Como está seu casamento? A pergunta direta serve como um convite para evitar uma armadilha comum no começo do ano: deixar passar despercebido o fato de que a situação financeira pode comprometer o desenvolvimento da vida da família e a harmonia no lar.

Não estou dizendo que apenas uma boa gestão financeira é suficiente para manter o casamento, mas a experiência ao longo dos anos tem me mostrado o quanto ela é importante e frequentemente deixada de lado.

3 dicas para manter a vida financeira e o casamento em dia

Para ajudar nessa tarefa de melhorar a gestão financeira familiar, preparei 3 dicas fundamentais para que a falta de dinheiro não atrapalhe seu casamento. Vejamos:

1. Converse muito antes de decidir as prioridades da família

A expectativa negativa para a economia no início do ano é a oportunidade ideal para colocar na pauta da família o planejamento financeiro. É fundamental que o casal esteja alinhado quanto às necessidades e prioridades do lar.

Não é possível seguir com um casamento quando existem objetivos diferentes dentro de casa. Alinhar as questões de consumo mensal é importante, mas tudo passa pela definição do padrão de vida familiar, ou seja, enquadrar as despesas dentro das receitas da família.

Também é importante lembrar a definição das prioridades requer muita cautela e diálogo. É fundamental a manutenção da reserva de emergência para que em um futuro breve as dificuldades financeiras não atrapalhem a manutenção do padrão de vida.

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2. Comece a investir e aproveitar as oportunidades do mercado

Se a crise é um momento de muita atenção e cuidados, também é um período onde surgem grandes oportunidades. No Brasil, a alta de juros favorece os investimentos em renda fixa, oportunidade de ouro para os investidores que buscam rentabilidades razoáveis e segurança.

O fundamental é que as pessoas saiam da zona de conforto e estejam atentas, afinal de contas no Brasil muita gente não aproveita o que existe de melhor porque não está disposto a deixar de lado alternativas tidas como tradicionais para investir melhor em outros produtos.

O melhor exemplo disso é o grande número de pessoas que ainda investem na caderneta de poupança, mesmo no momento não sendo o investimento mais interessante (ela apenas empata com a inflação). Coloque no seu radar investimentos em títulos públicos (Tesouro Direto) e letras de crédito (LCI e LCA).

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3. Aposte na educação financeira para as crianças

Os adultos de hoje conheceram situações financeiras bem diferentes da atual no passado não muito distante. Boa parte dos adultos, durante infância e adolescência, conviveu com o período de hiperinflação das décadas de 80 e início de 90. Naquele período era fundamental o consumo rápido, já que a desvalorização do dinheiro era praticamente instantânea.

Quem viveu naquele tempo certamente se lembrará dos pais preocupados com problemas de abastecimento (gôndolas vazias eram comuns) e não existiam alternativas para pequenos investidores.

O tempo passou, o país melhorou e a situação hoje, mesmo em período de crise, não pode ser considerada nem de longe tão delicada quanto antes. Se o país avançou, muita gente continuou vivendo como se ainda estivesse naquele período: o consumo continua sendo feito rápido (e sem planejamento) e as oportunidades de investimento não são aproveitadas de forma inteligente.

Se antes a educação financeira era utopia, hoje ela é possível! Existem instrumentos suficientes para cuidar bem do dinheiro, seja com conteúdo gratuito espalhado pela Internet, em livros ou até mesmo nas escolas, que parecem ter descoberto a importância da matéria na vida dos alunos.

O fundamental é que os pais percebam isso rapidamente e comecem a viver essa realidade, não só nos discursos, mas principalmente nos exemplos dentro de casa. Como? Com consumo consciente, responsabilidade na utilização do crédito e boas escolhas nos investimentos da família.

Torço muito para que a nova geração tenha acesso ao diálogo financeiro dentro de casa, que o assunto seja tratado com naturalidade e responsabilidade. Quem sabe assim não consigamos criar uma nova geração de investidores e não de devedores, não é mesmo? Cuidando da educação (financeira) das crianças, a família cria um ambiente saudável e propenso para a manutenção da harmonia.

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Conclusão

A ingenuidade e o romantismo inicial de um relacionamento muitas vezes fazem com que as pessoas prefiram acreditar que o amor é o único ingrediente necessário para o sucesso de um relacionamento.

Infelizmente, para a maioria dos casais a história não é bem assim: o desgaste advindo da pressão por falta de dinheiro contamina mesmo amores que parecem inabaláveis. O melhor é acreditar e apostar sempre na gestão financeira de qualidade, já que o conhecimento da situação sempre proporcionará aos casais a chance de conquistar mais e com mais qualidade. Até a próxima!

Foto “Happy couple”, Shutterstock.

Ricardo Pereira
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