1º de Maio: o dia o trabalho e sua riquezaAconteceu em Chicago, no dia 1º de maio de 1886, um grande protesto, onde trabalhadores foram às ruas reivindicar a diminuição da jornada de 13 horas de trabalho e melhorias nas péssimas condições laborais dentro das fábricas. A repressão a essas reivindicações resultaram em prisões e mortes. Três anos mais tarde, durante um congresso socialista em Paris, foi instituído o dia 1º de maio como dia mundial do trabalho para homenagear os trabalhadores mártires daquele dia. Tais informações constam do site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mais um 1º de maio se aproxima. Costumamos passar despercebidos por essa data e geralmente só a vemos como mais um oportuno feriado. Mas qual o significado do trabalhar? Cada um de nós encara sua atividade profissional de várias maneiras, oscilando entre realização e frustração, prazer e dor. Muitos pesquisadores e autores falam sobre essa atividade humana e trago para vocês alguns desses pontos de vista. Mais, proponho uma reflexão nesse 1º de maio: como você encara seu dia a dia no trabalho e o que ele representa em sua vida?

O trabalho sofreu grandes modificações no decorrer dos séculos, mas continua sendo uma grande experiência de vida e de relações sociais[bb]. Trabalhar não é apenas ganhar um salário no final do mês. É no trabalho que homens e mulheres se formam e são formados, um cotidiano altamente educativo, rico em aprendizagens. Para Marx, “o homem se define pela produção, por esse fato ele se distingue dos animais. Ao produzir seus meios de vida o homem produz indiretamente sua própria vida, material e espiritualmente”.

O que é trabalhar? “Trabalhar é gerir“, segundo o filósofo Yves Schwartz. Toda atividade, desde as mais simples às mais complexas, contém em seu centro a complexidade, e nós não percebemos isso. Atrás de um trabalho simples se esconde a sensibilidade dos gestos, das palavras, do cuidado, das tensões, das pressões internas e externas e das estratégias. É um saber fazer recheado de inteligência e subjetividade. Uma realidade também coletiva, onde deparamos com modelos contraditórios e aprendemos a arte de conviver.

Quando chegamos à empresa todo dia não nos damos conta de que faremos mais que cumprir procedimentos e atingir objetivos. Esse cotidiano contribui para construirmos e reafirmarmos nossa identidade[bb], onde valores e ética são testados. O uso de si dentro da empresa mobiliza capacidades, superação, decisões e criatividade. Trabalhar é testar nossos limites e fazer escolhas, nem sempre fáceis!

François Hubault apresenta o trabalho  como dois processos de valorização:

  • Valorização econômica: o sentido do trabalho para a empresa. Não podemos esquecer que é o trabalho que produz valor;
  • Valorização dos indivíduos: o sentido do trabalho para aqueles que realizam.

Dentro desses processos, alguns conflitos costumam surgir, principalmente a delicada questão salarial. Muitas questões permeiam o universo do trabalho[bb], algumas não muito agradáveis como o sofrimento, adoecimento, exploração, assédios e falta de interesse. Situações tão sérias que tem um impacto social e familiar muito grande, casos que acabam em afastamento do trabalho e aposentadoria precoce.

Christopher Dejours fala, em seu livro “A loucura do Trabalho”, sobre os sofrimentos pelos quais os trabalhadores passam durante o processo produtivo e seus estudos apontam caminhos para dias mais felizes e saudáveis dentro das empresas. Outro pesquisador importante nessa área é Yves Clot e sua Clínica da Atividade, onde profissionais e pesquisadores trabalham ativamente nas questões complexas do universo do trabalho e suas patologias.

O trabalho tem sido meu objeto de estudo há muitos anos. O tema é instigante e inesgotável. Estudos esses realizados com o objetivo central de compreender o trabalho e buscar melhorias na atividade cotidiana dos trabalhadores que atendo. Por essa vivência, gostaria de prestar nesse 1º de maio uma homenagem a alguns autores com os quais aprendo a conhecer o universo do trabalho e posso proporcionar dias melhores aos trabalhadores: Hanna Arendt, Marx, Dejours, Alain Wisner, Bruno Maggi, Yves Schwartz, Yves Clot, Paulo Freire, Acácia Kuenzer, Julia Issy Abrahão, Daisy Cunha e Laerte Idal Snelwar .

Desejo a vocês leitores um ótimo 1º de maio! Muitas realizações e transformações positivas em seu universo de trabalho! O dia é muito mais que um simples feriado. O trabalho é muito mais que uma simples atividade. Sucesso!

Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

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