Daniela comenta: “Navarro, o final de ano está chegando e eu já comecei a ficar angustiada porque não consegui implementar as mudanças desejadas em minha vida financeira ao longo de 2014. Na verdade, fiquei um pouco perdida em metas ousadas e nada mudou. Que dicas simples você pode oferecer para que o ano de 2015 seja diferente neste aspecto? Obrigada”.

O momento é ideal para reflexões acerca das metas definidas no começo do ano e seu atual estágio de realização. Você se lembra das promessas feitas há cerca de um ano? Quantas delas você foi capaz de cumprir? Em relação ao seu dinheiro, o que mudou de lá para cá? É bem provável que você tenha feito algum progresso, mas não tanto quanto gostaria. Calma, isso é normal.

Promessas são vagas, e portanto tendem a falhar no seu propósito de motivar. Sonhos são mais interessantes, mas muitas vezes são tão surreais que fica difícil traduzi-los. O ideal é transformar os desejos em objetivos e estes objetivos em pequenas prioridades (ou metas), itens que você pode realizar dentro de um horizonte curto de tempo (aliás, falei sobre isso em um artigo que você pode ler clicando abaixo).

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5 maneiras de economizar e respeitar seu dinheiro em 2015

O fato é que lidar com o dinheiro não costuma ser uma prioridade real nos lares brasileiros. De forma geral, o orçamento familiar é algo importante e reconhecido, mas frequentemente deixado de lado diante da chance de consumir via crédito e pagamento parcelado.

O cenário econômico atual preocupa e já são muitos os brasileiros que se veem mais endividados e sem perspectivas, o que nos traz ao ponto central deste texto: a necessidade de testar e experimentar ações simples no cotidiano a fim de trazer mais consciência em torno do planejamento financeiro familiar.

Abaixo listo cinco maneiras de enxergar o dinheiro com mais carinho e responsabilidade, acompanhe:

1. Não compre na primeira vez em que ver o produto

Somos seres emocionais! Por mais que tentemos refutar esta realidade, o resultado será sempre o mesmo: compraremos a partir de uma “fagulha emocional”, ainda que a negociação seja feita de forma racional e coerente com as condições financeiras familiares. Ah, isso quem diz não sou eu, mas muitos anos de estudo de uma área chamada Psicologia Econômica.

Já que é assim, a melhor coisa a fazer é aceitar essa realidade e usar simples artifícios para lidar com ela. Experimente não comprar o produto desejado quando se deparar com ele pela primeira vez. Vá para casa, durma e espere o dia seguinte. Se você simplesmente não dormir por conta do que acabou de ver, então compre sem medo. Pois é, com 99% das coisas você simplesmente acordará e seguirá sua rotina sem a necessidade de comprar aquilo que viu no dia anterior.

2. Saia mais vezes sem o cartão de crédito

O cartão de crédito é uma ferramenta de pagamento, uma forma de reunir contas a pagar em uma única data. De certa forma, é um instrumento muito interessante porque permite a concentração dos pagamentos e favorece a organização em termos de fluxo de pagamentos, mas seu uso é confundido com “dinheiro grátis”.

Usar o cartão de crédito de forma descontrolada não significa que você é especial (termo usado para explicar porque o seu limite de crédito é tão alto); significa apenas que você terá uma fatura caríssima para quitar dentro de alguns dias.

Logo, se você é do tipo que não sabe usar o cartão de crédito da maneira correta, ou seja, pagando sempre a fatura em dia, simplesmente evite utilizá-lo. Deixe-o em casa e use apenas o dinheiro corrente e o cartão de débito. Em outras palavras, se não tiver condições de comprar algo, não compre. Ponto.

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3. Defina um objetivo financeiro plausível e compartilhe-o com a família e amigos

Sabe aquela viagem que você tanto quer fazer, mas que acaba sempre adiada porque você gasta o dinheiro antes da hora? Pois é, é bem possível que você seja o único a saber desta viagem e que isso não gere em você o sentimento de compromisso forte o suficiente para evitar o consumo desnecessário.

Compartilhe seus objetivos financeiros com as pessoas que importam e transforme-as em “cobradores de sonhos”. Ao abrir o jogo sobre seus planos financeiros, você será capaz de contar com a “cobrança” de pessoas queridas, o que funcionará como um lembrete do que você quer fazer e manterá o tema em sua cabeça por mais tempo.

Ao contar seus objetivos, você terá uma responsabilidade compartilhada e pessoas querendo saber se você está sendo capaz de atingir o que um dia desejou. Mais do que isso, você estará cercado de pessoas querendo comemorar o dia em que você atingir as metas estabelecidas.

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4. Arrume sua casa (e sua vida)

Aposto que você não sabe ao certo quanta coisa guarda em sua casa. Roupas, acessórios, eletrônicos, livros, itens de consumo pessoal, é provável que seus armários estejam cheios de produtos novos e usados que você não usa (e não pretende usar) há muito tempo (meses, até anos). Estou exagerando?

Aproveite que a época de promessas e mudanças está chegando e separe um tempo na agenda para arrumar suas coisas. Por arrumar entenda dispender energia abrindo, organizando e separando tudo que encontrar (gavetas, criados, prateleiras, armários, estantes, tudo precisa ser analisado). E, sim, arrume também sua vida, olhando e refletindo com carinho sobre seu trabalho, relacionamentos, escolhas e etc.

Este exercício será útil para duas coisas: primeiro, você terá noção do quanto de coisas é capaz de acumular sem usar, sentimento muito útil para mudar sua noção de desperdício (isso o tornará automaticamente mais consciente em relação aos gastos); segundo, você estará pronto para o próximo passo dessa lista, que é abrir mão do que tem para ajudar quem precisa e abrir espaço para mais conquistas (isso o deixará alerta para a importância de planejar suas futuras decisões).

5. Doe o que estiver sobrando e também seu tempo

Ao arrumar suas coisas, se você for como a maioria dos brasileiros, sua conclusão será a de que são muitos os itens que podem ser doados e/ou vendidos. Você provavelmente tem coisa demais e gastou muito dinheiro comprando coisas sem necessidade, apenas para impressionar seu círculo de amizades. Calma, isso acontece bastante.

Este texto pretende resgatar em você o respeito ao dinheiro, certo? Pois bem, nada mais educativo que organizar a própria bagunça e encontrar nela inúmeros produtos e bens que podem servir a outras famílias. É hora de encontrar pessoas que precisam do que você tem e ajudá-las.

Você vai doar o que estiver sobrando e tudo aquilo que você não usa mais, e vai fazer isso pelos outros, mas também por você. Repare que ao encampar o ato de doar e ser útil aos demais oferecendo algo que você possui ou sabe fazer, o aprendizado maior será sempre seu. Experimente e entenda o que quero dizer.

Conclusão

O final de ano chegou e com ele surge a hora ideal para realinhar objetivos e atitudes para a tão sonhada transformação financeira. Aproveite a energia e a motivação deste período mágico do ano para afastar o fantasma da procrastinação e finalmente experimentar as cinco ações listadas aqui.

Você perceberá que lidar com o dinheiro não requer planilhas mágicas nem tampouco conhecimento específico, mas apenas reconhecer que somos falíveis e, mais do que isso, egoístas quando consumimos. Repare que tudo que eu escrevi não é novo, e você provavelmente já considerou agir dessa forma. Por alguma razão, não o fez. Que tal começar agora?

Se você quiser completar esta lista, fique à vontade. Use o espaço de comentários abaixo ou mande sua mensagem diretamente para mim no Twitter – sou o @Navarro por lá. Será um prazer manter contato. Abraços e até a próxima.

Foto “Better 2015”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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