Guilherme comenta: “Navarro, já estão falando de PIB negativo de 2% em 2015 e retração também em 2016. Diante desse cenário tão complicado, como devemos investir? Dizem que é um momento importante para fazer investimentos inteligentes, mas não sei por onde começar ou o que querem dizer. Obrigado”.

Apesar de muitas pessoas negarem (especialmente aquelas ligadas ao governo), estamos, sim, passando por um momento de crise no Brasil. Inflação elevada, demissões, juros lá em cima e crescimento econômico prejudicado são as partes mais visíveis do problema atual. E ainda vem mais por aí.

Mas isso de maneira alguma deve ser motivo para você ficar desanimado com a vida, parar de investir ou achar que não temos possibilidades crescer e melhorar mesmo em tempos turbulentos.

A crise não é um momento de total retração em todos os setores e nem tampouco uma fase apenas de piora ou falta de oportunidades. Mesmo com a redução no consumo, alguns mercados crescem e o potencial para investimentos é grande. Este é o momento em que você pode se preparar para ganhar muito com bons investimentos.

3 investimentos para realizar mesmo em épocas de crise

A verdade é que temos atualmente muitos instrumentos e opções de investimento, mas é hora de ser objetivo e escolher aquelas que podem fazer a diferença quando o pior passar. As minhas sugestões são:

1. Invista em renda fixa

Talvez este seja um dos momentos mais oportunos para investir em renda fixa. Com as recentes altas da taxa básica de juros (taxa Selic), atualmente em 13,75% ao ano e com viés de alta (há quem fale em mais de 14% até o final do ano), os investimentos atrelados a ela têm oferecido excelentes rentabilidades.

Mas para isso é muito importante saber eleger com critério e conhecimento os investimentos que serão feitos. Por exemplo, mesmo com a alta da Selic, a poupança continua não sendo um investimento inteligente, pois a inflação está em patamares mais elevados que a rentabilidade da caderneta (9% ao ano no IPCA contra 7,2% de retorno na poupança).

Por isso, o mais inteligente a fazer é buscar investimentos em renda fixa que ofereçam ganhos reais (além da inflação) e custos baixos de administração/manutenção. Dentro desta linha, é bom evitar os fundos de renda fixa conservadores com taxas de administração acima de 1% e aproveitar para investir em títulos públicos (Tesouro Direto), Letras de Crédito (LCI e LCA) e títulos privados (CDB). Clique aqui para ver uma simulação entre boas opções na renda fixa.

2. Invista em ações

O momento de crise exige que você tenha sobriedade ao investir em ações, mas também atenção para as oportunidades, uma vez que existem ativos bastante depreciados e baratos. Para ter uma ideia, se observarmos o Ibovespa de forma dolarizada, veremos que o índice está no mesmo patamar de 2005 (10 anos atrás).

Neste momento, você deve focar sua atenção em ações de empresas sólidas, com baixo nível de endividamento (especialmente em dólar), resultados consistentes e com perspectivas interessantes. Além disso, é sempre bom manter um olhar atento aos bancos, que historicamente oferecem retornos interessantes e batem recordes de lucro ano após ano – você pode ser sócio deles.

No entanto, tenha calma. Se você não tem grande conhecimento sobre o mercado de ações, é pouco indicado que você invista grandes quantidades de dinheiro agora. Faça seus investimentos de forma gradativa e, principalmente, de maneira a aprender com sua própria estratégia.

Se quiser investir em ações, busque saber mais sobre a atual situação das empresas onde vai colocar seu dinheiro e, principalmente, busque entender bem como funciona o mercado acionário. Sugiro que leia este artigo do Ricardo Pereira sobre simuladores e também conheça este eBook gratuito para começar bem.

3. Invista em imóveis

Financiar um imóvel em uma época onde as taxas de juros sobem exponencialmente não é uma boa ideia. Este momento pode ser propício para quem tem uma boa quantia de dinheiro disponível para comprar o imóvel à vista. Financiar não é algo interessante agora (clique aqui para entender por quê).

Comprando à vista e negociando bastante, você pode fazer uma boa compra, adquirindo mais barato um imóvel que poderá se valorizar depois do momento de retração. Atenção: não estou dizendo que o mercado de imóveis está barato, mas que bons negócios sempre são feitos em épocas de crise.

O fato é que há muita gente precisando vender seu imóvel para dar conta de outras necessidades financeiras, e a crise faz com que esta decisão tenha que ser agilizada. Quem tem condições de comprar à vista geralmente aproveita estas ocasiões para diversificar e estruturar um portfólio de investimentos mais robusto e pensado no longo prazo.

Tenha em mente que investir em imóveis nem sempre é uma boa, ao contrário do que muitos pregam. Como qualquer compra, fatores de mercado (localização, custos, taxa de vacância, situação do país etc.) tem que ser levados em conta. Ainda assim, insisto: o momento pode ser bom para comprar um imóvel com bom potencial e por um preço abaixo do mercado, e dá para achar algo assim.

Conclusão

Crise não é tempo de se encolher e deixar de investir, mas sim de buscar e aproveitar as oportunidades que o momento complicado oferece (e elas não são poucas). O recado é bem simples: muita riqueza é construída a partir de decisões inteligentes tomadas em meio à crise.

Taxas de juros elevadas, ações baratas e imóveis que podem ser comprados e revendidos com lucro são três exemplos de como a crise pode ser interessante para quem se preparou e valoriza a educação financeira. De que lado você está? Vamos aproveitar? Até a próxima!

Foto “Money opportunities”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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