A postura do investidor diante do investimento em açõesEis que termina uma semana cheia de assuntos importantes. A comemorada queda na Taxa Selic, agora em 8,75% ao ano, e a continuidade da apresentação de dados positivos sobre a economia real impulsionaram o índice Bovespa – que chega ao final da semana acima dos 54 mil pontos. Não é preciso falar que muita gente deve estar com um sorriso enorme, daqueles de orelha a orelha.

Mas quem são essas pessoas? Não é tão difícil apontá-los: muitos são aqueles que, durante o pior da crise (no fim do ano passado), decidiram aproveitar os preços convidativos e partir para o ataque, comprando ações a preços de “promoção”. É claro que uma grande parte dos investidores fez o caminho inverso, afinal o medo de ver suas economias se transformar em pó pedia uma ação rápida, o resgate.

Rápida sim, mas certeira? Longe disso. O tempo é um dos grandes aliados dos investidores[bb] – quiçá o maior deles. Justamente por isso, todos nós discutimos muito os prazos pelos quais o investidor decide aplicar seu dinheiro. Particularmente, sempre defendi que os investimentos de longo prazo estejam com boa parcela no mercado de ações. Ah sim, esclarecendo que não quero dizer que basta comprar uma ação hoje e mantê-la por dez anos.

O que digo é que o investimento deve ser mantido por um longo tempo, mas de forma atuante e inteligente: comprando, vendendo, comprando, vendendo, mas de forma menos frenética – como ocorre nas operações de day trade. Aliás, nada contra o day trade. Me utilizo dessa operação sempre que identifico o que considero boas oportunidades, mesmo não sendo operador profissional. Mas, para isso busco informações o tempo todo – e tenho tido êxito.

Operações a parte, a ação rápida que levou muitos investidores a resgatar os investimentos quando o Ibovespa chegou aos 29 mil pontos mostrou-se um tiro no pé. O efeito manada neste caso foi devastador e a bolsa de valores[bb] ficou muito mal falada. “É fácil falar agora”, costumo ouvir com freqüência. Ainda bem que abordamos o assunto com seriedade desde sempre.

Era fato que o aspecto emocional falou alto naqueles dias, superando qualquer lógica do mercado – se é que ela existiu ou existe. De todo modo, quem resgatou naquele momento aprendeu (tomara) duas lições importantes:

  1. Mesmo nos bons momentos, o mercado de ações é um mercado de risco. O “tempo” pode mudar de uma hora para outra. Logo, é preciso manter a direção mesmo durante a tempestade. O problema é que quem não tinha uma rota definida perdeu-se no caminho. Os “naufrágios” ocorrem principalmente por descontrole e desinformação.
  2. O mercado de ações não é para todo mundo. Ponto. Quem não sabe os riscos que corre, aprende a respeitar as pequenas perdas, valorizar os pequenos ganhos ou não se prepara para aproveitar as oportunidades que surgem todos os dias não deve pensar em entrar em um mercado onde não existe perdão. O erro no mercado de ações custa muito mais caro do que em outros investimentos. Por isso é bom que se aprenda com os erros e que os acertos, ainda que pequenos, superem os erros – estes, preferencialmente, sempre pequenos.

Quem deseja investir no mercado de ações[bb] precisa conhecer o funcionamento do todo. Desde o funcionamento do sistema de home broker até elementos de análise de empresas (escola fundamentalista e/ou técnica) e questões práticas de Imposto de Renda, operação etc.

Posso ser taxado de radical por alguns – tudo bem –, mas aqui mesmo no Dinheirama recebemos centenas de e-mails de pessoas desesperadas que entraram na renda variável sem conhecimento, apenas por que um amigo indicou e, justamente na hora de ganhar dinheiro, decidiram por perdê-lo. Não respeitaram seus objetivos, comprometeram dinheiro para o curto prazo e se esqueceram do mantra: compre na baixa e venda na alta.

“Mas, Ricardo, eu tenho um consultor e um corretor que tomam conta dos meus investimentos”. Ótimo, mas o dinheiro é seu ou dele? Não transfira a responsabilidade do seu futuro para outras pessoas. Sou consultor e trabalho sério para que as pessoas que atendemos através do Dinheirama conheçam os detalhes do que podem fazer com seu capital, independente se investem sozinhos ou através de uma instituição. É preciso participar.

Temos convicção de que o mercado de ações é um caminho muito interessante para o futuro de quem busca rentabilidades diferenciadas, especialmente para quem já tem seu pé de meia na renda fixa ou na caderneta de poupança e agora busca um caminho melhor. Mas, preste atenção: tenha certeza que o seu sucesso vai depender muito de seu esforço pessoal e essa responsabilidade não pode ser negligenciada. Aliás, em breve o Dinheirama terá um canal exclusivo para investimento em ações, não perca!

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Ricardo Pereira
é educador financeiro e palestrante, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.

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Ricardo Pereira
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