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A compra do carro e as desculpas esfarrapadas

Comprar um carro é uma atitude realmente inteligente? Você sabe avaliar o impacto desta decisão em seu dia-a-dia?

por Conrado Navarro
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Hoje vamos falar de um assunto que causa bastante polêmica entre as famílias brasileiras, especialmente aquelas dominadas por pessoas com certo imediatismo e que adoram aproveitar sua “liberdade” financeira para participar do consumismo presente no dia-a-dia do país: será que um segundo carro, ou a troca imediata de um novo por outro modelo, são atitudes inteligentes? Isso pode ser considerado investimento?

Tratar da compra de um automóvel é assunto que sempre me traz muitos problemas. Por que? Ora, a matemática aplicada aos recursos disponíveis pelas famílias comprova, em muitos casos, que a compra do carro não é uma atitude saudável. Em alguns casos, tal gasto não é sequer necessário. Mal termino de demonstrar os efeitos da compra e os ruídos começam.

A fala ensaiada “Mas o crédito hoje em dia facilita a compra do carro. Afinal, agora podemos parcelar usando juros mais baixos e através de prestações também mais em conta” é uma das preferidas dos jovens loucos para ter um carro. O apelo “Usar o transporte público e andar de bicicleta são atos que envergonham meus filhos e acho que as prestações cabem em nosso orçamento” também é comum. Certo, mas o que fazer? Como encarar a situação?

É possível deixar as emoções de lado?

Sofro muito mais com o aspecto emocional, com a repercussão e expectativa, que com as contas e cálculos financeiros. Você, ser humano como eu, vive do mesmo jeito. Assim, é sempre muito fácil refutar as hipóteses e modelos de orçamento propostos por aqueles que optam por adiar a realização de um sonho. É fácil falar que poupar é bom, especialmente quando não vivemos na pele o desejo de consumir.

Então isso significa que quaisquer provas matemáticas que usarmos para ilustrar a potencial evolução patrimonial existente nas famílias que aceitam deixar de lado o consumismo serão meramente um exercício? Tomara que não. Aliás, ainda bem que não. A discussão sobre a aquisição ou não do carro atingiu em cheio o leitor Valdemar Engroff.

Primeiro carro? Segundo carro? Como assim?

Permita-me contextualizar os exemplos e o raciocínio. Você tem um carro novo e decidiu comprar outro carro logo em seguida? Mesmo que use o seu carro como entrada, está incutindo na compra de um segundo veículo. Segundo porque você já se esforçou para ter outro, já teve gastos e depreciação. Segundo porque fica a dúvida: será que vale a pena fazer a troca?

Ah, sim, você pode querer aumentar a frota e estacionar mais um automóvel em sua garagem. Deixando as emoções e as razões sociais e subjetivas que o fizeram entrar no novo negócio, este texto pretende alertá-lo no sentido de analisar a questão sob a ótica do planejamento financeiro futuro, do investimento para o futuro.

A história do leitor

Valdemar comprou um carro em 2003 e logo em 2004 já o trocou por outro modelo zero-quilômetro. Naquela época, decidiu anotar parte dos gastos que o automóvel começou a lhe trazer, criando uma extensa planilha com informações de abastecimento e manutenções. Hoje, quatro anos depois, ele se questiona sobre a real necessidade da troca. Hoje, ele tem objetivos.

A conclusão é que ele gastou uma bela grana nestes quatro anos (mais de R$ 20 mil se contabilizadas despesas gerais, combustível, impostos e manutenção), além da depreciação do primeiro carro (que ainda era novo) e do esforço em poupar para completar a diferença para o novo modelo adquirido um ano depois. Será que valeu a pena? Com a palavra, Valdemar:

“Confesso que estou ficando desanimado, pois, desde outubro de 2004 até o dia 29 de agosto deste ano (última abastecida), adquiri exatos 5.825 litros de gasolina (cerca de R$ 15 mil). Fico imaginando: se este valor tivesse sido aplicado com foco, em um produto financeiro, como renda fixa, previdência privada ou ações, quanto teria hoje?”

A consciência financeira

O depoimento de nosso caro leitor é importante por duas questões fundamentais, por ele vividas e compreendidas:

  1. A questão da compra ou troca de um carro deve levar em conta os planos e objetivos da família, o que pode mudar drasticamente a decisão;
  2. Por consequência, as atitudes de analisar a situação, simular e buscar conhecimento permitem que tomemos decisões mais inteligentes e com efeitos mais duradouros.

Portanto, para o cidadão comum, carro não é investimento, não é ativo. Carro é passivo, é sinônimo de despesas e gastos extraordinários capazes de furar qualquer orçamento. Ah, e sem drama por favor. Isso é um alerta, não uma mensagem apocalíptica pregando a caminhada diária para o trabalho e dias de aperto no transporte público.

Se preferir, dou o recado de forma mais direta: há aqueles que, independente da oferta de crédito e do “chorôrô” da família, não podem ter um carro. Nem do mais simples e barato. Simples assim, muito embora muitas pessoas adorem vir até aqui e insistir nas patéticas desculpas que envolvem sociedade, cobrança, vergonha e orgulho. Interessante, humildade na compra do carro pouca gente gosta de discutir. Por que será?

Ainda hoje conversávamos, eu e o Valdemar, sobre a necessidade de alimentarmos constantemente nossa consciência financeira. Ele, agora por dentro de importantes conceitos e alternativas de planejamento financeiro, percebeu que sua atitude foi puramente baseada em impulsos emocionais e sociais, hoje nada relevantes diante de seus planos para a família. O carro novo (de 2004), neste caso, não teria feito tanta diferença. As coisas poderiam ter sido diferentes. E hoje são, não é mesmo Valdemar?

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Crédito da foto para stock.xchng.

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