Home Economia e Política A caixa de Pandora foi aberta, e a economia demora para engrenar

A caixa de Pandora foi aberta, e a economia demora para engrenar

por Alvaro Bandeira
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Pandora foi a primeira mulher criada por Zeus da mitologia grega e a “caixa” na verdade era um jarro dado a Pandora, que continha todos os males do mundo. Pandora abre o jarro deixando escapar todos os males do mundo, menos a esperança”.

Parece que deixaram escapar todos os males do mundo nesses últimos tempos e o fato anda influenciando a tendência dos mercados de risco. Contudo, como temos afirmado, o pano de fundo é bastante positivo, seja no que tange ao crescimento econômico global, na boa performance das empresas espalhadas pelo mundo ou ainda na redução do risco geopolítico. Mas é fato que os mercados não conseguem deslanchar.

O Dow Jones ainda está negativo em 2018 em pouco menos de 1,0%, Nasdaq consegue subir cerca de 4,0% e a bolsa de Londres mostra queda de 3,6% (base 24/04/2018). Na B3 (segmento Bovespa), o fluxo de ingresso de recursos de investidores estrangeiros já foi de mais de R$ 10 bilhões em fins de janeiro, e agora, depois de ter ficado negativo, recuperou um pouco e atinge R$ 3,3 bilhões. No ano, acumula alta de cerca de 13% (86.400 pontos), depois de ter batido recorde histórico acima de 88.300 pontos.

Os males que saíram da caixa de Pandora

Bom então que males saíram da caixa de Pandora? Os EUA do beligerante Donald Trump parecem ter deflagrado início de guerra comercial, ou quanto mais não seja criando atritos para diferentes lados, ao invés de resolver seus problemas bilateralmente com a China.

Com isso, pode ter criado clima de protecionismo, xenofobia e nacionalismo; o que certamente não é positivo para o comércio transnacional e recuperação da economia global. Muito embora o risco geopolítico com a Coreia do Norte tenha declinado bem nos últimos tempos, as tensões prosseguem em relação à Rússia com a Síria e esse quadro comercial.

O Brexit continua sendo problema de difícil resolução principalmente quando se trata de fronteiras duras com as Irlandas. Além disso, agora é a vez da Itália (depois de Angela Merkel ter passado por isso na Alemanha) não conseguir formar seu gabinete de governo. Tendo o partido radical cinco estrelas como fiel da balança. Não bastassem as tentativas da Catalunha de obter independência, a União Europeia segue questionada e a orça do euro.

Preocupação: o comportamento dos juros americanos

Porém, o que mais causa estresse no momento entre os investidores é o comportamento dos juros americanos, e numa perspectiva mais abrangente, a política monetária de países desenvolvidos que pode se tornar mais restritiva.

Nos últimos dias, os investidores notaram posicionamento mais duro de membros do FOMC do FED sobre a elevação dos juros, com críticas ao achatamento da curva de longo prazo e com os juros mostrando alta. O patamar de juros de 2,90% para os treasuries de dez anos foi rompido, quase atingindo 3,0%, desequilibrando o câmbio e commodities, e por via de consequência o mercado acionário.

E o Brasil?

No Brasil, além de sermos receptáculo desses males externos, ainda temos que conviver com processo político conturbado e fundamentalmente com a absoluta e total ausência de mudanças ou reformas que coloquem ordem na economia.

O problema não é exatamente o ano de 2018 que aparentemente já está dado. A situação se complica em 2019 se não forem feitas rapidamente a reforma da Previdência e consolidação fiscal. Sem isso, o teto de gastos e a regra de ouro (se não for mudada) não serão cumpridos. Pena que o que ficou dentro do pote de Pandora foi a esperança. Essa pode se esvair, caso o novo presidente não seja um reformista e, sim, um populista.

Por mais incrível que possa parecer, ainda acreditamos que a recuperação econômica global prosseguirá e isso induzirá melhor precificação dos ativos espalhados pelo mundo, e no Brasil não será diferente. Entendemos o momento como oportuno para formação de posições em ativos de mais longo prazo para retorno, até por conta de juros em queda no mercado local direcionando recursos de maior vulto para renda variável.

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