Ontem eu estava em um evento incrível e passei a tarde ajudando jovens a ajustarem melhor suas ideias para empreender. Como sempre notei, o erro básico é a modelagem. E se você acha que é apenas entre eles, duas semanas antes dei aula em um MBA e o erro disparadamente mais cometido também foi de modelagem.

O que é modelagem em primeiro lugar? É quando você começa a fazer os ajustes no seu negócio para definir qual é a melhor forma de atender uma necessidade, de um determinado público, para resolver um problema específico. De um jeito ainda mais simples, modelagem significa ajustar a melhor maneira de liquidar com um problema.

A principal modelagem acontece no início, quando a ideia saiu da mente e a pessoa está querendo encontrar o jeito de começar a testá-la. Justamente por poucos recursos, necessidade, tempo e energia disponíveis, quanto mais assertivo, melhor – até porque isso pode ser fatal.

No entanto, nem sempre as pessoas levam tão a sério esse momento como deveriam e esse continua sendo o grande erro que vejo no início dos negócios: ajustar a forma mais adequada de começar.

Assim, resolvi listar três pontos essenciais para você ficar ligado na hora de modelar o seu negócio:

1. Ajuste de acordo ao problema e não ao que você quer fazer

É muito comum os empreendedores começarem a desenhar uma solução para o problema e se apaixonarem por ela. Assim, quando começam a trocar ideia com as pessoas e percebem que aquela solução não é a mais adequada para o problema, elas querem buscar outro problema para atender e não ajustar seu negócio ao problema.

Empreendedorismo é uma resposta ao problema, portanto sua chance de ter um modelo de negócio mais sólido parte de você estar com a linha central sempre em “Estamos resolvendo isso que nos propomos a resolver”?

2. Trabalhe tanto na ideia quanto na comunicação dela

Essa etapa é fundamental para você não sair por aí investindo seus recursos limitados em algo que, com um pouco de pensamento e bons feedbacks, seria evitado. A ideia é não desperdiçar recursos que devem ser destinados ao lugar certo.

Perceba que quando falamos de empreendedorismo já esperamos ter muitas dificuldades; quando falamos de startups, esperamos ainda mais dificuldades, portanto evitar grandes adversidades logo na largada pode ser vital para o seu negócio.

No entanto, o que muitas vezes acontece é que a pessoa trabalha forte no produto, na ideia, mas não pratica tanto a forma de se fazer entender. É muito comum ter uma ideia incrível e não conseguir mostrar isso – e aí desistir da ideia por achar que o mercado não a quer, não gosta dela ou que ela não faz sentido.

Para ter bons feedbacks e ver o que realmente as pessoas pensam, gostam ou odeiam você precisa ter uma comunicação muito precisa e bem-feita.

Leitura recomendadaComo iniciar um negócio com pouco capital

3. Corte, corte e corte

O maior erro (disparado) no início das startups é começar amplo demais. Nada chega nem perto disso. Normalmente, as pessoas pensam em resolver o problema de uma forma e criam diversas “coisinhas extras” para ajudar.

Quando você vai começar a empreender em startups, você já está promovendo uma solução diferente para um problema, e inicialmente a sua única busca deve ser pela validação da proposta, ou seja, se a sua solução é boa ou não.

Cada coisinha extra que você acha que pode ajudar os usuários a se manterem mais tempo com você (ou dar mais valor à sua empresa) pode confundi-los. E entre oferecer mais valor e confundi-los opte pelo simples, opte pelo valor. Sempre!

Você precisa saber se o seu jeito de resolver vai ou não ser útil, então foque seus esforços nisso. Aos poucos, enquanto vai ajustando e percebendo que sua maneira de resolver faz sentido, você vai implementando mais coisas.

Imagine sempre uma pessoa buscando sua startup: quanto menos opções ela tiver, mais fácil será para ela entender como funciona e se aquilo é bom ou não. Se você colocar algo mais, pode confundir o cliente, e ele corre o risco de não fazer ou experimentar o que deveria.

O Uri Levine, fundador do Waze, certa vez me disse que “o mais importante no início do negócio é saber o que não fazer”.

Conclusão

Quase todo o dia estou ajudando alguém a modelar um negócio e os três pontos citados neste texto são fundamentais para nortear as ações do empreendedor quando a modelagem for o desafio da vez. Do fundo do coração, espero que este material ajude a lapidar ainda mais (e melhor) sua ideia e sua capacidade de executá-la. Até a próxima!

Leitura recomendada5 motivos explicam porque os “malucos” são os mais amados (e bem-sucedidos)

Foto “Making plans”, Shutterstock.

Bruno Perin
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários