A crise financeira é uma só. A realidade e as reações não!Você investe na Bolsa? Pois é, eu também. Então vejamos: O Índice Bovespa acumula perda de 41,9% só este ano (até ontem). De todo este percentual, 16,7% vieram dos últimos quatro pregões. Hoje a Bovespa já ativou o circuit breaker, com baixa de 10,19% em menos de uma hora. Lá fora, vimos a Bolsa de Nova York (NYSE) despencar 7,33% ontem, na maior queda em 21 anos. Mais, vimos as ações da General Motors caírem 31%, na maior baixa em 58 anos de história (hoje está caindo ainda mais). O cenário parece dos mais catastróficos e sérios já vividos pelos mercados, tanto aqui quanto por ai. A crise de solvência e de confiança é séria. Ah, sim, ela já chegou por aqui.

Uau, o parágrafo anterior ficou pesadíssimo. A realidade dói, mas traz também duas coisas fundamentais para quem quer se firmar como investidor e transformador de sua independência financeira[bb]: 1) Aprendizado; e 2) Oportunidades. Aprendizado porque muitos dos aqui comentam e escrevem não haviam presenciado, enquanto investidores, uma grande crise financeira (também estou neste grupo). Oportunidades porque, do aprendizado, surgem reações e atitudes que podem fazer a diferença lá na frente.

Realidade 1: Quem se importa?
Segundo dados do INC (Índice Nacional de Confiança), compilados pela ACSP (Associação Comercial de São Paulo) e pelo Ipsos, apenas 4% dos consumidores entrevistados apontaram notícias relacionadas à crise como as que mais lhes chamaram a atenção em setembro. Claro, o assunto mais comentado foram os crimes e notícias policiais. Interessante que mesmo não citando a crise como notícia fundamental, o índice de confiança na economia vem caindo desde abril.

O brasileiro comum não comenta a crise, mas sabe que algo errado está acontecendo. Ele já percebeu que algumas negociações ficaram mais difíceis, que o crédito está mais caro e menos abundante e que muitos dos produtos que ele consome diariamente podem ficar mais caros com a alta do dólar. Nós, que debatemos a crise em diversos artigos e que a acompanhamos no noticiário especializado, somos privilegiados. Por que? Porque podemos aprender e aproveitar (lembra-se do segundo parágrafo?).

Realidade 2: Quebradeira
Se alguns nem sabem que uma crise internacional de grandes proporções vem causando problemas mundo afora, outros vivem no bolso a dura realidade do investimento[bb] alavancado em renda variável – com muitas operações no mercado a termo. A GWI, gestora independente premiada no passado por sua grande rentabilidade em relação ao Ibovespa, decidiu “congelar” um de seus fundos, conforme comunicado em seu site:

“São Paulo, 8 de outubro de 2008 – Informamos aos nossos cotistas que a GWI decidiu pelo fechamento do fundo GWI FIA para a realização de resgates e aplicações. Tal decisão deve-se ao agravamento das condições do mercado nos últimos 5 dias, que levaram o fundo a uma situação delicada de liquidez. A gestào vem tomando todas as medidas para liquidar a carteira de contratos a termo do GWI FIA de forma ordenada, e minimizar os prejuízos para os cotistas. A decisão de fechamento do fundo foi tomada para garantir o tratamento igualitário de todos os cotistas do fundo e assegurar que os pedidos de resgate seja processados de forma ordenada”

O fundo GWI FIA é para investidores qualificados, o que significa ter R$ 250 mil disponíveis para investimento mínimo. Na segunda-feira, sua rentabilidade chegou a -89,04% no ano. Desde junho, cotistas correram para sacar seu dinheiro e o patrimônio caiu de R$ 385 milhões para R$ 68,47 milhões em pouco mais de três meses. Estamos diante de um fundo que pereceu diante dos movimentos insanos do mercado financeiro[bb] global.

Alguns leitores questionam: pode acontecer o mesmo com outros fundos e gestores de recursos? Pode, claro! Minha resposta vai acompanhada de diversas outras perguntas:

  • Você conhece a política de investimentos do fundo onde investe seu dinheiro?
  • Ele é alavancado?
  • Qual é o percentual dedicado ao mercado de renda variável?
  • Qual a composição de sua carteira?

Viu como é importante conhecer bem o produto escolhido para colocar seu capital? O caso GWI é um caso isolado, pois trata-se de um gestor super agressivo e com pouco patrimônio – a indústria de fundos soma R$ 1,12 trilhão. Mas o alerta permanece: você sabe onde está investindo?

Algumas conclusões e lições
O artigo parece apocalíptico? Não é. Repare que dois extremos foram explorados: de um lado os que nem sequer sabem a extensão da crise, do outro quem sofreu (e muito) com sua inesperada extensão. O pequeno investidor[bb], aquele que freqüentemente nos visita, tem que usar o bom senso e manter-se entre estes dois mundos. Por que? Porque euforia demais é tão perigoso quanto arriscar demais.

Os clichês típicos de Wall Street devem ser respeitados. Quem quer muito retorno, tem que arriscar mais que os outros. Já ouviu isso? Pois é, mas quando tudo vai bem, esquecemos de interpretar a mensagem. Ganha-se muito assim, mas uma deterioração dos cenários pode ser devastadora. Se queremos planejar o longo prazo, precisamos diversificar de forma a não depender tanto de notícias e dados econômicos diários. Também não devemos passar o dia alienados. O jeito é apelar para um dos clichês mais antigos: equilíbrio, gente, equilíbrio!

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Crédito da foto para stock.xchng.

Conrado Navarro
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