de economia.</p>
<p>O princípio marginal se baseia na comparação de benefícios e custos marginais de uma determinada atividade. O benefício marginal de alguma atividade é o benefício adicional resultante de um pequeno aumento na atividade, como, por exemplo, a receita adicional gerada quando uma barbearia fica aberta por mais 1 hora. De modo semelhante, o custo marginal é o custo adicional resultante de um pequeno aumento na atividade, como, por exemplo, os custos adicionais incorridos quando se mantém uma loja aberta por mais 1 hora.</p>
<p>De acordo com o princípio marginal, você deve aumentar o nível de atividade enquanto o benefício marginal for maior que o custo marginal. Ao atingir o nível em que o benefício marginal é igual ao custo marginal, seu aprimoramento está realizado.<br />
<strong>Lição para a crise: </strong>se você acha que benefício marginal de adquirir mais uma cota do fundo administrado pela empresa de Madoff é maior que o custo marginal, pense de novo.</p>
<p><strong>4. Pessoas respondem a incentivos: </strong>como as pessoas tomam decisões comparando custos e benefícios, seu comportamento pode mudar quando os custos ou benefícios se alteram. Isto significa que as pessoas respondem a incentivos. Quando o preço das maçãs aumenta, por exemplo, as pessoas decidem comer mais peras e menos maçãs, porque o custo de comprar maçãs está maior. Ao mesmo tempo, os produtores de maçãs decidem contratar mais gente e colher mais maçãs, porque o benefício de vender maçã também é maior.<br />
<strong>Lição para a crise: </strong>se você trabalha num grande banco americano que concedeu bônus milionários para seus executivos como incentivo para que eles tomassem decisões mais arriscadas, acho que você provavelmente já está desempregado.</p>
<p><strong>5. O comércio pode melhorar a situação de todos:</strong> quando um membro de sua família procura emprego, concorre com membros de outras famílias que também estão em busca de emprego. As famílias concorrem umas com as outras quando vão às compras, porque cada uma das famílias quer comprar os melhores produtos pelo menor preço. Assim, em certo sentido, cada família em uma economia compete com todas as outras famílias.</p>
<p>Apesar desta competição, sua família não estaria em melhor situação se se isolasse das outras famílias. Se o fizesse, teria de produzir seus alimentos, confeccionar suas roupas, construir sua própria casa etc. Evidentemente, sua família ganha muito com a possibilidade de poder comerciar com outros.</p>
<p>O comércio permite que cada pessoa se especialize nas atividades em que é mais apta, seja na agricultura, na confecção de roupas ou na construção. Realizando <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/bid:74/lang:pt-BR/tags:neg%F3cio+pr%F3prio/format:box">negócios<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a> com outras, as pessoas podem comprar uma maior variedade de bens e serviços a um custo menor.<br />
 <strong>Lição para a crise:</strong> quando você ouvir o Obama anunciar mais algum pacote de incentivos para a indústria americana, como o <em>Buy American Act</em>, comece a ficar preocupado.</p>
<p><strong>6. Os mercados são, em geral, uma boa forma de organizar a atividade econômica:</strong> em seu livro de 1776, o economista Adam Smith fez a mais famosa observação de toda a teoria econômica. As famílias e as empresas, ao interagirem nos mercados, agem como que guiadas por uma “mão invisível” que as conduz a resultados de mercado desejáveis.</p>
<p>Na verdade, são os preços que permitem à “mão invisível” dirigir a atividade econômica. Os preços refletem tanto o valor que a sociedade atribui a um bem quanto os custos em que ela incorre para produzi-lo. Como as famílias e as empresas levam os preços em consideração ao tomar suas decisões, elas, sem saber, estão levando em conta os benefícios e custos de suas ações. Em decorrência, os preços encaminham esses tomadores de decisões individuais para resultados que, muitas vezes, maximizam o bem-estar da sociedade como um todo.<br />
 <strong>Lição para a crise: </strong>da próxima vez que você ouvir falar em deflação, não fique tão animado. Sempre que ocorre queda generalizada nos preços a economia fica sem saber para onde ir.</p>
<p><strong>7. Os governos podem às vezes melhorar os resultados do mercado: </strong>a mão invisível orienta os mercados para uma alocação eficiente dos recursos. Contudo, por várias razões, a mão invisível às vezes não funciona. Os economistas usam a expressão falha de mercado para referir-se à situação em que o mercado por si só não consegue alocar recursos eficientemente.</p>
<p>Uma das possíveis causas de falhas de mercado são as <strong>externalidades</strong>. Uma externalidade é o impacto das ações de alguém sobre o bem-estar dos que estão em torno. A poluição é um exemplo clássico. Se uma fábrica de produtos químicos não paga todo o custo da fumaça que emite, ela tenderá a emitir demais. Neste caso, o governo pode aumentar o bem-estar geral através de uma regulamentação ambiental.</p>
<p>O exemplo clássico de uma externalidade benéfica é a criação de conhecimento. Quando um cientista faz uma descoberta importante, ele produz um recurso valioso que pode ser utilizado por outras pessoas. Neste caso, o governo pode aumentar o bem-estar econômico ao subsidiar a pesquisa básica &#8211; como de fato faz.<br />
 <strong>Lição para a crise: </strong>ok, aqui não vou fazer nenhuma piada. O negócio é segurar na mão do Obama e rezar. Mas, se você está confiando no marido da Carla Bruni, no autor da frase <em>“a crise virá só como uma marolinha”</em> ou no coitado do Gordon Brown, entre na procissão e reze também.</p>
<p><strong>8. O padrão de vida de um país depende de sua capacidade de produzir bens e serviços:</strong> quase toda variação nos padrões de vida pode ser atribuída a diferenças na <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/bid:74/lang:pt-BR/tags:produtividade/format:box">produtividade<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a> – isto é, a quantidade de bens e serviços produzida em uma hora de trabalho. Nos países onde os trabalhadores podem produzir grande quantidade de bens e serviços por unidade de tempo, a maior parte das pessoas tem um alto padrão de vida; nos países onde os trabalhadores são menos produtivos, a maior parte das pessoas vive com menor conforto.<br />
<strong>Lição para a crise:</strong> se até o país com a mais alta produtividade do mundo teve que montar um pacote de salvamento para sua indústria automobilística, a coisa deve estar feia mesmo.</p>
<p><strong>Bibliografia:</strong></p>
<ul>
<li><strong>Mankiw, N. Gregory.</strong><em> Introdução à economia: princípios de micro e macroeconomia</em>; tradução de Maria José Cyhlar Monteiro. Rio de Janeiro: Elsevier, 2001.</li>
<li><strong>Mendes, Judas Tadeu Grassi.</strong> <em>Economia: fundamentos e aplicações</em>. São Paulo: Prentice Hall, 2004.</li>
<li><strong>O´Sullivan, Arthur</strong>. <em>Introdução à economia: princípios e ferramentas</em>; tradução de Maria Lúcia G. L. Rosa. São Paulo: Prentice Hall, 2004.</li>
</ul>
<p>&#8212;&#8212;<br />
<strong>Alexsandro R. Bonatto</strong>, economista e com MBA em Gestão Empresarial, é professor universitário, instrutor e sócio da <a title="Conheça a Ventura Corporate" href="http://www.venturacorporate.com.br" target="_blank">Ventura Corporate</a>, empresa de treinamentos corporativos. Tem mais de 13 anos de experiência no mercado de crédito.</p>
<p>Crédito da foto para <a title="foto de stock.xchng" href="http://www.sxc.hu" target="_blank"><strong>stock.xchng</strong></a>.</p>
<!-- boo-widget start -->
          <script type="text/javascript">
            bb_keywords = "subprime";
            bb_bid  = "74";
            bb_lang = "pt-BR";
            bb_name = "custom";bb_limit = "7";bb_format = "bbc";
          </script>
          <script type="text/javascript" src="http://widgets.boo-box.com/javascripts/embed.js"></script>
          <!-- boo-widget end --><b>------</b><br>

Este artigo foi escrito por <b>Alexsandro Rebello Bonatto</b>.<br>

<br>

<div style="padding:10 10 20 10;margin-left:auto;margin-right:auto;background:#FAFFB6;"><img align="left" style="padding-bottom:10;padding-right:15px;" src="http://dinheirama.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/logo_dinheirama_rss_footer.jpg">Este artigo apareceu originalmente no site <a href="http://dinheirama.com/">Dinheirama</a>.<br/>A reprodução deste texto só pode ser realizada mediante expressa autorização de seu autor. Para falar conosco, use nosso <a href="http://dinheirama.com/contato">formulário de contato</a>. Siga-nos no Twitter: <a href="http://twitter.com/Dinheirama">@Dinheirama</a></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dinheirama.com/blog/2009/02/27/principios-de-economia-e-o-fantasma-da-crise/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O resgate de instituições e o problema do risco moral</title>
		<link>http://dinheirama.com/blog/2008/12/14/o-resgate-de-instituicoes-e-o-problema-do-risco-moral/</link>
		<comments>http://dinheirama.com/blog/2008/12/14/o-resgate-de-instituicoes-e-o-problema-do-risco-moral/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 18:59:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexsandro Rebello Bonatto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
		<category><![CDATA[mercado]]></category>
		<category><![CDATA[risco]]></category>
		<category><![CDATA[subprime]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dinheirama.com/blog/?p=1527</guid>
		<description><![CDATA[A necessidade de salvamento de várias instituições financeiras pelos governos americano e europeu trouxe de volta à discussão econômica um dos principais problemas apresentados pela teoria da informação assimétrica: o chamado risco moral. Com relação aos bancos, o risco moral se reflete, por exemplo, na seguinte questão: como os banqueiros têm certeza de que sempre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://dinheirama.com/blog/wp-content/uploads/2008/12/dinheirama_risco_moral.jpg" alt="O resgate de instituições e o problema do risco moral" hspace="2" vspace="2" align="left" />A necessidade de salvamento de várias instituições financeiras pelos governos americano e europeu trouxe de volta à discussão econômica um dos principais problemas apresentados pela <a title="Leia mais sobre a Teoria da Informação Assimétrica no Portal Administradores" href="http://www.administradores.com.br/artigos/apresentando_a_teoria_da_informacao_assimetrica/26724/" target="_blank">teoria da informação assimétrica</a>: o chamado <strong>risco moral</strong>. Com relação aos bancos, o risco moral se reflete, por exemplo, na seguinte questão: como os banqueiros têm certeza de que sempre serão salvos pelos governos de seus países, poderiam eles continuar arriscando o dinheiro dos correntistas e <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/bid:74/lang:pt-BR/tags:investidor/format:box">investidores<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a> em novas operações <em>subprime</em>?</p>
<p>Neste artigo vamos discutir e apresentar definições mais rebuscadas sobre o tema e discutir uma questão central do momento que vivemos: salvar instituições à beira da falência é interessante? Vale a pena? Que lições podem ser aprendidas com este debate? Em suma, o problema de risco moral existe quando a ação do Agente não é verificável ou quando o Agente recebe informação privilegiada após a relação econômica ter sido iniciada.</p>
<p>No problema de risco moral, os participantes têm a mesma informação quando a relação (transação econômica) é efetivada. Então, o problema de informação assimétrica surge pelo fato de que depois do contrato assinado, o principal não consegue observar e/ou monitorar perfeitamente as ações/esforços do Agente. As regras estão acertadas, mas o comportamento das partes muda bastante. Vamos entender?</p>
<p><span id="more-1527"></span>A partir da não-observação do comportamento de um dos Agentes, pode haver o incentivo para tomada de decisões que não respeitam o que foi determinado no contrato. Desta forma, os arranjos efetuados via sinalização ou filtragem perdem sua efetividade, à medida que um dos agentes passa simplesmente a ignorar as convenções estipuladas no acordo.</p>
<p><strong>O risco moral</strong><br />
 O termo risco moral foi originalmente utilizado no mercado de seguros para explicar o fato de que, em tal mercado, quando uma empresa ou pessoas se encontram plenamente seguradas, mas não podem ser meticulosamente monitoradas pela companhia de seguros (que dispõe de informação limitada), estas podem alterar seu comportamento após o seguro ter sido adquirido.</p>
<p>Em outras palavras, isto quer dizer que o segurado pode se expor a maiores riscos, aumentado a probabilidade de pagamento por parte da seguradora. O mesmo problema de risco moral enfrentado pelo mercado de seguros é observável em outras situações da <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/bid:74/lang:pt-BR/tags:investir+dinheiro/format:box">economia<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a>. Ou seja, ele sempre se manifestará quando um contrato, já assinado, represente partes que não possuem condições de acompanhar o comportamento ou as ações tomadas pelos outros envolvidos.</p>
<p>Segundo Kreps (1994), o problema de risco moral ocorre quando uma parte de uma transação pode tomar certas ações que (i) afetem o resultado obtido pela segunda parte, mas que (ii) a segunda parte não pode monitorar ou controlar perfeitamente. O exemplo apresentado por Kreps é de seguro contra fogo, onde o segurado pode ou não se preocupar adequadamente com o risco de um incêndio.</p>
<p>A solução seria a presença de incentivos, ou seja, estruturar transações onde a parte que toma as ações, em seu próprio interesse, agirá conforme o que a segunda parte preferiria. Conforme Mishkin (2000), o custo de monitoração do comportamento dos agentes é muito elevado, o que em última instância poderia inviabilizar a transação.</p>
<p><strong>Risco moral e informações privilegiadas</strong><br />
Outra forma de risco moral surge quando o agente detém informação privilegiada em relação ao principal. Encontramos, também neste caso, diversos exemplos na economia. Podemos citar o <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/bid:74/lang:pt-BR/tags:mercado+de+a%E7%F5es/format:box">mercado financeiro<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a>. Na presença de um emprestador de última instância ou de seguros de depósitos para bancos comerciais podem ocorrer problemas de risco moral.</p>
<p>Como? Ora, tanto por parte dos depositantes que não procurarão selecionar as instituições financeiras mais sólidas, quanto pelas instituições financeiras que expandirão seus créditos sem preocupação quanto aos riscos assumidos nas operações. Situação perfeitamente aplicável, aliás, ao cenário que se criou depois da falência do Lehmann Brothers &#8211; onde o Tesouro Americano foi obrigado a salvar várias instituições financeiras atingidas pelo <em>subprime</em>.</p>
<p>Surge outro problema: em uma situação de economia em recessão, mesmo que o governo identifique a excessiva presença de créditos ruins nos balanços dos bancos, ele não sabe avaliar até que ponto isto é devido à desaceleração econômica ou má gerência dos administradores. Esta é uma situação identificada por Rasmusen (1992) como sendo o risco moral com informação oculta.</p>
<p><strong>Risco moral nas relações trabalhistas</strong><br />
 Um dos melhores exemplos da presença de risco moral se dá no mercado de trabalho, onde dificilmente o empregador consegue avaliar ou acompanhar o nível de esforço de seus empregados. O fato é que se o esforço não pode ser medido, ele não pode ser incluído nas cláusulas do contrato assinado entre as partes e dessa forma não pode ser exigido pelo empregador.</p>
<p>Rasmusen (1992) também considera o mercado de trabalho com as seguintes definições:</p>
<ul>
<li>Se o empregador conhece a habilidade do empregado, mas não seu nível de esforço, o problema é de risco moral com ação oculta;</li>
<li>Se nenhum dos dois conhece a habilidade do trabalhador no início do relacionamento, mas o trabalhador descobre sua capacidade tão logo comece a trabalhar, o problema é de risco moral com conhecimento escondido;</li>
<li>Se o trabalhador conhece sua capacidade desde o início, mas o empregador não, o problema é de seleção adversa;</li>
<li>Se o trabalhador adquire suas referências em resposta ao salário oferecido pelo empregador, então o problema é de filtragem (“screening”).</li>
</ul>
<p><strong>O risco moral no mercado de seguros: um exemplo prático.</strong><br />
 A presença de risco moral leva à uma situação paradoxal para o mercado. No exemplo do mercado de seguros, o consumidor desejaria cada vez mais seguros e as empresas seguradoras estariam dispostas a vender mais, desde que o consumidor continuasse a tomar a mesma quantidade de cuidado.</p>
<p>Porém, este equilíbrio não acontecerá, pois, se o <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/bid:74/lang:pt-BR/tags:consumidor/format:box">consumidor<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a> for capaz de adquirir mais seguro, ele racionalmente escolheria tomar menos cuidado. Portanto, as empresas de seguros restringirão a quantidade ofertada, pois não conseguem, efetivamente, monitorar o comportamento do assegurado. Fazendo isto, a seguradora mantém parte do risco com o consumidor.</p>
<p>Arrow (1963) considerou a questão do risco moral para o <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/bid:74/lang:pt-BR/tags:bolsa+de+valores/format:box">mercado<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a> de seguros nas seguintes bases: se os indivíduos estão segurados contra riscos, eles não têm incentivos a agir evitando o risco. Se a informação fosse perfeita, então a apólice de seguro iria estipular as ações que poderiam ser realizadas e então não haveria problema de incentivos.</p>
<p>Mas as ações são, na melhor das hipóteses, imperfeitamente observadas, o que leva o indivíduo detentor de um seguro de automóvel a dirigir de forma mais arriscada do que o indivíduo que não possui tal seguro.</p>
<p>Assim, Stiglitz (1985) afirma que a provisão dada pelo seguro afeta a extensão de cuidado que os indivíduos vão tomar para evitar os sinistros, uma vez que a companhia de seguros não pode monitorar as ações dos indivíduos. Como já mencionamos, uma solução seria a aplicação de incentivos para que os indivíduos evitassem correr riscos, como descontos oferecidos na renovação do seguro por exemplo (os chamados bônus).</p>
<p>Portanto, sempre que houver a presença de risco moral haverá perda de eficiência, favorecendo que uma das partes da transação assuma comportamentos que prejudiquem a outra parte. Vale para um simples seguro de automóvel, quanto para uma extensa e complicada operação financeira.</p>
<p>Isso quer dizer que a decisão de salvar ou não uma instituição financeira da bancarrota sempre alterará o comportamento das demais instituições envolvidas no setor e/ou que negociem com o segmento. Logo, preservar bancos nem sempre implica num mercado financeiro mais saudável como querem as autoridades americanas e européias.</p>
<p><strong>Bibliografia</strong></p>
<ul>
<li>ARROW, K.J.. Uncertainty and the Welfare Economics of Medical Care. American Economics Review. v. 53, 1963, p. 941-73.</li>
<li>KREPS, David. A course of microeconomics theory. New York: Harvester Wheatsheaf, 1994.</li>
<li>MISHKIN, Frederic S. Moedas, Bancos e Mercados Financeiros. Rio de Janeiro: LTC, 2000.</li>
<li>RASMUSEN, Eric. Games and Information An Introduction to Game Theory. Cambridge: Blackwell, 1992.</li>
<li>STIGLITZ, Joseph E.. Information and Economic Analysis: A perspective. The Economic Journal v. 95. 1985, p. 21-41.</li>
</ul>
<p>&#8212;&#8212;<br />
<strong>Alexsandro R. Bonatto</strong>, economista e com MBA em Gestão Empresarial, é professor universitário, instrutor e sócio da <a title="Conheça a Ventura Corporate" href="http://www.venturacorporate.com.br" target="_blank">Ventura Corporate</a>, empresa de treinamentos corporativos. Tem mais de 13 anos de experiência no mercado de crédito.</p>
<p>Crédito da foto para <a title="foto de stock.xchng" href="http://www.sxc.hu" target="_blank"><strong>stock.xchng</strong></a>.</p>
<!-- boo-widget start -->
          <script type="text/javascript">
            bb_keywords = "subprime";
            bb_bid  = "74";
            bb_lang = "pt-BR";
            bb_name = "custom";bb_limit = "7";bb_format = "bbc";
          </script>
          <script type="text/javascript" src="http://widgets.boo-box.com/javascripts/embed.js"></script>
          <!-- boo-widget end --><b>------</b><br>

Este artigo foi escrito por <b>Alexsandro Rebello Bonatto</b>.<br>

<br>

<div style="padding:10 10 20 10;margin-left:auto;margin-right:auto;background:#FAFFB6;"><img align="left" style="padding-bottom:10;padding-right:15px;" src="http://dinheirama.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/logo_dinheirama_rss_footer.jpg">Este artigo apareceu originalmente no site <a href="http://dinheirama.com/">Dinheirama</a>.<br/>A reprodução deste texto só pode ser realizada mediante expressa autorização de seu autor. Para falar conosco, use nosso <a href="http://dinheirama.com/contato">formulário de contato</a>. Siga-nos no Twitter: <a href="http://twitter.com/Dinheirama">@Dinheirama</a></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dinheirama.com/blog/2008/12/14/o-resgate-de-instituicoes-e-o-problema-do-risco-moral/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Crise financeira: saberemos surfar a &#8220;marolinha&#8221;?</title>
		<link>http://dinheirama.com/blog/2008/12/09/crise-financeira-saberemos-surfar-a-marolinha/</link>
		<comments>http://dinheirama.com/blog/2008/12/09/crise-financeira-saberemos-surfar-a-marolinha/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 14:00:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Conrado Navarro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[crédito]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
		<category><![CDATA[investimento]]></category>
		<category><![CDATA[subprime]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dinheirama.com/blog/?p=1505</guid>
		<description><![CDATA[Você se lembra do que disse o Excelentíssimo Presidente de nosso país ao ser questionado sobre a crise econômica e seus efeitos na economia real do Brasil? Ah, e quem esqueceria tal frase, não é mesmo? “Uma marolinha”, assim Lula classificou os efeitos da crise quando (e se) esta chegasse por aqui. Blah, marolinha que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://dinheirama.com/blog/wp-content/uploads/2008/12/dinheirama_marolinha_economia_real.jpg" alt="Crise financeira: saberemos surfar a " hspace="2" vspace="2" align="left" />Você se lembra do que disse o Excelentíssimo Presidente de nosso país ao ser questionado sobre a crise econômica e seus efeitos na economia real do Brasil? Ah, e quem esqueceria tal frase, não é mesmo? <em>“Uma marolinha”</em>, assim Lula classificou os efeitos da crise quando (e se) esta chegasse por aqui. Blah, marolinha que nada: eu conheço pelo menos uma pessoa que foi demitida e/ou teve férias coletivas impostas pela empresa. Você também deve conhecer, certo? Isso não pode ser normal.</p>
<p>E não é. Setores como alimentos e bebidas, mineração, papel e celulose, telecomunicações, entre outros, já vivem significativa queda de lucratividade e resultados muito abaixo daqueles esperados pelos seus acionistas. Vendas são perdidas, contratos cancelados. Traduzindo, serão realizados menos <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/bid:74/lang:pt-BR/tags:investimento+dinheiro/format:box">investimentos<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a> nestas áreas fundamentais para o aquecimento da economia real. Isso mesmo, 2009 será um ano “apertado”.</p>
<p>Quer ver? O uso do lançamento de ações como fonte de financiamento produtivo e captação de recursos certamente vai continuar em ritmo lento. Com a volatilidade que marca o ano de 2008 (retorno próximo de 40% negativos), empresas com bom potencial de abertura de capital deverão esperar mais. Quem sabe em 2010?</p>
<p><span id="more-1505"></span><strong>É mesmo tão grave?</strong><br />
 Segundo levantamento realizado pelo jornal <a title="Visite o site do jornal Folha de S. Paulo" href="http://www.folha.com.br" target="_blank"><strong>Folha de S. Paulo</strong></a>, o total de investimentos produtivos adiados que foram anunciados por grandes empresas brasileiras somam, pelo menos, R$ 40 bilhões. Segundo o estudo, o valor se refere a companhias que admitiram estender cronogramas de seus projetos ou cancelaram empreendimentos após 15 de setembro, data da intensificação da crise (falência do banco Lehman Brothers). É muito dinheiro, não acha?</p>
<p>Em suma, projetos importantes de infra-estrutura e expansão industrial foram cortados e ainda serão revisados. Você, claro, deve estar pensando na queda do número de vagas disponíveis no mercado de trabalho. Também já deve estar preocupado com possíveis demissões decorrentes do enorme esfriamento da economia neste final de ano e nas previsões para 2009. Como <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/bid:74/lang:pt-BR/tags:investidor/format:box">investidor<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a>, você também deve estar preocupado com suas aplicações financeiras para o ano que chega.</p>
<p>Só para constar, outubro registrou apenas 61.400 novos empregos com carteira assinada no Brasil. Setembro, 282.800. Agosto, 239.100. Julho, 203.200. Imagine como ficariam estes números em um gráfico &#8211; não vou plotá-lo porque sua imaginação vai percebê-lo exatamente como uma marolinha. O Presidente acertou na mosca.</p>
<p><strong>O que dizem as pesquisas?</strong><br />
Lula conta com <a title="Veja pesquisa do Datafolha" href="http://datafolha.folha.uol.com.br/po/ver_po.php?session=787" target="_blank">70% de aprovação</a>, segundo pesquisa do <a title="Visite o site do Datafolha" href="http://datafolha.folha.uol.com.br" target="_blank"><strong>Datafolha</strong></a>. Espantoso, mas não surpreendente. Que presidente teria coragem de usar a expressão “marolinha” para definir efeitos de uma grave crise econômica? Isso para não abordar outras falas históricas. Ele é um brasileiro típico, que influencia pelo que é, não pelo que logra realizar enquanto figura número 1 da nação. Mérito dele, é claro. Intrigante, é claro. <strong>Eliane Catanhêde</strong>, articulista da Folha, completa:</p>
<blockquote><p>“O mesmo Datafolha que apurou os 70% de Lula completou a informação: 78% dos brasileiros estão otimistas e achando que a vida vai melhorar em 2009. Mais: 58% acreditam que serão pouco afetados, e 10%, nada afetados. Crise? Que crise? Os brasileiros, portanto, ainda acreditam em Papai Noel e que a crise é só uma marolinha, enquanto o tsunami devora 1,2 milhão de vagas em três meses e 533 mil num único mês nos EUA. E está vindo.”</p></blockquote>
<p><strong>Mas o brasileiro é um povo único&#8230;<br />
</strong>A crise se agravou e a popularidade do Presidente aumentou. Engraçado, porque quando a <a title="Visite o site da FGV" href="http://www.fgv.br/" target="_blank"><strong>FGV</strong></a> pesquisou o ICC (Índice de Confiança do Consumidor), em novembro, notou que a confiança é 15,2% mais baixa que a encontrada no mesmo mês do ano passado. O consumidor reconhece que a situação das <a class="bbli" href="http://boo-box.com/link/bid:74/lang:pt-BR/tags:cerbasi/format:box">finanças<img class="bbic" src="http://boo-box.com/bbli" alt="[bb]" /></a> da família não é tão favorável e concorda que comprar agora pode trazer problemas financeiros no futuro.</p>
<p>Seremos tão inteligentes e informados assim, a ponto de não incutir em Lula uma pequena parcela da culpa pelos problemas? Pudera, mas não creio. O número de entrevistados que acredita ser mais difícil arranjar um emprego nos próximos meses é mais de duas vezes maior que aquele que representa os que julgam ser mais fácil. Então o brasileiro sabe que algo não cheira bem e tem noção de que o perigo para a economia real já se instalou, mas ama seu representante porque ele é um &#8220;brasileiro de verdade&#8221;?</p>
<blockquote><p>“Tem horas que me sinto um dom Quixote. Às vezes me sinto sozinho tentando pregar o otimismo em uma coisa muito prática, que é fazer a economia girar” &#8211; <strong>Lula</strong></p></blockquote>
<p>Otimismo não faz mal nenhum. Aliás, é fundamental para que tenhamos automotivação e energia para superarmos os obstáculos do dia-a-dia. Mas doses excessivas de autoconfiança, especialmente nos líderes, podem causar a falsa sensação de que tudo vai bem. Fico com a impressão de que o Estado está cuidando de tudo, inclusive de nos induzir ao falso testemunho de que estamos felizes. Não estamos. Eu não estou.</p>
<p>A economia real desmorona lentamente ao redor de nossos lares e de nosso ambiente profissional. Mentira? O drama da recessão norte-americana pode chegar ao Brasil. Este artigo pode ser esquecido rapidamente &#8211; aliás, torço muito por isso. Tudo pode acontecer, mas para 2009 não parecem sustentáveis as garantias de crescimento do PIB e retomada do crescimento. No entanto, uma certeza se avizinha: a marolinha renderá ótimas ondas. Será que saberemos surfá-las?</p>
<p><!-- boo-widget start --></p>
<p>bb_bid = &#8220;74&#8243;;<br />
bb_lang = &#8220;pt-BR&#8221;;<br />
bb_name = &#8220;fixedlist&#8221;;<br />
bb_keywords = &#8220;TV LCD,investir dinheiro,cerbasi,PC,bolsa de valores,mercado de ações&#8221;;<br />
bb_width = &#8220;600px&#8221;;<br />
bb_limit = &#8220;6&#8243;;</p>
<p><!-- boo-widget end --></p>
<p>Crédito da foto para <a title="Foto de stock.xchng" href="http://www.sxc.hu" target="_blank"><strong>stock.xchng</strong></a>.</p>
<!-- boo-widget start -->
          <script type="text/javascript">
            bb_keywords = "subprime";
            bb_bid  = "74";
            bb_lang = "pt-BR";
            bb_name = "custom";bb_limit = "7";bb_format = "bbc";
          </script>
          <script type="text/javascript" src="http://widgets.boo-box.com/javascripts/embed.js"></script>
          <!-- boo-widget end --><b>------</b><br>

Este artigo foi escrito por <b>Conrado Navarro</b>.<br>

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: <a title="Siga o Navarro" href="http://www.twitter.com/Navarro">@Navarro</a>.<br>

<div style="padding:10 10 20 10;margin-left:auto;margin-right:auto;background:#FAFFB6;"><img align="left" style="padding-bottom:10;padding-right:15px;" src="http://dinheirama.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/logo_dinheirama_rss_footer.jpg">Este artigo apareceu originalmente no site <a href="http://dinheirama.com/">Dinheirama</a>.<br/>A reprodução deste texto só pode ser realizada mediante expressa autorização de seu autor. Para falar conosco, use nosso <a href="http://dinheirama.com/contato">formulário de contato</a>. Siga-nos no Twitter: <a href="http://twitter.com/Dinheirama">@Dinheirama</a></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dinheirama.com/blog/2008/12/09/crise-financeira-saberemos-surfar-a-marolinha/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>31</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

