A Uma notícia me chamou a atenção hoje ao ler o portal InfoMoney. Foi divulgada, em matéria assinada pelo repórter Gustavo Kahil, a notícia de que as Bolsas da América Latina poderão, em breve, dividir e trabalhar em um mercado financeiro[bb] unificado. Não bastassem as integrações de grandes corporações e, mais recentemente, de grandes bancos, agora parece estar chegando a vez dos mercados. Será interessante para todos os países?

Fico com uma pergunta ainda mais simples: qual o objetivo dessa fusão? Parece-me que integrar os serviços criaria uma gigante global do mercado financeiro. Daí, novas dúvidas surgem naturalmente: será que a crise é a hora certa para discutir tudo isso? Ou seria ela um empecilho para os negócios ligados ao mercado de capitais? Bom, posso dizer que minha visão é bastante otimista. Creio que a hora seja bem oportuna.

A BM&F Bovespa agora é uma grande empresa e tem tudo para liderar este movimento de consolidação do setor. Acreditar nela é também acreditar no investimento em ações[bb]. Você já investe em renda variável? Certo, não se trata de um investimento para todos ou para toda hora. Muitas variáveis devem ser discutidas e bem entendidas antes de decidir-se por este tipo de investimento. Compensa.

A crise, como todas as outras, passará. Ela pode durar um, dois, três ou cinco anos, é verdade. No entanto, lembre-se que crises trazem ótimas oportunidades – muitas vezes com a mesma intensidade com que trazem estragos e problemas. Na última semana, falamos sobre a Petrobras. Alguém ainda dúvida que, ao primeiro sinal concreto de consolidação do mercado, as ações da empresa voltarão a valores muito maiores do que os de hoje?

Pois é, a crise é de confiança. Quem, durante este final de ano e em sã consciência, está disposto a investir em renda variável? Eu sou um dos malucos que segue este caminho e, na contramão da maioria, estou buscando e cavando boas oportunidades aqui e ali. Meu planejamento no longuíssimo prazo diminui meu risco e possibilita ganhos ainda maiores. Em resumo, quero aproveitar para comprar barato.

E o processo global?
Voltando ao assunto da integração das bolsas, a idéia parece ser fazer frente a Londres e Nova York. Fusões e aquisições em momentos como este representam oportunidades de se “pagar barato”, exatamente como eu venho tentando fazer – e por isso falei sobre o mercado de ações e tal. Enfim, criar uma “Super Bolsa Latina” é a visão das bolsas latino-americanas, lideradas pela BM&F Bovespa.

Seria legal? Claro, pois abriria espaço para que investidores[bb] negociem tanto os papéis das empresas locais, quanto estrangeiras (de países deste grupo). Mais, nós, brasileiros, seríamos os líderes. Trata-se de um passo fundamental rumo à consolidação cultural dos investimentos em ações no Brasil, principalmente quando olhamos o resultado indigesto e extremamente volátil dos mercados no ano de 2008.

O tombo do aprendizado
De fato, é preciso mensurar de forma muito correta as lições desses últimos tempos. Muitos estão seguindo por um caminho equivocado. Por exemplo, está ressurgindo a idéia de que o mercado de ações é um bicho de sete cabeças e que só os grandes especialistas ou figurões podem participar do mercado. Mentira!

Se esta é também a sua leitura, meu pensamento é que nada foi captado de real durante essa crise. Infelizmente. A verdade nua e crua mostra, sim, que muitos caíram e cairão graças à crise. No entanto, este grupo estava depositando todas as suas economias em um mercado de risco, cujo objetivo deve ser o longo prazo. Deveriam saber que perder era uma possibilidade.

Faça como a BM&F Bovespa e suas colegas da região. Pense grande, pense no futuro, mas realize e mude de atitude agora. A consolidação das bolsas de valores[bb] parece ser questão de tempo; o Brasil vai tomando importantes assentos na integração dos mercados e do sistema financeiro. Fico muito feliz, porque muito de minha aposentadoria está justamente onde ninguém quer se aventurar, no mercado de capitais.

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Ricardo Pereira é consultor financeiro, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Ricardo Pereira
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