Há três semanas li um artigo do Ricardo Pereira no qual ele contava sobre um e-mail que recebeu de um leitor do Dinheirama pedindo para ser retirado da lista porque não conseguia “ajustar sua vida financeira”. Quando li o texto, aquilo me fez pensar em todas as pessoas que não acreditam serem capazes de assumir o controle de suas finanças.

Quando as pessoas se percebem no meio da confusão e se sentem sem poder para resolvê-la, é natural que queiram evitá-la. Mas conforme dito no artigo, evitar os problemas não fará com que desapareçam. Pelo contrário.

Fingir que eles não existem só fará o problema crescer e se multiplicar, até que a situação fique insustentável.

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Não tenha medo do escuro

Uma das principais razões que impedem as pessoas de organizarem suas finanças é o medo. Elas acreditam que o problema é grande demais e que não serão capazes de resolvê-lo. E, por isso, é melhor mantê-lo escondido nas sombras da desorganização.

O que é apenas uma percepção. Ao longo do meu trabalho, descobri que tudo aquilo que não conhecemos, seja sobre nossa vida ou sobre nós mesmos, parece muito mais desafiador do que realmente é. Mas ao colocar nossa atenção sobre a situação e ter curiosidade para entendê-la, percebemos que para todo problema, sempre existe uma solução.

E para ajudar nesse processo, quero compartilhar os três passos que uso com meus clientes para mudar a relação deles com o dinheiro e começar a economizar. São passos simples, mas que exigem reflexão. E que irão te oferecer vários insights sobre sua vida e suas finanças. Vamos ao primeiro passo?

Passo 1: Reconheça o que é essencial para você

Muitas pessoas gastam mais do que ganham porque não sabem o que realmente é importante para elas. Ou seja, elas se conhecem pouco. E assim não conseguem definir o que querem em cada área de suas vidas.

Sem saber o que quer, qualquer caminho serve.  E isso nivela todos os gastos por baixo, fazendo com que todos aparentem ser essenciais para sua vida.

Obviamente, nem todos são. E quando você sabe o que quer, pode identificar quais gastos te aproximam dos seus objetivos. E quais não. E assim consegue definir o que manter, reduzir ou eliminar.

Então, se você não tem objetivos definidos para cada área, comece imaginando como quer sua vida daqui a um, cinco e dez anos. Seja específico. Onde quer morar? Quanto quer ter de rendimentos? Quanto quer ter de patrimônio? Como quer sua carreira? E a sua vida pessoal, familiar?

Quanto mais específico for, mais fácil de transformar essa visão em objetivo. E esse objetivo em referência para ajustar o seu orçamento.

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Passo 2: Saiba o quanto realmente ganha por hora

Outro motivo que faz as pessoas gastarem sem controle é não saber o quanto realmente ganham por hora. Elas acreditam que ganham o correspondente ao salário líquido dividido pelo número de horas trabalhadas no mês. Mas a conta vai muito além disso.

Para ganhar o que ganhamos, temos custos. Não importa se você é empregado, empresário ou profissional liberal, você tem gastos para manter essa renda. Gastos para ir ao trabalho, como combustível, estacionamento e manutenções do veículo, por exemplo.

Gastos com sua imagem pessoal, como vestuário, salão, academia e por aí vai. E outros gastos como educação, assinaturas de revistas e etc. Ou seja, parte do que recebe é usado na manutenção dessa renda.

E, por outro lado, você também dedica a essa renda mais horas do seu tempo do que sua jornada formal. Por exemplo, as horas de almoço, que são suas, mas só existem em razão do trabalho. As horas que leva para ir e voltar do trabalho. As horas que dedica para estudar, ler e se manter atualizado. Tudo isso são horas do seu tempo que você precisa dedicar para a manutenção dessa renda.

Assim, para realmente saber o quanto ganha por hora você deve:

  • Abater da sua renda todos os gastos para manutenção da mesma;
  • Somar à sua jornada formal a quantidade de horas que dedica para manutenção da renda;
  • Dividir o valor obtido pelo total de horas.

Fazer essa avaliação vai mudar sua percepção sobre renda e torná-lo mais crítico no momento de gastar.

Passo 3: Saiba o quanto realmente trabalha para bancar os gastos

Agora que você já sabe o quanto realmente ganha por hora, poderá calcular o quanto tem trabalhado para bancar seus gastos e avaliar se quer continuar desse jeito.

Basta dividir os valores gastos em cada categoria e subcategoria pelo valor da sua hora de trabalho. E então comparar o número de horas entre as categorias, avaliando os valores em relação aos seus objetivos.

Esse é um passo importante. Mas para que funcione bem, é preciso que tenha seus objetivos bem definidos. Assim, além de avaliar o quanto de horas e recursos está dedicando a eles, vai poder escolher o que manter, reduzir ou eliminar da sua vida.

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Conclusão

O principal segredo para mudar sua relação com o dinheiro é perceber que tudo o que você gasta é fruto de uma escolha, mesmo quando você acredita que não está escolhendo ou que não há nada a escolher. Entender isso é assumir a responsabilidade por sua situação atual e adotar conscientemente novas atitudes que trarão os resultados que você deseja.

Então, que tal aplicar essas ferramentas e começar a mudar sua relação com o dinheiro?

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