Um dia antes de escrever este texto, estava conversando com um amigo. Alguns acontecimentos da história recente dele podem nos servir de lições importantes sobre finanças e empreendedorismo.

Há pouco mais de um ano, este meu jovem amigo passou por algumas turbulências em sua vida pessoal, como resultado de um relacionamento matrimonial rompido. Como não tinha filhos, preferiu mudar de cidade e recomeçar tudo.

Na sua “nova velha cidade” (ele voltou para sua cidade natal, para morar temporariamente com os pais), ele precisou enfrentar algo novo: dar um jeito de gerar a sua própria renda.

Ele estava acostumado a trabalhar como empregado, mas apesar de ter uma boa formação profissional (dois cursos superiores), não conseguiu emprego em nenhuma de suas áreas de especialização. Aliás, já na antiga cidade onde morava, tinha um emprego sem qualquer relação com seus diplomas.

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O negócio e as decepções

Ele se aconselhou com alguns de seus conhecidos, e optou por começar um trabalho de revenda de revistas e livros de uma editora, que trabalha apenas com canais de venda de porta em porta.

O conteúdo destas publicações era realmente muito bom. Eu mesmo comprei 3 livros e fiz uma assinatura de uma revista mensal. Mas logo ele começou a experimentar algumas dificuldades.

Para começar, ele não tinha um horário fixo para trabalhar. Ele precisava administrar sua própria agenda, estabelecendo sua rotina de trabalho. Seu humor passou a controlar o seu dia. Quando acordava animado, saia logo cedo para vender. Quando estava desanimado, “enrolava” na casa dos pais, fazendo algumas tarefas domésticas. O tempo ia passando (e dinheiro acabando).

Também tinha dificuldades para administrar o fluxo de caixa do novo trabalho. Alguns pagamentos eram realizados por seus clientes de forma parcelada, no cartão de crédito, e ele precisava administrar o recebimento futuro destes valores, além de considerar os custos das tarifas adicionais no preço final do produto.

Por vezes gastava mais do que podia e não tinha dinheiro para repor os materiais vendidos. Resultado: perdia vendas e piorava ainda mais seu fluxo financeiro.

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Mais frustrações e a desistência

Em uma de suas vendas, foi furtado na casa do cliente. Num momento de desatenção, percebeu que seu smartphone havia desaparecido da mesa. Havia quatro pessoas na casa, e ele não soube administrar aquela situação. Ele se irritou, perdeu a venda e ainda foi mal interpretado pela vizinhança. Foram vários dias de desmotivação e desgaste emocional

Sem carro, tinha certa dificuldade em carregar na mochila todo o material para amostras, que era pesado. Reclamava bastante disso.

E para finalizar, em alguns casos o material que vinha pelos correios e transportadoras, por algum motivo, não chegava aos clientes, e ele passava por grande estresse para administrar este pós-venda. Terminava por ressarcir seus clientes do próprio bolso, sem conseguir receber nem da publicadora, nem da transportadora.

Após me contar tudo isso, disse que há duas semanas havia desistido daquele trabalho. Iria procurar um emprego, onde pudesse entrar às 8h e sair às 18h, sem ter que se preocupar com o restante. Será que irá conseguir?

Extraindo 5 lições importantes

1) Um diploma não garante mais um emprego

Foi-se o tempo em que fazer um curso superior garantia um bom trabalho. Com raras exceções, precisamos ser muito cautelosos com os investimentos que fazemos em educação. O dinheiro aplicado em conhecimento deve fazer parte de um plano que envolva seu retorno integral, além de uma geração futura de renda. Estudar por estudar, sem planejar, não tem muita serventia.

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2) Nunca foi e nunca será fácil você iniciar um empreendimento

A escola tradicional nos educa para sermos empregados e não “patrões”. E como tal, ficamos viciados num sistema medíocre, onde nos preocupamos com o horário de entrada, de saída, e em não levar “broncas” do chefe. Ao empreender, você experimentará dores que não conhecia, e passará a respeitar muito mais os seus gestores e os donos do negócio, pois conhecerá um pouco dos problemas que eles administram em quase todo o tempo.

3) Aprenda a administrar suas finanças pessoais antes de administrar o dinheiro de sua empresa

Se já é difícil receber um salário, distribuí-lo ao longo do mês, suprir as necessidades e ainda separar um montante para investir, imagine gerir o fluxo de caixa de uma empresa, com varias datas de pagamento de fornecedores, transportadores, vendedores, prestadores de serviço e clientes?

4) Entenda bem todo o fluxo do seu negócio, desde a pré-venda até o pós-venda

Você pode ser um excelente vendedor, mas se o resultado final sob a ótica do cliente for uma experiência negativa (ainda que não seja sua culpa), seu negócio está fadado ao fim. Seu cliente é o termômetro e também o seu maior aliado nas vendas futuras. A avaliação dele tem um peso muito relevante para os futuros compradores.

5) Empreender não é para todos

A cada dificuldade que aparece, um verdadeiro empreendedor enxerga uma oportunidade de melhoria, de aprendizado, e não de estresse ou motivos para desistir. Empreender é ser persistente, é resolver múltiplos problemas ao mesmo tempo, é liderar, é suportar, é testar seus limites vez após vez, e continuar, firme, avançando.

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Conclusão

Você pode empreender, mas se tiver a mentalidade de um simples empregado, é muito provável que você não colha bons frutos do seu negócio (isso se ele durar). Por outro lado, se você trabalhar como empregado, mas tiver a mentalidade de um empreendedor, é muito provável que você se transforme no próximo líder da sua equipe.

O fato é que tudo começa nos seus pensamentos, que depois irão guiar suas decisões, que por fim irão se transformar em ações; portanto, cuidado com aquilo que você pensa. Abraços e até a próxima!

Giovanni Coutinho
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