A situação financeira das famílias é preocupante. Com a inflação em alta e o crédito cada vez mais caro, muita gente está sofrendo na pele as dificuldades da trajetória econômica do país, calcada em forçar o consumo.

Ainda é comum quem, na necessidade de “fechar o mês” e conseguir arcar com as despesas, ainda use o cheque especial e o pagamento mínimo do cartão de crédito respectivamente como complemento de renda e facilidade financeira, ações quase automáticas que viraram um péssimo hábito.

Sabemos que quando as despesas são maiores que as receitas, é fundamental adequar o orçamento cortando na pele aquilo que não é fundamental para o momento – afinal, conviver todos os meses com gastos que estão fugindo do controle é sinal de que a saúde financeira vai de mal a pior.

3 atitudes que só pioram a situação financeira familiar

Para tentar entender como o brasileiro lida com essa situação, resolvi conversar francamente sobre o assunto com pessoas próximas, amigos e leitores que passam (ou já passaram) por sérios problemas financeiros. Alguns pontos me chamaram a atenção durante o papo:

1. Não manter um diálogo honesto e dedicado em casa

Vivemos em um período de muito movimento e agitação, com a maioria das pessoas assumindo diversos compromissos. Pós-graduação, aprendizado de outro idioma, happy hour, buscar e levar os filhos em suas atividades, para cumprir os prazos de tudo isso faz-se necessário uma dedicação extrema.

Que horas a família conversa, com a mesma dedicação e atenção? Já atendi casos de pessoas que, mesmo morando na mesma casa, só conseguem ter um papo mais sério pelo telefone, durante o dia (cada um em seu expediente de trabalho).

Se não existe tempo para conversar sobre assuntos mais triviais, imagine sobre dinheiro. O resultado é a falta de um plano compartilhado na família e a ausência de objetivos (prioridades), o que acaba convidando todos a agirem quase sempre por impulso na hora de qualquer decisão de consumo. O resultado? Endividamento.

Aqui mesmo publicamos um texto que fala sobre o dilema da individualidade no casamento (clique para ler).

2. Priorizar o ter em detrimento do viver

O dia tem só 24 horas e muita gente atravessa períodos enormes em uma rotina estafante para poder dar conta do mínimo. Para lidar com essa situação, boa parte das pessoas procura compensar tanto sacrifício com presentes caros para si mesmo e gastos acima dos limites do orçamento.

É uma tentativa de transformar a frustração causada pela perda dos bons momentos da vida e do desejo de ter mais tempo livre em um momento de satisfação, nem que isso signifique comprar, comprar e comprar.

Consumo sem planejamento como forma de inclusão social é simplificar a questão emocional a uma troca. E quem troca tempo livre e qualidade de vida por coisas, objetos de consumo, certamente só piora a situação: a aparente satisfação logo se transforma em mais angústia e ansiedade (a fatura chega!).

Temos um texto bem interessante que trata da necessidade de definirmos objetivos e aprendermos a priorizar as coisas importantes (clique aqui para ler).

3. Culpar o outro pela situação familiar atual

Outro fato comum que observei em muitos relacionamentos é a busca por um culpado quando a situação chega a um nível alarmante. Em vez de “meter o dedo na cara” do outro, que tal se perguntar primeiro “Como eu posso ajudar? Será que eu tenho feito diferente em relação ao dinheiro da família?”.

A questão é que ainda que exista alguém que contribua mais para agravar os problemas familiares, culpá-la perante a família dificilmente fará alguma diferença no dia a dia. É preciso resgatar o diálogo (item 1) e propor soluções práticas, sendo capaz de colocar-se à disposição e participar de forma ativa da tentativa de salvamento.

Será que existe um comprometimento em ajustar o orçamento da família, não buscando um culpado, mas dando o exemplo sobre como agir com o dinheiro? E se for preciso assumir e liderar, faça isso! Se existe carinho, admiração e amor, é preciso que tudo isso se converta em paciência, dedicação e atitude.

Em um relacionamento, mesmos os erros individuais devem ser encarados como um problema dos dois, afinal a resolução dos problemas passa pelo comprometimento familiar (de todos!).

Convido você a ler um texto que explica porque culpar o outro só piora a situação familiar (clique aqui).

Busque sempre o entendimento através da franqueza

Os amigos que conseguiram superar a situação perceberam, no decorrer do tempo, que a melhor maneira de superar as dificuldades é justamente valorizando a união. Em vez de “apontar o dedo”, o que realmente funciona é estender a mão, buscando juntos uma maneira de resolver o problema.

Durante os anos, percebemos que muitos casais que realmente se amavam e tinham tudo para viver um relacionamento feliz se perderam na medida que as finanças degringolaram. É preciso ter em mente que só amor não paga as contas – sem controle e planejamento, mais cedo ou mais tarde as dificuldades acabarão superando o bem querer.

Não espere a situação piorar! Minha sugestão é que você converse de maneira franca e desarmada com o(a) parceiro(a), de forma que fique claro que o objetivo principal é encontrarem, juntos, uma saída para o problema. Ah, e não tenha medo de cortar momentaneamente certos luxos – para manter um grande amor, o sacrifico vale a pena.

Conclusão

Pense que ao estender a mão, você escolhe uma vida diferente: revendo as prioridades e trabalhando melhor o tempo, inclusive para desenvolver um plano único para o futuro da família.

Recentemente, aqui mesmo no Dinheirama escrevi sobre casamentos e finanças, onde listei 3 pontos para o amor não acabar (clique aqui para ler). Espero que todos possam perceber que só o amor não é garantia de felicidade e que é preciso planejar bem seus atos e trabalhar os objetivos a dois com muita disciplina.

Você tem alguma história sobre casamento e dinheiro que deseja compartilhar? Alguma sugestão para lidarmos melhor com essa realidade? Deixe seu comentário no espaço abaixo. Obrigado e até a próxima!

Foto “Sad teens at bench”, Shutterstock.

Ricardo Pereira
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