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A crise mundial, os erros e as crises de cada um

A crise financeira internacional derrubou a bolsa, fez baixas nos EUA e quebrou um importante banco! A situação é grave para você e sua família?

por Conrado Navarro
3 min leitura

Medo. Tens√£o. Desespero. P√Ęnico. Na R√ļssia, o √≠ndice Micex ativou o circuit breaker – dispositivo que interrompe as negocia√ß√Ķes na bolsa – ap√≥s queda de 17,45%. No Brasil, o Ibovespa est√° diante do menor n√≠vel desde agosto do ano passado. No ano, estamos com desvaloriza√ß√£o de pouco mais de 25%.

No mês, queda de cerca de 14%. Você perdeu muito dinheiro com os problemas recentes do mercado financeiro? Quais as suas estratégias para enfrentar crises como a que vivemos agora? De quem é a culpa?

O Lehman Brothers, quarto maior banco de investimentos dos EUA, pediu concordata ontem. O banco dos irm√£os Lehman quebrou. Fotos de funcion√°rios deixando a sede do banco com seus pertences em caixas e mochilas pipocam em jornais pelo mundo todo.

O pedido de concordata do banco, com ativos que somam US$ 639 bilh√Ķes, √© o maior j√° registrado desde 1980, segundo noticiou a Bloomberg. O banco errou em sua estrat√©gia de aloca√ß√£o de recursos? Exagerou na concess√£o de cr√©dito?

Enquanto isso, o Merrill Lynch, terceiro maior banco de investimentos dos EUA, teve suas a√ß√Ķes negociadas com o Bank of America a US$ 29,00 por papel, valor 70% mais alto que o pre√ßo de fechamento do dia 12 de setembro. Mais erros? A AIG (American International Group), terceira maior seguradora do mundo (a n√ļmero um nos EUA), tamb√©m quase sucumbiu. Pois √©, a crise √© feia e disso n√£o h√° d√ļvida.

A crise da culpa

Aproveito a oportunidade para convid√°-lo para uma reflex√£o: ser√° que as crises, especialmente aquelas pr√≥prias de cada um de n√≥s, n√£o s√£o fruto de nossos pr√≥prios atos e erros? A resposta √≥bvia √© “sim, claro!”, mas explic√°-la n√£o √© t√£o simples assim. As raz√Ķes que anteciparam a crise internacional n√£o s√£o facilmente digeridas pela grande maioria da popula√ß√£o, o que torna muito mais f√°cil o desespero pelo “depois” que o planejamento para o “sempre”.

O p√Ęnico geral j√° chegou por aqui. O sentimento de desespero tomou conta do Dinheirama. Desde domingo, s√£o muitos os coment√°rios e e-mails recheados de indigna√ß√£o, palavr√Ķes, mensagens de desrespeito e ofensas. O bom senso deu lugar ao terror. Por alguns instantes, me senti o culpado por todos os probemas financeiros de cada um dos muitos afetados pela crise. Felizmente, tal sensa√ß√£o passou r√°pido, bem r√°pido. Decidi publicar algo a respeito.

A crise do aprendizado

Tamb√©m fui pego pelo furac√£o econ√īmico que afeta o mundo. Mantenho posi√ß√Ķes compradas na Bovespa e tamb√©m estou vendo derreter parte de meu patrim√īnio. Optei, depois de muito pensar e conjecturar, por n√£o mexer nesta fatia de minha cesta de investimentos. Ali√°s, aproveitei a crise para refor√ßar alguns planos futuros. As raz√Ķes s√£o importantes e nos levam a algumas conclus√Ķes:

  • N√£o depositei nas a√ß√Ķes “as economias da minha vida”. 2007 foi um ano at√≠pico, de retornos extraordin√°rios na bolsa de valores, o que atraiu um sem n√ļmero de investidores esperan√ßosos e ref√©ns do notici√°rio econ√īmico. Por filosofia e principios, sempre disse que investir em a√ß√Ķes deve ser uma atitude de longo prazo. Expliquei, com todas as manhas poss√≠veis, que longo prazo √© mais do que a maioria das pessoas pensa que √©. Portanto, se voc√™ colocou suas economias na bolsa, s√≥ posso lamentar. Displisc√™ncia nunca combinou com investimento de risco e planejamento.
  • O pouco que tenho est√° razoavelmente diversificado. Criam por ai uma lenda de que diversificar √© ruim. O problema de se acreditar piamente em um sui√ßo rico √© a tentativa de imortalizar suas tacadas e tentar se transformar na pr√≥xima lenda do mercado financeiro. Que tal baixar a bola e manter seu dinheiro em aplica√ß√Ķes cuja sistem√°tica voc√™ compreende bem? Ah, sim, quem entende tamb√©m perde dinheiro, mas sabe explicar os porqu√™s da derrota e aprender com seus erros.
  • Confio parcialmente em minha intui√ß√£o. Desconfio de tudo aquilo que gera euforia demais em meu dia-a-dia. Leio tudo com aten√ß√£o e respeito, mas com o objetivo de aprender, completar minha pr√≥pria opini√£o sobre o assunto. Com isso, participam mais do processo decis√≥rio cotidiano a consci√™ncia e a disciplina, e menos a emo√ß√£o e o efeito “Maria vai com as outras”. Funciona.

A crise dos erros

Como todo momento delicado, este epis√≥dio em que muitos perdem boas somas na bolsa ou amargam posi√ß√Ķes cada vez mais desvalorizadas nos lembra alguns erros b√°sicos daqueles que decidem investir em a√ß√Ķes despretenciosamente, sem se preocupar com os pormenores da quest√£o e dos riscos nela envolvidos:

Erro 1: Viver de emo√ß√Ķes

Quando os especialistas dizem que para investir em a√ß√Ķes √© preciso sangue-frio, n√£o √© exagero. Muitos aqui nunca investiram antes e, ao saber de uma crise, apavoram-se exageradamente. A maioria n√£o viveu uma crise.

Emoção não combina com investimentos de risco, mas isso não é nenhuma novidade. Investidores experientes sabem a hora de emocionar-se com um grande negócio, mas geralmente o fazem só depois de tê-lo concretizado (por exemplo, depois de efetivamente vender um ativo cuja valorização foi expressiva).

Erro 2: Acreditar piamente no passado

A Bovespa trouxe excelentes retornos em 2007? Voc√™ havia comprado antes, vendeu na alta e viveu a euforia do mercado? √ďtimo! N√£o viveu? Que pena, conviver com a realidade √© preciso. O que interessa √© a famosa frase, presente de forma obrigat√≥ria em todos os prospectos de investimento, que diz: “rentabilidades passadas n√£o s√£o garantia de rentabilidade futura”. Simples assim.

Erro 3: Investir pensando no curto prazo

Aqui repito aquilo que falo h√° muito tempo: investimento em a√ß√Ķes¬†s√≥ √© recomendado para aqueles que v√£o usar os recursos da aplica√ß√£o no futuro, no longo prazo. O universo que recomendo, e do qual fa√ßo parte, √© do investimento em renda vari√°vel para 10 anos ou mais. Muito longe? Escolha alternativas mais seguras, menos emocionantes.

O dinheiro é seu!

Abalado pela crise, sim, mas com a cabe√ßa erguida. Optei por n√£o sair por ai ofendendo as diversas corretoras e bancos brasileiros pela queda nos pre√ßos das a√ß√Ķes que possuo ou pelo problema financeiro que isso possa me trazer. “O dinheiro √© seu” seria a resposta dada calmamente por meus gerentes. Sem falar que isso est√° muito bem coberto no contrato de risco entre investidor e operadores de mercado.

Assumir responsabilidades e riscos faz parte do universo adulto a que todos nós um dia nos submetemos. Se você pulou esta parte ou eventualmente prefere fingir que ele não existe, reclame com seus pais, responsáveis por sua educação, não comigo! O Dinheirama é um espaço de aprendizado, não um depósito irresponsável de dicas ou um oráculo.

Por fim, cabe ressaltar que n√£o nos responsabilizamos por suas perdas no mercado de a√ß√Ķes, pela quebra do Lehman ou pelo aumento da taxa de juros. Aqui, apenas procuramos compreender tais acontecimentos, aprender com eventuais erros e disseminar pr√°ticas inteligentes de planejamento financeiro que funcionam. O dinheiro, muito bem lembrado, √© seu.

Crédito da foto para stock.xchng.

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