Natanael comenta: “Navarro, todo mundo está falando que o ano de 2015 será também de baixo crescimento, mais inflação e aumento de impostos. Diante disso, parece que o desemprego vai subir e lidar com as finanças pessoais ficará ainda mais complicado. Como evitar a ruína financeira diante de tanta notícia ruim? Que sugestões você dá neste sentido? Obrigado”.

Começar o ano ouvindo o recém-empossado ministro da Fazenda, Joaquim Levy, falando em “possíveis ajustes” nos impostos causa arrepios, confesso. Não tem jeito, nossa já elevada carga tributária vai ganhar mais fôlego com a volta de algumas tarifas e o reajuste de outras. A inflação também seguirá elevada. A conta fica, é claro, para mim, para você, para todos os cidadãos brasileiros.

Os reflexos da economia estagnada e do alto nível de endividamento das famílias se dão de forma mais acentuada nas contas pessoais, na diminuição da confiança e consumo e, principalmente, na sensação de perda de poder de compra. Ainda que o nível de renda tenha subido (pouco), a percepção é o que de fato move as pessoas, e ela não anda muito boa já faz tempo.

5 dicas para manter seu dinheiro blindado em 2015

O segredo diante de um ano de desafios é criar um compromisso com as próprias finanças, ou seja, garantir que o orçamento familiar será uma prioridade respeitada e compartilhada por todos em casa. Se você ainda não criou condições de investir, sugiro que preocupe-se basicamente com cinco coisas neste ano:

1. Gastar menos do que ganha

Tida como a regra básica das finanças pessoais, gastar menos do que ganha é uma escolha que tem relação direta com o estilo de vida que você deseja criar e manter com o apoio da educação financeira. Se quer realizar seus sonhos de forma sustentável, este talvez seja o único jeito certo para isso. Pode demorar, mas funciona!

Em um ano de incertezas, não é bom exagerar em nada. Gastar seu dinheiro com besteiras e ultrapassar seu limite de receitas só tornará as coisas mais complicadas – lembre-se que os juros andam subindo e usar dinheiro emprestado será sinônimo de dever mais (o crédito está mais caro).

O recado é claro: viva de acordo com suas possibilidades. Simples assim. Não pense que isso é um demérito ou motivo de piada, pelo contrário, é razão de orgulho, respeito e inteligência financeira. Cuidar com diligência do tão suado dinheiro é a atitude mais óbvia e menos praticada hoje em dia. Faça sua parte por ai.

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2. Criar uma reserva para emergências

Eu sou bem chato com este ponto, admito. Só no último ano eu devo ter falado disso umas 10 vezes, no mínimo. Vou falar de novo: ninguém pode garantir a tranquilidade futura do emprego, da renda ou da vida; nós não conseguimos prever ou adivinhar, mas conseguimos nos preparar.

A reserva para emergências é seu passaporte para a manutenção do padrão de vida diante de uma fatalidade. Você pode ser demitido, já pensou nisso? Seu cônjuge pode ser demitido, não pode? O que dizer de um problema grave de saúde que requeira recursos financeiros? Eventos inesperados ocorrem a todo instante, mas podem ser mitigados com planejamento.

Uma reserva de emergências bem feita pressupõe que você poupe e guarde o equivalente a pelo menos 10 menos de renda líquida familiar. Parece muito? Aos poucos, com disciplina e foco, todo cidadão inteligente e que preza a família consegue juntar este montante. Comece agora mesmo!

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3. Evitar o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito

Tudo que é fácil costuma custar caro. A comodidade tem seu preço e vivemos no país que possui uma das mais altas taxas de juros do mundo. Ou seja: usar o cheque especial e/ou o rotativo do cartão de crédito significa assumir uma dívida com juros que variam de 7% a 14% ao mês (140% a 260% ao ano). Insano!

Lembre-se que o ano de 2015 não será bacana e tranquilo. Assim, encare seu saldo no banco de maneira séria e fiel, não contando com o limite do cheque especial como parte disponível para gastos – este valor deve ser encarado como um colchão para emergências que precisa ser usado em casos especiais e pago rapidamente.

Também é saudável diminuir o número de cartões de crédito na carteira. Dois cartões são mais do que suficientes para organizar os pagamentos (um vencendo no dia 15 e outro no dia 30). Mais do que isso e você estará criando o terreno ideal para o descontrole financeiro.

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4. Preferir o pagamento à vista

Sabe aquele óbvio pensamento popular muito antigo que diz “Tem dinheiro, compra! Não tem, não compra”? É melhor que em 2015 seja assim. Negocie maiores descontos sempre que for comprar algo e faça questão de preparar-se antes, juntando dinheiro e pesquisando melhor as alternativas, lojas e preços disponíveis.

Dessa forma você garante que seu limite financeiro será respeitado e que as compras que abusam do crédito serão deixadas para outra hora – quando você tiver o dinheiro para fazê-las pagando à vista. Sempre gosto de lembrar que uma boa compra pressupõe um preço justo aos olhos de quem compra, portanto o poder de negociação e barganha está sempre do lado de quem tem dinheiro.

5. Proteja suas receitas e busque alternativas de renda extra

Por fim, é fundamental valorizar sua profissão, trabalho e sua fonte atual de renda. Muitas empresas ameaçam demitir como parte de seus planos de adequação ao cenário econômico desfavorável (o setor industrial já começou, por exemplo) e, neste sentido, apenas os melhores e mais dedicados profissionais terão espaço.

Buscar fontes alternativas de renda também é uma decisão interessante em um ano desafiador como o de 2015. Coloque aquele talento até então mantido apenas entre amigos e familiares para funcionar, mas de modo simples e barato até testar o mercado e seu potencial.

Seu tempo livre pode ser usado para assistir televisão ou para tentar alavancar as finanças de forma temporária para garantir um ano mais tranquilo para o bolso, a decisão é sua. A consequência dela também.

Conclusão

Sim, é fato que o ano de 2015 será de desafios para diversos setores da economia, para nós, cidadãos, e também para o governo. Mas este não é nosso primeiro ano difícil (está ai 2014 que não me deixa mentir, para ficarmos na história recente) e tampouco será o último. Faz parte.

Ah, sim, faz parte, mas você faz a sua parte? O alerta deste artigo é no sentido de criar em você a necessidade de mudar sua relação com as finanças. Passe a encarar o cotidiano financeiro com mais seriedade e atenção e o desenrolar do ano certamente será mais tranquilo do que pinta o noticiário especializado por ai.

Aproveito para convidá-lo a também compartilhar decisões que você usará para blindar seu dinheiro neste ano. Use o espaço de comentários mais abaixo ou o Twitter para mantermos este papo – sou o @Navarro por lá. Obrigado e até a próxima.

Foto “Protect your money”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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