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A alta das commodities, os investimentos e você

A verdade é que a inflação em alta no cenário mundial muito tem a ver com a elevação do preço das chamadas commodities

por Ricardo Pereira
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A alta nos preços das matérias primas, especialmente nos últimos anos, transformou as empresas Vale (VALE3) e Petrobrás (PETR4) nos maiores expoentes da Ibovespa.

A verdade é que a inflação em alta no cenário mundial muito tem a ver com a elevação do preço das chamadas commodities.

A pergunta que se faz no momento é até que ponto podemos classificar esse mercado? Será que ele subirá ainda mais? E melhor, ainda se pode lucrar com esse boom?

Vale e Petrobrás

As principais blue chips brasileiras são verdadeiros fenômenos de público e crítica. Tomados os últimos anos, tais ações são as estrelas da ascensão do mercado de capitais no Brasil. Veja um exemplo prático da rentabilidade de um destes ativos: o investidor que aplicou R$ 1.000 em ações da Petrobras há 3 anos, hoje tem algo em torno de R$ 3.600.

Ano de volatilidades

2008 será lembrado como o ano da volatilidade – de momentos de euforia que rapidamente tornaram-se períodos de extremo pessimismo. De certa forma, pode-se concluir que ainda é possível lucrar com investimentos diferenciados e com boas oportunidades no mercado de commodities.

As questões macroeconômicas no mundo não se alteraram tanto. Isto é, a demanda continua alta e a produção não dá sinais de que rapidamente será aumentada. Enquanto no primeiro semestre de 2008 o petróleo teve sua cotação valorizada em 48%, as ações da Petrobras subiram apenas 5,2%.

Outro exemplo marcante: o preço da cotação do minério de ferro subiu 65% em 2008, mas os papéis da Vale se desvalorizaram 5,2%. Essas informações, alem de algum estudo acerca dos fundamentos de ambas as empresas, nos levam a crer que as ações das duas empresas estão relativamente baratas.

“Mesmo que os preços das principais commodities, como petróleo, aço e grãos, oscilem no curto prazo, há espaço para novas altas, pelo menos enquanto a oferta e a demanda mundial não voltarem ao equilíbrio” (Paschoal Paione – Quest Investimentos)

O raciocínio aqui é justamente apostar, destinando parte de seus investimentos a empresas que poderiam se beneficiar, já no curto prazo, da oscilação do preço dessas matérias primas. É justamente nos momentos de crise que se encontram boas (talvez as melhores) oportunidades.

De acordo com recente reportagem da revista Exame, ainda existem outras boas chances de investimento em mercados altamente promissores:

Siderurgia

  • Prós: produção do mercado interno está no limite graças à grande procura. Empresas do setor tendem a se valorizar;
  • Contras: setor dependente do mercado interno. Ações de contenção ao crédito, como a alta dos juros, podem desaquecer a economia e paralisar o setor.

Alimentos

  • Prós: produtos com maior facilidade para exportação e de fácil readequação conforme a demanda;
  • Contras: pessimismo na economia mundial pode contaminar o setor, freando novos negócios e aquisições que tendem a criar empresas com potencial de crescimento no exterior.

Uma outra oportunidade, esta sim para o investidor mais experiente e disposto a correr maiores riscos, é o mercado de derivativos. Ainda segundo a revista Exame, os poucos fundos que aplicam no mercado de futuros e na BM&F já apresentam resultados robustos.

O Sparta Cíclico, fundo da gestora Sparta que aplica em sete commodities, já conseguiu resultados superiores a 1.000% em menos de 3 anos de funcionamento. Vale lembrar, mais uma vez, que mercado de derivativos é um ambiente sofisticado, destinado a investidores estudiosos e que suportem maior risco.

Chego à conclusão de que ainda existe margem para bons ganhos com o mercado de commodities, sobretudo ao observar os índices de crescimento que a China e os demais países em desenvolvimento apresentam, o que garante procura por alimentos e matérias primas usadas na produção. E isso vai se refletir ainda mais em nosso mercado de capitais.

Tenha um ótimo final de semana e aproveite para indicar o Dinheirama para seus amigos. Até a próxima.

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Ricardo Pereira é consultor financeiro, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.

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