Salve amigo leitor, tudo bem? Lá no comecinho da minha caminhada de educador financeiro, nos primeiros passos do “Café com Finanças”, gravei um vídeo tratando desse ponto tão sensível: consumismo e saúde financeira, pelo qual tive muitos retornos positivos de pessoas que se identificaram com essa questão.

Como é algo que jamais devemos esquecer, gravei um novo vídeo aqui para o Dinheirama com esse tema e, claro, resolvi complementar com esse texto.

Vídeo recomendado3 Perguntas (simples) podem transformar sua vida financeira para sempre

É fato que todos nós, em maior ou menor grau, queremos ter coisas bacanas – e não há mal nenhum nisso. O que você não deve é se tornar escravo das coisas, momento em que elas passam a ser mais importantes do que todo o resto e, por conta disso, prejudicam sua família e saúde financeira.

Foi justamente observando pessoas e famílias em frangalhos por causa do descontrole orçamentário, quando constatei que “o buraco era mais embaixo”, que percebi que há um enorme viés emocional a ser resolvido muito antes de se falar de planilhas e investimentos. Assim, resolvi estudar psicanálise e começar minha jornada como “educador do dinheiro”.

Muita gente me pergunta espantado: “Psicanálise e finanças”? Sim! Somos animais instintivos, passionais, e antes de mergulhar em planilhas, aplicativos e longas dissertações sobre investimentos, percebi que precisava conhecer de perto o âmago da mente humana, para depois, só depois, falar sobre dinheiro.

Nossa saúde financeira é resultado direto de quão evoluídos e bem resolvidos somos emocionalmente. Há uma vertente que fala de “Economia Comportamental”, mostrando que o tema “mente humana e dinheiro” começa a ganhar força.

Contudo, como é corriqueiro, são novas marcas para velhos produtos. As “fugas”, geradas pela frustração, podem se manifestar de muitas maneiras, desde comer em excesso até gastar mais do que ganha. Isso se manifesta de maneiras diferentes em cada pessoa, mas o que importa no final é o “comportamental” antes de todo o resto.

Mas não se preocupe, caro amigo, não vou recomendar terapia logo de cara (risos). Existem algumas “ferramentas psicológicas” para dominar essa fera que vive dentro de você. Perguntas simples cuja finalidade é “driblar” o impulso e “convocar” seu lado racional.

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Caso dê uma “googlada”, vai encontrar muitas variações dessa técnica, cada qual com seus méritos. A mais conhecida são as “5 perguntas” que eu, por motivos que vou explicar, reduzi para três. Sem mais delongas, todas as vezes que sentir o impulso de comprar algo, pergunte a si mesmo:

  1. Eu preciso?
  2. Eu posso? (Pagar à vista?)
  3. Eu devo?

Cada uma dessas perguntas tem um propósito específico de criar barreiras racionais para o consumo por impulso. A primeira, embora seja óbvia, poucas vezes (quase nunca) é motivo de reflexão – nós sequer pensamos nela. Se a realidade fosse outra, a indústria que vive da rápida obsolescência de seus produtos teria dias muito mais difíceis.

Não é o que vemos, uma vez que raramente avaliamos a necessidade real das inúmeras coisas que compramos ao longo do ano. Acredite amigo, se o iPhone 5s ainda está nas lojas e funciona perfeitamente bem, você não precisa do 6s, por mais que tente se convencer disso. Não podemos confundir necessidade com vontade.

A segunda pergunta é a barreira sequencial caso a primeira falhe. Puramente matemática, caso minta para si “criando uma necessidade”, ter ou não recurso financeiro para aquela compra deveria (no cenário perfeito) ser razão mais do que suficiente para não comprar.

Perceba que se trata de ter de fato o dinheiro, e não crédito para tal. Esta é uma técnica disciplinar que evoca o poder real e tem como objetivo derrubar a utopia criada pelas “parcelas que cabem no orçamento” (até não caberem mais).

Por fim, a terceira pergunta deveria ser o golpe de misericórdia em qualquer impulso consumista que burle as duas primeiras. Você já ouviu expressões como “você pode roubar, mas você não deve”? Aqui é a mesma coisa: se você já se “convenceu” de que precisa e “pode”, resta saber se você deve.

Muitas coisas corroboram para saber se você deve ou não fazer algo, desde questões íntimas até questões macroeconômicas, como evitar gastos desnecessários em época de crise, por exemplo.

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No fim das contas, em minha adaptação dessa teoria, só duas perguntas são realmente relevantes: as duas que tratam da necessidade real e da capacidade financeira. A terceira, embora seja a “chance derradeira”, é facilmente respondida de forma emocional.

Volto a dizer que você deve ser frio e rigoroso quando se trata de suas necessidades; convenhamos, o mundo beira o colapso dado o sem-número de “coisas” que se acumulam nos lixões, oceanos, rios e etc. Coisas que só foram “inventadas” porque há quem as compre, mesmo sem precisar.

A indústria vive disso, de “criar necessidades”, pelo simples fato de que as pessoas realmente compram essa ideia. Pior que isso, compram coisas que sequer sabem usar. Veja o exemplo recente das telas de alta resolução, as tais 4K; a resolução Full HD não chegou nem na adolescência e já lançaram telas com 4 vezes a resolução das antecessoras que, por sua vez, já tem sucessoras de 8K.

Importante dizer que a maioria absoluta das pessoas nem chegou a explorar os recursos de sua TV Full HD. Eu conheço gente que possui esses aparelhos e os subutilizam, conectando-os em fontes de imagem de baixa resolução. Quer mais? Essas mesmas pessoas já compraram uma TV 4K e fazem questão de anunciar isso.

O cerne de tudo isso é: pare durante o ato de consumo para “conversar consigo mesmo”. Esse simples hábito tem um papel fundamental de “esfriar” as emoções e refrear os impulsos. Sabe aquela história de “dormir no problema”? Não discutir com as emoções à flor da pele? Não fazer compra no supermercado quando está fome? É exatamente isso!

Vendedores são doutrinados para não dar tempo para o consumidor pensar, porque se o fizerem, sabem que diminuem consideravelmente a chance de a venda concretizar-se, principalmente em aquisições de alto valor, como carros e imóveis. Então, durma no consumo!

Mesmo que você se esqueça de fazer as três perguntas, volte para casa, pense em outras coisas e, no dia seguinte, analise se aquela compra ainda faz sentido. Acredite amigo, é mágico!

Ah, antes que eu me esqueça, não caia naquele papo de que “são as últimas unidades” ou a “promoção é só para hoje”; estas são ferramentas criadas justamente para não deixar você usar sua razão.

Antes de me despedir, você se lembra que eu falei que muitos falam em 5 perguntas? Pois bem, as outras duas seriam: “Eu quero?” e “Eu mereço?”.

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Não preciso dizer o motivo de eu ter reduzido a três, certo? Afinal, não precisa ser um gênio para entender que todo mundo, por mais que diga o contrário, “quer tudo” e acredita que “merece tudo”. Sob um olhar mais técnico, são perguntas que tem pouca chance de trazer o impulso à luz da razão, pois falam direto com seu lado emocional. Todos querem, todos merecem!

Então lembre-se: antes de sua próxima compra, questione-se! E, se tudo mais falhar, durma no consumo! Um abraço e até a próxima.

Renato De Vuono
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