Durante muito tempo em nossos comentários e artigos falamos da “tempestade perfeita” pela qual o Brasil passava. Economia em desaceleração. Inflação alta, desemprego em forte ascensão, nível de endividamento crescente e déficit fiscal enorme; sem contar todos os problemas mais que explicados do déficit da previdência social.

Pois bem, essa fase, está pelo menos para o momento, ultrapassada. Mas isso não significa que tivemos a “chave do paraíso” que dará acesso a um país melhor. Temos sim uma melhora de curto prazo que o governo está se encarregando de alardear, mas estamos ainda bem longe de ter um movimento consistente e duradouro.

É bom dizer isso, pois a tendência dos brasileiros e, principalmente de nossos políticos é de relaxar diante de qualquer melhora, por menor que seja e de achar que está tudo resolvido. Mas não, não está.

Déficit os números são preocupantes

Ficamos perplexos quando ouvimos a afirmação do ministro Henrique Meirelles de que o déficit de 2017 de R$ 124,4 bilhões menor que a meta (a meta de déficit de 2017 e 2018 está em R$ 159,0 bilhões) pelo segundo ano é a mensagem importante.

O ministro omitiu, que depois de muitas mudanças, essa meta de déficit simplesmente dobrou. Comemorar déficit de R$ 124,4 bilhões parece certo exagero, semelhante àquela história de tirar o “bode da sala”.

Igualmente, há enorme preocupação com o déficit do INSS de R$ 182 bilhões em 2017, ou ainda o déficit total da previdência incluindo servidores públicos de R$ 269 bilhões. Choca a aceleração disso ao longo do tempo, e muito mais as críticas, com contas mágicas, de que tal déficit supostamente não existiria.

Eleições 2018 no radar, o governo vai elevar os gastos?

Ora, o governo não é bobo e seus técnicos e economistas que estão cuidando de nossos números mostram extrema competência, como os casos do presidente do Bacen e a secretária do Tesouro. Porém, não podemos esquecer que já abrimos o processo eleitoral para sucessão de Temer e, tradicionalmente, em ano de eleição o governo tende a ampliar gastos.

Mesmo considerando que 2018 já nasce melhor que 2017 em termos de PIB (pode efetivamente expandir até 3,0%), ainda assim seria preciso trabalhar com enorme cuidado.

É bom que o governo defina logo os contingenciamentos no orçamento e de forma bem dura para demonstrar que quer melhorar as contas. Mas isso, assim como a suspensão dos empréstimos pela Caixa Econômica para Estados e Municípios, pode soar muito mal para os políticos que querem ter suas emendas aprovadas.

Sim, precisamos da reforma da Previdência

Estamos focados na aprovação de uma reforma da Previdência que nasce “liliputiana” e perdemos o foco de outras mudanças importantes como a simplificação fiscal, reoneração da folha de pagamento e congelamento de reajuste de servidores.

Convém lembrar que nessa semana o presidente da Argentina, Macri, conseguiu congelar os salários de altos funcionários da administração pública e enxugar a máquina do Estado.

No Brasil, ao contrário, todos os dias somos bombardeados por notícias de acúmulo de benefícios de servidores públicos e diferentes “auxílios”, sem que o governo indique que queira efetivamente mudar esse status quo.

Reformas necessárias para o país

Queremos reafirmar com isso que não existe situação sustentável para o Brasil que não passe por uma postura francamente reformista.

Claro que isso irá levantar a ira de muitos e fica praticamente impossível pensar isso em ano de eleições majoritárias. Paciência, mesmo assim teria que ser feita, sob pena de não conseguirmos manter essa melhora dos últimos seis meses em praticamente todos os indicadores de conjuntura.

A hora é de dizer a verdade com todas as letras e de reformas estruturantes profundas. E já fazendo o link com os mercados, isso seria essencial para que os mercados reagissem com consistência, propiciassem o crescimento e desenvolvimento prolongado do país.

Dale Carnegie dizia: “Lembre-se: hoje é o dia de amanhã que tanto lhe preocupava ontem”.

Alvaro Bandeira
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