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5 Pontos sobre Títulos Públicos que Você Deve Saber

por Sandra Blanco
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Como vem aumentando o interesse dos investidores em aplicar em títulos públicos, além de estarmos recebendo muitas mensagens sobre como aplicar no Tesouro Direto, quais os títulos mais indicados e sobre suas vantagens e desvantagens, escrevi este post para ajudá-lo a selecionar e entender melhor os investimentos em títulos públicos.

1. Diferença entre títulos prefixados e pós-fixados

Títulos prefixados

Os títulos prefixados são aqueles que o investidor conhece já no momento da aplicação o rendimento total que vai receber na data do vencimento. Por exemplo, um título com remuneração prefixada de 10% ao ano, se o investidor deixar o dinheiro aplicado durante um ano, receberá 10% de rendimento sobre o capital investido no final do período.

Títulos pós-fixados

Os papéis com remuneração pós-fixada funcionam de maneira diferente: o investidor só conhece de fato o rendimento que vai receber no momento do vencimento. É o caso de títulos que remuneram conforme a variação de algum indicador, como a Selic ou o CDI. Mas como os indicadores utilizados para remuneração de títulos de renda fixa variam pouco, é possível já ter uma ideia de quanto você ganhará no final do investimento.

Títulos com remuneração mista

Também existem alguns papéis que remuneram o investidor de maneira mista, ou seja, parte da rentabilidade é prefixada e a outra é pós-fixada. Um bom exemplo são as NTN-Bs que têm seus preços atualizados pelo IPCA mais juros prefixados de +6% ao ano.

2. Precificação diária

Em 1999, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), entidade que regula o mercado de capitais, publicou uma instrução determinando que os títulos de renda fixa, tanto públicos como privados, passassem a ser marcados a mercado. Isto quer dizer que o valor do título tem seu preço atualizado todos os dias de acordo com as condições do mercado.

A precificação diária possibilita que o investidor conheça o valor atual do seu título, ou seja, o preço que poderia negociá-lo naquele momento já sabendo o ganho ou prejuízo.

Oscilações dos títulos e o impacto na careira do investidor

Os títulos prefixados apresentam maior oscilação de preços. Quando a taxa de juros no mercado sobe, esses produtos se desvalorizam e quando os juros estão em tendência de queda os títulos se valorizam.

Porém, se o investidor pretende permanecer com o papel em sua carteira de até o vencimento, não precisa se preocupar com a variação dos preços, pois na data de vencimento receberá o rendimento acordado no momento da compra.

3. Diferenças e público-alvo de cada título

Os principais títulos públicos negociados no mercado atualmente são quatro:

  • Letras Financeiras do Tesouro (LFTs);
  • Letras do Tesouro Nacional (LTNs);
  • Notas do Tesouro Nacional – série F (NTN-F);
  • Notas do Tesouro Nacional – série B (NTN-Bs).

LFTs

As LFTs são títulos pós-fixados com remuneração atrelada à Selic, a taxa básica de juros da economia. São considerados ativos livres de risco, pois não possuem risco de mercado, ou seja, de variação negativa de preço, como acontece com os títulos prefixados. Isso significa que, no caso dos títulos pós-fixados, a possibilidade do governo não honrar seus compromissos é muito baixa.

Por essa razão, as LFTs são indicadas para investidores muito conservadores ou para os momentos em que a tendência para a taxa de juros é de alta no curto e médio prazo.

LTNs e NTN-Fs

As LTNs e as NTN-Fs são títulos com características muito similares: ambos são prefixados e não possuem prazos de vencimento muito longos. A diferença entre eles é que as NTN-Fs pagam cupons semestrais, ou seja, os juros a serem pagos ao investidor são divididos em pagamentos periódicos.

Atualmente as LTNs e as NTN-Fs com prazos mais longos vencem em 2018 e, por isso, o preço destes títulos oscila menos do que o preço de títulos com vencimentos mais distantes. Assim, as LTNs e as NTN-Fs são mais indicadas para momentos em a perspectiva para a taxa de juros é de queda.

NTN-Bs

As NTN-Bs são títulos pós-fixados, mas que possuem um componente prefixado. Elas pagam ao investidor IPCA+6% de juros e possuem datas de vencimento diversas, variando, no momento, de 2014 a 2050.

Os títulos mais longos são mais sensíveis às variações das expectativas sobre os juros e, por isso, são mais indicados para quem tem como objetivo a aposentadoria e pretende mantê-los até o vencimento.

Também são títulos indicados para quem busca especular os movimentos dos juros com títulos de renda fixa. Para isso é preciso possuir bastante conhecimento sobre o assunto, se dedicar mais e ter mais tempo disponível.

4. Diferentes meios para se investir

Tesouro Direto

O investidor pode comprar e vender títulos públicos através do site do Tesouro Direto por intermédio de uma corretora de valores ou de um banco.

Fundos referenciados DI

Quem deseja investir em LFTs pode fazê-lo também através de fundos referenciados DI, que têm suas carteiras de investimento constituídas por esses títulos.

Se a taxa de administração for inferior a 1% ao ano, os fundos DI são uma ótima maneira de investir indiretamente nestes papéis. Os fundos DI também são indicados para investir as reservas de emergência, já que, além de serem produtos seguros, a liquidez é diária.

Fundos de renda fixa e fundos multimercado

Quem deseja investir em LTN, NTN-Fs ou NTN-Bs, além do Tesouro Direto, pode investir através de fundos de renda fixa ou fundos multimercado, sendo que é mais fácil investir nestes títulos através de fundos, já que o momento e o prazo dos títulos são fatores relevantes na decisão de escolha e no caso dos fundos quem decide isso é o gestor.

Os fundos de renda de fixa podem ter gestão passiva, quando apenas acompanham a variação dos preços dos títulos, ou ativa, quando o gestor se posiciona de acordo com as expectativas do mercado, ou seja, há uma equipe qualificada e dedicada capaz de decidir quais são os melhores títulos para se investir e os melhores momentos para comprar ou vender.

Muitos fundos de investimento multimercado investem em títulos públicos, sobretudo NTN-Bs, sendo que sua gestão é sempre ativa, com objetivo de potencializar a rentabilidade, aproveitando as oportunidades e distorções dos preços dos títulos.

5. Taxas cobradas

Para aplicar em títulos públicos através do Tesouro Direto o investidor paga taxa de custódia e corretagem. Já se aplicar através de fundos de investimentos, a taxa paga é a de administração, que serve para arcar com despesas do fundo e remunerar o gestor pelo seu serviço.

Como já comentei, para fundos de renda fixa passivos, não aceite pagar taxas de administração acima de 1%, pois não há necessidade para este caso e isso comprometerá sua rentabilidade.

Em se tratando de fundos ativos multimercado, busque fundos que cobrem taxas de administração entre 2% e 4%, o que é um valor justo. Acima disso, mais uma vez, comprometerá sua rentabilidade.

Para quem quer investir em títulos através de fundos

Por enquanto, você não consegue negociar títulos públicos diretamente através da Órama, mas possuímos tanto fundos que fazem gestão ativa destes papéis, como o Órama GAP Absoluto, como fundos passivos, como Órama DI Tesouro Master, que compra LFTs, e o Órama Inflação, que investe em NTN-Bs com prazos de vencimento mais curtos.

Investir em títulos através de fundos é mais conveniente para o investidor e no médio prazo (entre três e cinco anos) os resultados são similares. Qualquer dúvida, fique à vontade para entrar em contato comigo através do canal “Fale com a Sandra”, no site da Órama.

Nota: Esta coluna é mantida pela Órama, que contribui para que os leitores do Dinheirama possam ter acesso a conteúdo gratuito de qualidade.

Foto “Accounting”, Shutterstock.

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