Por Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial.

Caro leitor, desta vez darei um descanso ao mundo político macroeconômico e também ao corporativo. Volto a minha atenção ao clássico tomador de risco neste país: o empreendedor, este tipo tão incompreendido.

Se você é um participante deste grupo desprovido de compreensão por conta de mais de 30 anos da predominância do pensamento de centro-esquerda/esquerda que impera no nosso Brasil, atenção para o texto de hoje.

O foco das minhas reflexões será o empreendedor que se encontra desprovido de capital próprio para tocar a sua ideia e necessita do capital de terceiros, seja ele originado em um Venture Capital ou de investidores anjo. Você precisa de um Plano de Negócios (ainda que simplificado ou com outro nome), peça essencial para o êxito da captação.

Neste contexto, é redundante explorar sobre o quanto de efetividade e clareza devem estar expressos no documento que será elaborado. Ora, ninguém deseja projetar o seu negócio a partir de um Plano de Negócios ineficaz e sem sentido, mas por mais elementar que isso possa parecer, algumas armadilhas no momento de sua concepção podem resultar justamente no efeito contrário ao desejado.

12 erros que você deve evitar se quiser investimento para sua ideia

Já que existem inúmeras publicações que abordam como criar Planos de Negócios, mas quase nenhuma ou pouquíssimas que deixam claro o que não se deve fazer, decidi caminhar na contramão e exibir justamente o que deve ser evitado a todo custo:

  1. Ocupe um imenso espaço do conteúdo com informações subjetivas, retóricas e de entendimento abstrato do negócio;
  2. Não apresente uma tese clara de investimentos, explicitando objetivos e destinos claros, e nem se preocupe em detalhar o empenho deste capital pretendido;
  3. Preocupe-se em conceber um material extenso, com muitas e muitas folhas de papel, sem nem mesmo reservar um breve espaço para um resumo conciso e executivo do negócio. Sim, analistas dispõem de todo o tempo do mundo para avaliar uma incógnita;
  4. Não esclareça com bom detalhamento as memórias de cálculo;
  5. Não apresente um claro estudo de viabilidade econômico-financeira;
  6. Projete apenas por um único ano, no lugar de 5, 6 ou mais anos;
  7. Não se preocupe em abordar sobre as possíveis estratégias de saída de um potencial investidor;
  8. Não apresente as taxas internas de retorno;
  9. Não posicione o negócio no contexto que envolva concorrentes, mercados e segmentações;
  10. Conceba uma modelagem financeira engessada, que não permita a formatação de novos e adversos cenários;
  11. Dedique um bom espaço para a retórica politicamente correta nas empresas. Investidores adoram isso;
  12. Carregue no otimismo com as informações que apresentar. Neste caso, não se importe em expor fundamentações.

Você pode achar que tais erros são bastante óbvios e, portanto, fáceis de evitar. Infelizmente, não é isso que acontece. As sugestões dadas aqui são importantes para evitar a situação mais comum em uma rodada de apresentações de ideias: apresentações ruins, planos de negócios prolixos e falta de clareza.

Boa sorte com sua ideia e até o próximo! Abraços.

Foto “Drawing plan”, Shutterstock.

Plataforma Brasil
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